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Prevenção do Bullying
nas Escolas Adventistas

As Escolas Adventistas devem ser lugares onde os estudantes possam aprender acerca de Jesus Cristo e a preparar-se para uma vida útil e de pleno sentido e felicidade. Mas tais ideais implicam a existência de um ambiente de segurança e academicamente estimulante, onde exista constante alerta e prevenção contra todos os tipos de violência e abusos. Deve, por isso, o Bullying, nas suas mais diversas formas, incluindo, claro está, o cyberbullying, merecer todas as atenções da comunidade educativa, para que não seja uma realidade. Acima de tudo, os alunos devem sentir-se aceites, protegidos e envolvidos em programas de sensibilização e de prevenção nestes lugares de refúgio, por excelência.
Como lidam as Escolas Adventistas com este cada vez mais importante e problemático assunto? Como podem os alunos que diariamente estudam nas Escolas Adventistas, orientados pelos intencionais propósitos da “restauração” e da “disciplina redentora”, adotar posturas e atitudes contrárias ao Bullying e abraçar projetos de apoio às vítimas do mesmo? Descubra as respostas a estas perguntas e inteire-se dos programas e práticas pedagógicas das Escolas Adventistas em Portugal.

Tiago Alves
Diretor do Departamento de Educação da UPASD


Together we can change it...
Colégio Adventista de Oliveira do Douro
 
Veja, reflita e partilhe o filme que os alunos do 9º Ano do ano letivo de 2012/2013 realizaram no âmbito da disciplina de Educação Moral e Religiosa Adventista.
Para além de não quererem fazer parte desta triste realidade, os alunos do CAOD pretendem, juntos, contribuir para um mundo melhor.
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“… Aquele que se coloca sob minha proteção que faça paz comigo…”

Com a entrada do mal neste nosso planeta o ser humano quebrou a harmonia e a felicidade permanentes que recebia da sua constante relação com o Criador. Essa quebra logo se refletiu na forma como passou a olhar e a inter-agir com o seu semelhante; onde antes havia paz passou a haver acusação e extrema violência física. Adão acusou Eva de ser a causadora do pecado “… a mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore e comi…” (Gênesis 3:12) e Caim matou seu irmão Abel por causa da sua ira “…e irou-se Caim fortemente… Caim se levantou contra seu irmão Abel e o matou…” (Gênesis 4: 5 e 8).
Infelizmente a violência quer física, quer psicológica ao longo da história humana tem sido constante e as vítimas são os mais vulneráveis; esta violência pode acontecer em todos os contextos sociais: emprego, família, escola.
No mundo de hoje uma das formas mais vulgares de violência na micro-sociedade que é a escola, é o chamado Bullying. Esta designação com origem na palavra inglesa bully (que significa valentão, brigão) define um comportamento humano consciente, intencional, deliberado, hostil, repetido com o objetivo de magoar e ferir o outro; a vitima é alvo de violência física ou psicológica.
Estes atos violentos são executados dentro de uma relação de poder desigual (do mais forte para o mais fraco) e tomam a forma de agressões físicas, apelidos ofensivos, insultos verbais, comentários depreciativos sobre a família, isolamento social da vítima, extorsão de dinheiro e outros pertences materiais.
Nem sempre é fácil perceber se alguém é alvo de Bullying porque a vítima, por medo de represálias, não revela as suas angústias nem as violências a que é sujeita.
Ser educador (familiar ou professor) é também estar atento a alguns comportamentos que podem ser indicadores de Bullying:
- marcas e ferimentos
- transtornos alimentares
- ansiedade e distúrbios do sono
- isolamento social
- resistência à escola sem causa aparente.
Aqui no nosso meio escolar por influência do evangelho nenhum Bullying foi referenciado. E sempre c/a ajuda do nosso bom Deus tentamos preveni-lo com uma educação para os valores:
- da tolerância para com o outro (tolerância em relação às suas fraquezas, ás suas diferenças, aos seus sofrimentos, aos seus traumas)
- da amizade
- da entreajuda
- da proteção( aos mais vulneráveis, mais novos, mais idosos).
Até aqui podemos escutar de Deus “… Aquele que se coloca sob minha proteção que faça paz comigo…” (Isaías 27:5)
 
Professora Josefa Alcobia
Bullying no Jardim de Infância?
Creche e Jardim de Infância Arco-Íris, Setúbal


