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Newsletter com a informação oficial da Rede Escolar Adventista em Portugal.
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Excelência, Rankings e
Filosofia Educacional Adventista:
um equilíbrio possível?

 

As Escolas Adventistas não estão isentas do escrutínio anual dos rankings de escolas em resultado das Provas Finais de Ciclo do Ensino Básico, da responsabilidade do Ministério de Educação e Cultura do Governo Português. Graças a Deus pela existência destes rankings, pois o sistema escolar adventista mundial é movido por um ideal de excelência e busca, por isso, os melhores resultados escolares para os seus alunos. Prepará-los academicamente para o seu restante percurso escolar e para o desafiante ingresso no mundo do trabalho é uma realidade inegável que em muito contribuirá para a boa imagem, subsistência e sobrevivência das escolas. Tudo isto é verdade, mas será que as Escolas Adventistas estão reféns destes rankings? São os rankings determinantes no processo de ensino-aprendizagem? A posição anual de uma Escola Adventista nos rankings condiciona o seu processo de matrículas? Têm as Escolas Adventistas como hábito selecionar alunos, aceitando uns e preterindo outros, pois o que importa é a tão desejada posição nos rankings nacionais? Por fim, uma última pergunta para análise e reflexão. Como se posiciona a Rede Escolar ASD, possuidora de uma Filosofia Educacional tão própria, em relação a esta problemática? Haverá equilíbrio possível?

Antes demais, procuremos definir, em breves palavras, a Filosofia Educacional Adventista. De acordo com a declaração da Comissão de Declaração de Filosofia da Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo Dia, de 26 de março de 2001, “A educação Adventista provê mais do que conhecimento académico. Promove um desenvolvimento equilibrado da pessoa toda - espiritual, intelectual, física e socialmente. Ela abarca a eternidade. Procura desenvolver uma vida de fé em Deus e respeito pela dignidade de todos os seres humanos; formar caracteres semelhantes ao do Criador; encorajar pensadores em vez de meros reflectores dos pensamentos de outros; promover serviço amorável em vez de ambição egoísta; assegurar o máximo desenvolvimento do potencial de cada indivíduo e abraçar tudo o que é verdadeiro, bom e belo”. Nesta perspectiva e linha de pensamento, surge então a finalidade maior da educação Adventista, restaurar e redimir o ser humano, seja ele aluno, docente ou outro interveniente no processo educativo. Mas esta finalidade tem que ser contextualizada e fundamentada. Considerando a Bíblia como fonte da auto-revelação de Deus, a educação Adventista possui uma cosmovisão teísta, acreditando na existência de um Deus Criador que criou todas as coisas incluindo o ser humano, que foi criado à Sua imagem e semelhança como ser perfeito e dotado de livre arbítrio. No cenário do Grande Conflito cósmico entre o bem e o mal, e em resultado da entrada do pecado no planeta Terra, o ser humano vai cair e perder parcialmente a imagem de Deus e a ligação face a face que tinha com Ele. Diante da incapacidade do ser humano de restaurar a sua própria natureza, Deus toma a iniciativa para que essa restauração seja uma realidade. Como? Através do nascimento, vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Desta forma, a educação do ser humano é vista como um ministério, um ministério restaurador da imagem de Deus na humanidade. Mas não se trata somente da restauração do ser humano, mas igualmente do mundo e da sua história. E esta cosmovisão completa-se com o retorno do Criador a este Mundo e a esperança da vida eterna onde, restauradas para sempre, criaturas voltarão a estar próximas do Criador, o seu redentor.

Desta forma, como deve ser encarado e tratado cada aluno numa escola dita cristã e que segue tais princípios filosóficos? Como alguém que unicamente tem que tirar excelentes notas para reforçar a posição da escola no ranking? Ou como alguém merecedor de todo o carinho, amor, entrega, pois é alguém especial, alguém que deve ser educado para a restauração e salvação, independentemente dos seus sucessos ou insucessos escolares? Que tipo de sucesso é que a educação Adventista valoriza? Tomemos o exemplo de um aluno que, apesar das dificuldades de aprendizagem, dá o seu máximo e consegue transitar de ano. Não é esta uma vitória de assinalar e valorizar?

