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Se eu questiono até o papa, não ia questionar futebol?

Torcida brasileira, privilégios e despedida


Oi, <<Primeiro Nome>>!

Eu tava aqui pensando sobre um monte de coisas e queria pedir licença pra compartilhar com você. Como você deve imaginar, tem a ver com o assunto do momento: futebol e Copa do Mundo. Eu bem que não estava a fim de transformar isso em tema, mas todo mundo só fala disso em todos os lugares então acabei cedendo.

Pra começar, só queria esclarecer que eu cago solenemente para futebol e os questionamentos que trago aqui são da perspectiva de alguém que obviamente não está imersa nesse clima de alegria e empolgação com os jogos da Copa. Não sei se você gosta de futebol e está nesse clima, então desde já deixo minhas desculpas se você se ofender com algo que eu disser, porque, de verdadona, não é minha intenção. Mas se eu não aproveitasse esse momento para ser a chata que questiona tudo e coloca algumas pulgas atrás da orelha não teria graça nenhuma, né? 

Então vem comigo.
☆ ☆ ☆

Jobber Aura


Copa do Mundo significa aquele clima de torcer pela seleção brasileira, pintar tudo de verde e amarelo (até papel higiênico) e fazer cosplay de bandeira para assistir aos jogos. É aquela overdose de torcida e de pensamento positivo para a seleção canarinho, mostra tua força Brasil, etc. Mas preciso confessar que não sinto a menor simpatia pela seleção brasileira, pelo mesmo motivo que não gosto dos fodalhões dos animes, tipo o Seiya. Calma, explico.

Quando há um combate entre um vilão (ou outro personagem) contra um herói e você sente aquele clima de "já ganhou", porque, bem, ele é o personagem principal e não pode perder, você está vendo algo chamado Jobber Aura.

Jobber é um termo em inglês muito usado no wrestling (e às vezes no boxe) para designar um lutador que é pago para perder para o lutador principal do evento. Esse é justamente o "emprego" de alguns vilões nos quadrinhos (e nos filmes também, vai): por mais que representem uma grande ameaça, eles estão ali para levar uma surra dos mocinhos.

O personagem principal da trama é, muitas vezes, o que emite a Jobber Aura. Esta "aura", muito mais do que seus poderes, é o que o faz ele se parecer muito mais poderoso do que realmente é, já que pode derrotar facilmente seus inimigos.

Eu sempre me lembro dos desenhos japoneses quando o assunto é Jobber Aura. Impossível não pensar em Seiya, dos Cavaleiros do Zodíaco, que mesmo enfrentando inimigos muito mais poderosos, sempre, SEMPRE, derrotava eles no final em uma virada "surpreendente". Ou Yusuke, de Yu Yu Hakusho, que mesmo enfrentando um brucutu que conseguia usar 120% (!) de sua monstruosa força, conseguiu "despertar" os seus poderes e vencer uma batalha que já parecia perdida.

O problema da "aura de invencibilidade" nem é o leitor estar sendo "enganado" com uma luta que não termina como deveria terminar se fosse levar, à risca, o poder de cada adversário. Afinal, sabemos que aquilo tudo é ficção e aceitamos que um personagem tenha o poder de ser invulnerável em nome da narrativa sobre ele que queremos acompanhar.

Mas temos um problema quando essa "aura de invencibilidade" é usada pelos roteiristas para nos empurrar algum personagem como "foda" porque ele é o mais poderoso e ponto final. Aliás, muitas vezes, a Jobber Aura tem o efeito contrário de fazer os leitores admirarem o herói: não é raro que o personagem principal acabe sendo odiado justamente porque a única coisa interessante nele é a capacidade de vencer inimigos poderosos – mas só porque os roteiristas querem assim.

Bem, acho que você já sacou o que a seleção brasileira tem a ver com isso.

