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Equipa de Educação Artística
Boletim Digital Março 2017
Sessão de formação de docentes, na área do Teatro, no AE de Albufeira, com o formador Sandro Junqueira. Fotografia: Carlos Pedro Gordinho.

Programa de Educação Estética e Artística 2016-2017


Com este Boletim pretendemos dar a conhecer o que está a acontecer nas regiões em que a Equipa de Educação Artística (EEA) conta com a colaboração de responsáveis regionais: Carlos Pedro Gordinho, na região do Algarve, Maria Martins, na região do Centro, e Ana Luísa Pereira e Carla Lima, na região Norte.
 




No Algarve já somos muitos...

O Programa de Educação Estética e Artística (PEEA) começou a ser implementado no Algarve, no ano letivo de 2014/2015, estando atualmente a ser desenvolvido em quase todos os concelhos da região. Assim, aos quinze Agrupamentos de Escolas (AE) onde o PEEA já estava presente, juntaram-se, este ano letivo, quatro novos AE e o Colégio Internacional de Vilamoura. O Programa já envolve, na região, um universo de 547 docentes e 10749 crianças e alunos da Educação Pré-Escolar e do 1.° Ciclo do Ensino Básico.

Como habitualmente, o PEEA está a proporcionar, aos docentes dos AE que o integram, formação específica em quatro disciplinas da área artística (Artes Visuais, Dança, Teatro e Música), em estreita colaboração com os Centros de Formação Ria Formosa (Faro), Litoral à Serra (Loulé) e o Centro de Formação de Albufeira, Lagoa e Silves.

Este ano, a região conta com o apoio de proximidade do professor Carlos Pedro Gordinho, responsável regional do PEEA, destacado pela Direção-Geral da Educação (DGE), o que tem potenciado o acompanhamento dos docentes e dos AE envolvidos e a articulação entre estes e as instituições culturais locais.

O protocolo do PEEA com a Câmara Municipal de Loulé, em desenvolvimento e pioneiro na região do Algarve, visa envolver as instituições culturais do concelho na consolidação da educação artística, de forma estruturante e substantiva para todos os alunos, aliando os esforços do Centro de Formação Litoral à Serra e dos AE associados.

A pedido da própria instituição, foi possível a inclusão do Colégio Internacional de Vilamoura no Programa, estando todos os educadores e professores do 1.° Ciclo deste estabelecimento a usufruir da mesma formação que os seus pares do AE de Almancil, onde decorrem as sessões de formação e reuniões de acompanhamento e partilha. Desta forma, o PEEA abrange já a quase totalidade dos estabelecimentos de ensino do concelho de Loulé. A adesão do AE de Ferreiras e do AE de Albufeira/Vale Pedras veio, por outro lado, dar início à presença do Programa neste concelho, permitindo que alunos e docentes possam usufruir de uma nova visão sobre a arte e a sua fruição.

Destacamos, também, a integração de um grupo de professores e educadores do AE João de Deus (Faro), com a implementação do PEEA numa unidade de educação especial de crianças e jovens surdos. Segundo os docentes, está a ser uma experiência muito gratificante e com resultados surpreendentes, tanto na motivação como na dinâmica das aprendizagens artísticas preconizadas, com as necessárias adaptações às condicionantes sensoriais envolvidas.

No que respeita ao envolvimento de instituições culturais da região do Algarve com o PEEA, é de sublinhar o grande empenho dos técnicos destas instituições no acompanhamento das visitas aos museus da região, nomeadamente ao Museu Municipal de Faro e à Galeria de Arte Pintor Samora Barros, em Albufeira.

Também o Programa Educativo VATe (Vamos Apanhar o Teatro), promovido pela ACTA – Companhia de Teatro do Algarve, tem percorrido a região com o seu Autocarro/Teatro, proporcionando às crianças um contacto com as linguagens teatrais, mesmo em zonas do interior, onde não existem salas de espetáculo para a realização de peças. Este tem sido um parceiro privilegiado e disponível para o PEEA.