E se o caso for de um aluno que apresenta dificuldades de comportamento ou de relacionamento, não é também um filho de Deus que merece uma oportunidade de restauração e salvação? 

Pois bem, o caminho parece que nos dirigiu para uma encruzilhada, mas na realidade não é difícil sair dela. 

Sim, uma Escola Adventista deve potenciar cada indivíduo, trabalhá-lo segundo padrões de excelência, mas nunca perdendo de vista que é um ser humano com limitações, mas merecedor da graça redentora de Jesus Cristo e de uma oportunidade de transformação. Se o aluno muda a sua postura e/ou aproveitamento, obtendo resultados inesperados e merecedores de louvor pois superou-se a si próprio, dando tudo o que tinha, não será tal transformação motivo de alegria? Com certeza que sim, mas isso em nada contribui para o ranking, pois não é mensurável ou alvo de qualquer avaliação. Tudo bem, mas uma coisa é certa, a transformação do ser humano é bem mais importante do que os rankings humanos e terrenos. Afinal, cada aluno é um candidato à vida eterna e esta visão deve continuar bem enraizada no sistema escolar adventista.

Mas o caminho prossegue! E o que dizer dos muitos alunos que, com bons resultados, vão dando às Escolas Adventistas lugares interessantes nos referidos rankings? Muitas conclusões podermos aferir, mas uma delas é inevitável, o trabalho desenvolvido nas Escolas Adventistas é sério, é realizado com profissionalismo e qualidade. Logo, parece possível afirmar que é possível obter o equilíbrio entre a excelência, a importância dos rankings e a Filosofia Educacional Adventista. Sim, parece-nos que sim, mas nunca se deve, em momento algum, perder de vista o objectivo maior da Educação Cristã Adventista, que segundo a escritora cristã, Ellen G. White, é: “restaurar no homem a imagem do seu Autor”.

Convidamo-lo a ler alguns testemunhos de atuais e antigos alunos das Escolas Adventistas em Portugal que mostram o quão importante foram para eles as referidas escolas e a filosofia educacional ali existente. Convidamo-lo igualmente a verificar algumas posições recentes nos rankings nacionais e a tirar as suas próprias conclusões sobre a qualidade do ensino adventista. Por fim, desafiamo-lo a procurar conhecer, acreditar e envolver-se com a educação Adventista e com as suas escolas.

Tiago Alves
Diretor do Departamento de Educação da UPASD

Colégio Adventista de Oliveira do Douro

Os resultados do presente...

Rankings 2014

Rankings do PÚBLICO/Universidade Católica Portuguesa para as escolas do ensino básico e secundário, de acordo com as notas dos exames nacionais (29 novembro 2014)

4º Ano 

Ranking 523.º em 4.441 escolas
15.º Concelho Vila Nova de Gaia

Ranking ano anterior 181.º

6º Ano

Ranking 215.º em 1155 escolas
7.º Concelho Vila Nova de Gaia

Ranking ano anterior inexistente

9º Ano

Ranking 28.º em 1.247 escolas
2.º Concelho Vila Nova de Gaia

Ranking ano anterior 376.º


Os resultados e testemunhos do passado...

Várias gerações de alunos têm passado pelo CAOD nos já 40 anos de história da instituição. Cada um deles, recordará as muitas bênçãos de Deus recebidas ao longo sua curta ou longa passagem pelo externato ou mesmo pelo internato. Recordarão certamente o clima de amizade e de uma saudável aprendizagem não só de conteúdos disciplinares, mas também de valores. Muitos deles não escondem algumas situações ou acontecimentos menos bons, mas consideram tais momentos como fazendo parte do seu percurso académico e de vida. O balanço é, por isso, extremamente positivo.

