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Então é natal e ano novo tambéééém

Listas

 
 
Tão natalino quanto panettone, Esqueceram de Mim e amigo oculto são as listas de final de ano que começam a surgir em todo canto.
 
Listas de compras: peru, uva passa (céus, como que a venda dessa droga pode ser legalizada?), castanhas, chocottone, nozes, chester, cidra.
 
Listas de presentes: Lego pro sobrinho, celular novo pra mãe, conjunto de bijuteria pra tia, perfuminho pro pai, um CD do Exaltasamba pro amigo oculto da firma, um casaquinho pro cachorro, um enfeite moderninho para a irmã, a caixa de papelão do enfeite moderninho para o gato, etc.
 
Listas dos melhores: músicas do ano, artistas do ano, memes do ano, filmes do ano, tretas do ano, subcelebridades do ano, lugares para enfiar a cabeça depois das vergonhas do ano.
 
Listas de retrospectiva: os momentos que marcaram o ano, as pessoas que morreram no ano, os famosos que aumentaram a família este ano (juro que essa lista é real), as coisas que não sentiremos falta no ano.
 
Listas de metas que permanecerão praticamente todas não-cumpridas: ano que vem não vou mais beber, vou fazer exercícios, vou ler 50 livros, vou parar de ser um cuzão, não vou ser trouxa, não vou procrastinar (aham, sei).
 
Listas são úteis: ajudam a relembrar.
 
Elencam, diante do arregaçamento da nossa memória diante dos acontecimentos, detalhes aos quais vale a pena se apegar. Porque o desânimo, o cansaço e o desgosto esfregam na nossa cara que o ano foi um estrago, foi feio, foi rude.
 
Vê: perdemos pessoas fodas (Suassuna, Vange, Plínio, Chaves, Maya Angelou, Robin Willians, entre tantos), vimos um bocado de tragédias, passamos por um puta stress eleitoral, nos decepcionamos com nossos amigos por opiniões toscas e preconceituosas, tivemos que ouvir muita merda, passar por maus bocados e couberam pelo menos uns cinco anos dentro de 2014. Não foi fácil. Não foi bonito.
 
Mas, sabe-se lá como raios isso aconteceu, sobrevivemos (se eu escrevo e você lê, significa que sim, sobrevivemos).
 
Mas o que nos manteve vivos? Talvez seja hora de resgatar esses momentos, por mais que isso exija algum esforço (reclamar do que deu errado é sempre mais fácil, mais acessível).
 
Tenho uma proposta simples: esqueça as listas de consumo, de retrospectivas pessimistas e metas feitas para cobrir o que você não deu conta de fazer e vamos aproveitar essa famosa época de listas para fazer uma diferente.
 
Uma lista só com as coisas que vale a pena dar destaque; as coisas que você fez, tendo finalizado ou não; as coisas que te surpreenderam; o que você aprendeu este ano (e aposto que não foi pouco); o que te emocionou; as pessoas que te marcaram.
 
Eu mesma fiz a edição de hoje com base em listas assim.
 
Pode acontecer de você ver que, no final das contas, o saldo foi positivo. Porque quando a gente coloca as coisas em perspectiva e tenta olhar para elas com algum distanciamento, a gente consegue se ver melhor.

Pode acontecer de você perceber que existem coisas boas debaixo da correnteza de chorume que força passagem pelas nossas vidas e que, se ela nos inunda, é porque nos entregamos; é como mosquito da dengue: só botam ovos se a de gente deixa nossa água parada.
 
Pode acontecer de você se dar conta que 2014 não foi um “ano mau” e que tal coisa como desejar que anos tragam coisas boas é mais estúpido que achar que a seleção brasileira de futebol masculino vai ganhar só porque é a seleção brasileira de futebol masculino.
 
