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Eu sou o início, o fim e o e-mail

Corpo, gato crente e Raul


Oi, Aline! Tudo em cima?

Escrevo enrolada em um cobertor felpudo, graças ao frio que se abate sobre este lugar (meu apartamento), embora eu tenha resolvido ficar nua para falar sobre corpo no texto da semana. Claro, só em ilustração, porque tenho coragem nem de tirar a meia nesse frio.

Mais do que na imagem, a nudez está no texto: precisei me despir das coisas da mente e de aspectos culturais para lembrar que sou corpo. Corpo com água, ossos, que sangra, caga, tem cheiro, pelos, coração e vísceras.

(esse foi um daqueles textos que eu amei escrever e que quase ninguém deu bola. Acontece sempre)

Você pode ler aqui.

Também escrevi uma análise sobre o que aprendi com a newsletter e por que blogar me desanima.  Não é uma análise com métricas de quantos seguidores eu tenho a mais, ou quantos mil acessos a mais ou a  menos eu tive no blog graças à newsletter, porque não se trata de números; o que esta newsletter me proporcionou foi uma experiência mais humana e é isso que eu tento contar.

Leia aqui.

O crente e o cético


(fatos reais)

Teve uma noite, eu escrevendo, o Eugênio começou a ficar louco do bumbum e a me encher o saco. Não estava dando.

Resolvi entreter o gato para ver se ele desistia de ficar subindo na mesa. Eu tirar ele de cima cinquenta vezes não parecia estar dando resultado.

Peguei a minha lanterninha, acendi e apontei para a parede. Ê alegria. Eugênio começou a perseguir a luzinha, aquela coisa que você já deve ter visto um milhão de vezes no Youtube.

O outro, que até então estava dormindo, logo veio ver que agitação toda era aquela. Mas em vez de entrar na brincadeira e tentar pegar a luzinha, Aurélio veio pegar a minha mão. A MINHA MÃO QUE SEGURAVA A LANTERNA.

Ficou cutucando para me mostrar que ele sabia que era eu quem estava fazendo a luzinha e que aquilo não tinha graça nenhuma.

“Você acha que me engana? Sério?”

Acho que ele tentou alertar o Eugênio. Não sei. Mas o outro não deu a menor bola e continuou tentando segurar aquela maldita luz, como era esperta! Sempre escapava. Às vezes desaparecia. Mas voltava!

Aurélio desistiu de tentar trazer alguma razão à conversa, virou de costas e foi embora.

Continuei brincando com o Eugênio. Mas, a certo ponto, acendendo e apagando a lanterninha para confundir o gato em sua busca implacável, percebi que ele tinha visto que a luz saía da lanterna, já que o botão fazia um TEC toda vez que eu o acionava.

Como, mesmo sabendo que era um truque meu, ele podia continuar acreditando que a luz era viva?

“Me deixa acreditar!”

Aí lembrei de todos os filmes, histórias de ficção, de super-heróis e outras coisas malucas que mesmo eu sabendo não existir, continuaram a me divertir. Acendi a lanterna de novo e lá foi ele perseguir a luz. Enquanto isso, Aurélio estava ocupadíssimo lambendo o rabo.

Meus desejos para a internet em 2014



Eu sei. O ano não acabou ainda (embora ele já esteja acabando comigo). Mas encontrei esses dias a lista de coisas que eu desejava para a internet na virada do ano. É bom reforçar algumas resoluções que propus para mim mesma (não me meter em tretas, não compartilhar texto chorume) e perceber que tantas outras coisas estão LONGE de se concretizar.

***

Que os textos bons, inspiradores, positivos e construtivos sejam compartilhados e dominem a internet gerando mais Mão Na Consciência mundão afora, enquanto os textos ruins, agressivos, preconceituosos e fonte de chorume sejam abafados e morram agonizando aos gritos, sozinhos e desamparados.

Que os blogs legais não morram e que suas autoras e autores permaneçam firmes nessa jornada de fazer o Bom Conteúdo predominar na internet.

Que vejamos menos conteúdo replicado e mais conteúdo original.