Recuando ao mês de dezembro de 2012, ao relatório do inquérito efectuado aos Antigos Alunos do CAOD, tendo em vista a Acreditação,  pela Adventist Acredition Association, que o estabelecimento receberia em janeiro de 2013, podemos destacar a seguinte informação.

Perante a pergunta “Quais os aspetos que consideras positivos da tua vivência como aluno do CAOD?” as respostas que obtiveram mais pontuação foram as seguintes:

  1. Ambiente familiar, unidade, confiança e segurança;
  2. Preocupação pelo bem-estar, tanto na parte física como mental e espiritual;
  3. Educação para a independência e maturidade;
  4. Educação para o discipulado. Vivência mais próxima de Deus;
  5. Corpo docente competente e preocupado com o desenvolvimento holístico dos alunos;
  6. Amizade e proximidade entre todos, desde os funcionários alunos e professores, assim como a atenção dada ao ensino;
  7. Transmissão de princípios e valores por parte dos Professores, funcionários e voluntários;
  8. Relacionamento dos professores com os alunos e a ligação constante entre as matérias escolares e a Bíblia (as meditações, semanas de oração). Aprendizagem nas várias vertentes, não apenas escolar, mas também outros conhecimentos/ competências adquiridas nas áreas como limpeza, jardinagem, agricultura.

Já em relação à pergunta Quais os aspetos negativos que verificaste na tua passagem pelo CAOD? as respostas que obtiveram mais pontuação foram as seguintes:

  1. Falta de profissionalismo por parte de alguns funcionários;
  2. Falta de algum profissionalismo e exigência;
  3. Infraestruturas pobres, destruturadas e subaproveitadas;
  4. Alimentação cara e com sabor "difícil" de agradar a crianças/adolescentes;
  5. Por vezes a falta de materiais de ensino devido a falhas de sistemas eletrónicos e também humanos; por vezes a falta de originalidade nas atividades propostas; por vezes a dificuldade dos professores em manter o silêncio na sala de aula.

Quando foi perguntado aos antigos alunos se, ao deixaram o colégio sentiram dificuldades de adaptação a outro(s) estabelecimento(s) de ensino? e se sim, quais?, 65% das oito dezenas de respostas, responderam que não tiveram dificuldades. Entre os restantes alunos que manifestaram alguma dificuldade, acentua-se que na nova escola não existia meditação matinal, as turmas e a escola eram maiores e a relação entre professor-aluno era mais impessoal. Há também alguns casos que manifestam alguma impreparação académica para a nova realidade escolar.

Entre as muitas conclusões a que este inquérito permitiu chegar, é que uma percentagem muito elevada de antigos alunos vive hoje, seja ainda no percurso académico ou já no percurso laboral, situações de alguma estabilidade e de sucesso. 

Muitos há que partilharam o seu testemunho, agradecendo a Deus e ao corpo docente e não docente do CAOD pela possibilidade que a passagem pelo CAOD lhes trouxe à vida, uma transformação de hábitos, comportamentos e uma significativa aprendizagem de valores.

Em conclusão...

Mas, e hoje! Que resultados estão a ter os alunos do CAOD? Convidamo-lo a ver o pequeno filme, a consultar  os rankings deste ano e a tirar as suas conclusões. Faço-o com o mesmo espírito que toda a equipa educativa do CAOD procura manter: todas as conquistas e sucessos são atribuídos a Deus; todos os aspectos a melhorar são apresentados a Deus para que Ele, na sua infinita misericórdia, actue e ajude a alcançar

Que Deus seja louvado pelos 40 anos do CAOD e que esta instituição continue a ser uma chama da Educação Adventista em Portugal e no Mundo.

Docentes do CAOD


Educar para o Testemuho
 

Oficina de Talentos - Lisboa

A palavra grega para testemunha é "μάρτυς" de onde surge o termo em português mártir. Nem sempre o martírio significa morte ou colheita da vida. Muitas vezes o martírio significa a fidelidade a um propósito ou a uma causa durante o tempo em que vivermos. Alguns testemunharão com mais eficácia na hora da morte, outros testemunharão em vida. Na realidade o mais importante não é saber quanto tempo vamos viver mas sobretudo como é que vamos viver o tempo que temos.

