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Tudo junto e misturado.
Bobagens Imperdíveis

Bobagens Imperdíveis Ano 3 Edição 121
vida / música / filmes

Os melhores conselhos que já recebi

 
Nem sempre essas life hacks foram dirigidas diretamente a mim. Não exatamente foram transmitidas como escrevi aqui. Nem sempre as sigo ou consigo aplicar na vida. Mas são os melhores conselhos que já recebi e acho que ficariam bem arranjados um atrás da outro, como alunos enfileiradinhos em passeio da escola. 

Relaxe. Ou: não entre em pânico.

Tudo bem estar perdida.

Não precisa ter tanto medo dos outros julgarem que você é uma farsa. A verdade é que ninguém sabe o que está fazendo.

A única forma de não se decepcionar é não criar expectativas.

A cor do xixi é a medida de quanta água você ainda precisa beber. Busque o xixi clarinho.

Compartilhe o que te inspira, não o que te causa raiva.

Você não é obrigada.

A vida é curta para continuar a ler um livro que você não está gostando. E mais curta ainda para continuar a se relacionar com quem não te faz bem.

Escreva como se fosse uma conversa.

Leia seu texto em voz alta.

Conheça seus personagens e confie neles para contar a história.

Seja alguém que consegue conversar sobre qualquer assunto. É preciso não ter preconceitos e se alimentar de boas referências. Use cada conversa como oportunidade para aprender sobre algo que você ainda não sabe.

Luvas de borracha são ótimas para tirar pêlos de gato das roupas. Mas não importa o quanto você os tira, eles continuarão lá. Conviva com eles.

Pare de olhar o que o coleguinha está fazendo e foque no seu. Muito melhor uso do seu tempo do que ficar se comparando.

As partes chatas de escrever provavelmente serão as partes chatas de ler, então escreva o que te diverte.

Sempre risque a primeira ideia. É a mais óbvia e a mesma ideia que outros vão ter.

É melhor feito do que perfeito.

Simplifique ao máximo. O texto, a comida, as relações, a vida.

Não conte, mostre.

Escreva bêbada, edite sóbria. Ou: escreva primeiro, edite depois. Essa ordem é importante.

Cada frase precisa ter uma razão para estar ali. As que não tem, corte sem dó.

Desenhar não é uma questão de coordenação motora ou talento; é uma questão de aprender a ver.

As pessoas recebem muito melhor uma mensagem se a informação está organizada.

Você não precisa ficar se jogando para baixo quando já tem um mundo inteiro para fazer isso por você. 

Não siga dicas, conselhos e fórmulas sem antes testar. O que funciona pra alguém pode não funcionar para você.


 

Um segredo e uma análise


Quando bate aquela famosa BAD, sempre coloco para tocar a música Bushes of Love, feita pelo Bad Lip-Reading. Ela é baseada em uma redublagem da zueira que fizeram com o primeiro filme de Star Wars.

É batata: coloco a música e praticamente esqueço o motivo do meu desespero. Funciona sempre.

imagem do Ben Kenobi com trecho da música: "Everyday I worry all day"

Tem a ver com o ritmo gostosinho? Sim. Com a falta de sentido da letra? Também. Mas especialmente pela mensagem quase acidental que há nela.

A letra pode até ser aleatória, mas comecei a perceber que a música fala, na verdade, sobre ansiedade.

Basta escutar com atenção: no refrão ele diz que todo dia se preocupa o dia inteiro (!) sobre o que o aguarda nos “arbustos do amor”, porque algo está nos esperando atrás do arbusto. Veja se não é a descrição daquela sensação constante de preocupação em relação a uma ameaça que pode estar por perto, mas a gente nunca sabe o que é.

“We all got a chicken-duck-woman thing waiting for us”. Todos temos uma coisa meio galinha-pato-mulher esperando por nós: essa é a tal ameaça, uma coisa bizarra que não existe de verdade. Porque é só coisa da nossa cabeça! A ansiedade é que cria essas ameaças imaginárias para nos aterrorizar. 