Essa torcida toda é feita de um jeito que reveste a seleção brasileira com uma certa aura de invencibilidade. “A Copa é nossa!” “Brasil é hexa!” “Vai ser 3 a 0 pra cima deles!” “Aqui é país do futebol”. Bem, dá a impressão que a seleção brasileira só vai jogar pra buscar algo que já é dela (vale reforçar que essa é a impressão que eu tenho, aqui de fora dessa euforia e paixão pelo futebol, tá? Não me leve a mal). E que graça tem isso? É a mesma coisa com o Seiya: do que adianta toda a expectativa em cada luta dele se eu já sei que ele vai ganhar no final?

Não tenho dúvidas de que o mesmo aconteça em outros países onde a tradição do futebol seja tão forte quanto a daqui. Mas céus, como isso é irritante. Acho tão mais emocionante torcer por quem, aparentemente, não tem a menor chance. Tipo um Shun de Andrômeda, sabe? (já deu pra ver o quanto eu não levo futebol a sério quando faço essa comparação besta com anime, né).

Então, da perspectiva de quem está no Brasil, fica aquela sensação de que a seleção brasileira é a verdadeira protagonista da Copa e todas as outras seleções só estão ali no caminho entre ela e o prêmio que já é dela. Como se o MUNDO nos devesse isso. Argh. Tipo quando rola aquelas matérias com jornalistas entrevistando torcedores gringos, pra dar aquela forçada de barra pra mostrar “ei, até os gringos torcem pelo Brasil!”, quando perguntam quem vai ganhar esta Copa. Como se fosse ÓBVIO pra todo mundo que a seleção brasileira fosse ganhar.

Sem falar naquelas super relevantes matérias entrevistando cartomantes e videntes para que eles nos deem previsões sobre a Copa (no que pode ser considerada não falta de pauta, mas OVERDOSE de pauta). E aí na hora de dizer quem é que vai levar a Copa, a maioria dos videntes vai dizer que (adivinha) a seleção brasileira vai ser a campeã. Uau. Se até os deuses e os astros estão a favor da seleção brasileira, quem será contra, não é mesmo? Agora me pergunto se cartomantes e videntes de outros países vão ver esse mesmo resultado nas cartas e nos búzios. Hmmm.

Dizer que a seleção brasileira é a melhor, vai ganhar, vai ser campeã não torna, por si só, isso uma verdade. A seleção brasileira não é um protagonista de anime. Portanto, não é invencível. O que nos leva ao segundo tópico:

☆ ☆ ☆

A expectativa é a mãe da frustração

Eu sempre digo que a principal coisa que pode estragar um filme é a expectativa. Especialmente quando estamos falando das adaptações de quadrinhos para o cinema, os fãs vão assistir ao filme cheios de expectativas, já tendo criado em suas cabeças o filme que querem ver. E é claro que o filme que vão ver não é o filme que está na cabeça deles. O que acontece? Decepção. Acham que foi horrível, que foi fraco, que não correspondeu às expectativas, etc etc.

Desde Os Vingadores (que eu fui pro cinema não só com 0 expectativas, mas crendo firmemente que o filme seria uma grandissíssima de uma bosta), parei de criar expectativas e, consequentemente, parei de me decepcionar com os filmes, conseguindo abraçar e curtir aquilo que ele me oferece e não aquilo que eu queria que ele me oferecesse. Logo, parei de culpar os filmes por algo que era exclusivamente culpa minha.



Expectativas baixas sobre a vida: esse é o meu segredo pra não me decepcionar (tanto).

A mesma coisa acontece com o amor romântico. O amor romântico (esse que nos é vendido em cada filme, livro, novela, propaganda, etc) é construído em cima de idealizações. Do “príncipe encantado”, da “mulher da sua vida”, daquela pessoa perfeita que te completa, da pessoa “pra casar”. Só que essa pessoa não existe. Existe só na cabeça de quem idealiza esse amor. Mas ao conhecer e conviver com a outra pessoa, você vai ter diariamente motivos para se frustrar por ela (um ser humano, com falhas e limitações) não corresponder às suas expectativas (uma idealização, uma fantasia, uma ficção).

