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Opa, tô de volta!

Dom de escrever, bolhas e próximo projeto


Eita semana que passou rápido, né <<Primeiro Nome>>?

Semana passada eu prometi a mim mesma que ia escrever a newsletter com antecedência, mas quem disse que consegui? Enroladíssima.

Mas de certa forma foi bom eu não ter preparado nada durante a semana, assim posso falar de algo que surgiu ontem (ou foi anteontem?) na minha timeline e gostaria de desenvolver melhor por aqui.

Li a seguinte manchete: "Thássia Naves se diz a primeira blogueira a virar escritora". E eu fiquei curiosa para saber quem era. Devia ser uma blogueira bem das antigas, para eu nunca ter ouvido falar, alguém que tivesse sido pioneira nos blogs, tipo a Clara Averbuck. Bem, dei um google e então entendi por que nunca tinha ouvido falar da moça: é blogueira de moda.

Olha, nada contra blogueiras de moda, tenho até amigas que são (mentira, na verdade não), mas achei que ela se dizer a PRIMEIRA blogueira a virar escritora foi um pouco "too much" (apenas para entrar na vibe das blogueiras de muóda, que adoram usar termos em inglês assim do nada).

Ou vai ver foi o/a jornalista que distorceu as palavras dela para criar uma manchete mais sensacionalista que criasse polêmica – e a gente bem sabe como isso acontece, né? Vai ver ela tenha dito que foi a primeira blogueira de moda a a virar escritora. Google de novo: em uma busca rápida, já nos primeiros resultados descobri um outro livro lançado por outra blogueira de moda (que também nunca tinha ouvido falar), a Cris Guerra.

Bem, então nem um nem outro. E convenhamos que blogueiros escrevendo livros não é nenhuma novidade.

O que acontece é que começaram a questionar Thássia Naves como escritora. E até entendo: quem passa por um desses blogs de moda vê como a linguagem dos textos é pobre, cheia de exageros (tema, aliás, do meu texto da semana). Como quem mal escreve um texto na internet pode querer escrever um livro??

Uma possibilidade é a contratação de um ghostwriter. Um escritor que é pago por alguém que não tem tempo ou  desenvoltura para escrever, mas quer lançar um livro. O ghostwriter leva a grana e quem o contratou fica com o crédito do livro. Um negócio que, apesar de ser totalmente informal, rola muito.

Outra possibilidade é: ela mesma ter escrito. Ela pode ser escritora sim, por que não?

Sei que deve doer a ideia de que a escrita, esse trabalho desde sempre glamourizado e colocado no pedestal de uma elite intelectual, é na verdade algo bastante democrático. Qualquer um pode ser escritor – e essa é uma das belezas do ofício.

Não acredito que "se nasce" escritora, que alguns poucos privilegiados pelo cosmos tenha recebido esse "talento", enquanto outros não.

Aliás, isso levanta uma outra questão: quem pode se dizer escritor/escritora? O que é preciso fazer para ser considerado escritor/escritora? É quando se escreve? É quando se tem um projeto literário? É quando consegue uma editora? É quando seu livro é publicado? Tem que ser impresso? É quando a pessoa vive de escrever? É quando a pessoa vive dos seus livros (ainda considerando que, dada o atual mercado literário, muitos escritores reconhecidos como tal não consigam seu sustento somente dos livros)?

E mais: quem é que tem o poder de decidir quem é escritor e quem não é?

É claro que a qualidade do trabalho desse escritor ou escritora pode ser questionada. Mas ser um escritor ruim (ou que alguém considera ruim) não significa que a pessoa não seja escritora.

Mas o meu ponto aqui é que não acho que exista esse negócio de "talento" e que escritor seria alguém que o possui.

É, eu sei. Polêmico. Escrevi um texto sobre isso há algum tempo que gerou várias discussões.

Destaco o seguinte trecho:

Há uma frase de Thomas Mann que um amigo meu adora citar que diz: “um escritor é alguém para quem escrever é mais difícil do que para as outras pessoas”. Faz todo o sentido. É uma pessoa que, não tendo nascido pronta para aquilo, precisa escrever igual uma desgraçada todos os dias, suar os dedos, jogar tudo fora, começar de novo, buscar referências, melhorar, escrever, escrever, escrever. É difícil. Porque escrever bem não é talento, não é dom. É trabalho.

Leia o texto completo: Não acredito em talento

Então é isso. Não acho que a profissão de escritor seja sagrada, ou que para ser escritor você precisa receber esse dom ou vir com o código genético certo. Basta vontade de aprender, vontade de fazer. Trabalho duro.

E tendo isso, qualquer um pode ser um escritor. Até uma blogueira de moda. Até eu. Até você.

