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Atreve-te a ter bons Relacionamentos...

Se há texto bíblico conhecido e que suscita reflexão profunda sobre a vida do ser humano é o que se encontra em Eclesiastes 3:1: “Neste mundo, tudo tem a sua hora; cada coisa tem o seu tempo próprio”. Mas o sábio Salomão continua e especifica essas ditas coisas: nascer, morrer, plantar, arrancar, matar, curar, destruir, construir, chorar, rir, estar de luto, dançar, atirar, juntar, abraçar, afastar, procurar, perder, guardar, deitar fora, rasgar, coser, calar, falar, amar, odiar, fazer guerra e fazer paz. Todas estas coisas que têm o seu tempo próprio, implicam relacionamento e resultam do grau de maturidade do indivíduo e das escolhas que faz ao longo da sua existência.

Sim, o ser humano é distinguido de todas as outras criaturas pela relação intra e interpessoal, a relação consigo mesmo e a relação com os outros. Como ser relacional, tudo começa nas primeiras vivências  que acontecem, na grande maioria, no seio familiar. Mas o papel da comunidade em que o indivíduo está inserido tem, também, uma influência significativa. São exemplo disso a comunidade religiosa, a comunidade recreativa ou associativa, entre outras. Mas é ainda igualmente marcante a influência da escola e mesmo dos pares, dos colegas, amigos e vizinhos. Neste sentido, é importante despertar na criança, no jovem e no adulto, a consciência de que precisa apostar em bons e saudáveis relacionamentos, pois a sua vida presente e futura beneficiará, e muito, destes.

A newsletter deste mês apresenta precisamente uma abordagem, o mais abrangente possível, dos relacionamento humanos, deixando reflexões sobre como proporcionar à criança e ao jovem, bons relacionamentos com a família, com a comunidade, com os pares, com a igreja e com a escola.

Boas leituras!

  

Tiago Alves
Diretor do Departamento de Educação da UPASD


Como a criança se relaciona com a Família
Colégio de Talentos

 

Quando uma criança nasce tem, em condições ditas normais, entrada garantida para um mundo socialmente estruturado: a família. É nesse primeiro grupo de afetos, normas e valores que a criança desabrocha para a vida, através de um processo de socialização primária que virá, mais tarde, a ser complementado por outras esferas (como é exemplo a escola).

 

Ellen White, reconhecida escritora norte americana, refere, na sua obra Educação (1977), que é nos primeiros anos de vida, no lar, que se desenvolve a mente do indivíduo, que se estabelece um padrão de vida e que se forma o carácter; assim, a forma como a criança se relaciona com a família e vice-versa é de extrema importância e deve ser valorizada a cada dia.

 

Em jeito de testemunho pessoal, partilho com todos os leitores, a importância que um livro que me foi oferecido em 2007, tem tido ao longo da minha caminhada como mãe e professora. Trata-se da obra As crianças aprendem o que vivem de Dorothy Law Nolte & Rachel Harris.

 

O livro é uma espécie de guia para todos aqueles que são ou serão em breve pais, facultando uma abordagem sensível e muito próxima da realidade. Em traços gerais, explica como é que se podem construir relacionamentos salutares entre gerações de modo a estabelecer com as crianças ligações que encorajam (mais do que criticam), que apoiam o crescimento (mais do que o atrofiam) e que permitem a partilha e a aprendizagem em conjunto, enquanto família. As autoras defendem que cada criança é única e possui uma série de qualidades que emanam da sua criatividade e sabedoria; sendo um privilégio dos pais testemunhar o crescimento dos seus filhos. Para que tal aconteça devem os pais proporcionar-lhes um ambiente onde se sintam confiantes de que serão sempre aceites e amados, apesar das suas imperfeições.

 

Os princípios orientadores que Nolte e Harris sugerem são vastos e cobrem as mais diversas facetas do ser humano, no entanto, realçam que o amor (e os seus 3 “As”: aceitação, afeto e apreciação) está na base de uma educação que produz bons frutos e relacionamentos salutares.

 

O livro inicia com um poema cuja mensagem é impossível de traduzir em poucas linhas, mas que sintetiza o título da obra e que encerra em apenas duas páginas muita sabedoria – advinda de anos de experiência. O poema que diz, por exemplo, que «as crianças que vivem com aceitação, aprendem a amar», e que, as que «vivem com aprovação, aprendem a gostar de si próprias» inspirou-me profundamente não só no início da minha aventura como mãe, mas também ao longo destes últimos anos em contacto com dezenas de crianças que precisam, frequentemente, de um estímulo, de um sorriso ou de um breve ensinamento para serem mais felizes.

