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O Ensino do Criacionismo nas Escolas Adventistas

São várias as especificidades que conferem ao Sistema Educativo Adventista uma identidade própria. Por um lado, o intencional, assumido e reforçado pendor espiritual, concretizado formal e informalmente na adoração, no louvor e no recurso constante ao Manual dos manuais, a Bíblia Sagrada. Por outro lado, o caráter redentor que se exprime numa disciplina não meramente punitiva, mas que busca encontrar e potenciar o que de melhor possui cada aluno. Embora pudéssemos enumerar outras especificidades, pois na verdade elas existem, há uma que distingue claramente uma Escola Adventista, o ensino do Criacionismo. Descubra na Newsletter deste mês como é realizado o ensino desta teoria das origens em desuso no sistema secular e colocada de lado pelas mais diversas esferas da ciência. Procure, mais do que conhecer, envolver-se no complexo mas nobre trabalho diário de cerca de quatro dezenas de professores que, assumindo a sua fé, partilham livremente as verdades bíblicas nas Escolas Adventistas em Portugal.

Tiago Alves
Diretor do Departamento de Educação da UPASD

Trabalho sobre a Criação dos alunos, educadoras e auxiliares da
Creche e Jardim de Infância Arco-Íris, Setúbal

"Bendito seja o teu nome glorioso!
A tua grandeza está acima de toda expressão de louvor.
Só tu és o Senhor. Fizeste os céus, e os mais altos céus, e tudo o que neles há, a terra e tudo o que nela existe, os mares e tudo o que neles existe. Tu deste vida a todos os seres, e os exércitos dos céus te adoram." 
Neemias 9:6

"Os céus declaram a glória de Deus;
o firmamento proclama a obra das Suas mãos." 
Salmos 19:1

"Amigos, vocês são privilegiados ao estudarem numa Escola Adventista…”
 

Colégio Adventista de Oliveira do Douro
 

“Professor!!! Tenho uma professora na minha nova escola que acredita e defende o Criacionismo!” Aparentemente não se entende o espanto deste aluno que, depois de um percurso de doze anos no CAOD ingressou numa escola pública secundária e que constatou com admiração o facto de uma das suas professoras partilhar de uma opinião sobre as origens da vida nesta Terra tão semelhante àquela visão que ele foi habituado, ao longo do tempo, a escutar na Escola Adventista, no seu lar e na sua Igreja. De facto, talvez seja rara uma situação destas! Mas convenhamos, aquela professora que, note-se, não é adventista, assumiu publicamente perante os seus alunos as suas convicções mesmo contra a corrente estabelecida nos meios académicos e sociais. Tal convicção e assumir de posições não será no entanto de estranhar numa Escola Adventista onde os professores podem e devem, livremente, expressar as suas convicções baseadas nas Sagradas Escrituras.
Sou professor de História, desde 1996, e um dos conteúdos programáticos mais desafiantes é precisamente as origens da vida nesta Terra. Como é óbvio, apresento a teoria da evolução das espécies, afinal é parte do programa, mas começo por dizer aos alunos dos 5º e 7º anos: “Amigos, vocês são privilegiados ao estudarem numa Escola Adventista, pois para além desta teoria apresentada no vosso manual, existe uma outra na qual eu acredito e que está presente neste livro que tenho na minha mão”.
Com a Bíblia aberta, leio o relato de Génesis 1 e 2 e partilho a minha convicção e escolha pessoal.

