Copy
Muito obrigada por me aguentar no seu e-mail por 10 edições!

Páscoa vândala, Boteco e spoilers


Espero que esteja curtindo o feriado, <<Primeiro Nome>> – ainda que você abra este e-mail só depois da Páscoa. Afinal, deve ter coisa melhor pra fazer do que ficar olhando e-mail no fim de semana, né?

Aproveitando a ocasião especial – esta data que já mudou de significado tantas vezes, já que já foi uma celebração pagã, que passou para uma celebração cristã e agora é mais uma celebração do consumo –, queria ressuscitar um texto que escrevi sobre Jesus e que já me rendeu alguns e-mails bravos de leitores. Pois é, gosto de escrever perigosamente.

De tudo que eu já li sobre Jesus (e eu fiz catequese, lia a Bíblia etc etc), o personagem não parecia estar em consonância com o discurso daqueles que hoje se dizem seus pregadores (só eu acho sádico usar essa palavra se referindo a espalhar a palavra de uma cara que foi – segundo contam, né – literalmente pregado numa cruz de madeira? Risocas).

Aí imagina só se Jesus volta nos dias de hoje sendo o revolucionário que dizem que foi na sua época. Não ia agradar muita gente. Mas acho que para alguém que se propõe a fazer uma revolução, agradar os outros deve ser a menor das preocupações, né.

"Jesus voltou e só anda com gente esquisita. Seu lugar é ao lado dos marginalizados, dos não-aceitos, dos diferentes. Foi visto enrolado numa bandeira de arco-íris na Parada Gay e cercado de amigas com os seios de fora na Marcha das Vadias. Ele, ao contrário dos fariseus dos nosso tempos, não carrega preconceitos mesquinhos, nojo de gente, ódio de pessoas por elas serem o que são. Vejam só, que surpresa."

Você pode ler o texto completo clicando aqui.

E entrando nesse clima achocolatado e cristão de Páscoa, escrevi um outro textinho bíblico essa semana.

Eu, que sou uma verdadeira evangelizadora dos poderes e das promessas redentoras do santo e-book, resolvi revelar a história apócrifa desta forma de ler livros ainda pouco conhecida nos dias de hoje.

"Hoje dizem que Deus entregou suas leis a Moisés em tábuas contendo os 10 mandamentos; mas é claro que não passou de um erro de tradução cometido séculos mais tarde. Não foi numa 'tábua', e sim numa 'tablet'. Afinal, Deus é digital (já que está nas nuvens) e fazia muito mais sentido transmitir os mandamentos em pdf. Ou você acha mesmo que um idoso ia conseguir carregar um monte de tábuas montanha abaixo? Uma tablet é muito mais leve."

Descubra as outras peripécias do e-book nos tempos bíblicos clicando aqui.

A treta do spoiler


Se você acompanha o seriado Game of Thrones, da HBO, deve saber a treta que rolou com o episódio da semana passada. O que aconteceu nele não era surpresa nenhuma para quem leu os livros, mas quem assistiu ao episódio pela HBO (que nem todo mundo tem acesso) não segurou a língua e estragou a festa de quem tem que esperar o episódio estar disponível para baixar e poder assistir no dia seguinte.

Eu, pessoalmente, não tenho nada contra spoilers. Acho uma bobagem esse medo de spoilers e acho que a experiência de consumir uma história vai MUITO além desse fetiche com a surpresa. Mas também acho uma sacanagem soltar spoiler assim em um meio que não vai ter como fugir dele (no caso, a timeline). O engraçado mesmo foi ver uma galera que normalmente reclama de spoilers... soltando spoilers na maior cara de pau! Pra mim foi um claro exemplo de como as pessoas enlouquecem tendo o mínimo de poder possível (no caso, uma informação privilegiada – que nem era tão privilegiada assim, vai. Caramba, o seriado é uma A D A P T A Ç Ã O. Aliás, cê viu que "Homem arruina Game of Thrones com uma série de livros cheios de spoiler"? Eu ri).

Daí que resolvi publicar um texto meu sobre spoilers e por que eles se tornaram tão odiados. Consegui reunir várias informações interessantes sobre spoiler e, como o texto é curtinho, nem vou colocar trecho aqui na newsletter. Você pode ler na íntegra aqui no Medium.