Pode acontecer de você concluir que é inútil ter feito essa lista, porque a vida é ininterrupta, ela segue – de forma que tanto faz você condensar numa lista as coisas boas que você fez em 2014 ou em cinco anos seguidos, se meses e anos foram invenções nossas para o tempo fazer algum sentido para as nossas percepções e consciências tão limitadas (e semanas inventadas somente para marcar o intervalo entre uma edição de Bobagens Imperdíveis e outra, claro).
 
É aí que você pega essa listinha e: joga pro alto.
 
Faz sentido lista de metas se Aline de 2015 ainda não existe? Faz sentido lista de retrospectiva se Aline de 2014, bem, só te trouxe até aqui? 
 
 
Por que precisamos dividir tempo entre ano novo e ano velho, se só temos o agora – e se o que importa é quem somos hoje?
 
Afinal, é essa pessoa que de fato existe. É ela quem faz coisas, é ela quem se relaciona com os outros. E essa pessoa só existe em um tempo: no presente.
 
Não vamos esperar mais um ano para reconhecer as coisas que fizemos dar certo, o nosso poder de modificar a realidade, o que ainda podemos fazer para melhorar e nos distanciarmos da pessoa que não queremos ser, né?
 
Porque Mão Na Consciência, Aline, precisa ser colocada em prática mesmo nas épocas em que não tem panettone vendendo no supermercado.


 

Bom Conteúdo™ 2014

 

Comecei este ano determinada a não me alimentar de lixo na internet, em não gastar nem meu tempo nem os cliques da minha vida em coisa que não presta. Busquei compartilhar (especialmente por aqui) só coisa bem feita, positiva, projetos bacanas.
 
Aproveitando a edição especial, queria lembrar e prestigiar algumas das pessoas que trabalharam para criar e produzir as coisas boas que tornaram o meu ano um bocado melhor.
 
A essa galera, o meu simbólico troféu Bom Conteúdo™ 2014:


 
:: Agência Pública, que deu um show em jornalismo e sapateou com suas matérias extraordinárias sobre o aborto clandestino, exploração de menores na Copa, assédio na rua e uma cobertura inovadora das eleições.

 
:: Clara Averbuck, Polly e Mari Messias pelo site Lugar de Mulher, um espaço cheio de amor & empoderamento, para falar de feminismo de forma acessível.

 
:: Juliana de Faria, pelo conteúdo sempre muito bem feito do site Think Olga e pela gloriosa campanha contra o assédio Chega de Fiu Fiu alcançando novos níveis.
 

:: Jarid Arraes, pelos textos, matérias e entrevistas de alta qualidade em seu blog
Questão de Gênero.


:: Hianna, que nos brindou com suas precisas e bem-humoradíssimas análises musicais, desde hits pops até jingle de político, no Hiannafork.

 

:: Gizelli Sousa e seu
#ValorizeAsMinas, uma das melhores curadorias de conteúdo feitas atualmente.

 
:: Bruno Leo Ribeiro e seu projeto Album Cover Cover, com versões alternativas para capas de álbuns consagradíssimos feitas enquanto as músicas tocavam.

 
:: Jéssica Ipólito pelo seu projeto Desafio Arte Gorda, um chamado aos artistas para representar e valorizar a mulher gorda.

 
:: Carol Rossetti e suas ilustrações verdadeiras como uma conversa, que quebram os estereótipos que impõem especialmente sobre as mulheres.

 
:: Os podcasts da NPR (em inglês) com programas que compilam em temas as melhores palestras do TED Talks, com uma edição tão bem feitinha que dá prazer de ouvir.

 
:: David Troquier (ou @troqman), pelo melhor perfil de instagram que descobri este ano, com ilustrações fodas e muito inteligentes nas mais diversas situações.

 
:: A coleção The Nib no Medium, com os melhores quadrinhos e tirinhas (em inglês) de humor, crítica social e política, não-ficção e jornalismo ilustrado.
 

(dá licença, que as newsletter merecem um destaque especial; definitivamente 2014 foi o ano das newsletters!)

 
:: Olivia Maia e suas aventuras de viagem, ideias e filosofagens geniais contadas numa das melhores newsletters da atualidade.