Acho que o mesmo vale para o futebol. Essa “aura de invencibilidade” da qual falei acima é uma expectativa (porque ela não é real e portanto não pode ser considerada uma garantia de vitória). O torcedor em geral acredita tão firmemente que a seleção brasileira é a vencedora que sempre chuta resultados bem generosos a favor dela: “vai ser 3 a 0!” Aí o jogo rola, puxadíssimo, nada acontece feijoada: dá 0 a 0. Diz se não dá aquela broxada. Aí o cara que comprou quilos de fogos pra soltar nos 3 gols que ele estava esperando faz o quê? Isso mesmo, solta tudo de uma vez, mesmo sem ter rolado gol nenhum. Porque né, agora tem que gastar.

Por outro lado, imagino que seleções que entram na disputa sem serem preferidas não precisam de muito pra agradar a torcida. Às vezes só de estar na Copa já é uma vitória, como o caso da seleção da Bósnia, que se recupera de uma guerra que devastou o país. Tudo bem que ganhar vai ser sempre o objetivo, mas só de estarem jogando já é festa.

Agora imagina só se a seleção brasileira, representando o país que sedia a bagaça toda, perde. Porque convenhamos, pode ser uma equipe forte e tudo o mais, mas assim como tem chances de ganhar, tem chances de perder. Com toda essa expectativa que estão criando com “rumo ao Hexa”, se a seleção brasileira não ganha, ah, vai ser só choro e ranger de dentes. Vai ser dureza cair lá do alto daquela maravilhosidade e invencibilidade toda onde os torcedores acreditavam que estava a seleção brasileira.

Mas vai ver é exatamente disso que se trata o futebol. Criar expectativas mais altas possíveis sobre a sua seleção, para que, se ela ganhar, possa gritar “eu já sabia” e, caso perder, desabe em choro, em frustração e em raiva contra os jogadores que até então idolatrava. Sempre assim, transitando entre os extremos, pra poder experimentar o júbilo e a decepção em níveis que uma pessoa sadia jamais teria em sua vida cotidiana. Se futebol for realmente isso, é só a prova de que esse negócio não é mesmo pra mim.
 
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Patriotismo

E aí entra a terceira questão que eu queria levantar. Torcer pela seleção brasileira é mais do que uma questão esportiva no Brasil, é amor à pátria, é obrigação de todos os brasileiros, quase como uma convocação para a guerra, que, se você não aceitar, é desertor. Sempre tem aquele tom acusatório de antipatriotismo quando alguém não torce pelo Brasil na Copa. Mas pera lá. Em primeiro lugar: não é Brasil. É seleção brasileira. De futebol. Masculino. Então MENAS.

E, como já diria Criolo, tem que dar um ou dois passinhos pra trás pra entender (alguém nos ajude, <<Primeiro Nome>>): o que é pátria? Por que amar ou ter orgulho da pátria? Por que ser patriota é importante? Torcer pra seleção basta pra ser patriota?

O que é a pátria se não uma abstração? Uma construção no imaginário das pessoas, que diz que Brasil é isso, brasileiro é aquilo? A construção de uma identidade coletiva? 

Nesse sentido, pátria pode ser comparada até com signos do zodíaco: brasileiro não desiste nunca, aquariano é super criativo. Quem nasce no Brasil é caloroso, quem nasce sob o signo de touro é materialista. Brasil: verde e amarelo; Capricórnio: verde, marrom e cinza. Brasileiro é bom no futebol e na música, quem nasceu sob os signos de ar é bom em áreas intelectuais, de pesquisa e criatividade. Entende?