Ah, spoiler importante: coloquei imagens fortes no final da newsletter. Depois não diga que num avisei.

Neil Gaiman eu te amo


Essa semana foi muito corrida pra mim, então eu tava sem muito material pra publicar nessa newsletter. Também não consegui ler muita coisa (que não fosse relacionada a trabalho, infelizmente) para compartilhar links legais, mas li um texto do Neil Gaiman que vale por dez links legais.

É um post do blog dele em que ele responde a uma carta de um leitor e fã de George R. R. Martin, que se vê no direito de cobrar o escritor de terminar logo a série de livros.

"George R. R. Martin is not your bitch", é a resposta de Neil Gaiman. "Como se você tivesse assinado um contrato com ele ao comprar o primeiro livro: que você pagaria seus dez dólares e que por isso George seria obrigado a passar cada hora acordado escrevendo o resto dos livros pra você".

Além de ter dado um belo baile no leitor, Neil Gaiman faz uma bela exposição sobre processo criativo, ainda lembrando de algo que esse modelo de trabalho estabelecido pelo capitalismo nos faz esquecer: "Pessoas não são máquinas. Escritores e artistas não são máquinas."

Leia o texto completo aqui.

Boteco Behaviorista sobre feminismo


Aí que fui convidada pelo pessoal do Boteco Behaviorista para um programa especial sobre feminismo. Foi transmitido ao vivo pelo Youtube, o que me deixou bastante nervosa, apesar de eu já gravar podcasts há um tempo considerável. Poxa, foi ao vivo! Sem edição, como fazemos no podcast! Bem, pelo menos você vai conseguir ver que eu, na verdade, não sei falar.

Apesar do nervosismo e da certeza que falei alguma besteira, adorei participar. Falaram muita coisa interessante e o pessoal do Boteco é muito firmeza. Acho que vale a pena assistir quando tiver um tempinho.

Clica aqui.

"Como encontrar limites em nossas borradas percepções de realidade?"


Esse é um trechinho da resenha incrível que a Sybylla, do Momentum Saga, fez do meu conto Hipersonia Crônica.

Você pode ler a resenha aqui e saber um pouco mais do que ela achou da história. Gostou? Despertou sua curiosidade? Achou interessante? Você pode comprar o e-book aqui e contribuir com esta modesta autora independente que vos fala ;)
Fora de Lugar é uma história seriada exclusiva para os assinantes do Bobagens Imperdíveis. Sinta-se à vontade para mandar críticas e sugestões - ou ideias! - para a continuidade da história. 

Se perdeu os episódios anteriores, clique aqui para entender como <<Primeiro Nome>> se perdeu dos pais e, fugindo de dois estranhos homenzinhos de uma obscura empresa de limpeza, acabou caindo na casa de duas mulheres desconhecidas, uma delas recém-saída da cadeia. A novelinha "Fora de Lugar" foi publicada a partir da 3ª edição da newsletter.


***

<<Primeiro Nome>> assistia TV na sala quando a porta se abriu de uma vez. O homem que entrou de repente falava "tem uns dez carros no meu depósito que não vão se vender sozinhos", mas parou no meio da frase. Ficou confuso ao ver aquela criança no sofá e se perguntou por alguns instantes se entrou na casa certa.

Então Nice veio da cozinha, alarmada pela voz que irrompeu na sua sala. Não ficou nada satisfeita ao ver de quem vinha, ainda mais por ver que ele entrou em sua casa sem nem bater na porta primeiro.

– Calixto.

– Achei que a Berta estava em casa. A gente ficou de repassar o relatório de vendas da semana, sacumé né.

– Sei.

– Mas melhor ainda te encontrar aqui! Soube que você ia sair, mas ainda não tive a oportunidade de te dar as boas-vindas – ele então se aproxima e dá um forte abraço em Nice, que não retribui com a mesma afeição e se limita a dar um sorriso amarelo – Eu até falei com a Berta para fazermos um baita churrascão lá em casa pra comemorar a sua volta! Chamar o pessoal todo, sabe.

– Ah, não precisa se incomodar.

– Não é incômodo nenhum! Incômodo nenhum! – do jeito que ele sorria, todo simpático e bonachão, ninguém diria que ele é uma má companhia.

