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Trilha sonora desta edição

Assuntos misturados, nudez e ficção científica


Olá olá, <<Primeiro Nome>>!

Esta semana publiquei dois textos lá no blog e já queria começar a newsletter deixando o link para eles – assim você não esquece de clicar pra ler :)

Falar mal é o que nos conecta – já reparou que falar mal sempre rende mais assunto? Eu me peguei nessa atitude e fiquei pensando o que me acrescenta ficar só criticando alguém ou alguma coisa. Só detonar os outros diz o quê sobre mim? Reflexão nesse texto.

Os demônios da minha escrita – partindo de uma proposta da escritora Olivia Maia, tentei analisar quais são os demônios que me atormentam e me levam a escrever. Quais são os temas que me movem? Acho que isso revela muito mais sobre minhas angústias do que sobre o meu trabalho de escrita em si. Se quiser olhar para o meu demônio interior, vai lá.

Se quiser ler agora, eu espero! Ou você pode guardar aí no seu navegador para ler depois. Aliás, viu ali em cima que eu preparei uma trilha sonora para a leitura desta edição? Espero que goste (eu estava com saudades de montar trilhas sonoras, hihi).

Vem comigo, que hoje tem mais assunto misturado do que programa da Fátima Bernardes.

Eu torço para os macacos



Vi o novo Planeta dos Macacos no final de semana passado.

É impressionante como o filme consegue surpreender, mesmo sendo parte de uma história que (supostamente) a gente já sabe o final.

O filme de 1968 é incrível. Não curto muito o protagonista, aquele astrounauta com cara de caubói metido a galã, nem o par romântico que arrumaram pra ele, uma humana selvagem mas perfeitamente adequada para os padrões de beleza (!) e até maquiada (!!). Relevando esses detalhes (anos 60 né), a história é intrigante e o final é de arrombar a cabeça. 

A maquiagem dos macacos é muito bem feita, algo que pode não ser impressionante nos dias de hoje, mas que não deixa de ser notável. Imagine na época, como as pessoas não devem ter ficado impressionadas.

Em 2014, a gente olha para o filme de 1968 e acha os efeitos visuais toscos. Mas é possível que em 2060 quem vá olhar para o filme de 2014 e achar os efeitos visuais toscos sejam os macacos. Até lá, certeza que já terão nos superado.



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Achei um vídeo com 7 coisas que você (provavelmente) não sabe sobre Planeta dos Macacos, com várias curiosidades e cenas de bastidores tanto do filme de 68 quanto de 2011. 

Por exemplo, você sabia que o filme de 68 recebeu um Oscar de melhor Maquiagem, categoria criada praticamente pra premiar Planeta dos Macacos, já que até então esse prêmio não existia?

Vale a pena ver.

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O que eu vou dizer a seguir contém spoilers, então sinta-se à vontade para pular essa parte e ir para o próximo tópico da newsletter, a não ser que não se importe com revelações sobre detalhes do enredo do filme novo.





Uma das leituras possíveis do filme é a de um grupo oprimido (que era maltratado, usado e inferiorizado pelos humanos) enfim conseguir se libertar da opressão. Eles conseguem se exilar, viver em plena harmonia e começam a desenvolver a própria civilização! Eba!

Mas nem tudo é assim tão fácil. Apesar da sociedade dos macacos ser baseada em cooperação – e na máxima “macaco não mata macaco” –, eles têm suas divergências, especialmente em relação aos humanos.

Os macacos ficam tão inteligentes que se desenvolvem também como criaturas com potencial para o ódio, a traição e a intolerância. Talvez seja a maldição da inteligência?

Um dos macacos, o Koba, é “humanofóbico”. Ele simplesmente abomina os humanos e acredita que nada pode vir de bom deles. Ele aponta para suas cicatrizes e mostra para Caesar que seu ódio tem fundamento: todas aquelas marcas de sofrimento foram trabalho humano! Como Caesar pode ser tão cego em tentar ajudar seus outrora algozes?

Os humanos que sobreviveram a uma epidemia que dizimou a espécie estão fragilizados, sim, mas ainda tem poder de fogo para ser uma ameaça aos macacos. O que fazer? Partir para a guerra, ainda que arriscando as vidas dos macacos?

Caesar, o líder macaco, ainda acredita que possa haver uma solução pacífica. Mas é traído por seu amigo Koba, que é capaz de arriscar o próprio povo se isso puder fazer com que subjuguem a humanidade.