 
:: Alex Castro, que concentrou a sua produção de textos sempre intrigantes em uma newsletter que dá gosto de assinar.

 
:: Alliah, que não basta uma newsletter criativa, radioativa e caótica sobre gênero, literatura e cultura pop, tem outra só com textos ficcionais.



::
Alessandro Martins, pela sua newsletter super intimista, exclusiva e pontualíssima aos domingos.


 
:: O apanhado muito bem feito dos melhores textos e análises que estão rolando na internet enviado na newsletter do site Oene.
 
 

A você, Aline os meus mais sinceros votos de Bom Conteúdo em 2015 e sempre!

2014 foi ao ano que

 

… criei, com Clara e Djamila, o Escritório Feminista na Carta Capital.
 
… lancei, junto com Sybylla, a primeira tradução em português do conto pioneiro de ficção científica feminista, O Sonho da Sultana.
 
… eu e Gizelli levamos quinzenalmente ao ar o podcast feminista We Can Cast It.
 
… conheci Luciana Genro.
 
… tietei o Sakamoto.
 
… cortei o cabelo curtinho e agora não me imagino de outro jeito.
 
chorei com Contato, de Carl Sagan.
 
… tatuei um texto de Douglas Adams.
 
… zerei Zelda – A Link to The Past e superei meu trauma de enfrentar chefões sozinha.
 
… resisti bravamente ao clique de indignação.
 
… aprendi a fazer pinturas em aquarela.
 
… lancei o e-book Hipersonia Crônica.
 
… tive um conto e ilustra publicados na coletânea “Amor – pequenas estórias” da Confeitaria.
 
… escrevi 50 mil palavras do meu romance em um mês.
 
… criei Bobagens Imperdíveis – e, junto com você e mais de 1600 assinantes, troquei ideias, contei histórias, compartilhei Bom Conteúdo, conheci gente bacana, escrevi, criei, me diverti e me emocionei ao longo de 45 edições e, mesmo depois de tão longo caminho percorrido, ainda amo chegar semanalmente à sua caixa de entrada, especialmente porque vejo, com bastante ânimo, tanta coisa que ainda dá pra fazer e inventar por aqui. 2015 que nos aguarde.
 
:)
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Aline Noel,
 
Este ano fui uma boa menina. Enviei Bobagens Imperdíveis todos os sábados, sem falta, por 45 semanas (e pretendo continuar assim).
 
Em cada edição, mandei amor, textos inéditos, indicações de links, filmes e livros para espalhar Bom Conteúdo por essa internet véia sem porteira.
 
Respondi aos emails dos leitores, mandei presentes, sorteei brindes. 
 
Fiz tudo isso e vou continuar fazendo sem cobrar nada, de forma que meus textos possam ser acessíveis a qualquer pessoa que os queira ler, assim como minha newsletter sempre chegará de graça nos emails das pessoas que desejarem uma dose semanal de bobagens.
 
Mas se você acha que eu fui mesmo uma boa escritora e mereço um presente neste Natal, considere fazer uma assinatura de R$ 10 por mês – clicando no botão azul deste link.
 
Não estou pedindo nem bicicleta, nem video-game, nem uma coleção de bonecas; apenas um valor que não vai pesar no seu bolso e ainda assim vai garantir que eu possa escrever mais e melhor, com mais tranquilidade, durante o próximo ano.
 
E eu vou ficar muito, muito feliz :)
 
Ah, se você já tinha deixado esse presente maravilhoso debaixo da minha árvore de Natal, saiba que sou apenas amor e gratidão. O seu presente mensal me ajuda a continuar escrevendo para que eu também seja uma boa menina em 2015.
 
Obrigada e um beijo para suas renas,
 
Aline.

 
Esta foi a 1ª parte do especial de Fim de Ano Bobagens Imperdíveis. Semana que vem, uma historinha para fechar o ano em grande estilo. Até a próxima!

Copyright © 2014 Aline Valek :: Escritora, Todos os direitos reservados.


 
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