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É, vocês vão ter que me engolir

Figurinhas, dia das mães e hominhos que não crescem


Oi, <<Primeiro Nome>>! Será que você tem algumas figurinhas que estão faltando no meu álbum? 

É foda, está vindo um monte repetida, mas as que preciso mesmo: nada. Tô doida atrás da figurinha Pontualidade, você conseguiu tirar essa? A da Noção também tá em falta. E estou muito precisada da Calma Gente. Sério, só falta essa para eu completar a página 22 e ganhar um belo tabuleiro de damas. Adoro esses álbuns que dão prêmios, melhores álbuns. Já ganhei uma fruteira de plástico, fiquei empolgadona.

A figurinha do Respeito é a mais difícil, ninguém está encontrando. Dizem que é uma edição cromada e por isso é mais rara; mas não dá pra saber, já que ninguém viu. Deve fazer parte da mesma coleção da figurinha da Responsabilidade. Tá dureza achar.

As que mais saem são a da Carência, a da Sai Que É Roubada, a da Procrastinação e a Tô Sem Tempo. Está procurando algumas dessas? Dá uma olhada. Já sei: posso trocar essa minha da Selfie por essa da Fica Na Sua, o que acha? Pode pegar essa da Desculpa Esfarrapada, é repetida.

Meu álbum tá ficando uma belezura. As minhas preferidas são as figurinhas do Sono, a Sai Daqui, a da Gentileza e a Conversa Constrangedora Que Faz Você Bater A Cabeça Na Parede Toda Vez Que Lembra. E as suas?

Só não sei como podemos achar tão divertido esse negócio de álbum, sendo tão parecido com a vida, esse eterno comprar um monte de pacotinho, nunca saber o que vai sair e ficar vendo uma repetição sem fim até sair aquela que você procura.

É, acho que não vou conseguir completar o meu tão cedo.

Vai ter copa


Algumas pistas de que sim, vai ter Copa:

Power Rangers vai ganhar reboot para o cinema.

Meet & Greet (a.k.a. tietar a banda nos bastidores do show e tirar fotos constrangedoras) com toda a banda Angra por apenas 50 mangos, enquanto a Avril cobrou 800 pra nem relar nas pessoas e ainda faz música ruim. Brasil melhor em tudo.

Em São Paulo, é criada versão gourmet do pão com manteiga. A manteiga é servida em forma de vela aromatizada.

Fiz o teste “Que gênero seria a versão cinematográfica da sua vida?” e tirei Sci-fi.

Jornalista esposa do bilionário dono da Friboi, Neutrox, Seara e Francis diz como é bom ser rica: "Eu chego em casa, meu carro já está abastecido, meu motorista faz isso. Outro dia me perguntei quanto era o litro da gasolina. Não sabia.”

As obras no Estádio Mané Garrincha custaram, até o fechamento desta edição, R$ 1,9 bilhão de reais. 

A Folha disse que risco de racionamento de água em São Paulo está afastado. Ufa!

A Veja declarou que o racismo acabou, talvez pra sempre. Eba!

Vai ter Copa e não vai ser pouca Copa não!!!

Não vai ter copa


Mas há evidências de que não vai ter Copa nem rezando muito:

Marca de roupas de grife Ellus lança camiseta com os dizeres “Abaixo este Brasil atrasado” e famosos desfilam com a blusa na SPFW.

Fátima Bernardes ensina a fazer pão com mortadela numa propaganda: abra o pão, coloque a mortadela, feche o pão.

Meet & Greet com toda a banda Angra por apenas 50 mangos. Não está fácil pra ninguém.

Cantareira chega a 9% de sua capacidade e estou usando isso como justificativa para acumular louça na pia.

Fiz o teste “Quem você é na fila do self-service” e tirei empata-fila.

Escritora vai lançar em junho obra de Machado de Assis simplificada para os adolescentes entenderem.

