Copy
Vem mergulhar.
Bobagens Imperdíveis

Bobagens Imperdíveis Ano 3 Edição 125
vídeo / arte / livros

Corina e a Sereia


Hoje vou fazer diferente: hoje não começarei escrevendo, mas lendo.

Vim para te mostrar, em primeira mão, um vídeo-performance com leitura de um trecho do meu livro, As águas-vivas não sabem de si.

Estou ansiosíssima para que você assista! Depois do vídeo, compartilho com você como foi o processo de produção :)

Para o mergulho ser completo, recomendo colocar os fones de ouvido. Tudo preparado? Então clique para assistir:

Imagem de miniatura do vídeo: a silhueta de uma mulher com tentáculos brilhantes pintados no braço. Clique para assistir.
 


O processo, os bastidores


Começou quando eu passeava pelos vídeos da Mirelle. Que movimentos fluidos! Que dança sincera, que expressão. Dali surgiu a ideia, Marcos e eu conversando. E se ela fizesse uma performance interpretando a protagonista do livro, eu lendo um trecho ao fundo? Seria demais!

Como acontece quando a gente se empolga além da conta, começamos a acrescentar mais ingredientes e a ideia fermentou, cresceu. Logo tínhamos outros nomes em mente, amigos artistas com quem a gente queria trabalhar. 

A ideia era fazer um vídeo em que cada artista contribuiria com sua própria leitura daquela história. Não seria apenas a leitura da autora; seria a leitura da performer, do compositor, da maquiadora, do diretor.

(como eu quis que fosse o próprio livro: uma história que cada leitor pudesse preencher com seus próprios significados)

•••

Mirelle também veio lá do centro-oeste, tipo Marcos e eu; o engraçado é que eu já a conhecia de nome lá de Brasília, trabalhamos em lugares em comum, mas só viemos a nos conhecer mesmo em SP. Ela é performer, videomaker, produtora, redatora. Estudou dança lá em Nova Iorque. Tem referências riquíssimas, um super domínio de expressão corporal.

Convidamos Mirelle para emprestar seu corpo para Corina e YAY, ela topou! Num almoço, trocamos altas ideias sobre como seria a performance e marcamos o dia da gravação.

A parte musical seria fundamental, já que o som tem uma importância tremenda em Águas-vivas. Por isso, chamamos o Gabriel, que pode ser ouvido aqui numa performance de flauta e eletrônica.

Gabriel é um cientista da música. É flautista e pesquisador: estuda interfaces digitais e a aplicação da tecnologia nos processos musicais e acústicos. Ele com certeza teria algo a acrescentar para deixar o vídeo bem sci-fi!

(sem falar que cientistas que estudam sons é justamente o que o livro mostra)

Depois de improvisar um estúdio dentro do meu armário, gravei a narração com minha voz de locutora (coitada!) e mandei para o Gabriel trabalhar em cima.

Quando ele mandou a trilha sonora… gente do céu. Foi de arrepiar. Ele criou a ambientação do fundo do mar como se ouvida de dentro de um escafandro. O mais incrível é que ele foi construindo a tensão da narrativa com os sons, até o ápice da cena, em que dá para ouvir vozes distantes, que só reforçam o clima de desespero, sufoco e alucinação em que a personagem se encontra.

É fechar os olhos e, somente com os sons, sentir que se está mergulhando junto com Corina.

•••

A ideia de usar luz negra só veio na véspera da gravação. Depois de várias tentativas frustradas de arrumar locação (queríamos gravar em palco de teatro, usando luz cênica), o problema acabou virando a solução: como o lugar que tínhamos disponível não tinha iluminação e ainda gravaríamos à noite, por que não usar o escuro a nosso favor?

A luz negra seria perfeita para ambientar o oceano escuro, povoado de pequenas luzes, que é apresentado em boa parte do livro. Nunca tínhamos trabalhado com luz negra, não sabíamos se ia funcionar, mas valia a pena tentar.

Enquanto eu e Marcos percorremos a Consolação atrás de lojas para comprar as lâmpadas e equipamentos que íamos precisar, Lua foi desbravar a 25 de Março em busca das tintas fluorescentes.

Lua, outra brasiliense dessa equipe (aqui é Cerrado!!!), é atriz, formada em Cênicas e uma das pessoas com quem mais curto conversar sobre construção de personagem. Ela tem se especializado em pintura artística e corporal e foi uma das maquiadoras da peça Garrincha, produção foda que esteve em cartaz este ano em SP.

A ideia inicial é que ela envolvesse o corpo de Mirelle com pinturas de águas-vivas, mas a mudança de planos para a luz negra deixaria tudo mais radical. Agora ia ter pintura que brilha no escuro!