E, se pátria é uma idealização, o amor à pátria não seria então amar algo que não existe? Algo como o amor romântico, tão propenso a decepções? Por que amar a pátria, então, eu pergunto? Colocar o amor à pátria acima de tudo não abre caminho para violências cometidas em nome dessa pátria? É possível amar a pátria sem questionar, por exemplo, os ideais escritos em sua bandeira e que ultimamente têm sido pretexto para tantas injustiças? Ordem a custo de descer o cacete em quem não concorda com as coisas como elas estão? Progresso a custo de desabrigar famílias, passar o rolo compressor em comunidades, ameaçar de extinção povos indígenas? 

O que é a pátria, afinal, além de uma forma de alinhar, sob um mesmo objetivo, as pessoas que nascem em determinado país? E mais: a quem interessa unir compatriotas em um mesmo pensamento, um mesmo objetivo? Que objetivo seria esse? 

Não tenho resposta pra essas perguntas. Mas não é por isso que vou deixar de fazê-las.

Então, de volta ao futebol: a torcida (e cobrança) pela seleção brasileira é, sobretudo, a torcida para a conquista de um título para que cada brasileiro, individualmente, possa chamar de seu. Em um país tão carente de heróis e onde a vida ainda é tão dura e difícil para tantos e tantas, isso significa muito. Mas isso também é uma ilusão: não somos “nós” que ganhamos, não somos “nós” que vamos jogar na segunda-feira, não somos “nós” que vamos fazer 3 gols pra cima deles. São aqueles caras dentro do campo, que, aliás, ganham um bom dinheiro pra isso.

Por que tanto orgulho de uma conquista que é de outras pessoas? Pra isso, vou usar um trechinho de um texto sobre patriotismo do Alex Castro:

"O patriotismo é uma forma de apropriação indevida.

A ginasta treinou a vida inteira desde a infância. Fez todo tipo de sacrifício. Não se divertiu. Castigou seu corpo. Enfrentou todos os entraves institucionais em seu caminho. Então, coroou todos esses esforços conquistando a medalha de ouro nos jogos olímpicos.

E tudo para que, no dia seguinte, duzentas milhões de pessoas, que nunca lhe ajudaram em nada, que nunca nem lhe levaram uma aguinha durante os treinos, possam dizer:

'Levamos o ouro na ginástica olímpica!'

Levamos? Nós? Nós quem?

(…)

Isaac Asimov conta uma história interessante. Ele era judeu e, uma vez, um de seus amigos judeus veio dizer, em tom de vitoriosa confidência, que os judeus eram zero vírgula alguma coisa da humanidade mas que tinham ganho trinta e tantos por cento dos Prêmios Nobel. Não é incrível? E ficou rindo sozinho, que nem um idiota.

O Asimov ouviu aquilo, pensou e respondeu: e você sabia que os judeus são também zero vírgula alguma coisa da população dos Estados Unidos, mas quase quarenta por cento dos gigolôs? O amigo ficou chocado. Sério? Sim, disse o Asimov. Faz você sentir vergonha de ser judeu, não é? E o outro: claro que não, não fui eu que fiz nada disso.

Bem, respondeu Asimov, esse número eu inventei agora, mas se você não sente vergonha pelas coisas ruins que não fez, por que sente orgulho das coisas boas que também não fez? Aqueles Prêmios Nobel também não foi você que ganhou.”


Isso me lembra de quando qualquer atleta brasileiro é derrotado, em qualquer modalidade. O que acontece em seguida? Geralmente, ele ou ela dá alguma entrevista JUSTIFICANDO a derrota. Praticamente pedindo desculpas. Eu acho isso tão horrível. Principalmente quando é de algum esporte que não o futebol. Porque a maioria dos brasileiros está cagando mole pra esses atletas o tempo todo, mas ainda assim sente que eles lhe devem algo. O mesmo acontece com o futebol, é claro, em que os jogadores estão sempre sob uma pressão absurda (pelo menos estes ganham bem e ainda descolam uns ~trocadinhos~ fazendo um milhão de propagandas).

