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Educação Sexual

nas Escolas Adventistas

Compreender o plano de Deus para a sexualidade humana é fundamental. Deus criou o homem à Sua imagem e deu-lhe o dom divino da sexualidade.
O pecado perverteu esta boa dádiva, mas o plano redentor de Deus possibilita que o caminho esteja aberto para a restauração de tudo o que era "muito bom " no início.
A Educação Sexual, sendo um processo de toda uma vida, tem nos primeiros anos de escolaridade do indivíduo uma importância central. Desta forma, o papel da Escola é inquestionavelmente relevante. Como estão a ser educados os filhos da Igreja Adventista a propósito deste assunto? Existem diferenças entre a abordagem da Educação Sexual numa Escola Adventista e nas outras escolas, públicas ou particulares?
Segundo Karen e Ron Flowers, autores do manual “Human Sexuality”, produzido pelo Departamento da Família da Conferência Geral da IASD, os objetivos da educação sexual cristã são:

  • Celebrar a bondade de Deus ao criar os seres humanos como seres sexuais;
  • Identificar os princípios bíblicos sobre a sexualidade e fomentar o desenvolvimento de crenças, atitudes e valores cristãos;
  • Fornecer informações precisas e adequadas sobre a sexualidade humana;
  • Promover o desenvolvimento saudável de homens e mulheres como pessoas e melhorar as suas capacidades para relacionamentos afetivos;
  • Fomentar a ligação com Deus e com os outros na família e na comunidade;
  • Capacitar os indivíduos para exercer, com responsabilidade, a sua sexualidade;
  • Desenvolver habilidades interpessoais necessárias para comunicar assertivamente valores pessoais e as decisões em relação à sexualidade.

Importa dizer então que as Escolas Adventistas estão empenhadas em contribuir para a equilibrada formação de atitudes, crenças e valores, ajudando os seus alunos a adquirirem as competências pessoais necessárias para assumir a responsabilidade da sua sexualidade, a melhorar as suas capacidades de criarem e manterem relacionamentos saudáveis e a promover a conexão com Deus e com os outros na família e na comunidade.

Tiago Alves
Diretor do Departamento de Educação da UPASD

Creche e Jardim de Infância Arco-Íris - "Quase morri de vergonha!"
 
