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Uma edição enxuta

Reset


Aí que todos os textos que escrevi ontem para enviar hoje resolvi não enviar mais. Puf. Resetei a newsletter.

(ah, olá Aline)

Não que eu ache que você iria me cobrar satisfação sobre isso, mas um dos motivos é porque estava ruim. Prefiro não enviar nada do que enviar algo que não presta, que não passa nos meus apuradíssimos requisitos de publicação, que como você viu pela edição passada, mostram o meu compromisso de só publicar coisa séria e bem fundamentada.

Bem, também porque eu estava precisando dar um reset.

Não quero que essa newsletter seja a mesma coisa ou seja como qualquer outra. Não sou muito fã de mesmice. Mas pensar em coisa nova dá um trabalhão. Talvez por isso tanta gente aí só copie o que já está dando certo, replique conteúdo original, use uma coisa que alguém (não ela) suou muito para criar.

Mas, pensando bem, eu bem que podia resetar em mim essa necessidade de fazer algo diferente sempre, essa cobrança extrema que eu imponho sobre mim e sobre as coisas que escrevo. Resetar para desapegar.

Resetar é interromper alguma coisa; mas é sobretudo a oportunidade de recomeçar. A vantagem do reset é que você não começa do zero; você volta com a consciência que adquiriu com a experiência resetada e pode fazer melhor.

Não dá pra resetar tudo na vida, mas no que dá para fazer isso, que a gente aproveite a oportunidade, né?

Falando em reset



Talvez eu tenha ficado com essa ideia na cabeça depois de assistir Edge of Tomorrow, filme de ficção científica com Tom Cruise e Emily Blunt, que quando ficou em cartaz no cinema, ninguém deu bola (nem eu).

Aliás, Tom Cruise está em todas as FC distópicas do cinema ultimamente, han?

Bem, a premissa básica do filme (sem spoilers) é que a Terra foi invadida por uma raça alienígena de “miméticos”, que conseguem aprender as táticas militares dos adversários, e todos os exércitos do mundo se uniram para acabar com eles. 

Tom Cruise é um militar, mas não é um combatente. Ele faz um ex-publicitário que entrou para o Exército e virou assessor de imprensa com alta patente. Um dos comandantes chama ele e ordena que ele vá para a linha de frente de uma batalha contra os aliens que vai ocorrer na França, para que ele possa ser um “garoto propaganda” da operação. 

Mas como ele é um cagão e nunca entrou em combate, ele se recusa e foge. Ele é capturado, perde a patente, é preso e desacordado. Quando acorda, está no QG do exército onde estão os soldados que vão para a batalha na praia francesa.

É engraçadíssimo, porque ele está em desespero, morrendo de medo, mas é empurrado para a batalha mesmo assim. Ele morre nos cinco primeiros minutos da batalha, fuén. Morte horrível, explodido junto com um alien fodônico que é conhecido como Alpha.

A questão é: o sangue dele se mistura com o sangue desse bicho, o que dá a ele o “poder” de voltar no tempo (se quiser saber como isso faz sentido, só assistindo ao filme). Toda vez que ele morre, ele volta para o momento em que ele acorda pela primeira vez no QG do exército.

O filme tem uma lógica de videogame: ele morre e volta para o “check point”, mas sabendo mais ou menos o que fazer para avançar no jogo. Cada vez que ele reseta, tem a possibilidade de fazer diferente, saber o que dá certo e o que não dá.

O mais legal é ver a evolução do personagem e imaginar a merda que deve ser repetir o mesmo dia infinitamente, passar pelas mesmas coisas over and over again. 

É tipo o filme Feitiço no Tempo, só que com aliens e exército.

Hmmm, já vi isso antes

Achei Edge of Tomorrow genial, muito bem elaborado. Mas eu já tenho uma predileção suspeita por filmes sobre volta no tempo, talvez porque exija um pouco mais do roteiro e mais da atenção de quem assiste. Dá até para fazer uma lista.

Donnie Darko, que é meu favorito. Não me canso de assistir esse filme, porque cada vez que assisto percebo uma coisa diferente e fico com mil teorias na cabeça. Também gosto porque tem toda a estética dos filmes dos anos 80, uma trilha sonora incrível e os irmãos Gyllenhaal novinhos.

Feitiço no Tempo a.k.a O Dia da Marmota. Esse é um clássico da Sessão da Tarde, né? O Bill Murray é um repórter que vai para uma cidadezinha do interior fazer a cobertura do festival do Dia da Marmota, mas acaba dando um tilt no tempo e ele fica preso, repetindo o mesmo dia indefinidamente.