Então será que o povo brasileiro, no geral, é tão apaixonado assim por futebol? Ou só gosta mesmo de ganhar? Você deve se lembrar de como os brasileiros de repente ficaram apaixonados por tênis quando Guga era o melhor do mundo. Ou como a febre do MMA pegou por aqui, já que os brasileiros estão entre os melhores lutadores. Ou ainda como a Fórmula 1 era tão mais celebrada quando Ayrton Senna era o maior, e como Rubinho sempre foi motivo de chacota por chegar em segundo (como se fosse pouco!).

Mas vamos lá, né. Afinal, patriotismo fica tão legal nas propagandas.
 
☆ ☆ ☆

Claro: nada de errado em torcer, se divertir, fazer festa, comemorar vitória. Mas adotar uma postura crítica sobre o que nos cerca também não faz mal :)

E, pra finalizar, sobre torcida: quando meu namorado é perguntado sobre para quem está torcendo (no caso, sempre no UFC, já que ele também caga pra futebol), ele responde: “eu torço pelo espetáculo”. Acho que é isso. Então minha torcida vai ser sempre pela consciência.

Ainda sobre Copa




Copa no Brasil e é o país mostrando para o mundo o que ele tem de melhor. E a imagem da mulher brasileira ser vendida como gostosa, quente e de uma beleza única é um negócio que me tira do sério. O pior é que parece que temos que nos orgulhar (ó o patriotismo aí) por ostentarmos este rótulo tão machista e desumanizador.

E essa imagem não surgiu do nada e nem foi nenhum gringo que inventou. É o próprio brasileiro que nos trata assim cotidianamente, ao reforçar que nossos corpos estão disponíveis, que existimos para satisfazê-los. Que se saímos na rua é ÓBVIO que é pra receber comentários super ~agradáveis~ de completos desconhecidos sobre nossa aparência. Aham.

Então resolvi escrever um texto sobre isso no Escritório Feminista. Nós, mulheres brasileiras, existimos sim. Mas não para satisfazer nenhum homem.

O texto você lê aqui. Só recomendo que não leia os comentários (nunca). Imagino que a coisa deve estar feia por lá, mas não sou louca de ir descobrir – espero que você também não. Prezo muito pela integridade e sanidade dos meus assinantes.

O café amargo da vergonha


Olha, ainda não me recuperei da declaração de uma famosa empresária de São Paulo, que afirmou que faz parte da minoria elite branca europeia que é discriminada e perseguida no Brasil.

Elite branca. Minoria. Discriminada.

Quando eu li isso, eu gritei, chorei e vomitei de tanta vergonha pela ignorância, falta de sensibilidade, noção, empatia e senso de ridículo desta mulher. Foi tanto constrangimento que até a minha amiga Vergonha apareceu – claro, pra dizer pra eu nunca mais levá-la naquele café.

Pois é, pra completar, a autora desta infeliz, míope e vergonhosa declaração é dona de um café que eu costumava frequentar bastante. Costumava. Depois dessa, quero enfiar a cabeça em um buraco toda vez que eu lembro que eu era cliente lá. As lágrimas da elite branca que emprega pessoas, movimenta milhões e paga impostos carregando esta país nas costas acabou azedando o café. Argh. Bem, e pelo que sei, ela não é todo esse amor de patroa que ela diz ser. Mas vai ver é só preconceito meu por ela ser branca e rica, claro!

Em um post de Facebook, ela conseguiu arruinar a imagem da própria empresa. Lá na página do café, vários comentários dizendo que perdeu mais um cliente. Mas, ao mesmo tempo, outra triste constatação: gente parabenizando ela por sua “atitude”. É o que eu já disse: ao se posicionar, você pode estar afastando quem não concorda, mas vai estar atraindo quem pensa igual.