49 vezes ele enfrentou a tal ameaça. 49 e o tal bicho ainda “pode estar esperando por você”. Porque não importa quantas vezes a gente passe por isso, esse medo do que pode dar errado sempre volta, e nunca dá pra saber de onde a próxima ameaça vai surgir.

gif de Luke com cara de preocupado ao lado de Chewbacca dizendo: "i have a very bad feeling about this"

Posso estar viajando? Posso sim. Mas tudo bem, nem eu mesma levo a sério essa análise.

O que importa é que a musiquinha me faz sentir bem – e me ajuda a enfrentar a coisa meio galinha-pato-mulher escondida nos arbustos do amor, pronta para me pegar.
 


Amém


“A escrita não é para fazer dinheiro, ficar famoso, transar ou fazer amigos. No fim das contas, a escrita é para enriquecer a vida daqueles que leem seu trabalho, e também para enriquecer sua vida.”

– Stephen King

 

Filme da semana


Resolvi assistir Esquadrão Suicida, mas só porque Caça-Fantasmas não estava mais em cartaz no cinema em que fui.

O filme, que também poderia se chamar Arlequina e sua Turma, é digno de nota porque foi o PIOR FILME que assisti no ano. Ou em muito tempo, não lembro qual foi o último. O que acabou se tornando o grande ponto positivo do filme: ele pelo menos servirá para que no futuro eu diga: “nossa, esse foi o pior filme que vi na vida desde ESQUADRÃO SUICIDA!”. Não posso dizer que não foi marcante.

Eu tinha expectativa zero em relação a ele, na verdade, uma expectativa que beirava os números negativos, o que costuma ser uma vantagem para o FILME, que ainda tem margem para me surpreender e me deixar com aquela sensação de que, afinal, não foi tão ruim quanto eu imaginava. Fui até de coração aberto, querendo me divertir com um filme em que eu não precisasse pensar. Mas não conseguia parar de pensar em como os caras conseguiram acumular cena merda atrás de cena merda.

Uma história com tantos furos que os próprios personagens pareciam questionar suas motivações: “por que a gente não faz isso? por que a gente tem que fazer aquilo mesmo?” Mas a Voz Do Roteiro se impunha com justificativas como “a gente faz isso ou a gente morre”, que pode ser traduzida como “a gente faz isso ou não tem filme”, resultando nos diálogos mais tontos que nem na série Um maluco no pedaço o Will Smith teve que se prestar a interpretar.

Até a trilha sonora, com músicas incríveis como Bohemian Rhapsody e You Don’t Own Me conseguiram desperdiçar, colocando uma após a outra sem respiro. Parecia mais que eu estava ouvindo uma playlist da rádio Jovem Pan.

Arlequina conseguiu ser apenas irritante e sensual, o Coringa mais sem graça que seu tio tentando usar gíria jovem, um monte de personagem só fazendo volume, uma história uó sem quê nem por quê, e olha que tento ao máximo tirar algo bom das coisas que leio e assisto, mesmo que eu não tenha gostado. Mas dessa vez não deu.

Resumindo:

gif de um garotinho no que parece ser sua festa de aniversário dizendo: “eu não esperava nada e mesmo assim me decepcionei” 


Por outro lado, o FILME DA SEMANA mesmo foi Howl, sobre um dos grandes poetas da geração beat: Allen Ginsberg, interpretado por James Franco. Ele era da galera do Jack Kerouac, que escreveu On The Road, e do Neil Cassady, o protagonista do livro e fodalhão por quem todo mundo era apaixonado. Inclusive o Allen.

O filme é baseado em coisas que realmente aconteceram, mas consegue ser bem criativo na forma de mostrar isso. Em vez de contar toda a vida do cara, ele foca em três momentos diferentes: uma entrevista que Allen deu, um julgamento para decidir se seu livro Howl (Uivo, em inglês) era obsceno, além de leituras de seus poemas ilustrados por animações incríveis que tentam traduzir em imagens, formas e cores as palavras, a linguagem e o ritmo de Ginsberg.