A educação sexual é um tema transversal inserido na área de Formação Pessoal e Social, numa perspetiva de educação para a cidadania. Na nossa prática pedagógica deparamo-nos com a inevitabilidade de ter de o abordar intencionalmente, mas não de forma sistematizada pois a criança fala sobre suas dúvidas a qualquer hora. É nossa obrigação concretizar na ação as nossas intenções educativas, tirando partido das situações e oportunidades imprevistas.
As crianças aprendem sobre sexualidade assim que nascem e continuam a aprendizagem ao longo da vida. Experimentam -na como parte natural do seu desenvolvimento. Tornam- se cada vez mais curiosas sobre o aspeto e funcionamento do corpo, sobre a diferença entre géneros e donde vêm os bebés. Esta curiosidade natural deve ser encorajada bem como proporcionadas respostas adequadas, esclarecendo já nestas idades informações distorcidas que resultam em situações em que imperam o gozo, embaraço e desconforto.
A realidade mostra-nos que as famílias continuam a tratar assuntos sobre a sexualidade carregando uma gama de tabus, sentimentos e preconceitos, que não lhes permite ter um diálogo aberto, manifestando por vezes algum receio que o mesmo possa estimular precocemente a sexualidade na criança. Mas a exposição constante do tema na televisão, leva-as a manifestarem essa curiosidade, com frequência, já nesta faixa etária.
Anita, de sete anos, regressa a casa vinda da escola. Tinha tido a primeira aula de educação sexual.
A mãe, muito interessada pergunta: - Como é que correu?
- Quase morri de vergonha! - Respondeu a pequena Anita.
- Porquê? - Perguntou a mãe.
Anita respondeu: O Zezinho, o menino com o cabelo ruivo, disse que foi a cegonha que o trouxe. O Marco, da livraria, disse que veio de Paris. A Cristina, a vizinha do lado, disse que foi comprada num orfanato e o Tó disse que foi comprado no hospital. O Paulinho disse que nasceu de uma proveta e o André disse que nasceu de uma barriga de aluguer.
A mãe de Anita respondeu quase sorrindo:
- Mas isso não é motivo para te sentires envergonhada...
- Não me atrevi a dizer-lhes que como nós somos pobres, tiveste que ser tu e o pai a fazer-me! 
Tal com as da história, todas as crianças sabem de onde vêm os bebés. No entanto, muito poucas trazem a resposta verdadeira e quando a conversa se proporciona em grupo, torna-se difícil para o educador dar uma informação diferente da «verdade» dada pela mãe ou pai.
É um processo de uma vida adquirindo informação e formando atitudes, crenças e valores sobre tópicos importantes tais como identidade, relacionamentos e intimidade. São lições no desempenho de papéis familiares, no cuidado com o corpo e o nome correto das partes do mesmo.
A sexualidade é parte natural e saudável do desígnio de Deus para o ser humano desde o nascimento. As crianças necessitam de ser ajudadas a aprender e a apreciar a beleza do corpo humano, incluindo os genitais e de como o corpo funciona.
As crianças aprendem pela forma como lhes tocam e lhes falam. A mensagem que recebem na infância afeta as suas futuras atitudes, valores e comportamentos.
Informação sobre riscos de saúde e abuso, deverá ser apresentada à criança dentro do contexto de informação positiva para o desenvolvimento pessoal e sexual saudável.
Deus criou todos os seres humanas criaturas sexuais. Falar de sexualidade a uma criança, é falar-lhe de um projeto de Deus para a sua felicidade.
  
Paula Girão, Diretora Pedagógica
Educação Sexual na
Oficina de Talentos


A Sexualidade é uma dimensão do ser humano acerca da qual temos alguma dificuldade em falar, sobretudo com crianças. Quando surge a necessidade questionamo-nos acerca do que é importante transmitir-lhes? Como fazê-lo? São tão pequenas…
Ellen White ajuda-nos no livro Orientação da Criança dizendo que “As crianças precisam ser instruídas com relação a seu próprio corpo.” (p. 104); “O primeiro estudo da criança deve ser conhecer-se a si mesma, e saber como conservar o corpo com saúde.” (p.113). A prioridade é então orientar a criança no conhecimento do seu corpo, e não deixar que ela aprenda noções erradas por intuição ou através da sociedade que a rodeia.
No livro Educação podemos ler orientações que nos são muito úteis na abordagem desta temática: “Às crianças devem ser ensinados, já em pequeninas, os rudimentos de fisiologia e higiene, por meio de lições simples e fáceis… Toda escola deve ministrar instrução tanto em fisiologia como em higiene, e tanto quanto possível ser provida de facilidades para ilustrar a estrutura, o uso e cuidado do corpo.” (p. 196).
É com base nestes preciosos conselhos orientados por Deus que a Oficina de Talentos promove este ano aulas de Educação para a Saúde para os alunos do 1º ciclo, com a finalidade de ensinar cada criança a conhecer melhor o seu corpo, de forma simples e fácil, e assim adquirir competências que a ajudem a cuidar da sua saúde física, mental e espiritual.
Numa primeira fase está a ser abordado o tema do corpo, onde se procura dar ênfase à anatomia e fisiologia, de forma a conhecê-lo melhor e valoriza-lo, tendo sempre presente que fomos criados à imagem e semelhança de Deus, que é perfeito.
Num segundo momento, iremos abordar as relações interpessoais, onde iremos valorizar os afetos e a expressão de sentimentos que nos ligam uns aos outros, pois Deus nos criou com uma dimensão social, e iremos dar importância às relações afetivas familiares, tal como projetadas pelo Criador.
O objetivo que orienta a nossa ação encontramo-lo mais uma vez formulado nas inspiradas palavras do livro Educação: “Sejam os alunos impressionados com o conceito de que o corpo é um templo em que Deus deseja habitar; que deve ser conservado puro, como a habitação de pensamentos elevados e nobres. Vendo eles, pelo estudo da fisiologia, que na verdade são formados "de um modo terrível e tão maravilhoso" (Sal. 139:14), ser-lhes-á inspirada reverência.”, (p. 201).
A cada criança que é colocada sob o nosso cuidado, procuramos ensinar que saímos das mãos de um Deus maravilhoso, a quem devemos gratidão pela perfeição da Sua criação.
 
