Copy
Tanta coisa pra contar que poderia caber em 9 temporadas

Agradabilidade, bizarrices e treta feminista da semana


Oi, <<Primeiro Nome>>! Espero que esteja tudo bem com você e que a sua semana tenha sido proveitosa. Se não se importa, eu já queria começar a newsletter marcando meu posicionamento sobre um negoz importante:

Eu não escrevo pra agradar você. Nem ninguém.

Escrevo porque preciso e escrevo sobre o que me incomoda.

Por essa razão já recebi vários comentários e e-mails de pessoas bravas comigo por algo que escrevi. Por essa razão levei muito unfollow e unfriend de gente que eu conhecia. Afastei pessoas que se incomodaram com o meu posicionamento sobre alguma coisa. Devo ter perdido oportunidades de trabalho por conta disso. Devo até ter criado inimizades.

Assim como não vou ficar tentando convencer ninguém de algo em que acredito, não vou ficar maneirando o que penso para puxar o saco de alguém. Nem leitor, nem crítico, nem militância, nem amigo. Já passei toda minha vida sendo a esquisita, a chata, a que as pessoas não fazem muita questão de chamar para os rolês, então acho que aguento passar mais um tempo sem ser a popular.

Talvez aí esteja o meu erro. Se eu escrevesse pensando em agradar, meu blog poderia ter mais acessos, eu teria mais leitores, ganharia mais dinheiro, seria mais famosa, mais querida. Seria sim mais fácil, como vejo um monte de gente fazendo. Me traria menos dor de cabeça, menos problema, menos gente me xingando e rezando pra deus me castigar.

Mas por que fazer tanta questão de manter por perto pessoas que não iam gostar do que eu penso de verdade?

Ao me posicionar com clareza sobre a forma que enxergo as coisas, faço um favor às pessoas e a mim mesma. Sinalizo minha posição, mesmo que contrária à sua, para que você tenha a opção de continuar me acompanhando ou não (sei lá, tem gente que odeia Rodrigo Constantino, Pondé ou Tati Bernardi, mas tá lá lendo toda semana só pra passar raiva). Com isso eu também ganho, ao repelir pessoas que não compartilham dos meus valores e para quem eu precisaria mudar completamente quem eu sou e as coisas que penso para poder agradar. Parafraseando um amigo escritor, posso conviver com a rejeição de um monte de pombos se com isso puder atrair um único falcão.

Então eu posso estar errada, e eventualmente vou estar, o que pode me levar a rever alguns posicionamentos, assim como eu posso mudar de opinião porque sim; mas não vou fazer nada disso para me adequar à opinião de outra pessoa só para fazê-la se sentir bem e gostar de mim. Se isso incomoda, eu só posso lamentar, sorrir e imaginar o tamanho (em metros) do ego dessa pessoa que acha que ela importa tanto assim para eu ter que agradá-la.

Sua aprovação não vai ser a causa do que eu escrevo, mas se vier por CONSEQUÊNCIA do que escrevo, aí sim, estarei no lucro.

Um bocado de perguntas incovenientes


"Eu mesma já escrevi textos questionando instituições ditas sagradas e intocáveis, como a família, o casamento, o amor romântico, a escola, a masculinidade, o patriarcado, a igreja. E quase sempre as reações, tão parecidas, nos fazem pensar em outra pergunta, fundamental para entender as forças que buscam manter as coisas do jeitinho que elas estão: é tão frágil essa instituição e as coisas que ela defende que simples perguntas são capazes de derrubá-la?"

Salvando a aventura e a ficção científica


"É triste pensar que tantas obras produzidas nesse período tenham se perdido ou que nosso acesso a elas tenha ficado mais difícil. Quantas histórias poderíamos estar conhecendo, estudando e nos apaixonando se não fosse essa lacuna?"

Onde Dogville e Ninfomaníaca se encontram


"Porque, ao olhar para o que havia além do sexo e da cidade, vi as pessoas retratadas por Lars Von Trier e suas relações. Então o que mais me chamou a atenção, especialmente por ter notado isso tanto em Dogville quanto em Ninfomaníaca, foi uma perturbadora representação da maldade e do quanto esse aspecto presente nos seres humanos é mais forte do que se pensa."

Buscas bizarras do Google


Uma diversão de quem tem blog é descobrir como as pessoas chegaram até ele. Daí a pessoa estava lá, fazendo uma busca no Google, e de repente PAF cai no meu blog. Como isso aconteceu? O que ela estava procurando?