Então disse Jesus: "Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas". Mateus 19:14
Quando num relance leio este versículo, Inevitavelmente e de forma quase espontânea, a minha mente enche-se com as palavras pureza e inocência.
Mas da mesma forma inevitável e espontânea, se dissipam quando o trago para a vivência do dia-a-dia como profissional de educação, onde estas duas qualidades parecem ter dado a vez aos seus antónimos.
E à pergunta que dá título a este texto, respondo claramente que sim, sem questionar as evidências.
O Jardim de infância é frequentemente o primeiro local onde as crianças interagem umas com as outras de uma forma consistente e estruturada em conceito de grupo. Imaginar que estas primeiras interações seriam apenas positivas seria naive.
O Bullying é um problema social e podemos observar que as crianças nesta faixa etária assumem o mesmo tipo de atitudes que encontramos em crianças ou jovens de outros níveis de ensino, na maioria das vezes escudadas como fazendo parte do processo de crescimento. Está presente nos meninos e nas meninas e apenas difere na intenção do alcance daquilo que cada género mais valoriza.
Não é um fenómeno novo, encontramo-lo na Bíblia, quando irmãos mais velhos eram bullies do irmão mais novo.
Esconder algo pessoal, destruir um desenho, recusar sentar-se junto de, não o/a permitir na brincadeira, bater, são alguns dos comportamentos repetitivos, que diariamente poderão ser observados.
Por sermos um estabelecimento de ensino diferente, não deixamos de incentivar a escovagem dos dentes, a dar a mão a um adulto quando atravessamos na passadeira, a comer alimentos saudáveis, mas também realçamos a certeza de querermos proporcionar um ambiente de aprendizagem seguro.
Infelizmente José não teve uma escola que o protegesse de bullying, que quase lhe custou a vida.
Queremos ser a escola que põe o «capacete» de proteção enquanto os «ciclistas» pedalam. Por vezes parece ser desnecessário, pois chegam ao fim de cada etapa sem que algo de mal lhes tenha acontecido. Não sendo a garantia de uma segurança completa, diminui grandemente as hipóteses de danos.
«Os mestres devem cuidar de seus discípulos como o pastor cuida do rebanho que lhe foi confiado. Devem protegê-los como quem por eles tem de dar contas.» Conselhos Professores, Pais e Estudantes, p. 65


Diretora Pedagógica, Paula Girão
"Eu já fui vítima de bullying"
Colégio Adventista de Setúbal

Este episódio, que remonta aos anos oitenta, passou-se comigo, numa pequena cidade agrícola italiana, onde os meus pais eram missionários. Eu frequentava uma acolhedora escola primária e jamais esqueci as palavras de um colega, meu amigo e companheiro de brincadeiras, quando com uma cara zangada atirou-me palavras duras, como se de pedras se tratassem “Porque é que não vais para a tua terra?”
Vários pensamentos me passaram pela mente naquele momento “Esta terra não é minha?”, “Tu não és meu amigo?”, “Porque me tratas assim?”. Em vez de verbalizar os meus pensamentos afastei-me com lágrimas a correrem-me pela face. Tinha acabado de ser vítima de bullying. Ainda hoje, passados 30 anos, consigo recordar e quase sentir a dor que senti. Doeu-me muito, mesmo sem ninguém me ter tocado.
As crianças esquecem depressa e passado pouco tempo brincávamos os dois sem pensar no sucedido, mas foi algo que deixou marcas que ainda hoje estão impressas na minha memória.
Atualmente, ouvimos com frequência a palavra “bullying”  ligada à vivência na escola e ao ambiente escolar. É pena que não ouçamos tão frequentemente palavras como “amizade”, “altruísmo”, “entreajuda” ou “companheirismo”. Esta palavra inglesa que vem da raíz (bully) rufião  com o sufixo (ing) (bullying) passa a significar: intimidar, forçar , obrigar . Só a pronúncia da palavra tem um não sei quê de agressivo. É algo que nos faz sentir tristes e impotentes.
É assim que as vítimas de bullying  se sentem: tristes, magoadas e impotentes, sem possibilidade de escaparem aos seus agressores. Vivemos num tempo em que o ego palavra latina que significa eu e que dá origem a: egoísmo é mais importante que altrui, palavra latina que significa o outro e que dá origem a: altruísmo. Preferimos exaltar o eu mesmo quando para isso magoamos e desvalorizamos o outro.
No CAS, Colégio Adventista de Setúbal, estamos mais despertos para estes episódios. Apesar do ambiente cristão e dos professores e funcionários procurarem promover o bem estar e incentivar a amizade entre todos, e embora seja um colégio pequeno em que se torna mais fácil monitorizar este tipo de situações, também existe bullying  no nosso colégio. É uma luta constante em que o nosso exemplo e a maneira como lidamos com estes casos vão servir de modelo para estes jovens cujo caráter também está a ser moldado por nós.
O meu apelo é que toda a comunidade educativa: família, escola e igreja, possam ser um bom exemplo, não receando utilizar a disciplina redentora quando necessário, sempre segundo o modelo e exemplo de Jesus.
“Portanto, como povo escolhido de Deus, santo e amado, revistam-se de profunda compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou. Acima de tudo, porém, revistam-se do amor, que é o elo perfeito. Que a paz de Cristo seja o juiz em seu coração, visto que vocês foram chamados para viver em paz, como membros de um só corpo. E sejam agradecidos.” Colossenses 3:12-15


Diretora Pedagógica, Marta Vieira Machado
Bullying? Não!
Externato Adventista do Funchal
 