Sobre pequenas bolhas e exageros


Neste texto, apresento quatro personagens:
  • Sílvia, blogueira de moda que vê sua vida e as coisas que consome no centro do seu universo;
  • Wilson, publicitário que trabalha 14 horas por dia para encontrar a ideia perfeita, e mesmo as melhores ideias já não são suficientes;
  • Matilde, que acha que pequenos problemas cotidianos são capazes de transformar sua vida inteira em uma grande merda;
  • e Aleixo, que adora reclamar das recalcadas, como se a vida dele fosse assim tão importante e digna de inveja.

O que esses quatro personagens tão autocentrados nos dizem? Por que é tão fácil se sentir grande cercado de coisas pequenas? Quais são essas bolhas que nos prendem e nos fazem perder a verdadeira medida das coisas?

Clique no título para descobrir, lendo o texto completo.
 

Próximo projeto



Já tem um tempo que eu e o ilustrador Douglas Reis estamos gerando em nossas mentes esse projeto, que desde o ano passado começou a entrar no papel (sei que a expressão adequada para algo que se realiza é "sair do papel", mas no caso de um livro, ele se realiza justamente quando entra no papel, né).

É um romance ilustrado (romance não por ser história de amor, só avisando) que irá contar uma história que se passa em um mundo paralelo ao nosso. Vai ter aventura, criaturas bizarras, coisas perturbadoras, alucinações, muitos easter eggs e ilustras fantásticas.

A imagem acima é uma prévia, só pra dar um gostinho. É o estudo de um dos personagens principais da história, feito pelo Doug. Você pode ver outras ilustras e acompanhar o projeto pela página do Douglas Reis Naquele Site Que Não Deve Ser Nomeado.

Aos poucos vou contando mais novidades sobre esse projeto para você. Se tudo der certo, vamos lançar no segundo semestre deste ano, para financiamento coletivo. Ou seja: precisaremos do seu apoio! :D

E por falar em apoio, tô muito feliz com a repercussão do Hipersonia Crônica, já recebi vários comentários de gente que leu e gostou bastante. Fico muito feliz! Se você leu, pode me ajudar a divulgar esse trabalho compartilhando o link, falando sobre o conto nas suas redes sociais, publicando uma resenha, avaliando no Skoob. Se você não achou lá essas coisas (ou odiou), também pode me mandar um email ou a resenha que você fez para eu saber o que você não gostou. Procuro aprender também com as críticas ;)


 

Não clique nesse link

 
Aí que essa semana eu descobri um joguinho de internet altamente viciante, o 2048. E o melhor é que dá pra personalizar o jogo com as imagens que você quiser.

Criei uma versão com meus gifs animados preferidos e fiquei simplesmente hipnotizada.

A merda é que coloquei meu gif preferido para ser o último, então eu nunca vou conseguir vê-lo no jogo. Não consigo passar do gif do Jim do The Office.

Se você quiser preservar sua sanidade e produtividade, não clique neste link.
 
Fora de Lugar é uma história seriada exclusiva para os assinantes do Bobagens Imperdíveis. Sinta-se à vontade para mandar críticas e sugestões - ou ideias! - para a continuidade da história. 

Nos episódios anteriores: <<Primeiro Nome>> é uma criança de 10 anos cujos pais simplesmente sumiram. Dois homenzinhos de uma estranha empresa de limpeza se encarregaram de apagar os vestígios de que os dois já tivessem sido um casal, mas a coisa mais importante deixaram passar. <<Primeiro Nome>> conseguiu fugir e agora se refugia na casa de duas estranhas, uma delas recém-saída da cadeia e cuja presença incomoda os mais moralistas do bairro.


***

Quando Berta chegou do trabalho, Nice estava estranhamente bem humorada. Ela e <<Primeiro Nome>> jogavam baralho na mesa da cozinha, enquanto um cheiro delicioso de assado que vinha do forno perfumava a casa.

Parecia a noite perfeita para Berta enfim contar como acabou trazendo <<Primeiro Nome>> para casa, já que no stress que Nice estava até então, ela poderia ter surtado.

Durante o jantar conversaram amenidades e ainda assistiram a novela abraçadas, como nos velhos tempos. Depois começou a passar um filme de ação que despertou o interesse de <<Primeiro Nome>>. Buscou um cobertor no quarto e se enrolou nele no sofá, onde ficaria até tarde assistindo o tal filme.

Berta e Nice foram fumar no quintal.

– Então você diz que <<Primeiro Nome>> não está mentindo sobre aquela história toda.

– Se mentiu, então eu devo ter imaginado coisas. Entendo a sua desconfiança, porque foi o mesmo que senti quando <<Primeiro Nome>> me contou sobre o desaparecimento dos pais. Faz quase um mês isso. Muita coisa aconteceu desde então.

Berta começou a contar. Quando começou dizendo que encontrou <<Primeiro Nome>> no porta-malas de um carro usado que tinha comprado e já ia levar para o depósito de Calixto, Nice arregalou os olhos do tamanho de dois pires.