Nesse momento, procuro não me esquecer de que Deus deu a cada um de nós o livre arbítrio e respeito a opinião de cada aluno, seja favorável à minha, seja contra. “Sim, Deus a todos deu a capacidade de escolha! Qual é a vossa escolha? Eu acredito num Deus todo poderoso que criou os céus e a terra e tudo o que neles habita, em seis dias literais de vinte e quatro horas e que ao sétimo dia descansou. Nessa criação divina, o homem é especial, pois foi criado à imagem e semelhança de Deus. Já viram, cada um de nós é especial, não é fruto do acaso ou de um complexo e demorado processo de seleção e de sobrevivência, mas criatura idealizada, formada e amada por Deus!” A reacção da maioria dos alunos, seja qual for a sua proveniência denominacional, é concordarem comigo, mas o que mais me preocupa é, enquanto for possível, poder contribuir para que o pensamento destas crianças e adolescentes ainda em construção, se baseie numa experiência de fé com Deus Pai, Filho e Espírito Santo, pois isso é mais importante do que a mera opinião do professor. Será que estou a fazer bem e tudo o que está ao meu alcance? Não sei, mas a eternidade certamente revelará os frutos desta estratégia. Importa que cada aluno tenha oportunidade e que nós professores criemos condições e momentos para que eles, de forma responsável e espontânea, desenvolvam uma fé pessoal em Jesus Cristo, amadurecida na Sua Palavra, para no futuro tomarem as suas decisões.

As aulas prosseguem, as dúvidas vão-se levantando e, estimado leitor, não imagina a quantidade de ocasiões em que claramente me é possível testemunhar da minha fé e estabelecer pontes entre a História e o relato bíblico. Nem sempre esse alinhamento é possível, pelos menos em questões de cronologia, mas quase sempre o relato bíblico encontra paralelo no relato histórico, revelando a historicidade da Bíblia e a existência de um Deus que, além de Criador, é Mantenedor e Redentor. 
Estimado leitor, ore pelo trabalho dos professores das nossas escolas, para que Deus a todos dê discernimento, paixão e força para continuarem a fazer do processo de ensino aprendizagem uma ocasião de partilha, de crescimento espiritual e de importantes decisões eternas.
E o seu educando, é um aluno privilegiado?

 
Tiago Alves, Professor de HGP e História
Pode a mente ser vacinada contra o evolucionismo?
Externato Adventista do Funchal
 

Para todos os cristãos que são educadores, por profissão ou vocação, uma inquietante pergunta se nos coloca:


Como preparar as crianças e os jovens para os desafios do confronto entre a criação e evolução?


Antes de partilhar algumas reflexões sobre o assunto, permita-me a seguinte consideração:

- A Revelação e a ciência não precisam ser antagónicas. Penso ainda que, uma análise adequada da Revelação associada à verdadeira ciência, pode resultar numa feliz complementaridade, profundamente enriquecedora e mentalmente revigorante.

 

Dito isto permita-me compartilhar algumas ideias que podem ajudar a responder à inquietação inicial:

