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Equipa de Educação Artística
Boletim Digital Janeiro 2017
Ruy Leitão (1949-1976), s/título, 1971.

Caminhos Cruzados: A Arte e a Vida

Subprogramas 2016 / 2017

O Programa de Educação Estética e Artística (PEEA) é uma iniciativa que engloba várias dimensões para o desenvolvimento e promoção da Educação Artística na Escola. Além da formação de docentes, nas diferentes formas de arte, proporciona também experiências culturais diversificadas, a docentes e alunos, nomeadamente: idas a exposições, a museus, a teatros, a bailados, a concertos.

Desde o seu início, em 2010, o PEEA tem incentivado a colaboração entre a Escola e as Instituições de Cultura, na perspetiva da criação de hábitos culturais, democratizando o acesso a diferentes manifestações artísticas, abrindo horizontes, alargando o conhecimento das linguagens musicais, teatrais, visuais, coreográficas, multimédia, entre outras. Iniciativas como o Big Bang, LittleShadow, Mini Dias da Música, Museu para que te quero, Projeto Teatro Infantil, Projeto de Aproximação à Dança, Tic, Toc na Escola do Futuro, Contar uma Serenata Barroca são bons exemplos desta nossa longa parceria entre os agentes culturais e os agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas.

É neste contexto que são desenvolvidos subprogramas nas quatro áreas do PEEA: Artes Visuais, Música, Dança e Teatro. É de sublinhar o papel fundamental dos apoios recebidos da Fundação Calouste Gulbenkian, da Organização dos Estados Ibero-americanos e, muito particularmente, da Fundação Aga Kahn, pelo seu especial envolvimento na dinamização e implementação dos referidos subprogramas. Neste ano letivo, são de salientar dois destes subprogramas, Música em Meio Escolar (MME) e Dança em Contexto Escolar, iniciativas da Equipa da Educação Artística, da Direção-Geral da Educação (DGE).

O subprograma MME teve início em março de 2016 e visa ser “um polo dinamizador de projetos educativos na área da Música/Educação Musical. Tem por finalidade promover a Música como uma forma de comunicação, conhecimento, expressão, manifestação estética, possível de ser adquirida/aprendida por todos e em qualquer idade, numa perspetiva de alargamento de horizontes artísticos (…).”[1]

O CantAr-te, projeto de estreia do MME, é uma iniciativa dos professores Isabel Neves, Georgea Silva, António Rocha e do Maestro Victor Gaspar e pretende criar uma rede de coros escolares, incentivar a aprendizagem musical, através de uma vivência fundada num pensamento musical crítico e criativo e desenvolver atitudes de tolerância, de respeito pela diferença, fomentando os valores de uma cidadania democrática.

No ano letivo anterior, o projeto foi desenvolvido nos Agrupamentos de Escolas (AE) Elias Garcia e Caparica, no concelho de Almada, e teve apoio da Câmara Municipal de Almada, das Juntas das Freguesias da Charneca de Caparica e Sobreda e da Costa da Caparica, do Instituto Piaget – Campus Universitário de Almada, do Musicentro – Salesianos de Lisboa e do Centro de Formação de Escolas do Concelho de Almada – AlmadaForma. Envolveu cerca de 600 crianças (1.º e 2.º Ciclos do Ensino Básico e Ensino Profissional), 14 docentes (Educação Musical, Música e Ensino Artístico Especializado de Música).

Os coros constituídos, no âmbito do CantAr-te, apresentaram-se, na Aula Magna do Instituto Piaget – Almada, no foyer do Grande Auditório da Fundação Gulbenkian e no Centro Ismaili de Lisboa.

A formação CantAr-te: A Teoria de Aprendizagem Musical (TAM) de Edwin Gordon aplicada aos grupos corais escolares, tendo por entidade responsável o Centro de Formação AlmadaForma, é orientada pelo Maestro Victor Gaspar.

No presente ano, o CantAr-te alargou a sua área de influência, estando a ser implementado em três AE do concelho de Almada (Caparica, Elias Garcia e Anselmo de Andrade), num do concelho de Bragança (Abade Baçal) e em quatro AE do concelho de Vila Franca de Xira (Alhandra, São João dos Montes e Sobralinho – Alhandra, Pedro Jacques de Magalhães – Alverca, Reynaldo dos Santos e Alves Redol, ambos em Vila Franca de Xira). Estão envolvidos cerca de 1000 alunos e 30 docentes (especialistas em Música ou do 1º Ciclo do Ensino Básico).