(e é impressionante como nesse ponto Planeta dos Macacos carrega semelhanças com a narrativa cristã: uma civilização mais desenvolvida que por muito tempo domina uma população mais simples; um líder pacífico, que tenta conciliar os povos, saído dessa mesma população minoritária; uma traição vinda do lado amigo; e até uma ressurreição)

Caesar então entende que nenhum dos lados poderia ser 100% detentor da razão pelo simples fato de pertencer a determinada espécie. Sobre a capacidade de fazer coisas ruins, ele conclui: “Eu achava que os macacos eram melhores que os humanos. Mas percebi o quanto somos parecidos”.

Há macacos bons e maus. Há humanos bons e maus. E nada é preto no branco.

Pra mim, essa foi a grande mensagem do filme. Nenhum de nós pode se considerar mais elevado por pertencer a determinado grupo. Pertencer a determinado grupo não dá o direito a ninguém de subjugar o outro. 

Porque, afinal, o verdadeiro “confronto” (como evoca o título do filme) é aquele que acontece dentro de nós, em que tentamos subjugar nosso lado mais destrutivo, pelo bem de uma convivência pacífica com os outros – e porque é isso, afinal, que se espera de seres inteligentes.

A galáxia está em boas mãos (mais ou menos)



Na quinta-feira eu assisti os Guardiões da Galáxia.

Apesar de adorar os heróis da Marvel, nunca li nenhuma história envolvendo esse grupo de heróis, então eu estava sinceramente sem nenhuma expectativa para esse filme (aliás, minha regra para tudo nesta vida). 

Pelo que eu estava acompanhando da produção, no entanto, eu sabia que teria um tom bem diferente dos filmes da Marvel até agora. Talvez seria o filme que se permitiria ser mais quadrinhos, no sentido de poder ser non sense. E claro, dava pra ver que teria BASTANTE computação gráfica e um baita  capricho na caracterização. Sério: uma mulher verde ♥︎, uma árvore gigante e um guaxinim falante. Um GUAXINIM.

Eu simplesmente amei o filme. É muito engraçado, os personagens e os diálogos são incríveis, as batalhas são empolgantes, os efeitos especiais muito bem feitos, a trilha sonora é perfeita. E tem o Andy de Parks and Recreations como o protagonista (!), conseguindo criar um herói atrapalhado sem forçar a barra. Aliás, o que mais gostei foi a idiotice latente dos personagens. Já tá bom de grupo de heróis super-poderosos que levam a vida a sério.



O que é maravilhoso na ficção científica é que ela permite criar mundos e tons muito diferentes. Só pelas histórias que cito aqui já dá pra ter uma ideia: olha a distância entre Guardiões da Galáxia e Planeta dos Macacos! E mesmo assim ambas as histórias honram o gênero sem ficar devendo nada.

Conheço umas pessoas que acham que só é ficção científica se passar em alguns requisitos (que por um acaso são os que compõem o subgênero Hard Sci-Fi), mas que são muito limitadores. Como se para ser ficção científica precisasse explicar tudo e ser “cientificamente correto”. Enquanto isso, eu já acho que se uma história exige um pouco mais da sua suspensão de descrença (ou seja, aceitar que algumas coisas sem sentido são possíveis, como viajar mais rápido que a luz) ela não deixa de ser FC.

Com Guardiões da Galáxia eu joguei minha suspensão de descrença lá pro alto e, francamente, não me fez falta nenhuma. Em nenhum momento eu senti falta de alguma explicação para a escala cósmica das coisas que são colocadas na história, tão bem eles conseguiram me ludibriar. E daí que os vilões são desgraçadamente poderosos, estilo Dragon Ball (como o Marcos bem observou quando terminamos de ver o filme)? 

FC não precisa ter compromisso em ser séria. Aliás, achei Guardiões da Galáxia com o clima de Homens de Preto e de O Quinto Elemento – que também não deixam de ser FC!

Deixa o absurdo rolar. Eu quero é mais absurdo!

Lembrancinha



Essa semana fiz mais um ano. Minha mãe me ligou para dar os parabéns e aproveitou para zoar: “e aí, deu tempo de aprender a soprar velinha?” Óun ♥︎ 

Numa edição passada, eu contei da primeira vergonha que lembro de ter passado na vida, quando na hora do parabéns disseram pra eu soprar a velinha e, como eu não sabia que diabos era “soprar”, acabei ~improvisando~ e dando língua pro bolo. Lembra?

Pois é, o negócio é que temos registro desse momento embaraçoso e resolvi compartilhar com você, aproveitando a ocasião de mais um aniversário. Repara na roupinha. Ai, anos 80.


Lingerie Day



Criaram (homens) um dia para as mulheres postarem no Twitter fotos trajando apenas peças íntimas. Disseram que neste dia podemos nos despir para buscar as migalhas da aprovação masculina. Uau, muito obrigada! Como são generosos!