 

O Colégio de Talentos encoraja diariamente os pais e as crianças a um relacionamento aberto e de mútua confiança, onde os afetos marcam lugar importante.

 

Cármen Maciel, Coordenadora do Colégio de Talentos


Como a criança se relaciona com a Comunidade
Colégio Adventista
de Setúbal


Vivemos numa situação de crise dentro da escola, causada pela violência que ocorre dentro e fora dela.

São cada vez mais frequentes as queixas de muitos profissionais de educação sobre a indisciplina, a falta de respeito, o desinteresse e até mesmo a violência, não apenas para com os profissionais mas também, e sobretudo, entre as próprias crianças.

Tudo isto, perante uma escalada de indiferença, e muitas vezes ausência, da família no que respeita à educação.

Neste contexto é necessário investir numa escola que privilegie uma educação integral, baseada em valores que passem de dentro para fora, sendo uma mais valia para a comunidade e sociedade em geral.

A parceria entre Escola e Comunidade é indispensável para uma educação integral e de qualidade e isto depende de bons relacionamentos entre família, professores, auxiliares de educação e alunos.

Mas o que é a Comunidade? A Comunidade é o nosso próximo. É o nosso vizinho, a instituição próxima de nós. Todos os que estão à nossa volta.

Como Escola, devemos marcar a diferença, pela positiva, para com os que nos rodeiam. Cordialidade, simpatia e entreajuda, devem ser uma constante. Os nossos alunos necessitam criar hábitos espontâneos de solidariedade. A entreajuda deve ser um hábito gravado nas pequeninas mentes e corações e não apenas uma palavra. Precisamos de atrever-nos a dar um bom exemplo.

O exemplo dos adultos vale mais que mil palavras e este é o desafio que precisamos de colocar nos nossos objetivos.

A escola desempenha uma função social de importância indiscutível e como organização que opta pela parceria, deve estar aberta ao acolhimento no contexto local. As parcerias socioeducativas são fundamentais para o sucesso e qualidade dos atos educativos, promovendo o sentimento de pertença e integração na comunidade.

No Colégio Adventista de Setúbal vamos atrever-nos a fazer da nossa escola um local onde a comunidade se sinta acolhida e onde as nossas crianças percebam que pertencem à comunidade.

E vocês?

Marta Machado, Diretora Pedagógica do CAS


Como a criança se relaciona com os Pares
Creche e Jardim de Infância Arco-Íris
 

“… eu sou o pai, tu és a mãe e ele é o bebé …” ou “Vamos brincar aos médicos, tu estavas muito doente, deita-te aqui, …” 

Nada parece mais simples que uma brincadeira de faz de conta, mas na realidade é bastante complexo, exigindo partilha de ideias, cooperação, diálogo, um plano de ação e sua concretização. É através das brincadeiras simples, mas que envolvem grande complexidade, que as crianças estabelecem as suas relações e desenvolvem as suas capacidades e competências na área social, emocional, cognitiva e física.

No Arco-íris permitimos que as crianças brinquem de forma espontânea, estabelecendo interações entre si, sendo livres de escolherem os seus pares e incentivando a IMAGINAÇÃO. 

Sendo a creche e o jardim-de-infância o primeiro contexto social é primordial que os relacionamentos entre pares sejam estabelecidos de forma natural e espontânea, respeitando o ritmo de cada criança e simultaneamente estimulando as brincadeiras entre pares e pequeno grupo, incentivando as crianças a realizarem atividades/jogos de cooperação e colaboração. 

Ao longo dos anos de prática pedagógica venho observando como as crianças são puras nas suas interações. Como adultos, temos muito a aprender com as crianças na área dos relacionamentos. A sua capacidade de aceitação e integração da diferença é genuína e espontânea. São bastante sinceras com os outros, conseguem perdoar e pedir desculpa com maior facilidade do que a maioria dos adultos. Os conflitos que têm, são resolvidos no momento e pouco tempo depois voltam a brincar sem mágoas, nem ressentimentos e são novamente os melhores amigos. 