É inacreditável que o livro tenha ido a julgamento por ser acusado de OBSCENIDADE – por, adivinha, falar sobre ser gay. Mas as cenas do tribunal são maravilhosas, com John Hamm (nosso amigo Don Draper) como advogado de defesa, e argumentos literários para decidir se a obra é, afinal, literatura ou apenas obscenidade vulgar. Imagine um tribunal em que se discute literatura, mérito literário, estilo, escolha de palavras, etc. É como se o tribunal representasse a própria crítica literária, um espaço onde se julga se tal autor ou obra merecem validação ou não.

Nas cenas da entrevista, James Franco brilhou demais na interpretação. Não sei se é pelo tipo de filme em que estou acostumada a vê-lo atuando, mas em Howl ele me surpreendeu. Além disso, essas cenas estão cheias das ideias de Allen sobre escrita, e uma em especial que me marcou: é preciso escrever sobre a verdade. Ele fala que apesar de as coisas que escreveu terem chocado as pessoas, ter sido franco sobre homossexualidade abriu espaço para as pessoas serem francas sobre outros assuntos. E que há sim muito valor nisso.

Vale demais assistir.

gif com cena do filme: Allen Ginsberg (James  Franco) e seu namorado Peter, encostados um no outro de costas, com carinha de ternura, sentados num parque no inverno

 

Entrevista para
Coisas Que a Gente Cria


A Bárbara Nickel, apresentadora e criadora do podcast Coisas Que a Gente Cria, me convidou para uma conversa e foi muito bacana!

Batemos papo sobre Bobagens Imperdíveis, especialmente sobre meu processo de criação dos textos da newsletter, conversamos sobre meu livro As águas-vivas não sabem de si, oceano, processo de escrita, feminismo, sotaques.

Mas não vou contar muito não, para você ir lá e descobrir mais sobre a conversa. Aproveita e conhece um pouco mais do podcast dela e sobre as outras pessoas super interessantes que ela já entrevistou!

Clique aqui para ouvir o episódio :)

Marca do podcast: post-its coloridos, cada um com uma palavra do nome: Coisas Que a Gente Cria

 

Tatuagem de águas-vivas


Quase caí pra trás quando o leitor Felipe me marcou numa foto. Ele estava tatuando uma água-viva. Não qualquer água-viva, mas a da capa do meu livro.

Ele me contou que sempre foi fascinado por essas criaturas. Desde sonhos com águas-vivas espaciais até quase ter morrido quando criança, queimado por uma. Acabou virando uma fixação boa, dessas que viram vontade de transformar em tatuagem.

Depois do livro e depois da capa do livro, essa vontade do Felipe só aumentou. E eu fiquei imensamente feliz de ter feito parte de um pedacinho dessa história ♥︎

Print do instagram do felipe_ffc, com close da tatuagem de água-viva em processo de cicatrização

•••

E por falar em Águas-Vivas, a Gabriela Petrucci escreveu sobre o livro em sua newsletter Belvedere:

“Toda a experiência de uma pesquisa no fundo do mar, mergulhadores e estudiosos presos em uma Estação submarina é, no final das contas, um retrato de como funcionam as conexões humanas. Viver com humanidade é, para mim, assumir a insignificância da vida. Aceitar que somos pequenos demais, frágeis demais, vulneráveis demais.” 

Ah, lembra o que eu tinha dito sobre estar na Bienal no dia 3? Esquece, apaga, deleta.

Na verdade, estarei na Bienal no dia 1º de setembro, no estande da Rocco. E no dia 30 de agosto num bate-papo no estande do Submarino. Dia 30 e dia 1º. Terça e Quinta. Vai lá me dar um oi, estarei rabiscando águas-vivas.

Gostou desta edição? Achou algum conselho útil ou curtiu alguma indicação? Passe adiante compartilhando este link. Bobagens Imperdíveis volta qualquer dia desses, neste mesmo canal.

49 beijos,

Aline Valek

Nas edições passadas


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