Selecionei algumas das buscas que pessoas fizeram e acabaram encontrando meu blog para você ter uma ideia do tipo de maluco que meu blog recebe. É de explodir a cabeça imaginar que uma pessoa, em algum lugar desse mundão véio sem porteira, tenha MESMO digitado algo assim no Google e ainda apertado “enter”. Vai vendo. (Fiz alguns comentários entre parênteses)

como ser um changeman
(algo me diz que precisa ter um robô gigante)

contos erotico meu marido bebel d+ e eu dei d+
(a pessoa bebel pra digitar um troço desses)

carinciar as pernas do homem é safadeza
(a resposta é um sonoro sim)

como convenscer uma virgem a tranzar
(tente o que puder, mas não tente por escrito pufavô)

como fas sexo gente?
(hein gente)

como foi feito teste para ser os changeman
(<<Primeiro Nome>>, tá rolando alistamento pra ser changeman e só eu não tô sabendo? Também quero)

e possivel ser homem e gostar de moda?
(sim!)

eu tenho a marca da promessa
(han??)

homens reconhecendo.seus privilegios
(tá em falta)

minha gata esta bariguda mas os gatos nao se meche ela fica o tempo todo miando auto
(google não é veterinário, fera)

oque significa quando a, pessoa chama a outra de "pao de queijo
(que é alguém irresistível)

como mostrar experiencia e nao pagar mico ao sentar a mesa com um grupo de amigos para comer alguma coisa?
(sério. Alguém digitou ISTO no Google. Mas eu bem que queria saber a resposta)

contos de peido gay
(morri, me enterrem)

contos eroticos de peidos
(socorro)

contos eroticos gay peido peidando peidei
(depois dessa, chega)


Olha, tem bem mais bizarrices, mas a lista de hoje já ficou enorme, né? 

Reflexões feministas da semana


"Ó homem, se você se incomoda de não poder ditar as regras de um movimento que não te pertence, por mais feminista que você pense que é, você faz parte do problema. Beijão."

"Se fosse para agradar, eu estaria fazendo bolo e não feminismo."

"Criticar feminista é mais fácil que passar da primeira fase do Sonic. Quero ver é enfrentar o chefão, migas."
 

Sobre mais um seriado que acabou

"Foi bom pra você?" "Errrr...."

"Você conhece meu amigo Ted?" Não sei se você acompanha o seriado How I Met Your Mother, que acabou semana passada, mas fim de seriado sempre gera uma comoção que é impossível ignorar.

Não acompanhei HIMYM desde quando foi lançado, mas venho acompanhado a história (em nove longas temporadas) de Ted Mosby e seus amigos Lily, Robin, Marshal e Barney pelos últimos 2 anos. A gente se apega, a gente vicia, não tem jeito.

E aí a série terminou. Estava querendo muito escrever sobre o que achei especificamente da última temporada, do último episódio e de outros detalhes do desenvolvimento da narrativa, mas achei que seria sacanagem enviar spoilers por e-mail, já que não sei até que ponto você assistiu (ou sequer se assistiu).

Talvez eu escreva um texto à parte sobre isso, mas só queria adiantar que não curti o final. Me deu aquela sensação de "não acredito que assisti trocentas temporadas para terminar desse jeito??". E isso porque passei a última temporada inteira me arrastando, não vendo mais a hora do seriado terminar logo e eu me livrar daquela "obrigação" de ver mais um episódio, e mais outro e mais outro.

Acho de verdade que HIMYM revolucionou a fórmula de sitcom, com uma narrativa muito bem elaborada e nada convencional. Mas tudo isso pra quê? Pro último episódio ser igual último capítulo de novela. Do Walcyr Carrasco.

Muita gente amou, se emocionou – e recomendo este texto da Tati Lopatiuk sobre o que ela achou do final e da série como um todo. Talvez eu não tenha curtido nesse tanto porque, confesso, a série nunca tenha pegado de verdade o meu coração. Comecei a assistir porque o namorado também assistia e gostava, de forma que acabei indo na onda dele.

Seriado é tipo um relacionamento. No começo você pode amar, mas aí ele muda e você continua com ele só por força do hábito. Tem uns que acabam e você dá graças a deus, parte pra outra, fica feliz que nunca mais vá precisar assistir, que aquele ciclo se encerrou (que foi o que aconteceu comigo em HIMYM). Já outros a gente ama de verdade, o tempo inteiro. Suporta nos altos e baixos, apesar de todos os problemas. Continua firme e forte. Quando tem que acabar, porque uma hora acaba, não fica a sensação de vazio, mas que algo dentro de você foi preenchido depois de tudo o que você passou com ele. Foi o que aconteceu comigo quando acabou The Office. Chorei igual criança no último episódio, senti saudade, doeu. Mas não senti vazio, senti que tinha algo a mais dentro de mim (opa). Que aqueles personagens, de alguma forma, ficaram comigo. Só levei boas memórias, coisas boas. E diferente de HIMYM, eu veria The Office novamente.

Mas a gente segue em frente, né? Até porque Game of Thrones vem aí!
 
Fora de Lugar é uma história seriada exclusiva para os assinantes do Bobagens Imperdíveis. Sinta-se à vontade para mandar críticas e sugestões - ou ideias! - para a continuidade da história. 