– Estava lá dentro, com cara de sono e vestindo um pijama. Não sei a cara de espanto que eu fiz na hora, mas <<Primeiro Nome>> fez uma igual. E aí perguntou onde estava e por que não estava na delegacia. Meu primeiro impulso foi ligar de volta para o Asdrubal, o cara que tinha acabado de me vender o carro. Aquela criança devia ser dele, e devia ter se escondido no carro para fazer traquinagem.

"<<Primeiro Nome>> começou a chorar, disse para não ligar e explicou que Asdrubal não era seu pai nem nada do tipo. Disse que entrou às escondidas no carro dele, porque sabia que ele trabalhava perto da delegacia, que era onde precisava chegar, mas não tinha dinheiro para ir de ônibus e não iam querer dar carona para uma criança sozinha. Mas aparentemente, justo na manhã que tinha uma criança ia escondida a bordo de seu porta-malas, Asdrubal não foi direto para o trabalho, e em vez disso foi entregar o carro para a negociante de carros usados que o tinha comprado. Eu, no caso."

"Perguntei por que precisava ir para a delegacia e <<Primeiro Nome>> respondeu que os pais tinham desaparecido e que dois caras maus estavam à sua procura. Me contou toda a história que a essa altura você já sabe, da qual também duvidei, embora meu coração tenha ficado apertado com a angústia daquela criança. "

"<<Primeiro Nome>> também contou como foi buscar a ajuda de seu amiguinho de escola, no dia seguinte de sua fuga. Mas ele simplesmente não reconheceu <<Primeiro Nome>> e não se lembrava de ser seu melhor amigo na escola. Quando <<Primeiro Nome>> tentou lembrar fatos que provavam que os dois se conheciam, o menino saiu correndo pra dentro de casa, assustado."

"Sem ninguém pra ajudar e sem dinheiro, lembrou que o pai do seu amigo saía todos os dias de manhã bem cedo para o trabalho, perto da delegacia. Foi quando entrou no porta-malas, onde passou a noite e agora estava ali, me contando aquilo tudo."

"Eu achava difícil acreditar, mas se o que <<Primeiro Nome>> precisava era ir à delegacia, eu podia ajudar nisso."

"Fomos no meu carro. Chegando lá, tinha uma fila de atendimento gigantesca, então nos sentamos para esperar. Nos chamaram no balcão para pedir os nossos dados e qual era a nossa solicitação, para saber a que departamento nos encaminhar. 'Meus pais desapareceram', <<Primeiro Nome>> logo explicou. Eu já fiz questão de dizer que encontrei a criança perdida e que só tinha a acompanhado até a delegacia. Não queria me envolver em confusão, claro."

"Então pediram para que esperássemos, que logo iam nos chamar. <<Primeiro Nome>> ficou balançando as perninhas sem parar e percebi que estava morrendo de vontade de fazer xixi, mas estava se segurando. 'Por que não vai ao banheiro, eu fico aqui para o caso de te chamarem. Pode ir', foi o que eu disse."

"Pouco tempo depois que <<Primeiro Nome>> saiu em disparada para o banheiro, reparei na entrada de dois homenzinhos no saguão da delegacia. Eles vestiam um jaleco branco e carregavam uma pesada caixa de ferramentas. Falaram com um dos guardas, mostraram um cartão ou crachá, sei lá, apontaram para os fundos da delegacia e o oficial acenou para que entrassem."

"Eram dois homens pequenos, mas não anões. Muito estranhos. Acompanhei eles com os olhos até que caiu a ficha: era justamente a descrição que <<Primeiro Nome>> tinha me dado! Um deles parou por uns instantes no saguão de atendimento e deu uma boa olhada nas pessoas que estavam ali esperando. Disfarcei para fingir que não estava olhando pra eles. Mas eu estava de olho, Nice. E parecia que eles estavam procurando a criança!"

"Então os dois seguiram pelo corredor. Estavam indo na direção do banheiro onde <<Primeiro Nome>> devia estar, como se fossem encarregados da limpeza ou algo assim."

– Você viu? Você realmente viu os tais homenzinhos?

– Juro pela alma da minha mãe! E eles conversaram com o guarda. Não era só fruto da minha imaginação. Ou da imaginação de <<Primeiro Nome>>.

– Me conta logo, Berta! O que eles fizeram com <<Primeiro Nome>>?

– Eu não estava disposta a descobrir o que eles fariam. Eu tinha que impedir!
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Desenhando cabeças de cabeça

Depois de tanto tempo sem desenhar, estou voltando aos poucos, porque realmente estou muito enferrujada. Desenhar rostos está sendo um exercício interessante para retomar a intimidade com o traço – e até vai permitir que eu explore novos personagens. No desenho acima, a mesma personagem em dois estilos diferentes (e usando as canetas maravilhosas do Marcos Felipe, hihi).

Eu fico por aqui, e espero que aproveite bem o final de semana, <<Primeiro Nome>> – e a semana toda, por que não, né?

Semana que vem tem mais.

Beijos,

Aline.
Copyright © 2014 Aline Valek :: Escritora, Todos os direitos reservados.


 
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