Martha Esteves, Enfermeira em voluntariado na Oficina de Talentos responsável pela atividade de complemento curricular "Educação para a Saúde"
Colégio Adventista de Setúbal - "Mamã, como é que os bebés aparecem?"

No meio da tremenda agitação da hora de ponta, enquanto a Mãe tentava fazer avançar o automóvel entre o Colégio e a aula de Natação do Filho, concentrada nos problemas que aquele dia tinha feito surgir e em todas as tarefas ainda por realizar, aquela Mãe sentiu uma espécie de choque elétrico, quando o Filho disparou a pergunta "Mamã, como é que os bebés aparecem?"...
Ainda pensou dizer "agora não dá, Filho, é melhor perguntares ao Papá, lá em casa"; ou "depois falamos, ainda és muito pequeno..."; ou mesmo "amanhã perguntas à tua Professora". Mas o segundo disparo não se fez esperar e a Mãe, saiu da fila do trânsito, encostou o automóvel e procurou satisfazer a necessidade de esclarecimentos que aquela criança de 5 anos manifestara com tanta convicção.
Creio que todos os Pais, Educadores, Professores, Tutores, Dirigentes JA, já tiveram necessidade de abordar o assunto da sexualidade, a uma criança. Como fazê-lo?
Aqui vão algumas sugestões simples:
1- Prepare-se para o momento, orando e revendo os principais conceitos e funcionalidades, recorrendo à vasta bibliografia existente na IASD (incluindo a Bíblia), mostrando total disponibilidade e nunca tentando adiar o assunto ou passá-lo a outra pessoa;
2- Procure abordar o assunto com a máxima naturalidade, nunca negando a informação à criança, adaptando-a à sua maneira de ser, maturidade (eventualmente recorrendo a comparações da natureza, mas não limitando a resposta a essas comparações), curiosidade e respeitando os seus limites;
3- Nunca obrigue uma criança a ouvir sobre sexualidade quando ela não quer;
4- Use sempre os termos corretos (evitando "cegonhas", "florzinha" e outros termos, especialmente se calão) e leve a criança a conhecer e a perceber o seu corpo;
5- Procure instruir a criança acerca dos sinais e sintomas da puberdade, nomeadamente a Menarca e a primeira Ejaculação Noturna, desmistificando esse facto e não lhe atribuindo quaisquer sentimentos de culpa;
6- Se for interrogado sobre algum aspeto que desconhece, procure não inventar uma explicação de momento, mas diga à criança que voltará ao assunto em breve. Entretanto, estude o caso, ou peça ajuda a algum Profissional, para que rapidamente satisfaça a dúvida da criança, sem criar mitos ou tabus;
7- Tenha a consciência de que se, no momento certo, negar a resposta à criança, ela vai continuar a investigar e pode obter respostas de fontes menos fiáveis, mas talvez mais acessíveis, o que contribuiria para ir formando ideias distorcidas ou preconceitos. Nunca se esqueça de que, falar de sexualidade a uma criança, é falar-lhe de um projeto de Deus para a sua felicidade.