A formação CantAr-te está a decorrer nas instalações da DGE, em Lisboa, e terá brevemente o seu início no Museu Abade Baçal, em Bragança. A expansão desta iniciativa tem o apoio de várias entidades, nomeadamente: Câmaras Municipais de Almada, de Bragança e de Vila Franca de Xira, Sociedade Euterpe Alhandrense, Fundação Os Nossos Livros, Conservatório de Música e Dança de Bragança, Conservatório Regional Silva Marques, Instituto Politécnico de Bragança, Museu Abade Baçal, AlmadaForma e Centro de Formação de Associação de Escolas de Bragança Norte.

O subprograma Dança em Contexto Escolar está a ser desenvolvido através dos projetos Dança Passo a Passo, na Escola Básica António Torrado, do AE Matilde Rosa Araújo, em Cascais, e Racnad – Dançar ao Contrário, em escolas do 1º ciclo do Ensino Básico de Agrupamentos de Escolas do concelho de Vila França de Xira (Póvoa de Santa Iria e Pedro Jacques de Magalhães). Ambos os projetos têm o apoio da Fundação Aga Khan e o propósito de desenvolver ações que estimulem o ensino, a aprendizagem, a prática e a fruição da Dança, para além da produção de “Tutoriais de imagens comentadas”, enquanto recurso para auxílio ao processo de ensino/aprendizagem da dança em contexto escolar. A Dança Passo a Passo envolve cerca de 50 alunos do 1.ºCEB, 2 professoras titulares de turma e a coreógrafa Catarina Câmara, estando a coordenação a cargo de Conceição Rosado, responsável da área da dança da Equipa de Educação Artística (EEA) da DGE. O Racnad – Dançar ao Contrário está a ser desenvolvido numa parceria com o Conservatório Regional Silva Marques/Sociedade Euterpe Alhandrense, e envolve cerca de 750 crianças, 34 professores do 1.º CEB e 3 professores do Ensino Artístico Especializado de Dança, estando a coordenação pedagógica e artística deste projeto a cargo das bailarinas/professoras Mariana Aguiar e Cátia Ferrão Pontes e da EEA.

Encontram-se em fase de desenvolvimento outros subprogramas nos domínios das Artes Visuais e Teatro, com projetos nas áreas da Fotografia, Cenografia e Curadoria para a Infância. Dar-vos-emos conta, em próximos Boletins, destes percursos artísticos nos espaços escolares e dos itinerários escolares nos espaços artísticos. Gostamos de pensar que facilitamos viagens, a uns e a outros, certos de que encontramos um território comum cheio de caminhos cruzados, unidos numa atitude estética, e por isso crítica, que nos permite fruir a Arte e a Vida.

 
[1]  O texto de apresentação do subprograma MME pode ser consultado em: http://us3.campaign-archive2.com/?u=7e759b6b8b94d54db35792e98&id=c8bb5320ae
Reunião de Acompanhamento do PEEA no Agrupamento de Escolas de Nelas, em Viseu. Fotografia | Maria Martins.

Reuniões de Acompanhamento do PEEA

“Do currículo prescrito ao currículo real”

Como assinalado em anteriores edições, as reuniões de acompanhamento do Programa de Educação Estética e Artística (PEEA) são, a par da formação de docentes nas áreas do teatro, artes visuais, dança e música, momentos fundamentais que facilitam a implementação do programa e as mudanças que vão ocorrendo em contexto de sala de aula.

Este trabalho de proximidade com os docentes dos diversos agrupamentos tem vindo a permitir uma maior e gradual operacionalização do currículo no domínio das artes, o que poderá repercutir-se numa cultura organizacional que as integre como elemento fundamental no projeto educativo ou no programa cultural de escola.

