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Que bom que você sobreviveu a mais uma semana neste planeta!

Lançamento especial, entrevista treta e ilustrações


<<Primeiro Nome>>, eu não poderia estar mais empolgada para falar com você. Isso porque acabei de lançar um e-book, o Hipersonia Crônica! Depois de trabalhar pesado para montar o e-book (nem vou contar a trabalheira que me deu, porque foi uma verdadeira saga com vários episódios), eu venho orgulhosamente apresentar o resultado, que você pode ver neste link

O e-book está disponível para Kindle, Kobo e nos formatos epub, mobi e pdf. E mais: com uns extras especiais, como um prefácio incrível do Alex Luna, capa maravilhosa do Marcos Felipe e estudos de ilustrações inéditas (e até então secretas) do talentosíssimo Douglas Reis. Aliás, só tenho a agradecer a esses caras, não só por terem contribuído para a 2ª edição do Hipersonia Crônica, mas por serem pessoas muito importantes e inspiradoras na minha vida, cada um à sua maneira.

Eu fiz até um vídeo com a leitura de um trecho do livro que praticamente dá a tônica à história (sem spoilers, claro). Essa foi a parte trabalhosa porém divertida de lançar o e-book, espero que goste!

E se você ler e gostar tenho um favorzão para te pedir: fale sobre isso no seu perfil do Facebook! Já contei na primeira newsletter o quanto a empresa do Zuckeberg está trolando os produtores de conteúdo (como eu), restringindo o alcance dos posts – você precisa pagar para que seu conteúdo seja visualizado por uma parcela maior dos seus seguidores. É. As pessoas que escolheram me seguir e que querem acompanhar as atualizações da página não vão ver meus posts em suas timelines. Incrível. Mas enfim. 

Se você falar sobre o Hipersonia Crônica no seu Facebook vai me ajudar a fazer o e-book chegar a mais pessoas! E, sendo autora independente, tendo que cuidar eu mesma de todo o trabalho relacionado ao livro, inclusive a divulgação, isso faz muita diferença.

E é claro que se você ler, vou ficar curiosíssima para saber a sua opinião (sendo ela positiva ou negativa) – que você pode me mandar por e-mail. :)

Nunca mais dou entrevista sobre feminismo


Lembra que falei na newsletter passada sobre uma entrevista que dei para o Dia da Mulher? Foi para o Portal IG e a matéria, apesar de bem resumida, ficou bem legal, com uma boa abordagem. 

O lance é que eu tinha dado uma outra entrevista, sobre o We Can Cast It, para a Folha de São Paulo. Eu estava toda empolgada, né? Poder falar do podcast para um grande veículo seria uma forma importante de divulgar o trabalho que eu e a Giza fazemos. Só que eu quebrei a cara. Feio.

Eu dei uma entrevista de quase uma hora e a repórter resolve colocar na matéria algo que eu NÃO FALEI:
 

“Autêntica feminista”: estou morta. Eu NUNCA diria isso. Isso porque eu jamais defendi ou entendi que existam feministas "autênticas". É um erro e uma coisa muito ruim de ser propagada a respeito do feminismo, ainda mais dando a entender que eu ou a Gizelli tenhamos dito isso.

E outra, essa fala dá a entender que é um problema ser "feia e peluda", o que claramente reforça os estereótipos de beleza que nós questionamos e combatemos. Afinal, a Giza tem um blog especificamente sobre gordofobia (aliás, leia) e eu já escrevi um texto sobre a dificuldade de me aceitar. A distorção fica ainda mais forte com a frase seguinte: "mas há as que criticam os padrões de beleza". Como assim "mas"? Como se nós de alguma forma tivéssemos defendido os padrões de beleza! 

O que a Gizelli falou no We Can Cast It #8, e o que eu falei na entrevista, é que essa visão das pessoas de que para ser feminista não pode ser “feminina” (como passar maquiagem, usar salto, etc etc) não tem nada a ver e não são opostos. Que o feminismo te dá a liberdade de fazer escolhas (que pode muito bem ser deixar de se depilar!).