Nos episódios anteriores: <<Primeiro Nome>> é uma criança de 10 anos cujos pais simplesmente sumiram. Dois homenzinhos de uma estranha empresa de limpeza se encarregaram de apagar os vestígios de que os dois já tivessem sido um casal, mas a coisa mais importante deixaram passar. <<Primeiro Nome>> conseguiu fugir e acabou cruzando com o caminho de Berta, vendedora de carros usados. Ela leva a criança à delegacia e acaba vendo de perto os homenzinhos de jaleco branco que até então pareciam personagens imaginados pela criança.


***

– "Ô Euclides", eu gritei, já colocando a mão no ombro dele – Berta explicou para Nice. – Nunca tinha testado essa tática, mas tinha que funcionar. <<Primeiro Nome>> ia sair do banheiro a qualquer instante e não podia deixar que aqueles homenzinhos vissem. Então eu investi na cara de pau, né? "Ô Euclides, que coisa encontrar você logo aqui, logo hoje! Estava mesmo pensando em ligar pra você!"

– Deixa eu adivinhar – Nice apagou o cigarro na parede. – Você ficou fingindo que conhecia o cara, ele ficou te olhando com cara de quem não tava entendendo nada e <<Primeiro Nome>> conseguiu sair de fininho.

– Mais ou menos. O problema é que ele não me olhava com cara de nada. Os olhos dele eram... vazios. Ele parecia olhar não para mim, mas através de mim, para tudo que estava por trás da minha existência. Gelei. Foi uma sensação ruim, então eu não ia conseguir aguentar por muito tempo. Sorte que <<Primeiro Nome>> saiu do banheiro e teve esperteza pra perceber o que estava acontecendo. Paralisou de surpresa e medo por um instante, mas assim que entendeu que eu estava segurando os caras para que pudesse fugir, deu no pé rapidinho. Correu para os fundos da delegacia e deve ter saído por lá. Fiquei aliviada, fingi que percebia que tinha cometido um engano, pedi desculpas e saí logo dali. Quando voltei pro carro, <<Primeiro Nome>> já estava me esperando.

– Vocês não voltaram mais à polícia?

– Suspeito que eles apareceram porque sabiam que <<Primeiro Nome>> estava lá. Porque demos o nome na delegacia, talvez? Não quis arriscar novamente, não até descobrir sobre esses carinhas e entender porque queriam tanto pegar <<Primeiro Nome>>. Tô tentando descobrir por conta própria sobre essa tal de Buraco Negro e ir aos lugares em que os pais de <<Primeiro Nome>> possam estar, enquanto fica em segurança aqui em casa.

– Até agora nada?

Berta balançou a cabeça em sinal negativo.

– Nada de concreto. Mas consegui com meus contatos das ruas uma pista que pode ser quente.

Berta apagou seu cigarro, tomou a mão direita de Nice, olhou no fundo dos seus olhos e ajoelhou diante dela:

– Nice, – respirou fundo, enquanto a outra ficava sem respirar com o suspense – você aceita fazer essa investigação comigo?

Como Nice amava aquele jeitinho inocente de Berta, uma inocência de quem queria resolver as coisas sem pensar se isso podia acabar em confusão. Já estava sentindo falta.

Ela sorriu, mas desviou o olhar sem graça.

– Olha, não sei. Mas a gente tem que resolver esse problema, né?

Berta encarou isso como um "sim".

As duas entraram novamente em casa. A única luz da sala vinha da TV. Estava rolando uma cena de perseguição de carro, com direito a tiros e explosões. A luz vermelha e amarela vibrante iluminou o rosto de <<Primeiro Nome>>, de forma que Berta viu seus olhos fechadinhos. Tinha adormecido no meio do filme.

– Eu sabia, dormiu. Não aguenta ver os filmes até o final.

Berta pegou aquele pequeno corpo adormecido no colo, todo enrolado no cobertor. Nice ajudou, abrindo a porta do quarto e arrumando o travesseiro na cama onde <<Primeiro Nome>> dormiria.

– Sabe, Berta – ela sussurrou, enquanto a companheira colocava a criança na cama com todo o cuidado. – Estava pensando numa coisa. Podemos nunca encontrar os pais dessa criança. Se, e só se, não conseguirmos... Será que podemos ficar com <<Primeiro Nome>>? Aqui em casa?
Se você perdeu alguma edição do Bobagens Imperdíveis, é só clicar aqui! :)

E se curte receber meus e-mails, indique para alguém  - encaminhando esta mensagem ou pedindo para assinar. Vou ficar muito feliz!
♥︎
♥︎


Com essa linda imagem do artista Shiko (amo as ilustras desse cara), encerro a newsletter da semana. Hoje abusei do seu tempo, né? Aproveite bem o dia, seja qual for o dia que você tenha aberto este e-mail ;)

Um beijo, um abraço e um cheiro,

Aline.
Copyright © 2014 Aline Valek :: Escritora, Todos os direitos reservados.


 
Email Marketing Powered by Mailchimp