Aí que resolvi escrever sobre isso. E nem sei se deveria. Quem sou eu pra falar sobre racismo e privilégio branco, sabe? Mas escrevo sobre o que me incomoda e não conseguia tirar isso da cabeça. O chato é escrever sobre coisas tão óbvias. Mas pelo jeito tá pouco de falar sobre o óbvio.

Então você pode ler o texto aqui (tem até trilha sonora, no final do post, porque essa música é foda).

Bye bye, We Can Cast It!


Esta semana foi ao ar o último We Can Cast It!, podcast feminista que eu e Gizelli Sousa produzíamos e apresentávamos. Fuén, fuén. Já estava há algum tempo difícil conciliar o podcast (que dá um trabalhão) com outras atividades. Sem falar que tempo, como eu já disse numa das edições passadas, tá um troço difícil de arrumar. Foi uma decisão duríssima, mas necessária – não exatamente definitiva. Então encerramos os trabalhos com aquela sensação de missão cumprida, felicidade e saudade, tudo ao mesmo tempo.



Mas não é pra ficar triste, que caprichamos no último episódio. Chamamos feministas lindas, a Laís, Thaís, Patrícia, Jarid, Juliana, Flávia e Sybylla para falar das personagens femininas mais marcantes para cada uma delas e que lições feministas elas passaram. Eu e Gizelli também falamos um monte sobre nossas personagens favoritas! Será que falamos das suas?


Vai lá ouvir, tá um show de sotaques e vozes maravilhosas.
 

Seleção campeã de links!


Escalei uma seleção de links para você se servir à vontade e vou ficar torcendo para que você goste de algum :)

tá ó

Pra começar, uma indicação da queridíssima assinante @olivia_colares. Meninos e meninas entre 8 e 12 anos responderam à pergunta: o que é feminismo? As respostas são surpreendentes. Algumas são fofíssimas, engraçadas e lindas, enquanto outras são preocupantes, especialmente vindas de meninos. Fiquei só imaginando o tipo de família que eles têm. Mas enfim, você pode ver aqui.
 ⚽︎
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Sabe o seriado Orange Is The New Black? (falar nisso, HAJA CORAÇÃO essa segunda temporada hein, <<Primeiro Nome>>. Foi foda!) Pois é, encontrei uma crônica da Piper da vida real, a moça que escreveu o livro que inspirou a série da Netflix. Esta crônica foi publicada no NY Times em 2010, antes do lançamento do livro. Muito interessante ler, ao invés de assistir, esse que foi o início da jornada da personagem que se meteu em altas confusões em uma penitenciária feminina nos Estados Unidos.
 
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Caso seríssimo que aconteceu na Irlanda, país muito influenciado pela Igreja Católica: esqueletos de quase 800 crianças e recém-nascidos foram encontrados em conventos que serviam como “instituições de reabilitação para mães solteiras”, administradas por freiras. Bem, as mulheres que engravidavam e não tinham condições para sustentar a criança sozinha (mas não podiam abortar porque a Igreja condena), eram mandadas para essas instituições, onde eram submetidas a trabalhos forçados. Era uma espécie de prisão, que servia para punir as mulheres que ousavam ter uma vida sexual fora do casamento. Aos seus filhos não era reservado tratamento melhor. As crianças “bastardas” eram super mal-tratadas e mal-cuidadas. Se morriam, eram jogadas em uma vala comum, sem identificação, nem velório, nem nada. A Flávia, que atualmente vive na Irlanda, conta melhor essa história escabrosa.

☆ ☆ ☆

Documentário sobre a imagem da mulher na mídia brasileira: por que os meios de comunicação usam um único modelo de mulher? Quem está por trás destas imagens? São 15 minutinhos, em português.

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Por falar em representação da mulher, vamos falar de novela? O pouco que vi dessa novela do Maneco achei péssima, e acho bem problemático que ele represente mulheres como loucas, histéricas, obcecadas com amor e que façam suas vidas girarem ao redor de homens e, mesmo assim, seja considerado um autor que “entende” a "alma feminina". Ai minha santa periquita, viu. Este texto publicado no Biscate Social Club faz uma bela análise sobre as personagens deste autor que está longe de entender, quanto mais de representar, a mulher brasileira.