Loopers, que também tem a Emily Blunt, olha só. E é sobre um uso incomum da máquina do tempo: enviar para o passado pessoas que a máfia quer executar e assim não ter problemas para ocultar o corpo (!). O problema é quando o pistoleiro do passado precisa executar a si mesmo no futuro.

12 macacos. Esse é um dos mais geniais, empolgantes e absolutamente malucos. Como em Loopers, também tem o Bruce Willis, que é um condenado do futuro enviado ao passado para descobrir a cura para um vírus que praticamente destruiu a humanidade.

Efeito Borboleta. Ok, tem o Ashton Kutcher, mas presta sim. O legal é que a volta no tempo tem consequências não só nos eventos, mas na própria cabeça de quem volta no tempo – um preço alto que se paga para fazer essa viagem.

De Volta para o Futuro, o primeiro. Afinal, foi ali que a gente aprendeu que qualquer mudança que você faz no passado pode mudar drasticamente o futuro – e que se você do futuro encontrar com você do passado a realidade entra em paradoxo!

E Edge of Tomorrow, que acabou de entrar para essa lista com louvor.
 
De novo!

Apoie a escritora



No meu texto da semana, eu conto o que aprendi com Virgina Woolf.

No livro Um Teto Todo Seu, ela reflete sobre a relação entre mulher e ficção, sobre por que haviam tão poucas mulheres escritoras em sua época. Quantas escritoras simplesmente não existiram porque as condições necessárias para escrever lhes foram negadas unicamente por serem mulheres?

O livro foi escrito em 1928, mas suas questões ainda são atuais. Ser mulher e escrever ainda significa lidar com muitas barreiras.

Por isso, todo apoio que você puder dar a uma escritora ajuda a equilibrar um pouco esse jogo que desde sempre favorece apenas um tipo de jogador.

E para você não achar que não escrevi nada que preste essa semana, eis aí um texto!
Então leia e aproveite :)

Virginia Woolf escreveu que “a liberdade intelectual depende de coisas materiais” e não podia ser mais verdadeiro, apesar de torcerem o nariz para a ideia de escritores ganharem dinheiro (sério, já vi gente implicando com crowdfunding de escritora porque parte do dinheiro ia para ela, assim como gente implicando com escritor que ganha dinheiro em palestras). Ué, como esperam que a gente viva disso, então?

Se eu não puder pagar minhas contas, simplesmente paro de escrever. Liberdade intelectual depende de coisas materiais.

Então se o meu trabalho é, de alguma forma, importante para você; se você gosta de receber a newsletter todo final de semana; se você gosta dos meus textos, se eles já significaram algo para você; ou se você apoia o meu trabalho e acha que fiz muito bem em largar a carreira na propaganda e me dedicar a isso: considere pagar pelo meu trabalho.

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E eu agradeço todo o apoio que você puder dar :)

Coisas



Um cara que cante com voz de velha fumante que tem uma música legal num clipe cheio de gente pelada: aqui.

A única cagação de regra aceitável sobre seu corpo e absolutamente válida em todos os casos: beba bastante água.

Uma bebida para acompanhar pipoca melhor que guaraná: café.

Uma newsletter para assinar e ler coisas sobre gênero, escrita, personagens e outras maravilhas da cultura pop:
da Alliah.

Um signo: PSOL com ascendente em PSTU

Uma ova:
esta aqui.

Um site que comenta músicas e até jingles de políticos com o maior bom humor e ~acidez~: o Hiannafork.

Uma illustração: esta coelha, daqui.

 

 
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Eu queria escrever um final caprichado, super elaborado, com alguma sacada inteligente sobre coisas que a gente desiste de fazer que provocam um paradoxo temporal, mas.

Na verdade, não queria não. Se fosse para escrever algo elaborado sobre paradoxos temporais, não ia usar num encerramento de newsletter, e sim para escrever um roteiro, né?

(aliás, é uma coisa que ainda quero escrever: uma história sobre volta no tempo)

Então deixo esse encerramento em aberto para você escrever, que tal?

O que viu de interessante essa semana, o que você resetaria nessa newsletter, o que resetaria na sua vida, o que achou do livro da Virginia Woolf (se já leu), o que achou do final de Edge of Tomorrow (se já viu), o que achou do meu e-book Hipersonia Crônica (se já baixou), o que você tem escrito (se escreve). Aposto que você tem muito assunto.

Beijos de novo e de novo e de novo e repete,

Aline.

Copyright © 2014 Aline Valek :: Escritora, Todos os direitos reservados.


 
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