  1. Respostas – as nossas crianças e jovens, sendo nossos filhos ou alunos, precisam de respostas que os satisfaçam. Mas o amigo leitor deve estar a pensar, se o meu aluno me pergunta porque o céu é azul, ou qual a razão do tamanho das orelhas do elefante? O que lhe vou responder? Normalmente uma resposta fácil é atribuir à vontade de Deus e à Sua omnipotência a razão destas coisas. Não quer dizer que esta resposta não seja verdadeira, contudo ela pode torna-se desalentadora, para uma mente jovem sedenta de conhecimento e informação. É verdade que muitos de nós não somos dados às ciências, entretanto podemos ressaltar os aspetos estéticos e funcionais daquilo que observamos. Talvez nos devêssemos perguntar, se o céu fosse vermelho ou verde, como seriam as coisas? Qual o efeito emocional que nos faria morar num planeta coberto por uma abóboda violeta ou laranja?... E se o grande elefante tivesse orelhas do tamanho das de um hipopótamos com ficaria? Ouviria ele da mesma forma? Será que o abanar das orelhas serve apenas para o refrescar, ou poderá servir para dizer algo aos outros animais? Por vezes este tipo de exercício pode ser de muito valor, no sentido de estimular a mente curiosa dos nossos jovens do que uma piedosa resposta do tipo, – Foi porque Deus assim o fez. Podemos ainda desafia-los a voar em busca de informações, enquanto aguardarmos com entusiasmo, que eles voltem com os seus “ramos de sabedoria” para nos alegras com as suas pequenas vitorias intelectuais.                                                              
  2. Respeito – quando era adolescente, recordo-me de ouvir algumas pessoas que pomposamente desfraldavam uma serie de argumentos a favor do criacionismo, como se fossem de natureza irrefutável. Precisamos ensinar as nossas crianças e jovens que aqueles que acreditam no evolucionismo, não são pessoas destituídas de inteligência ou bom senso. Muitos jovens, em algum momento da sua vida, ao terem que escolher entre uma fé alienada de racionalidade, ou uma ciência vazia de religião, ficam com esta ultima, por lhes parecer menos árida!                                                                                                                            
  3. Deslumbramento – desde a simples gota de orvalho sobre uma folha, à espetacular e majestosa viagem do cometa pelo espaço, deveriam estes fenómenos, ter em nós um efeito de profunda admiração. A contemplação da beleza de cada fenómeno, o questionamento sobre a sua funcionalidade e propósito, nos levarão a um vislumbre do carater de Deus como Criador. Se as nossas crianças e jovens virem em nós este tipo de atitude, serão estimuladas a ver na natureza as digitais do Seu Criador.                                                                                                   
  4. Sábado – a observância fiel e piedosa do quarto mandamento, é na vida das crianças e jovens, um poderoso argumento contra o evolucionismo. Os pais cristãos têm nos sábados à tarde, a oportunidade de fazer passeios pela natureza em que poderão ensinar os filhos a contemplar a criação com um olhar de admiração e reverencia pelo Autor da vida.                                                                                          
  5. Visão Micro e Macro – estes conceitos conjugados permitem um entendimento holístico da natureza e do seu propósito. Quero dizer o seguinte: que quando por exemplo, olhamos para as partes do corpo da formiga, podemos nos fascinamos com a complexidade dos seus componentes. Mas quando observamos o ecossistema em que essa criaturinha se move, e com interage com todo uma serie de outros seres, para os quais existe um propósito e utilidade… uau! Isso é demais! Leva-nos a não só admirar o Senhor como um designer fabuloso, mas desvenda-nos o Criador como o Arquiteto da vida e do universo.

Não acredito que exista uma vacina que imunize os jovens cristãos contra as ideias evolucionistas, mas partilhei consigo caro leitor, algo que experimentei com alguns dos muitos jovens com quem fui cruzando na vida – a fascinação pelo Criador e o deslumbramento pelo amor que revela pelas suas criaturas!

 
Rui Bastos, Pastor, Capelão e Admnistrador
Criacionismo na Educação Adventista
Oficina de Talentos

 

Refletir sobre a perspetiva criacionista da criação do mundo, no sistema adventista de ensino, deverá ter subjacente o contexto no qual as escolas adventistas desenvolvem as suas atividades.

Antes de mais nada, parece-me inquestionável a oportunidade da tese criacionista ser ensinada por ser identitária. 

Para uma congregação religiosa que dá a prioridade à Palavra de Deus, na sua mais literal interpretação, não me parece levantar qualquer questão o ensino da visão criacionista. O que poderá levar a uma dúvida, tem a ver com a natureza do próprio sistema de ensino.

Na verdade, as escolas adventistas, como as escolas de cariz religioso, podem ser consideradas como escolas de currículo denominacional, quando a igreja toma a liberdade de escolher um currículo próprio para o ensino ministrado, levando à opção de uma via pedagógica autónoma em relação ao sistema escolar, em vigor.

Nesta perspetiva, parecem-me não serem questionáveis as escolhas que a instituição religiosa possa fazer acerca do currículo escolar nas escolas da sua rede de ensino.

No caso de a rede adventista ter um currículo oficial, não denominacional, a questão poderá pôr-se, por os alunos estarem sujeitos a exames oficiais com matéria em que o criacionismo está ausente.

Neste caso, parece-me difícil o ensino do criacionismo como a única visão, por comportar conteúdos pedagógicos contrários ao programa do sistema oficial de ensino. A situação tem implicações para além do currículo, propriamente dito. É a própria ética pedagógica organizacional, assim como, a responsabilidade docente que estará em causa, por não cumprimento do programa oficial, adaptado pela instituição.