É difícil entregar a vida num único momento devido à fidelidade a uma causa, mas mais difícil é permanecer fiel todos os dias da nossa vida a essa mesma causa. Na esfera cristã testemunhar é confiar em Deus na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Quanto temos muito ou quando temos pouco. Quando o ciclo da vida é favorável ou quando o ciclo de vida é nos é desfavorável.  

E a educação cristã por excelência é o meio para fundamentar o carácter do aluno na Rocha Eterna da Salvação, testemunhando em fé e fidelidade debaixo de qualquer circunstância. Testemunhar com fé é acreditar que Deus existe e pode todas as coisas, testemunhar com fidelidade é decidir permanecer ao lado de Deus mesmo que as circunstâncias não sejam favoráveis. Os amigos de Daniel oraram a Deus para que o Senhor os libertasse da fornalha ardente (Daniel 3). Daniel orou para que o Senhor o libertasse da cova dos leões (Daniel 6). Uma vida de fidelidade e testemunho pode nos conduzir a uma fornalha de aflições ou a uma cova de problemas que rugem a todo o instante. A resposta às orações destes jovens em babilónia, não ocorreu de acordo com as suas expectativas, mas mesmo assim resolveram permanecer ao lado de Deus. Permanecer ao lado de Deus, sob qualquer circunstância é o maior testemunho que se poderá dar ao mundo. Deus não libertou Daniel da cova dos leões nem os amigos de Daniel da fornalha ardente, mas libertou-os na cova e na fornalha ardente. Em cada desafio ou provação existe uma oportunidade de fidelidade e de testemunho.

Em 2009 abracei o projecto de capelania na Oficina dos Talentos em Lisboa (ainda na sua fase de arranque), pensando que a minha acção consistiria apenas em leccionar aulas de bíblia. Constatei a posteriori que a minha acção seria muito mais abrangente, de âmbito pastoral.

Alguns dos meninos estavam a passar por problemas difíceis nas suas famílias (problemas económicos, problemas familiares, problemas de carácter, etc) e foi ali que iniciamos um pequeno grupo de oração infantil, em que as crianças tinham a oportunidade de orar por estas dificuldades que molestavam.

Ao mesmo tempo estes meninos oravam pelos seus próprios problemas de carácter, tornando-os mais conscientes dos mesmos procurando assim evitá-los. Este meio servia também para inspirá-los a confiar em Deus, impressionado as suas mentes, sendo cada um deles agentes directos nesta parceria de oração. As notícias que chegavam dos educadores eram animadoras, sobretudo em relação à conduta, ainda que nem sempre o padrão comportamental fosse consistente.

O martírio (testemunhar) é também ensinar às crianças, o domínio da vontade pessoal para que impere a vontade da Palavra. Neste espaço de oração/ conversação era bom ouvir testemunhos na própria pessoa de meninos que tinham sido fiéis aos valores ensinados, ainda que muitas vezes sozinhos na sua casa. Recordo com entusiamo espiritual o testemunho de um menino que pedia para orar pela sua mãe. O pai deste menino tinha saído de casa quando este ainda era bebé, e a mãe teve que lutar sozinha para obter o sustento da casa e inclusive para que o filho pudesse estudar numa instituição cristã. Entretanto comecei a estudar a bíblia com a sua mãe, e pela graça de Deus esta decidiu-se pelo baptismo. No momento em que se decidiu por Cristo, o seu patrão levantou uma série de entraves (que não tinha feito até ali), forçando-a a trabalhar no dia de sábado. A mãe deste aluno estava angustiada. Era ela sozinha que pagava todas as contas da casa, e se fosse despedida seria dramático para esta família. Intensificámos as orações, o dia do baptismo foi marcado, e a mãe do aluno, como Daniel e os seus amigos em Babilónia, exerceu fidelidade em Cristo, sabendo que Ele apresentaria uma saída. E a resposta não tardou. De forma inesperada ela foi transferida para outro pólo da empresa, ficando não apenas com o sábado livre mas também com o domingo. Que testemunho e que impacto. Louvámos a Deus por este milagre.