De referir, ainda, que se encontra em preparação a colaboração entre a Direção Regional de Cultura do Algarve e a DGE, no âmbito do PEEA. Esta parceria virá, certamente, facilitar a articulação entre as diversas instituições culturais e os AE da região, permitindo a futura implementação de subprogramas.

O trabalho realizado tem permitido consolidar a presença do PEEA na região do Algarve, contribuindo para a mudança de mentalidades e práticas, criando novos desafios e incentivando, nos alunos, o gosto pelas artes.

Atividade plástica, no âmbito do PEEA, com alunos da EB1 dos Correios, do AE D. Afonso Sanches, em Vila do Conde. Docentes Isabel Antão e Ana Beatriz Machado. Fotografia: Isabel Antão.

O PEEA na região Norte

“Outros momentos se seguirão”

No presente ano letivo, o Programa de Educação Estética e Artística (PEEA) continua a sua intervenção junto dos Agrupamentos de Escolas (AE) da região do Porto e Braga. Aos dois AE de Vila do Conde que, no passado ano letivo, integraram o PEEA, juntaram-se os AE D. Afonso Sanches e D. Pedro IV. O trabalho continua, também, na Póvoa de Varzim, onde está a ser desenvolvido, a pedido dos docentes, um curso de aprofundamento do Programa, no AE Cego do Maio, envolvendo docentes desse agrupamento e do AE Frei João de Vila do Conde. Prosseguindo o objetivo de aumentar a área de influência do Programa, foi possível alargar a sua intervenção à região de Braga, com a implementação nos AE Sá de Miranda, em Braga, e AE Vale d´Este, em Viatodos-Barcelos.

O PEEA que, este ano, alcança, nesta região, 158 docentes (Educação Pré-Escolar, 1.° Ciclo do Ensino Básico e Educação Especial), continua a envolver e motivar educadores e professores que, frequentemente, nos manifestam a sua satisfação pela formação recebida e pelas novas dinâmicas proporcionadas. O testemunho que vos deixamos foi enviado pela docente Pilar Costa, do AE Sá de Miranda: “Gostaria de lhe dizer [que] esta formação tem sido um perfeito êxito. Todos nós andamos completamente “rendidos”. Cada sessão tem sido uma boa surpresa. Sem sentirmos o peso de uma aprendizagem “formal”, têm constituído momentos muito ricos e produtivos.”

Acreditamos que esta “riqueza” tem e continuará a ter um importante impacto na vivência escolar das 1236 crianças da Educação Pré-Escolar e dos 1498 alunos do 1.° Ciclo do Ensino Básico que o PEEA atinge, este ano, em Braga.

A concretização desta dimensão educativa só é possível devido ao trabalho conjunto dos docentes, escolas, instituições e agentes culturais. A relação entre as escolas e os museus, auditórios, teatros e salas de espetáculos tem-se revelado um fator essencial para o desenvolvimento do Programa, possibilitando um contacto cada vez mais estreito com os bens culturais.

Neste momento, as instituições culturais da região, envolvidas no PEEA, são as seguintes: em Vila do Conde - Centro de Memória, Casa Museu José Régio, Museu das Rendas de Bilros, Museu da Construção Naval/Alfândega Régia, Nau Quinhentista, Centro Municipal de Juventude, Conservatório de Música, Companhia de Teatro Lafontana - Formas Animadas (LFA), Teatro Municipal e Auditório Municipal; na Póvoa de Varzim - Cineteatro Garrett; em Barcelos - Museu da Olaria e Teatro Gil Vicente; em Vila Nova de Famalicão - Casa das Artes.

O trabalho realizado está a permitir a concretização de parcerias, como é o caso do Projeto Art’é Vida, que, desde outubro de 2016, vem a ser desenvolvido pelo Conservatório de Música de Vila do Conde e a Escola Básica Bento de Freitas, com atividades na área da música.

