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Carnaval nas Escolas Adventistas
Sim, Não ou Talvez?

Todos os anos, por esta altura, alunos e/ou encarregados de educação questionam os professores e as direções das Escolas Adventistas sobre a razão destas não celebrarem o Carnaval e não organizarem os habituais desfiles e outras iniciativas que, segundo eles, só trazem “alegria e divertimento”. Pois bem, se isso acontece é porque existem razões que explicam esta tomada de posição de uma rede mundial de escolas. Uma das razões é porque esta festividade e todo o seu histórico, essência e desenrolar, não se encaixam na a Filosofia Educacional Adventista que defende que a “alegria e o divertimento” podem e devem existir mas de forma bem mais equilibrada, saudável e significativa. Outra das razões, e esta baseada diretamente nas Sagradas Escrituras, é a intencional estratégia dos educadores e das instituições adventistas em seguirem o conselho bíblico que alerta: “Não sabem que não pertencem cada um a si mesmo, mas que o vosso corpo é templo do Espírito Santo que receberam de Deus e que habita no vosso interior? Deus resgatou-vos por elevado preço. Dêem glória a Deus com o vosso corpo.” I Coríntios 6:19-20. Ora, se o ser humano pertence a Deus e Este aguarda que Lhe seja dada glória, mesmo com o corpo, as festividades do Carnaval não se enquadram e não são, por isso, promovidas nas Escolas Adventistas. Educando as crianças nestes princípios, espera-se que estas tomem as melhores decisões na sua juventude e idade adulta. 

Outras razões podiam ser ainda exploradas e debatidas, mas o melhor é ler o artigo que lhe propomos na Newsletter deste mês. Este mês, como verá, a estrutura da nossa Newsletter é diferente do habitual. Não encontrará relatos, testemunhos ou reflexões apresentados pelas escolas da Rede Escolar ASD em Portugal, mas sim um único artigo, de reflexão sobre o tema proposto.

Encontre, por si mesmo, no desenvolvimento histórico, na mistura profana e sagrada e nos relatos dos excessos do folguedo, as suas razões para pretender dar a si mesmo e aos seus filhos, um Carnaval diferente, onde não faltará o tempo precioso em família e a “alegria e o divertimento" saudáveis e duradouros.

  

Tiago Alves
Diretor do Departamento de Educação da UPASD


Carnaval e Escolas Adventistas
 

Desde a sua génese, o conceito do carnaval aliado às suas práticas, vivências e implicações na vida pessoal, familiar e social, foi e continua a ser polémico. Originado na Grécia, entre 600 a 520 a.C., nesta festividade, os gregos começaram por realizar cultos em agradecimento aos deuses, pela fertilidade do solo e pela produção agrícola. Mais tarde, gregos e romanos ampliaram os festejos ao inserirem comidas, bebidas alcoólicas e práticas sexuais, na busca contínua de prazer. 

Na Roma antiga, o carnaval prolongava-se por sete dias, entre 17 e 23 de Dezembro, nas casas, nas ruas e praças da cidade. Nesse período, actividades e negócios eram suspensos, escravos ganhavam liberdade temporária para fazerem o que quisessem e as pessoas trocavam presentes. Todavia, as restrições morais eram frouxas. Um ‘rei’ era eleito, por brincadeira, para dirigir a festa e comandar o cortejo pelas ruas. As tradicionais fitas de lã que amarravam os pés da estátua do deus Saturno eram retiradas, como se a cidade o convidasse para participar da folia. A orgia e a licenciosidade predominavam nessa semana do mês de Dezembro, sendo os dias de carnaval autênticas festas saturnais.

O que de início era intolerável aos olhos dos cristãos, devido às práticas pecaminosas em oposição ao preconizado na Bíblia, com o passar do tempo, em 590 d.C., o carnaval passou a ser uma comemoração adoptada pela Igreja de Roma. Tal mudança causou grande espanto aos olhos do povo. Porém, foi só no séc. XI que a festa carnavalesca se implantou, a partir da adopção, pela Igreja Católica, da Semana Santa, antecedida por quarenta dias de jejum, a Quaresma. Esse longo período de privações acabaria por incentivar a junção de diversas festividades nos três dias que antecediam a Quarta-feira de Cinzas, primeiro dia da Quaresma. 

Neste contexto, o período do carnaval é relacionado com a ideia de 'afastamento' dos prazeres da carne, pelo 'adeus à carne' ou 'carne vale', dando origem ao termo “carnaval”. Em contraste com a Quaresma, tempo de penitência e privação, estes dias são chamados 'gordos', em especial a Terça-feira Gorda, o último dia antes do início da Quaresma. 

Em 1545, durante o Concílio de Trento (o Concílio da Contra-Reforma), o carnaval voltou a ser uma festa popular. Curiosamente, no cristianismo da Idade Média, todos os feriados eclesiásticos eram regidos pelo ano lunar e calculados em função da data da Páscoa, com excepção do Natal. Convencionou-se, então, que o Domingo de Páscoa ocorresse no primeiro domingo após a primeira lua cheia que se verificar a partir do equinócio da Primavera (no hemisfério norte) ou do equinócio do Outono (no hemisfério sul); e a sexta-feira da Paixão é a que antecede o Domingo de Páscoa. Assim sendo, a terça-feira de carnaval ocorreria 47 dias antes da Páscoa, num sincretismo profano-sagrado.

No período do Renascimento, as festas de carnaval incorporavam bailes de máscaras com ricas fantasias e desfiles de carros alegóricos que a sociedade vitoriana do séc. XIX desenvolveu. Paris foi a cidade que exportou o modelo moderno da festa carnavalesca para o mundo. Já em 1723, o carnaval tinha chegado ao Brasil que o desenvolveu tornando-se líder na excentricidade dos festejos e exportando-o a nível global.

Na actualidade, o carnaval impõe-se como uma necessidade imperiosa de escape do stresse quotidiano. Preparativos e festejos têm um tremendo impacto comercial na balança económica da sociedade humana.

Sem dúvida que a necessidade de pausas para a restauração física, mental e espiritual do ser humano é irrefutável. Porém, determinado tipo de divertimento (como este do carnaval) pode levar a excessos, excitar, promover o prazer sensual e, assim, ter consequências negativas elevadas na vida dos indivíduos e da sociedade. Por outro lado, a recreação saudável, sobretudo ao ar livre, proporciona o bem-estar físico, emocional e mental, fortalece o espírito e constrói o carácter. O divertimento é quase sempre, uma resposta aos desejos da pessoa não censurados pela moral e ética intrínsecas. A recreação, por sua vez, produz alegria duradoura e realização pessoal construtiva do carácter para a cidadania no pleno gozo do desenvolvimento humano. 

É por tudo isto e muito mais que as nossas escolas, com base no padrão moral judaico-cristão, encorajam e incentivam a prática da recreação saudável no respeito pelo outro com actividades lúdicas, caminhadas ao ar livre, jogos, pistas, aventuras, acampamentos, etc., em detrimento do não pequeno nem inócuo impacto dos festejos carnavalescos.

 

Pr. Ezequiel Quintino

Pastor da Igreja Adventista do Sétimo que, ao longo do seu Ministério, também serviu como Administrador da UPASD, do CAOD e da Rádio Clube de Sintra e ainda como responsável pelo Departamento de Comunicações da Igreja ASD nacional.

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