Agora, isso não foi nem 1% do que falei na entrevista. Falei um monte de coisas mais importantes sobre o podcast e sobre o feminismo e a repórter me coloca isso? Sério? E outra: a matéria também não explica direito a proposta do We Can Cast It. “Entre notícias sobre cultura pop, filmes e quadrinhos, elas tentam quebrar o preconceito” NÃO, KIRIDA, NÃO É ISSO! Nós analisamos a cultura pop, filmes e quadrinhos sob uma perspectiva feminista, coisa que eu frisei MAIS DE UMA VEZ.

Fora isso, a matéria foi extremamente superficial, e senti que a abordagem foi mostrar que as feministas também se preocupam em ser bonitas e em arranjar homem. Tem um trecho sobre a luta das mulheres negras que a reportagem diz: 



Não estou dizendo que as aspas da entrevistada, a Zaíra Pires, sejam falsas, mas a repórter ter escolhido justamente esse trecho e ainda falando sobre “luta contra a solidão”, como se fosse a prioridade das feministas lutar para ter um homem para chamar de seu, diz bastante sobre a matéria que ela quis construir.

Sem falar do trecho sobre o transfeminismo, uma luta importantíssima e que precisa ser visibilizada, que foi resumida a um parágrafo e jogada para o final da matéria, também falando sobre (adivinha) estereótipos de beleza. Tenho certeza que a entrevistada falou litros de coisas mais importantes, mas, de novo, a jornalistona pinçou aquilo que convinha para o lixo de matéria que ela quis escrever.

A merda é que eu dei a entrevista por telefone (coisa que NUNCA deve ser feita), então nem tenho como provar que minha fala foi distorcida. Mandei um e-mail questionando a jornalista e ela teve a cara de pau de dizer que ela discorda que o que saiu na matéria esteja em desacordo com o que ela ANOTOU do que eu falei. Mano. Que mulher desonesta. Tô aqui jogando praga pra ela ter uma caganeira brava. O fim de semana inteiro.

Daí ontem eu vi outro bom exemplo de jornalista distorcendo a fala de entrevistado, pra você ver como não é difícil encontrar essa prática entre os jornalistas, especialmente aqueles dos grandes veículos.

Saiu n’O Globo a seguinte manchete: “Lula diz que poderá voltar a disputar a presidência em 2018”. Aí fui ler a matéria e tudo o que Lula disse foi “em política nunca devemos dizer nunca”. Ele não disse que irá disputar a presidência em 2018. Daí fui atrás da matéria original, da Gazeta do Povo, para ver se realmente ele tivesse dito algo que desse margem para essa manchete tão cheia de certezas d’O Globo (ele deu a entrevista por e-mail). 

As diferenças começam pelo título, que na Gazeta do Povo foi mais próxima do que Lula realmente falou: “Lula descarta candidatura este ano”, coisa que realmente pode ser afirmada, já que, ao ser perguntado se existe a possibilidade de ser candidato este ano, ele deixou bem claro que não. Detalhe que sobre 2018, Lula ainda disse: "Até lá espero que surjam novas lideranças. Eu acho que já cumpri minha missão na Presidência.” O cara diz que já cumpriu sua missão na presidência e, de alguma forma, o jornalista d’O Globo entendeu que isso significava que ele deverá voltar a disputar a presidência em 2018? Oi??

O que me chamou a atenção aí não foi nem o fato de Lula querer disputar ou não a presidência novamente, o que não vem ao caso, mas o fato de como os jornalistas colocam palavras na boca das pessoas.

Por esse motivo, nunca mais dou entrevistas sobre feminismo. “Ai, mas o feminismo precisa ser levado ao grande público”. Tem um monte de feministas que pode falar muito bem sobre o que os jornais quiserem saber sobre o feminismo, eu não preciso me envolver nisso. Pra ter que lidar com jornalista desonesto de graça? Pra no final das contas parecer que tô endossando algo com a qual não concordo? Pra depois dar alguma merda e as outras feministas acharem que eu tô queimando o filme do movimento? Não, obrigada. 