Neste âmbito, foram abordados, nas diferentes sessões, conceitos relativos à utilização da voz como instrumento. Este trabalho foi reforçado com a realização de uma sessão destinada a promover a escuta ativa, por parte dos alunos. Desenvolveram-se atividades de exploração de diferentes instrumentos musicais e de improvisação.

Outras atividades e outros momentos se seguirão. Estamos a meio de um ano de trabalho que, certamente, ainda nos reserva desafios e oportunidades que continuarão a enriquecer a vida de todos aqueles que o Programa convoca, enquanto comunidade, em torno do desenvolvimento das artes em contexto escolar.

Visita ao Órgão da Igreja da Misericórdia e ao Museu da Misericórdia em Viseu. Fotografia: Museu da Misericórdia.

O PEEA na região de Viseu

As parcerias não se fazem… constroem-se

Espelhando o grande interesse manifestado, por parte das direções dos Agrupamentos de Escolas (AE) e dos Centros de Formação de Associação de Escolas (CFAE), integram, no ano letivo 2016-2017, o Programa de Educação Estética e Artística (PEEA) mais sete AE do distrito de Viseu (Cinfães, Moimenta da Beira, Mortágua, Nelas, Souselo, Penedono e Sernancelhe). O Programa envolve, assim, este ano, um total de 134 docentes do 1.º Ciclo do Ensino Básico e 60 docentes da Educação Pré-Escolar, chegando, através deles, a mais 2305 alunos da região.

Os diretores dos AE e dos CFAE envolvidos, reconhecendo a falta de oferta formativa nas áreas de intervenção do PEEA (Artes Visuais, Dança, Música e Teatro), encontraram, no Programa, uma oportunidade de desenvolvimento profissional dos docentes do 1.º Ciclo do Ensino Básico e da Educação Pré-Escolar, simultaneamente incentivadora e potenciadora de novas abordagens em contexto de sala de aula. A mobilização dos docentes foi feita, pelas próprias direções, após a apresentação do Programa, em todos os AE, ao longo do mês de junho do ano letivo transato.

As sessões de formação, inseridas no Programa e relativas às quatro áreas mencionadas, têm decorrido num clima de entusiasmo e satisfação por parte dos docentes. O receio inicial, denunciador de alguma falta de “à-vontade” no desenvolvimento de alguma (s) área (s), tem vindo a dar lugar a uma progressiva aquisição de segurança, revelada logo aquando da realização das primeiras reuniões de acompanhamento. Na maioria das reuniões realizadas no final do 1.º período letivo, e através da partilha de experiências e práticas incentivada aos docentes, foi notória a presença de algumas mudanças. À semelhança dos anos anteriores, as intervenções dos docentes sugerem a perceção generalizada de que o PEEA está a mudar a sua forma de encarar e trabalhar as áreas artísticas, potenciando, deste modo, a qualidade das suas práticas nos respetivos contextos.

O envolvimento direto de diretores e coordenadores de departamento/grupos disciplinares, nos diversos AE, tem facilitado o desenvolvimento de todo o processo, revelando-se, ainda, como um fator agregador das comunidades escolares e educativas em torno do PEEA, nomeadamente através de um cada vez maior despoletar de atividades de outros departamentos e grupos em relação direta com as artes.

O interesse suscitado pelo Programa tem vindo a permitir o estabelecimento de parcerias com instituições culturais e outras entidades com responsabilidades culturais e educativas, nomeadamente:

  • Museus (Museu Grão Vasco, Museu da Misericórdia e Museu da Sé);
  • Teatros (Teatro Viriato e Teatro Acert);
  • Autarquias locais (Viseu desde 2014/15, Tondela desde 2015/16, Moimenta da Beira, Sernancelhe, Penedono, Cinfães, Nelas e Mortágua em 2016/17).
 