Histórias parecidas aconteceram nos anos seguintes, como respostas às orações daquelas crianças. Acredito que estes levarão este legado ao longo da sua vida. Os maiores milagres que a bíblia e a vida apresentam não são intervenções sobrenaturais, mas sobretudo corações transformados pelo poder de Deus. 

Na infância, o espírito é facilmente impressionado e moldado, e é então que os meninos e meninas devem ser ensinados a amar e honrar a Deus (…) Podem dilatar o coração na confiança e amor a Jesus, e viver para o Salvador.”  (White, Ellen G., Orientação da Criança, p. 486).

Dário Santos, Pastor e antigo Capelão da Oficina de Talentos

Testemunhos marcantes…

Externato Adventista do Funchal
 

Frequentei o Externato Adventista do Funchal entre 2007 e 2011. Foi uma experiencia boa, porque pude aprender muitas coisas novas. Para além de aprender a ler, escrever e contar, adquiri conhecimentos sobre diversos temas que me fizeram crescer pessoal e espiritualmente. As histórias bíblicas, as orações, as capelas, os cânticos, entre outros, foram interessantes pois ajudaram-me a aproximar cada vez mais de Jesus. 

Procurei ser sempre amigo dos meus colegas dando-lhes bons conselhos, ajudando-os quando precisavam, partilhando interesses e brincadeiras, procurando demonstrar-lhes a minha amizade.

Presentemente frequento o 8º ano e sinto alguma saudade de uma escola onde diariamente se abordava o nome de Jesus como o nosso melhor amigo!

Diogo Teixeira, antigo aluno 
 

Frequentei o 1º Ciclo do Ensino Básico no Externato Adventista do Funchal, entre 1998 e 2001. Desta escola recordo com agrado os excelentes professores que lá exerciam a sua função, o fantástico estabelecimento de educação em termos de regras e princípios orientadores, as amizades de infância que lá fiz e as atividades dinâmicas a que tive direito de participar. Nesta instituição sentia-me seguro e protegido, talvez por ser um meio familiar. 

Destaco o facto de ter sido muito feliz durante aqueles anos, num sítio onde era acarinhado e bem tratado. Sinto que devo muito aos adultos com quem lidei, os quais me transmitiram sempre muita segurança, tranquilidade, afeto e carinho. Todos os valores transmitidos contribuíram para o reforço do meu caráter, para o desenvolvimento de algumas virtudes e para que pudesse caminhar, ao longo da minha vida, ao lado de Deus. Hoje em dia, reconheço que a minha passagem pela escola cristã adventista foi fundamental para me tornar um cidadão melhor num mundo que se está a desmoronar. 

Marco Rodrigues, antigo aluno

 

Frequentei o Externato Adventista do Funchal entre os anos 1995 e 1999, completando neste estabelecimento de ensino, o 1º Ciclo do Ensino Básico. Na minha opinião, frequentar uma escola cristã nos primeiros anos de vida de uma criança é crucial para o seu desenvolvimento pois, são incutidos atitudes e valores extremamente importantes, como por exemplo, a amabilidade, a compreensão, a cooperação, a amizade, entre outros.

Durante aquela maravilhosa experiência, aprendi que Deus é o nosso Criador e Salvador e que o Seu escudo sobre nós é o amor… Lembro-me, ainda, de algumas canções aí aprendidas, das orações ao início e ao fim do dia, das meditações sempre com uma moral que me permitiam aprender a ser uma criança melhor.