Os docentes são os primeiros a expressar a necessidade de se investir na Educação Artística como área do conhecimento necessária ao desenvolvimento das crianças e a reconhecer a necessidade de se “atualizarem” nestas áreas e de poderem ter espaços de diálogo e partilha das práticas. É desta realidade que nos dão conta nas diversas reuniões de acompanhamento, das quais recolhemos alguns testemunhos:

  • “A oferta formativa nesta área é uma mais-valia, acrescendo o facto de ser nas quatro áreas e de forma articulada e focada no nosso nível de ensino.” (Reunião de Acompanhamento no Agrupamento de Escolas [AE] Forte da Casa)
  • “Parece consensual a necessidade de se retomar a Educação Artística, como área determinante e com lugar próprio no desenvolvimento das crianças.” (Reunião de Acompanhamento no AE Pedro Jacques de Magalhães)
  • “Foi mesmo a primeira vez que os docentes se reuniram para tratar exclusivamente da área [Educação Artística]. (Reunião de Acompanhamento no AE Alves Redol)
  • “É uma área muito «sedutora», em que é divertido aprender coisas novas, e esta é uma das formações mais pertinentes que já fiz, porque as artes são muito importantes”. (Reunião de Acompanhamento no AE Pedro Jacques de Magalhães)

Como refere Maria do Céu Roldão (2007), “o caminho do currículo prescrito ao currículo real implica a mediação decisora dos níveis meso e micro, as escolas e professores, protagonistas da operacionalização contextualizada da prescrição comum (…).”[1] Temos a forte convicção de que, quando são criadas estas condições, os docentes arriscam, criam, mudam e optam por percursos significativos para o seu desenvolvimento profissional e para o dos seus alunos. De início são confrontados com o receio de não dominar os conteúdos, mas, posteriormente, e após a reflexão sobre os diferentes momentos vivenciados, devolvem gradualmente as artes ao currículo.

O PEEA tem vindo a acompanhar este percurso, ano após ano, desde 2010.

Muito trabalho há ainda a fazer, mas estamos convictos de que as mudanças se vão operando na medida em que cada um de nós para elas contribui. Sabemos que os professores são atores fundamentais neste processo, e, por conseguinte, a sua formação deverá integrar as “competências estéticas” necessárias ao reconhecimento de que a arte, enquanto forma de conhecimento, “(…) não é uma ilustração do que é visto e conhecido, mas a possibilidade de inter-relacionar diferentes realidades para exercitar múltiplos níveis de significado”[2].

 


[1] Roldão, M. (2007). Distâncias na educação e no currículo – professores, discurso e escola. CEDH - Centro de Estudos do Desenvolvimento Humano.
[2] Marques. E. (2011). O Espaço da Arte na Educação. In Xavier. B. (coord.) “et al.” Arte e Delinquência (pp. 67-81). Lisboa. Fundação Calouste Gulbenkian.
David Teniers (1610-1690), «El archiduque Leopoldo Guillermo en su galería de pinturas en Bruselas», 1647 – 1651. Óleo sobre lâminas de cobre, 104,8 cm x 30,4 cm. Museu do Prado, Madrid.

Lugar às Ideias

"Modos de Ver"[1]

Neste espaço recordamos John Berger (5 de novembro de 1926 - 2 de janeiro de 2017), crítico de arte, romancista, pintor e escritor inglês.

Destacamos, do seu percurso, a obra “Modos de Ver”, constituída por sete ensaios que podem ler-se por qualquer ordem. Contudo, não nos vamos deter sobre cada um deles. Esse é o convite que fazemos a quem tiver interesse no tema. Na nota introdutória desta obra, pode ler-se que “ (…) o objetivo principal [do livro] foi o de iniciar um processo de interrogação.” Das muitas interrogações a que a obra nos convoca, destacamos neste breve texto, pela sua pertinência no âmbito da educação artística, a ideia de como as palavras podem influenciar e modificar o nosso olhar perante uma imagem, um objeto ou uma circunstância particular ou social. Atentemos no exemplo proposto por Berger, observando por uns instantes a imagem seguinte[2]:


Olhe novamente para a mesma imagem mas agora acompanhada por uma inscrição:
 
Este foi o último quadro que Van Gogh pintou antes de se suicidar.
 
Ao concluir este exercício pode ver como é diferente olhar para cada uma das imagens.

Podemos, assim, constatar o que as palavras possivelmente acrescentaram ou retiraram ao(s) sentido(s) da imagem. Talvez até possamos concordar que a presença ou ausência das palavras e das legendas, ou de outros estímulos, pintam quadros diferentes.

Ora, porque é que o “jogo do olhar” nos é tão importante?

A relevância de como os estímulos, principalmente as palavras, afetam o modo como vemos as imagens remete-nos para a maneira como crianças, jovens e adultos interagem com elas, principalmente em contexto de museu.