Estas parcerias têm tornado possível o desenvolvimento de um conjunto de Subprogramas que, numa lógica de continuidade, desempenham um papel relevante na prossecução dos objetivos do PEEA. Referimo-nos ao desenvolvimento, nas escolas e agrupamentos, de dinâmicas culturais com caráter integrado e sustentável. A este propósito, assinalamos as palavras de César Cardoso, coordenador do 1.º Ciclo do AE Viseu Norte, que, em entrevista, nos referiu a importância destas parcerias para “manter vivo o espírito do PEEA no que respeita ao trabalho dos professores no âmbito das artes e da promoção da cultura e património locais”.

Do trabalho já realizado, neste âmbito, destacamos:

  • A formação destinada aos Técnicos dos Museus da região de Viseu - Museu Almeida Moreira, Quinta da Cruz, Coleção Arqueológica José Coelho, Casa das Memórias, Casa da Ribeira, Museu do Quartzo, Casa de Lavora e Oficina do Linho e Museu Nacional Grão Vasco, ministrada por Elisa Marques;
  • As visitas aos Museus da Misericórdia e de Arte Sacra da Sé, ao Órgão e ao Museu do Seminário Maior, bem como ao Órgão da Igreja da Misericórdia, com um total de 518 alunos;
  • A oficina de Teatro "E Tu Camões, Não Dizes Nada? no Teatro Viriato, com Graeme Pulleyn e Fernando Giestas, com um total de 152 alunos;
  • A entrega de Kits pedagógicos1, oferecidos pelas Autarquias de Viseu e Tondela, no âmbito dos protocolos de colaboração estabelecidos com a Direção-Geral da Educação (DGE).

Estão programadas, e/ou em fase de desenvolvimento, outras atividades, no âmbito do Programa, para este ano letivo, nesta região.

Muito teremos, ainda, para partilhar…

 

1- Kits de instrumentos de percussão, kits de instrumentos Orff e Kits de material para artes plásticas.
Sessão de formação de docentes, no âmbito do PEEA, na área das Artes Visuais. Fotografia: Ana Luísa Pereira.

O PEEA na região de Bragança

“Vencer obstáculos e encurtar distâncias”

O PEEA foi apresentado, ao longo do mês de maio de 2016, às direções dos Agrupamentos de Escolas (AE) do distrito de Bragança e divulgado aos respetivos docentes. Sendo um distrito com elevada percentagem de docentes em mobilidade e contratados, as respostas foram um pouco mais tardias que o habitual em anos anteriores.

Considerada uma região com grandes constrangimentos ao nível de acessibilidade e distâncias significativas entre escolas, tornou-se necessário estabelecer critérios de seleção dos AE, tendo sido adotado, como principal critério, o afastamento face às instituições culturais de natureza diversa. A curto prazo, o PEEA estender-se-á aos restantes AE, possibilitando a total implementação no distrito de Bragança. Para o ano letivo de 2016-2017, foram selecionados quatro AE (Miranda do Douro, Mogadouro, Alfandega da Fé e Freixo de Espada à Cinta), abrangendo um total de 11 escolas, 76 docentes e 1328 alunos.

De forma a garantir a sustentabilidade do Programa, nomeadamente no referente a apoios logísticos facilitadores de efetivas ligações a instituições culturais e a atividades culturais significativas, estão a ser desenvolvidos protocolos de colaboração com as Câmaras Municipais daquelas cidades, para que docentes, alunos e famílias possam desenvolver o gosto pela arte, reconhecer o seu valor e criar hábitos culturais.

Reforçando esta perspetiva, estão em desenvolvimento vários subprogramas do PEEA, com o apoio e/ou em parceria com diversas instituições (Museu Abade de Baçal, Conservatório de Música e Dança de Bragança, Câmara Municipal de Bragança, União das Freguesias da Sé, Santa Maria e Meixedo, entre outros). A este respeito são de salientar:

  • As visitas dinamizadas ao Museu Abade Baçal;
  • O BOOOM, promovido por professores do Conservatório de Música e Dança de Bragança, através da realização de concertos mensais destinados a crianças da Educação Pré-Escolar e a alunos do 1.º Ciclo do Ensino Básico em vários AE e Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS);
  • O Subprograma Música em Meio Escolar (MME), com o projeto CantAr-te, em implementação no AE Abade de Baçal e envolvendo 250 alunos. Neste âmbito foi também iniciada, no mês de fevereiro, uma formação de professores de Educação Musical.