Algo que sempre me chamou a atenção foi o facto de, quando uma criança pratica uma ação menos boa (como por exemplo, bater em alguém), nem sempre era logo punida com um “raspanete” ou um castigo, mas conversava com o adulto e era levada a compreender que tinha agido mal. Na maioria das vezes, era feita uma oração com o próprio adulto, pedindo a Jesus que a criança não voltasse a ter uma atitude semelhante e que Ele a pudesse ajudar a ser uma criança melhor. Desta forma, inconscientemente para as crianças (e para mim na altura), são ensinados valores cristãos de extrema importância.

Andar no Externato Adventista do Funchal foi um grande privilégio e hoje reconheço isso. Sentia-me uma criança especial, amada e respeitada pelos meus colegas e pelos adultos que lá trabalhavam. Sendo filha de uma professora adventista fez-me criar um carinho por aquele estabelecimento de educação e permitiu-me manter contacto com a escola e com os adultos durante todos estes anos. Atualmente, com 24 anos, tenho o enorme privilégio de exercer a minha profissão como professora do 1.º Ciclo do Ensino Básico na escola adventista que frequentei quando era criança. É um sonho tornado realidade, uma das melhores bênçãos que Deus me concedeu. Poder ensinar a outras crianças aquilo que me ensinaram quando eu era criança, é extremamente gratificante, um desafio que admiro e aprecio realizar.

De um modo geral, sinto que durante a minha infância na escola, me mantive sempre unida a Jesus e a minha fé cresceu um bocadinho mais a cada dia. Hoje, agradeço por cada palavra, cada gesto e cada aprendizagem.

Vânia Rodrigues, antiga aluna e professora

 

Que Deus possa continuar a abençoar a nossa instituição para que as crianças, que connosco crescem, sejam adultos conscientes e saudáveis espiritualmente. Oramos para que Deus nos ajude a fazer sempre o melhor pelos nossos alunos, suprir as suas necessidades e vencer as pequenas batalhas, sem nos preocuparmos com o lugar que ocupamos nos rankings.

Vânia Rodrigues, professora


Os milagres que o Senhor opera…

Colégio Adventista de Setúbal
 

Celeste, Ana Isabel, Ana Teresa, Aline, Tiago, Nuno, entre outros... Todos à procura de ajuda... Todos recordamos com saudade... Hoje, recordamos a história do Nuno. Quando a mãe do Nuno chegou ao nosso Colégio, vinha, não só preocupada, mas também desesperada com aquilo que se estava a passar com o seu único filho: tinha seis anos, frequentava uma escola pública no primeiro ano de escolaridade há alguns meses e era marginalizado por todos uma vez que não conseguia adaptar-se. Os seus comportamentos eram muito estranhos: gostava de subir às mesas da sala de aula, e pegar em paus que eram suportes de bandeiras. A comunidade escolar, apreensiva com essas atitudes do Nuno, nutria algum temor de que poderia vir a exercer violência sobre os colegas e por esse motivo era colocado à parte.

O relato desta situação foi exposto à diretora do Colégio na altura, já lá vão alguns anos. Também esta demonstrou alguma relutância em aceitar o Nuno, mas... sem dar quaisquer esperanças, disse que precisaria de conhecê-lo primeiro e depois daria uma resposta. No dia seguinte, a mãe veio acompanhada do Nuno e da psicóloga que fazia o seu acompanhamento. A mãe insistia em que aceitássemos o filho e a psicóloga afirmou-nos que através dos exames já feitos, ele não iria nunca aprender a ler nem adquirir quaisquer conhecimentos académicos mas com o convívio, poderia vir a  adquirir comportamentos mais adequados e era só esse o objetivo. Era um desafio para nós. Pedimos uma semana para observação e para pensar. 