Na realidade, tem a ver com a quebra do contrato de confiança entre a instituição, os discentes e os encarregados de educação.

A via poderá estar num sistema em que seja encontrada a complementaridade entre a perspetiva criacionista e a contribuição da ciência para a visão bíblica sobre a criação do mundo e do universo, onde não seja questionada a identidade criacionista. 

Para avaliar, convenientemente, esta via, devem ser tidos em conta os conteúdos programáticos relacionados com o tema, na realidade, muito circunscritos, no 2º e 3º ciclos do ensino básico. 

No primeiro caso, praticamente, inexistente, por o programa incluir conteúdos referentes à Pré-história, na sua vertente social, cultural e económica. 

No segundo caso, com a inclusão de conteúdos relacionados com o homem pré-histórico e sua evolução, sem referências sobre a origem do homem e seu plano evolucionista. Neste contexto, é possível uma referência à visão criacionista, como complemento de informação. 

A minha experiência como professor do ensino oficial diz-me que, em alguns casos, são os próprios alunos a levantar a questão.

Na abordagem da questão, há que reconhecer que a ciência, na procura de uma explicação para a origem do mundo, aproxima-se, em vários domínios, da perspetiva criacionista. 

Os cientistas procuram, hoje, respostas a uma multitude de questões sobre a origem do homem, do mundo e do universo, encontrando vias que os aproximam da visão criacionista. 

Na mesma ordem de ideias, os criacionistas têm vindo a encontrar, na ciência, respostas, para o que continua por explicar na sua perspetiva. 

Neste contexto, o ensino do criacionismo, na rede escolar adventista, maioritariamente, de currículo oficial, em Portugal, poderá levar ao ensino de uma perspetiva criacionista, onde a ciência poderá contribuir para uma pedagogia inclusiva onde a ciência poderá contribuir para uma melhor apreensão da origem da humanidade, resposta ao que ainda está por descobrir.

 

Paulo Morgado, Jornalista e Professor de História

“Os céus declaram a glória de Deus;
o firmamento proclama a obra das suas mãos.”


Colégio Adventista de Setúbal
 

Para um adulto não é difícil entender que somos criação de Deus, testemunho vivo dessa realidade, mas as crianças, na sua genuína simplicidade, olhando curiosamente o mundo que as rodeia, conseguem perceber e interiorizar, muitas vezes melhor que nós adultos, essa tão grande verdade.

As perguntas seguintes, feitas por crianças a entendidos na matéria, ao serem confrontadas com a teoria do Big Bang e da Evolução, ajudam-nos a entender o ponto de vista infantil:

-“Se os macacos evoluíram porque é que os que estão no Jardim Zoológico ainda não se transformaram em Homens?”

-“Se o Big Bang foi a explosão de matéria existente no Universo quem é que criou essa matéria e o Universo onde essa matéria se encontrava?”

No Colégio Adventista de Setúbal estamos atentos às oportunidades que podem contribuir para estimular o espírito crítico das crianças para que, pelos próprios meios, possam encontrar as respostas às suas interrogações. Através das meditações matinais, muitas delas sobre a Natureza, os alunos do C.A.S. recordam ou descobrem o Deus Criador.

Numa dessas lições descobrimos que Deus dotou as plantas da possibilidade de comunicarem. Quando algumas plantas têm sede emitem um “click”, audível através de um microfone especial como se fosse um pedido de ajuda. 

As plantas conseguem comunicar, não na linguagem humana, mas de um modo particular e próprio, se quisermos e soubermos escutá-las. 

Aliás toda a Natureza “grita” bem alto sobre o Deus amoroso e criador, o que é importante é estar disponível para ouvir. 

Aprender a escutar o que Deus tem para nos dizer, através da Natureza, requer a aprendizagem de uma linguagem nova, que é mais sentida do que escutada, como se fosse um sussurro de Deus.

Se dedicarmos algum tempo a parar para simplesmente escutar vamos perceber que:  “Os céus declaram a glória de Deus; o firmamento proclama a obra das suas mãos.” Salmos 19:1

Marta Machado, Diretora Pedagógica

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