Como Nice continuou calada, Calixto se virou e espalmou sua mão de dedos gordos na cabeça de <<Primeiro Nome>>, esfregando e bagunçando todo seu cabelo.

– Mas eu não sabia que vocês tinham adotado uma criança! Berta não me falou nada, aquela danada.

– É, nós... sempre quisemos uma criança. – Nice pensou em responder que a criança era de uma irmã ou parente distante, mas logo imaginou que, se não encontrassem os pais de <<Primeiro Nome>> teriam que arranjar uma desculpa para os vizinhos e amigos que justificasse a presença da criança ali por tempo indeterminado.

– O pessoal do serviço social não encrencou com o fato de você ser uma criminosa? Digo, ex-criminosa, né!

Nice corou de raiva. Era impressionante que um trambiqueiro como aquele pudesse apontar o dedo pra ela e dizer que era uma bandida.

– Na verdade, estamos com <<Primeiro Nome>> por um período de testes. Fase de adaptação, sabe? Enquanto isso somos avaliadas também – mentiu.

– Entendo, entendo. Bem, pelo jeito a Berta não chegou ainda. Peça pra ela me bater um fone, certo? E você, coisinha – era para <<Primeiro Nome>> que Calixto olhava – cuide-se, hein!

Calixto morava numa casa enorme. Grande o suficiente para ter, além de uma área de lazer com piscina e churrasqueira, um depósito onde cabia mais de dez carros. A maioria deles era adquirido como forma de pagamento de quem o devia e não tinha como pagar, e que ele revendia com a ajuda de Berta, que faturava uma boa comissão. Lucrar em cima das dívidas que faziam com ele estava se mostrando um bom negócio. Mas Calixto tinha outro em mente.

– Aquela gorda inútil não conseguiu bater as metas do mês, né? – era Lorraine, a namorada de Calixto que berrava da cozinha, ao ouvi-lo chegar.

Onze da manhã e Lorraine já segurava uma taça de martini, arrastando-se languidamente até Calixto envolta em seu robe de seda. Mais do que o próprio Calixto, Lorraine se preocupava muito com a entrada e saída de dinheiro dos negócios dele. Também pudera: seus peitos novos foram pagos com parte da receita da revenda de carros.

– Se a Berta não conseguir desovar esses carros tudo, nossa viagem pra Ibiza, como fica?

– Ah, não se preocupe, amorzinho – Calixto revirava uma gaveta, de onde tirou um papel meio amarrotado. – Nossa viagem está garantida.

Ele riu, olhando para o papel que trazia a imagem de uma criança, um número de telefone e uma atraente palavra aos olhos de Calixto: recompensa.
Se você perdeu alguma edição do Bobagens Imperdíveis, é só clicar aqui! :)

E se curte receber meus e-mails, indique para alguém  - encaminhando esta mensagem ou pedindo para assinar. Vou ficar muito feliz!
♥︎
♥︎
eu avisei!!!

Fiquei impressionada demais com essas imagens esta semana. Explico: uma cobra jovem comeu uma centopéia (até aí zuzo bem, já que algumas cobras comem até outras cobras), mas a centopéia, esse bicho demoníaco, lutou e COMEU A COBRA DE DENTRO PRA FORA.

DEVOROU. A COBRA. POR DENTRO.

Os pesquisadores descobriram esses animais mortos no ano passado na chamada Ilha das Serpentes (!), que fica no meio de um lago da República da Macedônia. Eles constataram que todo o interior da cobra estava ocupado pela centopéia, que não só devorou as vísceras da pobre cobra, como rompeu seu abdômen pra tentar fugir (!). Vi isso aqui (graças ao @rodrigorawr).

Acho que essa perturbadora descoberta é a natureza ensinando uma importante lição. Não que "não desista nunca de lutar" (risos); mas a melhor forma de ensinar a crianças que:

1. Não vai comer qualquer porcaria!

2. Cuidado com o olho gordo na hora de comer!

3. Mastigue bem os alimentos!

Duvido que a criança não fosse aprender a comer direito depois dessa (tá explicado por que não tenho filhos).

não é uma fofa???

Um beijo centopéico (aquele que te toma por dentro),

Aline.
Copyright © 2014 Aline Valek :: Escritora, Todos os direitos reservados.


 
Email Marketing Powered by Mailchimp