Se não tiver jeito e for replicar, que pelo menos deem os créditos.

Que mais gifs do Tom Hiddleston sejam feitos para nos aliviar nos momentos mais sombrios, porque está pouco de gifs do Tom Hiddleston.

Que as caixas de comentários todas explodam. Só uma hecatombe pode nos salvar dos comentaristas de portal.

Que parem de bater palmas para maluco dançar.

Que eu não seja o maluco dançando pedindo por palmas. Nem você.

Que mais blogs inteligentes, com textos bem escritos e bem pensados surjam, porque é lindo ver mais pessoas se empolgando para escrever.

Que ninguém me meta em tretas. Que eu não me meta também, por vontade própria ou por acidente.

E que as pessoas levem as coisas boas dos textos que leem para além mais do que um like no Facebook.
(mas por todos os likes, eu agradeço)

Que o Bom Conteúdo vença


Vamo espalhar o que tem de bom na internet? Vamo.


Diamant

"Esse medo tão grande de sermos dominados por uma raça superior tem apenas um motivo: nós sabemos. No fundo nós sabemos que nossa mentalidade ainda é colonizadora, e isso está longe de mudar. Se tememos tanto, é porque sabemos do que somos capazes."

Descobri ontem mesmo o blog do Darllam e tenho que fazer essa indicação. O cara escreve muito bem e sobre questões que valem uma reflexão. Esse texto é uma história de ficção científica e, ao mesmo tempo, uma crítica brilhante (não resisti ao trocadilho com diamantes).


Tirinhas do Andrício


O tanto que eu rio com as tirinhas do Andrício. 



Ficção Científica


Ed Valigursky foi um ilustrador famoso por criar imagens para os gigantes da Ficção Científica, como Asimov, Bradbury e Clarke. Outras ilustras fantásticas dele no link. (detalhe que tem umas 2 imagens com o estereótipo da mulher em tubos sobre o qual escrevi
aqui)


História da Arte pelas lentes da Ficção Científica


Achei massa essa releitura de obras de arte clássica com personagens e temáticas da cultura pop. Tem outras legais no link.



Orbitas


Curta animado de ficção científica (hoje eu tô que tô né) com duas astronautas que se apaixonam mas só podem se ver quando a órbita de seus satélites se cruzam. Uma fofura indicada pela Giza Sousa. Ah, o filme foi feito por estudantes de animação e foi super premiado.



Fal mandando a real

"Esses tempos aí que você venera, esses tempos dos quais falam essas porras desses textos escritos por filosofinhos com cara de vovô e especialistas em sabe Deus o quê, eram cheios de dor, de medo, de miséria, de horrores, exatamente como agora. Exatamente como agora.”

Eu amo essa mulher.


Uma carta de gratidão, por Bukowski

"I now write from an old mind and an old body, long beyond the time when most men would ever think of continuing such a thing, but since I started so late I owe it to myself to continue, and when the words begin to falter and I must be helped up stairways and I can no longer tell a bluebird from a paperclip, I still feel that something in me is going to remember (no matter how far I’m gone) how I’ve come through the murder and the mess and the moil, to at least a generous way to die.”

E eu que tenho que agradecer ao velho Hank por essas palavras – e outras – que tem esse poder de me motivar a escrever.


23 cartunistas se desenham nuas


Achei tão legal que foi esse post que me inspirou a escrever o texto sobre corpo (e a me desenhar também).


 

Deixa eu falar uma coisa na moral



Essa semana o Na Moral foi sobre feminismo. Eu sei, eu sei. Só de ver as chamadas já me deu nervoso, preguiça e medo de ver quanta bosta seria falada (aquelas que eu já estou peluda de tanto ouvir). Tanto que resolvi nem ver. Mas acompanhei a repercussão que teve no Twitter e depois vi os vídeos no site da Globo, com alguns trechos do programa. 

Pelo pouco que vi, achei que a Anitta mandou bem. Ela me surpreendeu, sinceramente. E uma figura como ela se assumir feminista na TV é muito foda: imagina quantas meninas podem se espelhar nela e ver o feminismo com bons olhos – abrindo caminho para o próprio empoderamento?