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Estou exaustíssima da pergunta “homens podem ser feministas?”. Olha, é chato quando fazem qualquer assunto, principalmente feminismo, acabar girando em torno dos homens. Da última vez, respondi que antes de se preocupar em receber o título de feminista (como se existisse uma nomeação ou coisa do tipo), o homem bem que podia 1) se educar 2) educar os homens ao seu redor a não serem babacas machistas. E claro, sem esperar uma chuva de confetes porque, né, não está fazendo mais do que a sua obrigação como um ser humano minimamente decente. Mas aí traduziram um texto bem completo cheio de sugestões de como os homens podem, na prática, apoiar o feminismo. Acho que vale compartilhar e ter sempre na manga, já que parece ser uma dúvida tão frequente. Aproveito para dizer também o quanto é chato ver vários homens esperando pelas feministas lhe ensinarem alguma coisa para então resolverem tirar o traseiro do confortável assento do machismo. Olha, não temos que ser mães de marmanjo não, viu? Não existimos pra servir os homens, isso vale também para o feminismo. Então, se mostramos links como esse, não é porque é nossa obrigação, mas porque somos gentis mesmo :)

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Aí que estavam compartilhando "denúncias" de "cadeirantes fakes" que assistiam aos jogos nos estádios nos lugares destinados a cadeirantes, mas apareciam nas imagens em pé! "Milagre", diziam, no maior tom de sarcasmo. Mas olha só: tem cadeirante que consegue ficar em pé SIM. E mais: nem todas as deficiências físicas são iguais. Então recomendo a leitura e o compartilhamento destes dois textos, escrito por duas mulheres com diversidade funcional: "Copa dos Milagres" e "Deficiência não é sinônimo de cadeira de rodas, dona Fifa". Porque o preconceito contra pessoas com deficiência existe e é tão grande que se confunde com burrice.

Quem pagou a conta da santa ceia?


Sério. Quem pagou a conta da santa ceia?

Será que dividiram a conta por igual? Será que cada um só pagou o que consumiu?

Será que Judas foi aquele que pediu mais bebida e, na hora de rachar a conta por igual, acabou se dando bem e pagando o mesmo que os outros, por isso ficou aquele climão com Jesus?

Será que Jesus convocou a Santa Ceia antes de morrer só porque, depois da transformação da água em vinho e da multiplicação dos peixes, os amigos estavam lhe devendo um jantar?

Será que pediram CPF na nota?

Será que contestaram o garçom sobre as coisas que realmente pediram e o que veio na conta? E que foi justamente esse o momento retratado no quadro de Da Vinci?

Será que só os apóstolos pagaram a conta?

Será que Jesus, sabendo que ia morrer, fez esse agradinho e ficou tudo por sua conta, mas passou no crédito de forma que nunca precisaria de fato pagar?

Ou será que estamos pagando a conta da santa ceia até hoje?

Fica a dúvida.
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Alor? SAC do Bobagens Imperdíveis em quê posso ajudar?

Nossa, dia desses sonhei que o Roberto Carlos e o Sílvio Santos assinavam minha newsletter. E eu lembro de encarar isso com super naturalidade.

Sabe o que significa? Que a qualidade dos meus assinantes é Friboi e que valem mais do que dinheiro! Má ôe.

Bobagens à parte, espero que tenha gostado desta edição e se não gostou, reclama com o Bonner. O botão de cancelar a assinatura também está sempre à disposição. Sinta-se sempre à vontade para responder essa newsletter e me escrever um e-mail quando quiser! Vou adorar receber :)

Uma goleada de beijos (trocadilhos com futebol são os mais horríveis e num guento mais propaganda usando isso),

Aline.
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