Claro que as crianças estão a crescer nas suas aprendizagens e também na forma como se relacionam entre si. Muitas vezes tentam resolver os conflitos com agressão física ou verbal, sendo nestes momentos o papel do adulto fundamental para ensinar e descobrir com as crianças envolvidas a melhor forma de solucionar o problema.

No Arco-íris, os adultos chamam as crianças envolvidas nos conflitos e conversam com elas, ensinando-as a procurarem uma solução através do diálogo. Ensinamos a palavra DESCULPA.  

Em relação à aceitação e integração da diferença, é fantástico observar a atenção, proteção e ajuda que as crianças revelam pelos seus companheiros com necessidades educativas especiais. 

Sinto-me grata porque no Arco-íris a porta está aberta para todos e fundamentalmente, porque o coração de cada funcionária está sensível às necessidades de bem-estar e de afeto das crianças com NEE, aceitando e integrando as suas diferenças.

Tem sido fantástico e emocionante observar e sentir o crescimento e o desenvolvimento de uma menina com diagnóstico no espetro do autismo. Inicialmente pouco ou nada interagia com as outras crianças e devido à sua aceitação no grupo e às brincadeiras/atividades promovidas e incentivadas entre pares, hoje estabelece diálogos, mantem contato ocular, dá beijos e abraços, brinca com os seus pares, põe o dedo no ar para participar, veste roupa de princesa e assume o papel principal na dramatização da Carochinha. 

Este é apenas um bonito exemplo que nos enche de alegria e prova a integração e aceitação entre as crianças. Outros casos poderiam ser descritos com o mesmo sucesso nos relacionamentos entre pares.

Acredito que JESUS deseja que os adultos observem e sigam a pureza e simplicidade das crianças nos seus relacionamentos e na sua capacidade de desculpar, partilhar e aceitar.…Deixai vir a mim os meninos, e não os impeçais, porque dos tais é o reino de Deus. Em verdade vos digo que, qualquer que não receber o reino de Deus como menino, não entrará nele.” (LUCAS 18:16;17)

Florbela Lopes, Educadora do Arco-Íris

Como a criança se relaciona com a Igreja
Externato Adventista do Funchal


Nada é de maior importância do que os bons relacionamentos entre os membros da igreja, a fim de que se reúnam esforços na espera pela vinda do Salvador e se possam conduzir muitas almas nos caminhos corretos, das obras do Senhor, estando sempre em alerta para o perigo. “Deus indicou a igreja como atalaia, a fim de ter um cioso cuidado dos jovens e crianças, e, como sentinela, ver que o inimigo se aproxima e dar o aviso de perigo.” (Orientação da Criança, p.312). Como tal, “A igreja deve despertar e manifestar profundo interesse nesta obra; pois hoje, como nunca antes, Satanás e seu exército estão decididos a alistar os jovens sob a bandeira negra que leva à ruína e à morte.” (Conselhos Professores, Pais e Estudantes, p. 165).

Os membros de mais idade são exemplos que devem ser seguidos pelas crianças e jovens, onde o clima entre todos seja saudável, repleto de compaixão, amabilidade, compreensão e paz e, sobretudo, de entrega mútua a Deus. Ellen White afirma que “A igreja tem uma obra especial a fazer no educar e preparar suas crianças a fim de que, frequentando outras escolas ou em outros convívios, não venham a ser influenciadas pelos que têm hábitos corruptos.” (Orientação da Criança, p. 312). Perante tal importância, a lei de Deus deve ser exaltada e o sábado deve ser guardado e santificado para que os membros sejam obreiros capazes preparados para Cristo, de modo a que estejamos mais aptos para os vários ramos da grande obra confiada às nossas mãos. “Devemos formular planos sábios, a fim de que a mente engenhosa dos que têm talento possa fortalecer-se e disciplinar-se, e tornar-se polida da maneira mais excelente, para que a obra de Cristo não seja estorvada por falta de hábeis obreiros, que a façam com fervor e fidelidade.” (Orientação da Criança, p. 313).


Ter bons relacionamentos com a igreja é um passo muito importante no avanço da obra de Deus, pois a igreja manter-se-á firme e edificada e o inimigo não a conseguirá destruir.