Bullying é um termo utilizado para descrever atos de violência intencionais e repetidos, que podem ser físicos ou psicológicos e causam dor e angústia na vítima. Nas escolas, a maioria dos atos de bullying ocorrem fora da visão dos adultos e grande parte das vítimas não reage ou fala sobre a agressão sofrida. Como a maior parte dos alunos não denuncia e alguns adultos negligenciam a sua importância, a sensação de impunidade favorecem a perpetuação do comportamento agressivo. Espalhar comentários, insultar, chantagear, recusar em se socializar com as vítimas, intimidar outras pessoas que desejam se socializar com a vítima, ridicularizar o modo de vestir, são atos que levam ao isolamento da vítima. Existem alguns sinais comuns de bullying, como a recusa por parte da criança em ir à escola, nervosismo ou tristeza anormais. Enurese noturna, distúrbios do sono, dores e marcas de ferimentos, transtornos alimentares, isolamento social, irritabilidade/agressividade, depressão, entre outros, são também possíveis sinais de vítima de bullying.
O bullying também ocorre através dos meios eletrónicos, fenómeno conhecido como cyberbullying. Trata-se de mensagens difamatórias ou ameaçadoras circulando pelos e-mails, sites, redes sociais e telemóveis.
A escola tem um papel fundamental para reduzir o bullying – estabelecer regras claras, identificar quais os alunos que são alvo e quem lidera as agressões. É importante lembrar que, nos casos de bullying, a lei do silêncio é válida entre os envolvidos e que, normalmente, os pais ou terceiros descobrem primeiro do que a escola. Ao ser informada, a escola deve tomar atitude proactiva na solução do caso. É dever da instituição educativa trabalhar na prevenção dos atos de violência dando o devido foco ao desenvolvimento moral dos seus alunos, em busca da postura ética que se espera deles. Assim sendo, para uma escola positiva, é fundamental incentivar a solidariedade, a generosidade e o respeito às diferenças, realizar campanhas de incentivo à paz e à tolerância, trabalhos didáticos, bem como, atividades de cooperação e interpretação de diferentes papéis em conflito. Dentro da sala de aula, é imprescindível haver um ambiente favorável à comunicação entre os alunos. É também necessário que, funcionários e professores, encorajem os alunos a participarem ativamente na supervisão e intervenção de atos de bullying, formando grupos de apoio que protegem os alvos e auxiliam em algumas situações. Devem sempre lidar e resolver os casos, enquanto as escolas devem aperfeiçoar as suas técnicas de intervenção e buscar cooperação a outras instituições, nomeadamente, a centros de saúde, redes de apoio social, etc.
Os pais, por sua vez, devem tentar identificar em casa, se os seus filhos estão envolvidos com esse problema, através do diálogo com as crianças. Caso se detete algum envolvimento é fundamental admitir o problema, bem como, informar a escola e procurar ajuda psicológica. É preciso ter coragem. Todos fomos feitos à imagem e semelhança de Deus. O salmista Davi diz-nos que são boas as obras das mãos de Deus (Salmo 139). As obras feitas pelas Suas mãos na criação foram o homem e a mulher, formando-nos de maneira perfeita. Que a vida das crianças das nossas escolas possam ser “vidas com propósito”. Façamos todo o possível para viver em paz com todos (Romanos 12:18).
No Externato Adventista do Funchal já foi realizada uma ação de sensibilização sobre o bullying, dirigida aos Encarregados de Educação dos alunos, em que todos os aspetos referidos foram mencionados. Esta iniciativa teve muita adesão.


Professora Vânia Teixeira
Encontro Nacional dos Ministérios da Criança aborda temática do Bullying

No passado mês de fevereiro, o Departamento dos Ministérios da Criança realizou no CAOD o VIII Encontro Nacional dos Ministérios da Criança subordinado ao tema “Adorar em Segurança”. O encontro contou com a presença do Diretor Associado Dos Departamento dos Ministérios da Criança da Conferência Geral, o Pastor Saustin Mfune que tratou o tema da adoração, a Gestora de Conta da EUD na Adventist Risk Management, Corinne Linquetuit e a Diretora do Departamentos dos Ministérios da Criança da Divisão Inter-Europeia, Elsa Cozzi, que trabalharam o tema da segurança, nomeadamente prevenção de risco nas atividades dentro e fora de portas, bulying, cyberbulying, etc.
Esta abordagem teve um retorno positivo, pois os presentes foram alertados para uma realidade que, numa comunidade assente na confiança, muitas das vezes passa despercebida.

Samuel de Abreu, Diretor Associado dos Ministérios da Criança da UPASD

Como acabar com o Cyberbullying?
 

Se precisares de assistência para te aconselhares sobre como  proteger ou proceder em caso de Cyberbullying, podes contar com a Linha Ajuda Internet Segura, disponível todos os dias úteis entre as 14 e as 19 horas. Basta ligar para o número 808 91 90 90, enviar um e-mail para linhaajuda@internetsegura.pt ou clicar no serviço de atendimento online disponível em www.internetsegura.pt/linha-ajuda.

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