No dia seguinte, em assembleia escolar, explicámos aos alunos do colégio a situação e pedimos a sua colaboração no sentido de não marginalizarem o Nuno, mas, pelo contrário, tentarem interagir com ele, procurando ajudá-lo a ultrapassar as suas dificuldades. Observámo-lo durante alguns dias e apesar dos seus comportamentos diferentes de uma criança normal, verificámos que ele era capaz de compreender as regras e ordens que lhe dávamos. Não entendíamos o que dizia porque havia também alguma dificuldade na fala. Começámos por orar para que o Senhor nos desse sabedoria para ajudar o Nuno de alguma forma, uma vez que não havia na escola ninguém com capacidade e conhecimentos suficientes para crianças com estes problemas, mas aceitámos o desafio. Depois, tentámos alguns exercícios de terapia de fala e ele mostrou alguma disponibilidade para aprender. Era uma criança meiga, e os colegas aprenderam a lidar com ele. A pouco e pouco foi aprendendo as regras. Também verificámos que demonstrava alguma curiosidade por aquilo que se passava na sala de aula. Foi-lhe permitido entrar, observar e, finalmente, sentar numa cadeira com a sua mesa. A princípio, foi-lhe pedido que desenhasse o que quisesse. Todos os desenhos eram bandeiras pintadas de preto. Depois, demos-lhe alguns exercícios de grafismos e, de início, tivemos que lhe pegar na mão, para que compreendesse. Depois, começou a executar tudo sem auxílio. E pouco a pouco adquiriu competências que jamais pudemos imaginar que iria conseguir. E o progresso continuou... cada nova aquisição, era uma lágrima que derramávamos e um abraço que o Nuno recebia!... E continuou a aprender e a ganhar cada vez mais maturidade. Tinha uma memória prodigiosa, o que era muito bom. A mãe e a psicóloga não queriam acreditar neste milagre. Pela nossa parte, agradecíamos a Deus e continuávamos a suplicar a Sua benção para o Nuno e sabedoria para nós. Quando chegou ao quarto ano, pegamos em todo o processo pedagógico do Nuno e solicitamos uma reunião com a direção da escola do segundo ciclo. Aceitaram também o desafio. O Nuno conseguiu fazer o nono ano e hoje é funcionário nos serviços administrativos da Câmara Municipal de Setúbal.

E os milagres que o Senhor opera, continuam a acontecer nas nossas instituições. Louvado seja o Senhor!        

Leonilde Dias,  professora aposentada do CAS

O ranking dos discípulos do Mestre...

Creche e Jardim de Infância Arco-Íris, Setúbal


«É no lar que a educação da criança deve ser iniciada. Ali, tendo seus pais como instrutores, a criança terá de aprender as lições que a devem guiar por toda a vida.»
Ellen G. White, Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, pág. 107. 

Esta é, sem dúvida, a verdade que todos os pais sabem, mas que com muita frequência delegam quase integralmente na escola dos seus filhos.

Mas porque acreditamos que para esta tarefa Deus também chama a escola, somos desafiados a procurar mais fundo, a tentar mais forte, a amar mais e a caminhar de mãos dadas numa ação conjunta.

Este «Trabalho de fé é o do semeador. O mistério da germinação e crescimento da semente ele não pode compreender; mas tem confiança nos poderes pelos quais Deus faz com que a vegetação floresça. Lança a semente, esperando recuperá-la multiplicadamente em uma abundante colheita. Assim devem os pais e professores trabalhar, na expectativa de uma ceifa da semente que semeiam». Ellen G. White, Educação p. 105

Quando os rankings invadem os media, não reconheço nos resultados o produto de práticas e competências pedagógicas, mas os resultados que os alunos obtêm nos exames. Comparam o incomparável, metendo no mesmo saco escolas que selecionam os alunos e outras que todos acolhem. 

Rankings e filosofia restauradora podem caminhar juntos se reconhecermos que: 

“Todas as perplexidades da vida serão explicadas. Onde parecia apenas confusão e decepção, propósitos frustrados e planos subvertidos, ver-se-á um propósito grandioso, predominante, vitorioso… Ali, todos os que trabalharam com um espírito desinteressado contemplarão os frutos dos seus esforços… Alguma coisa disto, vemos aqui mesmo… Pais e professores tombam em seu último sono, parecendo o trabalho de sua vida ter sido feito em vão; não sabem que a sua fidelidade descerrou fontes de bênçãos que jamais poderão deixar de fluir; apenas pela fé vêem as crianças que educaram tornarem-se uma benção e inspiração a seus semelhantes e essa influência repetir-se-á mil vezes mais.” Ellen G. White, Educação, pág. 305 e 306.