Os docentes têm revelado uma enorme recetividade às ações que visam alargar os horizontes culturais das suas crianças e alunos e mostrado grande interesse, empenho e vontade. A presença do PEEA, em Trás-os-Montes, está a permitir “encurtar as distâncias” que separam as populações das diferentes formas de Arte.

Espaço à cor: experimentação plástica no âmbito do workshop “Arte-Ciência”. Fotografia: Rosário Leote.

Lugar às Ideias

A cor dos dias…

O Centro de Formação de Associação de Escolas de Almada e Caparica (CFAEAC) organizou, em 18 de fevereiro, um workshop cuja temática incidiu sobre o binómio “Arte e Ciência”. Dar oportunidade aos docentes de experimentarem diferentes atividades, no âmbito artístico e científico, foi o desafio lançado. Procurou-se evidenciar as possíveis relações entre a Arte e a Ciência, que, enquanto formas de conhecimento, com especificidades próprias, interpretam e constroem modos de ver e pensar a(s) realidade(s).

A este propósito, Rui Mário Gonçalves, no artigo «A Arte e a Ciência no Século XX» 1, refere que: “A arte e a ciência dos nossos dias têm algumas origens comuns. São ambas filhas da experiência e do livre pensamento. (…) [S]e, por um momento, considerarmos as contribuições admiráveis, quer da arte, quer da ciência, poderemos reparar que ambas (cada uma a seu modo e às vezes, sem o saberem, de modo análogo) ajudam a modificar a consciência humana, através do simples exercício da liberdade de pensamento e da difusão da experiência.”

Assinala ainda o autor que “Algumas pessoas pensarão que é utópico propor a conjugação da arte e da ciência. Para um crítico de arte é, concretamente, um projeto viável. Vou-me limitar a apresentar algumas situações análogas existentes na visão que o cientista e o artista fazem do mundo, enquanto agentes livres. Desde logo, chamo a atenção para a diferença entre os modelos paradigmáticos da pintura no século XIX e no século XX, sendo o primeiro estático e o outro fluido. Um separava o espaço do tempo. O atual não separa. Isto significa que as artes do desenho passaram a introduzir o tempo nas suas sugestões de espaço. Assim, o século XIX adotou Ingres como modelo, enquanto o século XX encontrou em Paul Klee um dos seus artistas teóricos mais fecundos, cuja arte rivaliza com a música, a arte do tempo interior. (…)”2

MAS VOLTEMOS AO DIA 18 DE FEVEREIRO

Rosário Leote, licenciada em Físico – Química, que, desde 1998, se tem dedicado a inúmeras ações na área das ciências, levou, uma vez mais, até àqueles docentes, várias experiências.

Perguntámos-lhes em que consistiu a primeira experiência, que, em 1998, denominou “banheira de espuma”. Explicou-nos que este efeito se baseava na “Reação de decomposição do peróxido de hidrogénio (água oxigenada) catalisada por iodeto de potássio. Pormenorizando, adiantou que a reação de decomposição do peróxido de hidrogénio (H2O2 água oxigenada) pode ser catalisada por iodeto de potássio (KI), ou seja, “nesta reação há libertação de um gás (oxigénio O2) que pode ser verificada pela efervescência na solução. A adição de detergente ao peróxido de hidrogénio irá permitir que a produção de oxigénio seja aproveitada para aumentar a produção de espuma, que consiste, neste caso, num gás disperso num líquido”.