Ela havia estudado algumas referências de águas-vivas e outros elementos marinhos que poderia incorporar nas pinturas, e fez vários testes com as tintas antes de começarmos a gravação. Eu fui a cobaia, claro, e fiquei com a cara e com as pernas mais resplandescentes que um letreiro em neon.

Foi maravilhoso ver a interação entre Lua e Mirelle: ela estudava o corpo e o tipo de movimento que ela faria para que suas pinturas acompanhassem esse registro corporal; para que fosse algo fluido, orgânico. Uma pintura por vez.

gif em que é possível ver, no escuro, a silhueta da maquiadora pintando as costas da performer. Elas são iluminadas pela própria cor azul da tinta, que brilha no escuro.

Era pintar, gravar, dançar. Parar, pintar, gravar, dançar. Parar, pintar, gravar, dançar.

Fazendo a direção estava o Marcos, que é designer, videomaker, que fotografa, edita e que, nas horas vagas (não são muitas), ainda cozinha pra mim. Marcos foi um dos primeiros leitores de Águas-vivas; e, antes de ser leitor, ele foi ouvinte. Ele ouviu a história, um pedaço por dia, quando eu contava para ele antes de colocar no papel.

A história que ele ouviu e que ele conhece tão bem seria representada ali através do seu olhar. Som se transformando em imagem, justamente o que fazem as sondas do doutor Martin no livro!

Assim seguiu a noite de gravação, pintando e gravando, pintando e gravando, exaustiva feito prova de resistência, mas estávamos determinados a só parar quando tivéssemos todas as cenas. Fomos terminar cinco da manhã. Quase não acreditamos: quê? É isso mesmo? Viramos a noite.

Foi suado, foi corrido, foi sofrido, mas foi lindo. Claro que só restava dos envolvidos a capa da gaita, mas era isso: terminamos!

Mas não tinha acabado: ainda tinha a edição. Nessa parte também meti a mão na massa, selecionando as cenas e criando mais ou menos uma sequência para ser refinada. O Marcos cuidou disso e fez a mágica acontecer. Corta. Corta. Corta. Junta. Sobrepõe. Corta mais. Renderiza. Exporta.

Imagem de um computador, aberto em um programa de edição de vídeos. Na tela, Mirelle de costas, com uma forte luz azul desenhando sua silhueta.

Processo demorado, que levou dias e várias versões até chegar à final, essa que apresento nesta edição e que espero que você tenha gostado de assistir :)

Ah, curioso notar: o número de pessoas envolvidas no vídeo é o mesmo número de integrantes da estação Auris, do livro. Coincidência? Será? Hmmm.
 


Onde encontrar o livro

 
Livros dispostos como um enxame de águas-vivas. Na capa, com o desenho de uma água-viva branca em contraste com o fundo roxo, é possível ler "As águas-vivas não sabem de si"

Nas principais livrarias do Brasil, ou pela internet, no site das lojas ou na Amazon (que está com o preço super em conta!).

Em e-book, para todas as plataformas, como na Loja Kindle e na Kobo Store.


•••

Corina e a Sereia foi uma produção independente, que tive a honra de fazer com a ajuda de artistas extremamente talentosos. Fiquei muito orgulhosa e feliz com o resultado, que tem um pedacinho de tantas pessoas diferentes e mesmo assim consegue transmitir tão bem o tom de As águas-vivas não sabem de si.

Mas preciso de você para que o vídeo ganhe vida própria e continue a nadar, continue a nadar. Gostou? Então me ajuda a espalhar? :)

gif da Dory, de Procurando Nemo, sendo toda fofa com uma minúscula água-viva.

É o mesmo que peço em relação ao livro; minhas leitoras e leitores, que são muito firmeza, já têm me ajudado um TANTÃO nisso (obrigada!), porque é dureza fazer isso sozinha.

Ainda é muito difícil superar as barreiras do preconceito com a literatura nacional, o preconceito com a literatura produzida por mulher – e ficção especulativa escrita por mulher, ainda por cima! É um esforço desproporcional fazer o livro chegar nas pessoas com tantas barreiras.

Então, se você já leu o livro, pode ajudar a história de Corina a chegar mais longe deixando uma avaliação e resenha no Skoob, no Goodreads ou na Amazon. Ou publicar uma resenha no seu blog, na sua newsletter, no Medium. Indicar para seus amigos. Fazer um snap (ainda se faz snap?). Fazer uma fanart. Postar uma foto no Instagram (o livro é super fotogênico!). Falar sobre no Twitter ou no Facebook.

Qualquer um desses gestos faz uma enorme diferença.

E, como sempre, obrigada pela companhia e até a próxima edição.

Beijos de sereia,

Aline Valek

Nas edições passadas


Para ver o arquivo com as edições passadas, clique aqui.

Se curte receber meus e-mails, indique prazamiga, mandando este link. Obrigada!



Email Marketing Powered by Mailchimp