Mas também me disseram que não sabiam o que ela estava fazendo ali, como se ela fosse inadequada para o debate. Disseram que ela até que teve bons argumentos, mas que pareceu perdida em muitos momentos.

E eu digo: natural, ué. Não vejo problema nisso. Ninguém nasce feminista e com todos os discursos certinhos na ponta da língua para fazer bonito com a militância.

Esse é aquele ponto perigoso em que arriscam transformar feminismo numa prisão, em que é preciso estar afinadinha com o discurso já definido e repetido à exaustão para ser considerada feminista. É o que já escrevi sobre essa prisão de
ser uma feminista perfeita. Não podemos errar. Não podemos deslizar (muito menos dirlizar). Não podemos sair do roteiro. Não podemos ser alguém que ainda está aprendendo. E eu acho isso muito ruim, sabe?

É ruim e perigoso porque essa visão dá ao feminismo contornos de religião. Com dogmas. Com pontos que todas devem acreditar e defender. Com palavras e expressões próprias que devem ser repetidas sempre, como uma oração. Se pra mim, que sou feminista (até tirarem minha carteirinha pela décima segunda vez), isso é chato, imagina pra quem não é (mas poderia ser!).

Eu acredito em um feminismo que aproxime em vez de afastar e excluir. Em um feminismo que a gente construa juntas, em vez de um feminismo que exija que eu saiba de tudo e aponte dedos para quem não sabe (ou saiba de coisas diferentes). 

Porque, putz, não é uma questão de quem merece entrar no clubinho. A gente está falando de vidas de mulheres. De um mundo todo cagado que a gente precisa mudar urgente. É, literalmente, uma questão de vida e morte. Então cada pessoa que muda um tico, cada pessoa que se assuma feminista mesmo que seja para se posicionar contra o assédio e não para ser uma militante ou uma estudiosa da teoria, cada uma dessas pessoas e dessas pequenas atitudes faz diferença.

(e o fato de alguém se assumir feminista em um ponto abre a possibilidade dela se aprofundar mais, aprender sobre outros aspectos, ouvir o que as outras feministas tem a dizer – isso se não for hostilizada porque não está seguindo a cartilha)

O que importa, pelo menos pra mim, não é que todo mundo domine discursos feministas (e o mesmo discurso), mas que as pessoas sejam capazes de mudar atitudes cotidianas que reforçam essa estrutura machista em que a gente está metida. Mesmo que seja um tiquinho de cada vez. Uma Anitta de cada vez.

PS: um bom exemplo disso que estou falando foi uma resposta da Djamila (que também escreve pro Escritório Feminista!) para a tal filósofa-que-não-deve-nada-ao-feminismo. Essa moça falou muita bosta totalmente descolada da realidade e faz questão de dizer que o movimento é desnecessário, apesar de concordar com vários pontos do feminismo. Djamila, diva, apenas responde: “eu acho que você é uma feminista enrustida”. Touché.
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Eu já paguei a conta do meu telefone, eu já paguei por eu falar e já paguei por eu ouvir. Eu devia agradecer ao Senhor por ter tido sucesso na vida como artista.

Mas é que agora pra fazer sucesso, pra vender disco de protesto, todo mundo tem que reclamar! E dois problemas se misturam: a verdade do Universo, a prestação que vai vencer.

A
prendi o segredo da vida vendo as pedras que choram sozinhas no mesmo lugar: nunca se vence uma guerra lutando sozinho. Cê sabe que a gente precisa entrar em contato com toda essa força contida e que vive guardada.

É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro, evita o aperto de mão de um possível aliado. Coragem, coragem: eu sei que você pode mais!


Ói, é o trem. Não precisa passagem nem mesmo bagagem no trem. Quem vai chorar, quem vai sorrir? Quem vai ficar, quem vai partir? Pois o trem está chegando, tá chegando na estação!

Isso quer dizer que acabou mais uma edição (dsclp, é que eu ouvi muito Raul Seixas essa semana).


Beijos no seu corpo,

Aline.

Copyright © 2014 Aline Valek :: Escritora, Todos os direitos reservados.


 
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