Disseram que não é um evento revestido de machismo, mas que é, na verdade, libertador. Quem me disse foram homens, então tenho certeza de que é isso mesmo. Afinal, é empoderador a mulher expressar a sua sexualidade – desde que não seja gorda, eles dizem, ou que seja peluda ou deficiente ou feia ou com lingerie bege, porque aí serve só pra esculachar.

Se você criticar o evento, certamente está criticando as minas que participam! Ser contra o evento é ser contra a autonomia das mulheres, contra o direito delas de ficarem nuas quando quiserem e se quiserem! Foi o que me lembraram os gentis cavalheiros quando eu caí no erro de falar mal deste dia.

“Degustadores” de mulheres certamente sabem muito mais do que eu sobre autonomia feminina. Nós feministas temos muito o que aprender com os idealizadores deste evento, pois, aparentemente, fizeram pela libertação da mulher muito mais do que todas as feministas têm feito!

É libertador vestir uma calcinha porque um homem me disse que posso (mas só hoje)! É libertador saber que minhas fotos estão gerando cliques, acessos – e, consequentemente, dinheiro – para os sites dos curadores do evento! É libertador ter acesso a nudez de moças do Twitter por um dia inteiro (isso pra eles, claro). Como deve ser livre a sensação de compartilhar imagens de meninas de calcinha, sem precisar ficar com peso na consciência por compartilhar revenge porn (porque nenhum desses caras iria compartilhar uma imagem dessas sem o consentimento da garota, imagina!). É libertador ter tantos corpos para avaliar! Eis aí um movimento que também liberta os homens. 

Como não percebi antes o quanto este evento é libertador? Como posso desprezar o poder que uma mulher assume quando lhe dizem: pode tirar a roupa!

E lá estamos nós, de lingerie, poderosíssimas. Mas dentro de uma gaiola. Cercadas de homens babando, dizendo como somos lindas e jogando pipoca em nós.

Será que estes senhores me permitem dizer que talvez (mas é claro que é só um palpite; sou mulher, não sei muito bem das coisas) não estaríamos de fato empoderadas se, de lingerie, nuas, vestidas, com o corpo que tivermos, do jeito que quisermos, estivéssemos FORA dessa gaiola? Se for do agrado dos caras, sem dúvidas! Afinal, o que neste mundo não é feito para agradá-los?

***

A Giza Sousa compartilhou,
em seu último post da série #ValorizeAsMinas, uma pá de projetos fotográficos de nudez feminina realmente empoderadores. Essa foto linda, por exemplo, é do projeto Adipositivity.



No post tem o link para outros projetos, cheio de fotos lindas, verdadeiras, humanas, poderosas. Porque a libertação dos nossos corpos pode ser bem mais ampla do que querem fazer parecer durante um dia do ano.

 

Pesquisa eleitoral



Falta um tempo para outubro, mas já começam a sair os primeiros resultados de pesquisa de intenção de voto (o que, pra mim, é o spoiler das eleições! Tira toda a supresa).

Alckmin, em SP, seria eleito já no primeiro turno, com 50% dos votos. Seu governo atual é amplamente aprovado e sua popularidade só cresce. 

Em Brasília, Arruda (aquele que já foi preso, lembra?) está na frente dos outros candidatos, com 32% das intenções de votos. 

Nas mesmas pesquisas, Lúcifer, o Príncipe das Trevas, aparece galgando posições e promete desbancar Alckmin em sua proposta de transformar SP num inferno.

Thanos, o Titã Louco, vai pelo mesmo caminho e vê sua popularidade crescer à medida em que fica mais próximo de coletar as Joias do Infinito que vão lhe permitir executar sua política pública de extermínio de planetas.

Galactus, o Devorador de Mundos, é outra preferência entre os eleitores de Brasília, saudosos de Roriz. A proposta de destruição da Terra apresentada por Galactus é especialmente atraente para os brasilienses.

Dilma e Aécio estão preocupados antes mesmo das campanhas eleitorais começarem. A cada pesquisa, Voldemort ganha mais pontos percentuais e declarou que tem muitos planos para a presidência.

São tantos candidatos bons que estou em dúvida em quem vou votar.
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Um artista chamado Boy Kong faz umas ilustrações na madeira tão lindas e bizarras ao mesmo tempo que acabei me apaixonando. Você pode se maravilhar com outros trabalhos surreais aqui.

Vou parar por aqui para você conseguir ver os links desta edição (foram poucos porque essa semana eu estava muito exigente com as coisas que li. Tá cada vez mais difícil achar coisas interessantes). Além do mais, você tem seus assuntos para cuidar! Não quero atrapalhar.

Até a próxima semana, cuide-se e PLMDDS não vai brincar na jaula do tigre. Especialmente se tiver um tigre lá dentro.

Beijos,


Aline.

Copyright © 2014 Aline Valek :: Escritora, Todos os direitos reservados.


 
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