 

Por falar em We Can Cast It



No programa desta semana, eu e a Giza conversamos com a escritora Clara Averbuck sobre o desprezo às mulheres na literatura, seja como escritoras, como protagonistas ou como leitoras. Sobre como são glorificados homens que escrevem o mesmo gênero de literatura que, quando escrito por mulheres, é inferiorizado. Sobre como as editoras limitam o público para o qual destinam as obras escritas por mulheres. Sobre as críticas sexistas destinadas às escritoras mulheres (a Clara contou experiências pessoais) e sobre mais um montão de coisa interessante.

A conversa foi uma delícia (e caprichamos na trilha sonora), além de falar sobre várias questões importantes e provocações para o meio literário, que ainda invisibiliza MUITO as mulheres.

Na mesma semana que foi ao ar este programa, saiu uma matéria falando sobre “os novos talentos da literatura fantástica nacional”. Sabe quantas mulheres a matéria citou? Uma. No podcast a Giza citou outras DEZ escritoras brasileiras de literatura fantástica. Mulher escrevendo, em todos os gêneros da literatura, é o que não falta.

O “novo capítulo da literatura brasileira” (como disse a matéria cheia de escritores homens) não pode ser mais um espaço de exclusão das mulheres. Já chega.
 

Meu portfólio de desenho!


Finalmente tomei vergonha na cara e comecei a organizar minhas ilustrações em um cantinho só pra elas, que você pode ver aqui.

Comecei a fazer isso aos poucos, então com o tempo vou colocando mais. :)

Há muito tempo eu cheguei a acreditar que um dia seria uma ilustradora profissional. Eu praticava bastante, desenhava sempre, e até cheguei a dar aulas. Mas a vida, <<Primeiro Nome>>, ela aconteceu, e acabei seguindo outro rumo – e, consequentemente, fui deixando de desenhar e perdendo toda a prática, toda a malemolência pro negócio.

Daí quando eu conheci o Douglas (sim, o mesmo de que falei lá em cima) na faculdade, eu simplesmente deixei de me considerar "desenhista" ou "ilustradora". Aquele cara sim, era um ilustrador, e eu estava muito longe (em comprometimento e em técnica) de merecer esse "título". Ainda hoje acho que estou. Mas como tenho desenhado bastante para o meu blog, meio que me animei a voltar a ilustrar, o que significa praticar, praticar e praticar. Vamos ver se agora vai.

Amostra do desenho que fiz para o Pedro, ganhador do Desafio Flappy Valek que fiz aqui pela newsletter. Beijos, Pedro!

Para usar em situações de emergência


Por que escrevi esse texto:
Eu fiquei muito puta com a resposta da Riachuelo às acusações de que sua campanha do Dia da Mulher seria racista. A empresa bateu o pé, não pediu desculpas, tentou justificar o racismo da sua propaganda e, pra completar o combo do rebosteio, disse que as pessoas é que não entenderam a propaganda. É mole? Daí eu lembrei que, ao ter dito alguma merda, também já tentei justificar meu erro e hoje entendo o quanto isso só piora as coisas. É difícil pedir desculpas sem usar o "mas" para tentar justificar nosso erro, mas é preciso tentar. Então escrevi esse texto, primeiramente, para sempre me lembrar disso. Além disso, coloquei o que eu gostaria que tivesse sido a resposta da Riachuelo, em um universo ideal em que eles realmente tivessem tomado consciência do erro deles.
Fora de Lugar é uma história seriada exclusiva para os assinantes do Bobagens Imperdíveis. Sinta-se à vontade para mandar críticas e sugestões - ou ideias! - para a continuidade da história. 

Nos episódios anteriores: Nice saiu da cadeia e já teve que lidar com algumas novidades desagradáveis ao voltar para casa. Mas, para seu alívio, a criança que sua mulher Berta acolheu em casa não foi sequestrada ou algo do tipo, e parece estar à procura dos pais. De qualquer forma, algo naquela pequena presença ainda a incomodava muito.