O secretário-geral da FIFA avisa aos torcedores estrangeiros: “Não apareça no Brasil achando que é a Alemanha, que é fácil se locomover pelo país. Não existem trens, não se pode dirigir de uma sede à outra”.

Crime ocorre nada acontece feijoada.

Alguém nos ajude, Lázaro, a entender!

Que que cê acha, hein?

Relacionamento abusivo e homenzinhos de merda


Esta semana na Carta Capital escrevi um texto muito necessário que eu já queria escrever há tempos: como identificar um relacionamento abusivo. Tem muita mulher vivendo nesta situação, mas não sabe e se sabe tem medo ou não consegue sair dessa. Queria mesmo dar algum tipo de força para essas mulheres e alertar muitas outras para evitarem essa armadilha. 

Clica aqui para ler o texto, e se você puder ajudar compartilhando, agradeço demais. Acho que é importante que mais pessoas saibam disso.

Um dos meus propósitos no blog da Carta Capital é escrever textos não pra ficar batendo cabeça e discutindo com machista convicto, mas sim textos que empoderem as mulheres. Tô cagando pro cara que fica latindo contra feministas e que nem com uma arma apontada pra cabeça vai mudar de ideia. Não é com esse cara que eu quero falar. Minha prioridade é outra. A vida, o bem estar e o empoderamento das mulheres me interessa bem mais (e por falar em empoderamento, o We Can Cast It da semana falou sobre as restrições que a sociedade gordofóbica impõe às mulheres gordas, vai lá ouvir!).

Eu não li os comentários no texto, mas ao passar na página da Carta Capital, vi um cara indignado com o meu texto porque eu não falei dos homens que também sofrem com relacionamentos abusivos! Bem, que ia rolar isso eu já imaginava. Então dei uma risadinha interior por ver como são previsíveis esses caras e escrevi um outro textinho. Esse, sem a menor preocupação de ser educada.

O recado para esses hominhos você pode ler aqui.

Como eu falo no texto, dá até gosto de ver o piti desses caras. Alguma coisa estamos fazendo certo, já que o feminismo é MESMO pra incomodar, especialmente esses filhotinhos-de-machismo. Eles queriam o quê? Um feminismo pra passar a mão na cabeça deles, lavar a louça suja deles e ainda ajuda-los a pegar mulher? Vão peidar na água e fazer bolhas, vão.

Historinha de Dia das Mães


Aproveitando que amanhã é Dia das Mães e que a minha mãe acompanha, lê e até responde todas as edições do Bobagens Imperdíveis (beijos, mãe!), queria contar uma historinha sobre ela, a incrível Dona G.

Em tempos muito remotos, quando éramos apenas eu e meu irmão (a mais nova e minha dopelgänger nem sonhava em nascer ainda, e olha que ela já é maior de idade), ganhamos nosso primeiro video-game. Acho que de Natal? Ou foi numa época em que não éramos tão pobres e meu pai aproveitou uma promoção pra nos fazer um agradinho? Provável que também tenha sido de aniversário para o Roger... era sempre ele que ganhava video-game, já que era “coisa de menino”. 

Não lembro exatamente a ocasião, eu devia ter seis ou sete anos. Mas não importa, né? O que importa foi a nossa empolgação quando chegou aquela caixona com o Sonic estampado. Era o Master System III, que vinha com o Sonic na memória, e era só o que jogamos por um tempo até ganharmos o primeiro cartucho. Sim, video-game de cartucho, que os novinhos não devem se lembrar, mas que às vezes dava “tilt” e que precisava SOPRAR e inserir de novo para ver se funcionava. Que época maravilhosa para se viver.

O Master System III não era o melhor video-game da época, alguns colegas mais ricos já tinham o Super Nintendo. Mas não deixava de ser massa. Lembro a primeira vez que joguei, eu era um desastre. Meu deus, eu não conseguia fazer o Sonic andar AND pular ao mesmo tempo. E meu pai me zoando: “Anda, moça (ele me chamava de MOÇA)! Aperta os dois juntos! Os dois juntos!”. Com o tempo eu fui dominando a arte; mas eu sempre fui bem lentinha pra aprender as coisas.