Se esta não for a nossa visão, então que diremos da realidade vivenciada pelo maior professor que este mundo conheceu – Jesus? 

  • Ensinou intensamente um grupo de apenas 12 alunos;
  • Durante três anos (licenciatura) 
  • Quando foi para a cruz, nenhum dos seus alunos passou nos exames finais. 

Do nosso ponto de vista, Jesus terá perdido o seu tempo na arte de ensinar, de fracas competências e práticas pedagógicas.

Jesus olhava para um resultado a médio e a longo prazo e não imediato. No trabalho de educação da Creche e Jardim de Infância Arco Íris, o caso não é diferente. Não sabemos o que irá acontecer às nossas crianças daqui a 2, 5,10 anos e reagimos com alguma dificuldade à pergunta: 

- «Quantas crianças que frequentaram o estabelecimento, se batizaram?» Poucas, algumas, muitas … dependerá do ponto de vista e da visão que temos.

Como George Knight diz, «uma visão míope não avaliará o verdadeiro valor da Educação cristã, pois as avaliações a curto prazo dos projetos em longo prazo, são quase sempre distorcidos e inadequados»

 

Paula Girão, Diretora Técnica


Instrução Religiosa
Manuais de Bíblia / Educação Moral e Religiosa Adventista
 
Certamente que se recordarão que, precisamente há um ano atrás, o Departamento de Educação lançou uma ferramenta relacionada com a Instrução Religiosa, os novos Manuais de Bíblia / Educação Moral e Religiosa Adventista. Desde outubro de 2013 que estão disponíveis os manuais do pré-escolar (3, 4 e 5 anos) e do 1º Ano do EB. A grande novidade neste momento é mesmo o manual do 2º Ano do EB, o qual se encontra disponível para aquisição.
Nunca é demais lembrar que a Instrução Religiosa é uma área de atuação primordial do Departamento de Educação. Mas essa Instrução Religiosa não é no entanto exclusiva deste Departamento ou Ministério da nossa Igreja. Outros Ministérios, como o Departamento de Jovens, através dos seus clubes de DESBRAVADORES, ou os próprios Ministérios da Criança e Escola Sabatina Infantil partilham desta mesma preocupação e possuem os seus excelentes programas há muito enraizados e reconhecidos como de grande utilidade pedagógica. Não querendo sobrepor-se a qualquer um destes Ministérios, mas unicamente reforçar e consolidar a Instrução Religiosa dos mais novos, o Departamento de Educação disponibiliza, desde já, os Manuais de Bíblia ou de Educação Moral e Religiosa Adventista para serem usados nos lares, nas Igrejas e nas Escolas Adventistas. Estes manuais, sete no total, destinados às crianças dos 3 aos 11 anos de idade, foram elaborados pelo Departamento de Educação da Conferência Geral e pela Universidade de Montemorelos, no México. Seguem um currículo único e extremamente bem elaborado. São já usados em centenas de Escolas Adventistas, inclusive, desde setembro de 2013, também nas Escolas Adventista de Portugal. O que pretendemos é continuar a fazer chegar esta ferramenta aos lares e às Igrejas, para serem explorados em família ou em grupos de estudo mais alargados e a funcionar na Igreja.
Que boa oportunidade para oferecer aos mais pequenos, às famílias e Igrejas, momentos de aprendizagem, de partilha e de compromisso! Não hesite, conheça este projeto! Aceite o desafio, envolva-se e experimente!
Saiba mais em www.adventistas.org.pt  ou contacte-nos através do e-mail educacao@adventistas.org.pt .
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