Assim, esta reação pode ser aproveitada para produzir uma espuma com efeito visual apelativo, no qual se podem observar as três cores primárias ou, mais tarde, quando a espuma se dilui, efeitos visuais provocados pela mistura das cores, como se pode ver nas imagens abaixo.


_________________

1. Gonçalves, R. M. (2001). A Arte e a Ciência no Século XX. Gazeta de Física, 26, Fascículo 4 (2003), pp. 12-19. Disponível em: https://www.spf.pt/magazines/GFIS/94/article/653/pdf
2. Não deixe de ler o artigo completo se quiser aprofundar estas analogias.

Imagem 1: Reação de decomposição do peróxido de hidrogénio (água oxigenada) catalisada por iodeto de potássio. Fotografia: Rosário Leote.
Imagem 2: Reação de decomposição do peróxido de hidrogénio (água oxigenada) catalisada por iodeto de potássio. Fotografia: Rosário Leote.

Falámos sobre os processos e a combinação de elementos químicos que nos levaram até àquelas imagens. Comparámos estas duas reações (imagens 1 e 2), chegando à conclusão de que o elemento predominante era a cor. Observámos as cores primárias, separadas umas das outras, e mais tarde, concluímos da sua efemeridade, pela ação do tempo (imagem 2).

Detivemo-nos sobre a imagem 2 e avançámos algumas pistas para a sua transformação e para a multiplicidade de tons, de texturas e formas que, de acordo com imaginários mais ou menos informados, se podem captar.

Entretanto, observámos os «Heterónimos» 3, de Costa Pinheiro, e constatámos que ele também tinha arranjado um processo para nos fazer ver as três cores primárias e os tons que estas faziam acontecer, pelo efeito da sua mistura. Foi também uma oportunidade para uma conversa animada sobre os heterónimos de Fernando Pessoa (Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e Ricardo Reis), que alguns já não tinham bem presentes. Vimos «D. Quixote e os Carneiros», de Júlio Pomar, e fizemos analogias com a imagem 2, onde a mistura das cores e as manchas nos levam até ao universo de «D. Quixote de la Mancha», de Cervantes.

DAQUI PARA FRENTE…

Partilhamos convosco o “nosso” processo de trabalho, os materiais e a obra.

Deixámos cair salpicos das três cores primárias na superfície de plástico.


_________________

3. António Costa Pinheiro (1932-2015), Fernando Pessoa - Heterónimo, 1978. Óleo s/ tela, 150 x 200 cm. Museu Calouste Gulbenkian.
4. Júlio Pomar (n. 1926), D. Quixote e os Carneiros, 1961. Óleo s/ tela, 162 x 129 cm. Museu Calouste Gulbenkian.

Imagem 3: Três cores no branco. Fotografia: Rosário Leote.

Com vassouras fomos espalhando, com muito cuidado, as cores pela superfície, de modo a não as misturar, criando a analogia com o resultado da experiência na imagem 1. Minuciosamente, trabalhámos as formas saídas do Acaso dos salpicos de cor, criando espaços contíguos de cor-forma.

A atribuição da função de pincel a uma vassoura criou um desafio de perplexidade e de entusiasmo, mas que exigiu muita concentração.

Imagem 4: Espaços de Cor #1. Fotografia: Rosário Leote.
Sentados à volta destes «Espaços de cor #1», começámos a imaginar mundos possíveis que podiam emergir daquela experimentação plástica. No fundo, que realidades poderíamos construir.
Imagem 5: Espaços de cor # 2. Fotografia: Rosário Leote.
Nesses momentos que se seguiram, e num exercício de retroação sobre o processo que nos tinha levado até aos “Espaços de cor # 2”, relembrámos que:

“Em Ciência, o (grande) teorizador equivale ao (grande) artista, também ele é conduzido pela sua imaginação, a sua intuição e o seu sentido de forma”.

Karl Popper (1902-1994)


Na citação, os parêntesis são nossos.