Dr. Emanuel Gomes Esteves,
Médico de Família e Presidente do Conselho Escolar do C.A.S.
Educação Sexual no
Externato Adventista do Funchal


“Vocês não sabem que são templos de Deus e que o Espírito de Deus habita no vosso interior? Se alguém destrói o templo de Deus, também Deus o destruirá. De facto, o templo de Deus é santo e vocês são esse templo.”
I Coríntios 3:16-17
 
A Educação para a sexualidade e para a saúde é, sem dúvida, um tema muito importante no desenvolvimento integral das nossas crianças. A sexualidade é uma parte natural e saudável dos planos de Deus para os seres humanos desde o nascimento. As crianças começam a aprender sobre a sexualidade desde que nascem e continuam a aprender no decorrer da vida. São curiosas a respeito do próprio corpo e de como ele funciona, a respeito das diferenças entre o corpo masculino e o feminino e também sobre como os bebés nascem. Cabe a nós, pais, familiares, professores e educadores encorajar esta curiosidade natural e prover respostas apropriadas para estas idades.
Quantas vezes nas nossas salas de aula surgem conversas sobre sexualidade, por vezes constrangedoras, mas que, com subtileza e sabedoria procuramos esclarecer suas curiosidades e dúvidas. Qual de nós já passou por esta experiência? Tenho a certeza que muitos.
A escola e nós, educadores, desempenhamos uma função muito importante e significativa. As crianças precisam de ajuda para aprender e apreciar a beleza do corpo, saber cuidar do corpo, alertá-los para atitudes que evitem riscos de saúde, informações sobre a altura certa para novas experiências, entre outras. Na nossa escola têm existido conversas muito enriquecedoras sobre o tema e os alunos através de diálogos, visionamento de vídeos, consulta de livros infantis e pesquisas, têm esclarecido as suas dúvidas sobre sexualidade.
Que Deus possa abençoar grandemente todos os professores e educadores e que possa criar em nós atitudes e palavras sábias no contacto com os nossos alunos.
 
Dília Gil, Encarregada de Educação e antiga professora do Externato Adventista do Funchal
Educação Sexual no
Colégio Adventista de Oliveira do Douro

 
A educação sexual saudável contribui para formar um bom cidadão, responsável e educado, com capacidade para tomar decisões corretas, evitando erros que poderão arruinar-lhe a vida.
Atualmente vivemos num mundo sensual, cheio de impurezas e corrupção, onde os media e a publicidade não medem esforços para divulgar as suas ideias e produtos. Por isso os nossos jovens precisam de muita compreensão por parte dos seus educadores, de terem um canal aberto para dialogar e de se sentirem seguros e amados, para assim poderem construir os seus carateres com bases sólidas.
 A sexualidade é apresentada na Bíblia como parte da imagem de Deus na humanidade e foi-lhe dada pelo Criador para ser uma bênção. É por isso que na nossa escola, temos dado muita atenção à educação sexual.
 A nível das aulas de Ciências Naturais, os alunos estudam as bases morfológicas e fisiológicas da reprodução humana e adquirem algumas noções básicas de hereditariedade. Os alunos são levados a compreender como a perspetiva bíblica se enquadra perfeitamente com as recentes descobertas científicas sobre alguns destes assuntos. Também se abordam temas que são debatidos na sociedade atual e sobre os quais os cidadãos devem ter uma opinião fundamentada como, por exemplo, clonagem, técnicas de reprodução humana assistida, mães de aluguer, bancos de esperma, fecundação in vitro, congelação de embriões, aborto, etc. e mostra-se a visão adventista sobre estes assuntos delicados em que, por vezes, a Ciência e a Religião estão em desacordo.
Para além desta abordagem a nível das aulas de Ciências Naturais, contamos com o apoio de médicos e de pastores adventistas que se têm disponibilizado para a realização de colóquios com os alunos do 9.º ano de escolaridade, respondendo assim, de acordo com a perspetiva bíblica, às suas inúmeras questões sobre a sexualidade.
 Assim, pretendemos que os nossos alunos apreciem a bondade de Deus ao criar seres humanos dotados de sexualidade e que se desenvolvam como futuros homens e mulheres com conhecimento correto e saudável, para poderem construir, no futuro, relacionamentos sólidos.


Professora Fernanda Amélia Santos, docente de Ciências Naturais, Biologia e Matemática do CAOD entre 1979 e 2013
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