Atreve-te a ter bons relacionamentos com a igreja:


- Partilhando as despesas com os mais pobres e os mais necessitados, agindo como um/a verdadeiro/a missionário/a;

- Aliviando a carga financeira dos jovens que estão estudando para que prestem serviços proveitosos na vinha do Senhor;


- Criando um fundo, por meio de generosas contribuições, para o estabelecimento de escolas destinadas ao desenvolvimento da obra educativa;


- Dando aos membros da Igreja os meios necessários para avançar a causa de Cristo;


- Orando com fé.

 

“Não somos um povo rico, mas, se orarmos com fé, e deixarmos o Senhor agir em nosso favor, Ele abrirá diante de nós o caminho para estabelecermos pequenas escolas nos lugares afastados, destinadas à educação de nossos jovens, não somente nas Escrituras e estudos intelectuais, como também em muitos ramos do trabalho manual.”
E.G.W., Orientação da Criança, p. 314

 


Vânia Rodrigues, Professora do EAF

Como a criança se relaciona com a Escola
Colégio Adventista de Oliveira do Douro


Escusado será dizer, que as nossas crianças passam cada vez mais tempo nas escolas, por vezes, tempo demais. As escolas ganham cada vez mais importância na sua vida e os laços que se criam não se desfazem facilmente. Lembro-me bem da minha primeira escola, pois ela contribuiu para os melhores relacionamentos, os mais saudáveis, sólidos e duradouros que possuo até hoje. Gostaria de partilhar convosco apenas estes três. 

Com a idade de três anos, eu e a minha amiga Ana tornámo-nos as amigas inseparáveis. Desde cedo, brincávamos às profissões que temos agora: professora e farmacêutica, respetivamente. Sabemos como ficamos com óculos, sem óculos, com aparelho, sem aparelho, com borbulhas e com borbulhas (infelizmente, as minhas não desapareceram todas…) Daquelas raras amizades de sempre e para sempre.

Que saudades de ouvir a Assunção, a funcionária que ficava conosco depois das aulas (hoje com 83 anos), contar as histórias da Bíblia e não só. Cativava-nos com um grande sorriso, até mesmo um ar doce e maroto, como que cúmplice das nossas brincadeiras, que era enternecedor. Lembro-me que havia muitos risos (porque as crianças não gostam de pessoas tristes) e até algumas partidas. Anos mais tarde, tive o privilégio de voltar a encontrá-la e colaborar com ela numa igreja adventista, com um grande grupo de crianças. Sem dúvida, essa experiência confirmou a minha vontade de ensinar e levar mais crianças ao nosso Deus.

O último amigo de que que vos gostaria de falar, é sem dúvida o mais importante. Na minha escola aprendi quem era Jesus, de forma simples. Cantávamos músicas sobre o que Ele tinha feito por nós e aprendemos a orar. Havia feltros que cobriam as paredes das salas com motivos da natureza, sempre novos. Às sextas-feiras de tarde, saíamos todos a pé da nossa escola e visitávamos a mata que era ali próxima e explorávamos a criação de Deus. 

A minha família não era religiosa nesta época da minha vida, mas lembro-me de sentir que, na demanda habitual dos pais pela escola perfeita, onde vão colocar os seus filhos no início da escolaridade, os meus pais fizeram um sacrifício grande. Optaram por colocar-me numa escola adventista. Por isso sou-lhes grata. Por me darem a oportunidade de conhecer o meu Salvador diariamente, enquanto aprendia a socializar, a ler e a escrever. 

Hoje, como professora e também como mãe, sei que o melhor relacionamento que uma escola pode dar a alguma criança é, sem dúvida, o de poder conhecer Jesus ou cimentar esta relação na sua comunidade escolar. Qualquer pai ou mãe que pense assim, não sairá frustrado pois investe num relacionamento no presente para a eternidade. Se, por algum momento, tivermos outra preocupação na nossa mente aquando esta escolha, não estaremos a construir bons alicerces na educação dos nossos filhos. Não seremos bons mordomos daquilo que nos foi confiado. Principalmente, na educação dos nossos filhos devemos buscar “primeiro o reino de Deus”(Mat. 6:33).

A escola, por sua vez, compromete-se a recrutar professores e funcionários que conheçam e temam a Deus, sejam consagrados e estudiosos da Sua palavra. Para que o inimigo não venha a colher o nosso trabalho e, se dê o caso, da esperança dos pais ser desapontada. 

Se marcharmos neste sentido, podemos verdadeiramente ser luzes ao mundo e cumprir com a nossa missão.

Maranata.


Miriam Jesus, Professora do CAOD

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