***

"Um dia meus pais simplesmente sumiram" <<Primeiro Nome>> começou a explicar.

"Eu acordei no sábado e eles não estavam em casa, o que achei bem esquisito, porque eles não me deixariam só sem falar nada, sabe? Primeiro eu procurei em cada canto da casa, abri todos os armários, mas nada. Achei que eles tivessem saído para comprar pão, mas fiquei a manhã inteira assistindo desenho e nenhum dos dois voltou.

Parecia até aquele filme, 'Esqueceram de Mim', mas nunca achei que fosse acontecer comigo. Nem Natal era! Eu cheguei a pegar o telefone pra ligar pra alguém, ou avisar à polícia, mas aí eu lembrei que um dia antes meus pais tinham me dado uma bronca bem brava porque voltei com recadinho da professora anotado na agenda – eu nem estava conversando na sala de aula, não muito, foi totalmente injusto! – e aí isso me deu tanta raiva que fui chorar na cama, que foi quando eu desejei que meus pais sumissem, tipo, pra sempre. Mas eu não queria que isso acontecesse de verdade!

E não foram só meus pais que sumiram, o resto da minha família também! Era como se só eu existisse. Então eu não liguei pra polícia porque teria que contar toda essa história e eles saberiam que foi culpa minha. Eu não queria ir pra cadeia! E nem quero."

– Eu te entendo – Nice interrompeu, achando muito engraçado todo aquele exagero de <<Primeiro Nome>>

"Então passei o final de semana naquela casa vazia. O que foi bom, porque pude comer muita porcaria, jogar quanto video-game quisesse e assistir TV até tarde. Mas no domingo à noite, já era de madrugada, eu estava dormindo quando acordei com um barulho vindo da cozinha. 'Eles devem ter voltado', foi o que eu pensei, então me espreitei até lá para confirmar. Eu poderia ter feito a maior festa e ido gritando 'mãe, pai, onde vocês estavam??', mas depois vi que foi muita esperteza da minha parte ter ido silenciosamente, porque é o que os ninjas fazem e às vezes gosto de imaginar que sou ninja também.

Eu me escondi nas sombras de onde deu pra ver que não eram meus pais, mas dois homenzinhos que eu nunca tinha visto na vida! Eles estavam usando jalecos brancos e eram pequenos, da minha altura, mas eu soube que não eram crianças porque tinham voz de gente grande, sabe?

Eles estavam se servindo de todo leite que estava na geladeira, um deles estava bebendo direto da caixa, coisa que a minha mãe ia ficar maluca se descobrisse. Não dava pra ouvir direito o que eles falavam porque eu estava longe, só deu para entender que falaram alguma coisa sobre "trabalho" e "depressa".

Mas eu ouvi muito bem quando um deles falou 'temos que apagar todas as evidências de que eles já tenham sido um casal', eles estavam falando dos meus pais? Aí outro disse 'inclusive a criança', e o outro respondeu 'principalmente a criança'. Carácoles, eles estavam falando de mim! Então me escondi debaixo da pia do banheiro, esperei eles irem até o quarto e saí de casa pela sala, sem eles me verem.

Mas antes de fugir de casa só com minha roupa do corpo, no caso, uma calça de pijama e uma blusa do meu super-herói favorito, eu peguei um negócio que os homenzinhos deixaram na sofá, isso aqui."

<<Primeiro Nome>> então pegou na estante de livros um pedaço de pano todo torcido e mostrou para Nice. Era uma boina e nela dava para ler: "Buraco Negro Limpeza Expressa Ltda."

– Berta, acho que preciso de um copo de cerveja. Ou melhor, traz a garrafa.

 
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Achei ofensivo

Nossa, tá bom por hoje, né? Cuide-se, beba bastante água e não deixe de ler Hipersonia Crônica! ;)

Até a próxima semana!

Beijos,


Aline.
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