Muito frequentemente, os diferentes públicos olham para as obras a partir daquilo que a legenda lhes dá a ver, caindo numa “mentira” socialmente consentida de estar a ver o que, apenas pela “imposição” do que está escrito, se pode ver. Pode-se, assim, correr o risco de as palavras nos conduzirem, de um modo literal, ao que poderíamos experienciar de outra forma.

Sabemos que, na observação das imagens, não estão ausentes os contextos vivenciais de cada um de nós, nem as nossas projeções e intuições. Se associarmos a estas circunstâncias as palavras que estão escritas, poderemos perguntar-nos:

Quanto deixaremos de ver?

Veja mais em: http://jaquealarte.com/2017/01/03/recordando-john-berger-modos-ver/

 


[1] Berger, John; Blomerg, Sven; Dibb, Michaell e Hollis, Richard (1999). Modos de Ver. Lisboa. Edições 70
[2] Van Gogh (1853-1890), «Seara com Corvos», 1890. Óleo sobre tela, 50,5cm x 100,5cm.

Serviços Educativos | Museus e Monumentos da Direção-Geral do Património Cultural

Os Serviços Educativos dos museus, palácios e monumentos da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) têm vindo, nos últimos anos, a “ampliar a sua abrangência, diversificando iniciativas, num processo que acompanha o desenvolvimento do próprio conceito de função educativa, unanimemente reconhecida pelas instâncias internacionais como um dos principais eixos de atuação das instituições que gerem os museus e os monumentos.

Nesta perspetiva, as ações específicas dirigidas aos diversos públicos (escolares e não escolares) procuram incentivar articulações institucionais e alargar a função educativa a todos os sectores de atividade das instituições culturais da DGPC, de forma a desenvolver projetos que estimulem a criatividade, a literacia e a partilha intergeracional e multicultural dos visitantes. (…)

Estas estratégias são prosseguidas por um vasto leque de atividades culturais, como ateliês e oficinas, sessões de conto, espetáculos de música, teatro ou dança, workshops, seminários, visitas guiadas a coleções ou a setores específicos do museu ou monumento, e ainda pela produção de edições e instrumentos didáticos, destinados a diversas franjas de público e respondendo de forma qualificada à sua exigência crescente.”

Para mais informação consulte a área dedicada aos Serviços Educativos das diferentes instituições no Portal da DGCP: http://www.patrimoniocultural.pt/pt/museus-e-monumentos/dgpc/servicos-educativos/

Fonte | DGCP

Amadeo de Souza-Cardoso / Porto Lisboa / 2016-1916

Até 26 de fevereiro de 2017
Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC)
Curadoria de Marta Soares e Raquel Henriques da Silva

Depois do Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, chega agora a Lisboa, ao Museu Nacional de Arte Contemporânea, no Chiado, a exposição que recria a única exposição individual de Amadeo de Souza-Cardoso em território português, que decorreu em 1916.

“Quando Amadeo de Souza-Cardoso regressou a Portugal no início da Primeira Guerra Mundial, era um pintor reconhecido nos meios da vanguarda, tendo participado em exposições coletivas em Paris, Berlim, Nova Iorque, Chicago, Boston e Londres.

As exposições individuais que realizou em Portugal, em 1916, inserem-se nessa determinação de afirmação da carreira: a primeira decorreu no Porto, no Jardim Passos Manuel, de 1 a 12 de Novembro; a segunda, em Lisboa, na Liga Naval Portuguesa, de 4 a 18 de Dezembro. O Museu Nacional de Soares dos Reis evocou a exposição no Porto e agora o Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado evoca a exposição em Lisboa.

Estas exposições provocaram escândalo e debate. Em Lisboa, a exposição proporcionou o encontro entre Amadeo e Almada Negreiros, entusiástico defensor de Amadeo. Foi neste contexto que Almada apresentou a exposição na Liga Naval como «mais importante do que a descoberta do caminho marítimo para a Índia.»

O que se viu há cem anos e o que vemos hoje nas obras expostas? Como eram os espaços onde Amadeo expôs? Qual o papel de Amadeo enquanto “comissário” de si próprio? O que poderá ter motivado as reações mais violentas? O que se escreveu na imprensa? Que discussões houve em torno da pintura de vanguarda? Estas são algumas das questões fundamentais desta exposição.”

Mais informações aqui.

Fonte | MNAC

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