José de Almada Negreiros: uma maneira de ser moderno

Exposição Antológica
Museu Calouste Gulbenkian
Curadoria: Mariana Pinto dos Santos com Ana Vasconcelos
Até junho de 2017

“Duas galerias e mais de 400 obras mostram a multiplicidade da obra de José de Almada Negreiros – do desenho à pintura, da performance ao cinema. “Nesta exposição, pode ver o século XX pelos olhos de um dos seus artistas mais completos.”

Mais informações aqui.

Fonte | Fundação Calouste Gulbenkian
Imagem | José de Almada Negreiros (1893-1970), sem título, sem data, grafite e guache sobre cartão, 53,5 x 36 cm. Coleção particular.

Visualidade & Visão — Arte Portuguesa na Coleção Berardo II

Até 16/04/2017
Museu Coleção Berardo, Lisboa
Curadoria: Pedro Lapa


“Esta exposição procura interrogar de que forma um regime da visualidade se implica numa perspetiva sobre o mundo. A modernidade construiu diversos entendimentos da perceção visual, que se revelaram cruciais no modo como foi pensado o visível. A procura de uma racionalização, capaz de definir a emergência de uma imagem, ocupou muitos dos seus projetos. (…)

As obras reunidas nesta exposição põem em questão os limites supostos pelos regimes da visualidade referidos e procuram dar lugar à possibilidade do acontecer de uma outra visão da imagem e do mundo.”

Mais informações em: http://pt.museuberardo.pt/exposicoes/visualidade-visao-arte-portuguesa-na-colecao-berardo-ii

Imagem | Ângela Ferreira, For Mozambique (parcial) - Fotografia: David Rato

Álvaro Siza Vieira: Visões da Alhambra

Museu Serralves, Porto
Até 28 maio 2017

“Em 2011, o arquiteto Álvaro Siza venceu um concurso para a criação de um novo acesso e centro de visitantes para o complexo de Alhambra. Um conjunto de desenhos e esboços, maquetas e também cinco filmes mostrará aos visitantes aquilo que se pode considerar um dos mais importantes desafios da sua carreira. Esta exposição, anteriormente apresentada no Aedes Architecture Forum, Berlin (2014), no Vitra Design Museum, Weil am Rhein, Alemanha (2014), no Patronato de la Alhambra y Generalife, Granada (2015), no Nasjonalmuseet - Arkitektur, (2015) e este ano no Aga Khan Museum, Toronto (2016), apresenta os desenhos e as maquetas que o arquiteto produziu enquanto projetava aqueles equipamentos, permitindo um acesso privilegiado ao processo criativo do arquiteto. (…)

A exposição, organizada pelo AEDES Architecture Forum (Berlim) e Patronato de la Alhambra y Generalitate em colaboração com o Aga Khan Museum (Toronto, Canadá), é comissariada pelo arquiteto António Choupina.”

Mais informações em: https://www.serralves.pt/pt/actividades/alvaro-siza-vieira-visoes-da-alhambra/

Imagem | Desenho de Álvaro Siza - Alhambra (parcial)

Museu Gulbenkian - Novas exposições

A partir de março de 2017

“O Museu Calouste Gulbenkian, em Lisboa, apresenta, a partir de março deste ano, um novo modelo de programação com o cunho da atual diretora, Penelope Curtis, responsável pela gestão conjunta das duas coleções: a do Fundador e a Moderna.

Uma nova visão da arte portuguesa contemporânea em Portugal em Flagrante, as fotografias que revelam o olhar de Manuela Marques sobre o Palácio de Versalhes, os conceitos de utopia e de imaginação ecológica na exposição de Tamás Kaszás, são as propostas do Museu Gulbenkian para os próximos meses.”

Mais informações aqui.

Imagem | Jorge Vieira (1922-1998), Sem título (Escultura n.º 3), 1966. Ferro, 75,5 x 144 x 55 cm. Coleção Moderna, Gulbenkian.

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