E é aí que entra a Dona G. Na época ela ainda não trabalhava fora, ficava em casa cuidando da gente. Então ela acabou se apaixonando pelo video-game tanto quanto a gente! Não demorou para ela ficar viciada em Sonic. O que é um mistério para mim é como ela conseguia jogar tendo duas crianças que ainda disputavam entre si o tempo no video-game. Ela usava a autoridade de mãe pra dizer que ela é quem ia jogar? Sério, eu não lembro (mãe, depois me conta).

Só lembro que ela era FODA. Eu nem me incomodava de não jogar e ficar assistindo ela jogar, até porque ela chegava muito mais longe no jogo do que eu conseguia e eu aproveitava pra aprender, né?

Ela dominava, sabia de todos os truques, as localizações de todas as esmeraldas, as manhas para passar de cada chefão. Enquanto ela já estava desbravando mundos subaquáticos e as fases que eu chamava “fases do trovão” (quando o Sonic subia no dirigível do Sputnik), eu ainda apanhava para passar das primeiras fases.

Eu sempre tive trauma com chefões. Não conseguia passar, me dava um desespero, um nervoso. Então eu gritava minha mãe pra me ajudar: “MÃE, CHEFÃO!” E ela vinha lá da cozinha, pegava o controle, PAF, uma porrada no Sputinik, PUM, duas porradas, BAM, três porradas e colocava o vilão pra correr. Eu pegava o controle de volta e libertava os bichinhos, toda feliz.

(Se você acha que com o tempo eu aprendi a lidar com os chefões, errou. Alguns anos mais tarde, quando tínhamos o N64 e eu jogava Zelda, eu gritava o meu irmão para passar dos chefões pra mim. Eu sou MUITO ruim com chefões, sério)

Também rolava de eu pedir ajuda pra minha mãe para ela me dizer como pegar determinada esmeralda ou vidas escondidas. Ela sabia de tudo. Ela era uma enciclopédia do Sonic bem antes de usarmos aquelas revistas que vinham com “Detonados” para ensinar como a zerar o jogo.

Então não demorou muito e PÁ: ela zerou o Sonic. 

Minha. Mãe. Zerou. O Sonic. Primeiro. Que. A gente.

Então não importa o que aconteça na vida, eu sempre estarei um passo atrás dela. Porque se um dia eu zerei o jogo, foi porque ela foi na frente derrubando chefões, pegando esmeraldas e argolinhas. Ela traçou o caminho para a gente ir mais longe.

Dona G, que mulherrrrr.


Lembra, mãe?

E por falar em Dia das Mães, toma link


Três links pra você, <<Primeiro Nome>>:

Este texto da mamain Clara Averbuck dizendo qual o problema dela com esta data.

Esta maravilhosa coleção de diálogos insanos e reais de mães com seus filhos por Whatsapp.

Este documentário da BBC sobre a queda da taxa de natalidade no Japão, o envelhecimento do país e por que os japoneses não querem fazer filhos (às vezes, nem sexo).
 
Se você perdeu alguma edição do Bobagens Imperdíveis, é só clicar aqui! :)

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pensamento da semana

Sério: tem muito bebê por aí que não tem nem um ano e já tem mais foto e vídeo na internet do que eu (e pela historinha que eu contei nessa edição dá pra ter ideia de como sou velha, né).

Então <<Primeiro Nome>>, por hoje é só. Obrigadinha por abrir meus e-mails e permanecer firme e forte comigo a cada final de semana – talvez por isso eu esteja achando muito mais legal escrever newsletter do que blogar.

Não esquece de calçar o chinelo, arrumar o quarto e se for sair, LEVA O CASAQUINHO.

Um beijo Fuleco procê (desengonçado e levemente constrangedor),

Aline.
Copyright © 2014 Aline Valek :: Escritora, Todos os direitos reservados.


 
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