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Venha celebrar a possibilidade de errar.

Coragem de ser imperfeita



Não há erro mais feio, mais rude, do que quando a gente não se permite errar.
 
E eu já começo a edição de hoje assim, sendo bem direta, porque aposto que é algo que muita gente precisa ouvir, tanto quanto eu. Você deve saber o quanto sou uma pessoa completamente ansiosa, e que muito dessa minha ansiedade tem a ver com cumprir expectativas. 
 
E se eu falar besteira? E se o que estiver fazendo não ficar bom? E se descobrirem que eu não sei fazer isso direito? E se me pegarem numa contradição?
 
Você também se sente assim? Com um medo paralisante de fracassar? Em dúvida se faz ou não algum projeto com medo de te acharem uma pessoa ridícula? Com a sensação de que, se você pisar na bola, vão te esculachar?
 
Então seus problemas acabaram! Chegou o novo...
 
Não, não chegou nada novo. Mas se chegasse, eu seria uma das dez primeiras a ligar e a levar, inteiramente grátis, um livro de receitas, um pincel extra e um suporte de meias.
 
A real é que não há solução fácil; obviamente a saída vai exigir algum esforço. Tipo quando você vai no médico doida para ele te receitar algumas drogas e tudo o que ele fala é: “olha, a solução é tomar bastante água, fazer atividades físicas e maneirar na alimentação”. Fuén.
 
(e às vezes eu não sei o que é pior: tomar remédio ou praticar regularmente alguma atividade física)
 
Então bem, exige esforço. E mesmo no mundo de Harry Potter, onde as coisas se resolvem magicamente, ainda é preciso falar as palavras certas e balançar a varinha. Nem no mundo da magia tem moleza, viu?
 
Falar de esforço parece acertadíssimo quando estamos falando de pessoas que fazem de tudo para não fracassar, se a gente se esforça tanto para as coisas saírem perfeitas, lindas, para a gente provar que sabe, que consegue, que não somos ridículas.
 
Por isso mesmo, parece que errar exige um esforço maior. Porque exige coragem. Porque exige um esforço para pegarmos todas essas expectativas e ameaças que a gente cria na nossa cabeça, picotar e jogar para cima em um grande ato libertador de foda-seeeee.
 
Não é deixar pra lá, não é fazer de qualquer jeito, não é não se importar. É transformar o erro, essa coisa tão inevitável (desculpa, mas é), em uma possibilidade, em vez de uma limitação. Não é uma postura passiva, a de aceitar o erro, mas sim ativa, de transforma-lo em outra coisa. Vê a diferença?
 
Tá, tentando ser mais prática: já fui criticada por publicar as minhas histórias sem deixa-las de “molho” mais tempo na gaveta. Consideraram um erro esse meu impulso de querer mostrar pra todo mundo o que estou criando.
 
E realmente me dá um puta medo de publicar minhas coisas. Aquela vozinha do “será que está bom o suficiente?” fica me atormentando dentro da minha cabeça e já antecipo todas as críticas possíveis que eu posso receber.
 
Mas se eu não tivesse coragem de escrever e publicar, mesmo sentindo que eu vou ser criticada, como eu saberia o que funciona ou não, o que pode ser melhorado, o que mais eu posso criar com base naquilo? Então dá licença, que eu vou errar sim.
 
Eu sei que vou escrever muita coisa ruim. Eu sei que escrevendo uma newsletter toda semana com um tema diferente a possibilidade de eu não agradar, na verdade, é altíssima. Mas, se o medo de ser criticada me impedisse, eu não teria escrito nada e perdido uma tonelada de oportunidades bacanas e deixado de conhecer pessoas fodas.
 
E sabe uma coisa mágica que eu descobri sobre errar? Prepare-se, porque é revelador!!1!!1
 
Quando você erra… o mundo não acaba! O FBI não bate na sua porta. Não estampam cartazes com a sua cara para expor sua mancada. Se for o caso, você pede desculpas (e como é difícil aprender a pedir desculpas, né? Mas é assunto para outro texto). Mas, no geral, é vida que segue.
 
Acaba que o erro não é tão horrível quanto a prisão de ter que se provar o tempo inteiro como uma pessoa foda, perfeita, que faz tudo certo.
 
A Jarid falou sobre isso neste texto, em que conta o seu processo de escrever e de criar a protagonista do seu novo livro. E eu entendo bem quando ela fala da “síndrome do não boa o bastante”:
 
“Quando você está em um grupo socialmente marginalizado, parece que nada que você faz é bom o bastante. Não basta conseguir passar de ano, você precisa tirar apenas nota 10. Não é suficiente jogar bola e vencer com seu time, você precisa virar a artilheira. (…) 'Se eu vou fazer isso, eu tenho que me dedicar mais do que todo mundo’, você pensa. Não porque você não tenha capacidade, mas sim porque os outros duvidam de suas habilidades, porque nunca esperam que uma pessoa ‘como você’ receba algum destaque positivo."
 
Acho que é uma das coisas mais terríveis que essas opressões tiram de nós: nosso direito de errar! Não só porque é exaustivo acertar o tempo inteiro, mas também porque o erro nos possibilita, nos ensina, nos motiva.
 
E às vezes a gente acha que vai errar, que não vai dar certo, que está ruim, mas aí tem coragem de abraçar a possibilidade do erro e vê que… bem, que deu certo, que ficou bom, que conseguiu.
 
Não dá para fazer algo realmente bom sem uma boa dose de riscos. É como dizem por aí: a sorte favorece os ousados. Eu prefiro dizer que o sucesso favorece os corajosos. E que café sem açúcar é mais gostoso (só para esse parágrafo não ficar tão autoajuda).
 
Riscos nos expõem, deixam a gente se sentindo frágil. Parecemos mais fracos quando erramos, nos sentimos menos no controle. Mas, na boa? Fraqueza também faz bem. Porque o que nos torna vulneráveis pode ser exatamente aquilo que nos torna boas.
 
Então vamos combinar uma coisa? A gente pode errar sim. A gente pode não se adequar às expectativas. A gente pode ser ridícula.
 
Beleza? Então toca aqui:

 
Ops. 

Lançamento d’As Lendas de Dandara, em imagens



Foi na quinta o lançamento do livro As Lendas de Dandara (já dá para comprar online por aqui), escrito pela Jarid Arraes e ilustrado por mim. Foi simplesmente incrível e cheio de gente linda.
 
Se você não conseguiu ir, não se preocupe! Vamos fazer um lançamento online na segunda-feira, dia 27, a partir das 19h, via hangouts. É só se ligar nesta página para pegar o link do hangout, assistir a gente falando sobre o livro e participar com perguntas :) 

Agora dá uma espiada nas imagens dessa noite maravilhosa:

teve a Jarid Arraes sendo maravilhosa


teve exposição com minhas ilustras


foi praticamente um encontro de feministas, a Jules do Think Olga estava por lá!


Jules sendo diva. Ao fundo, Sybylla me consagrando guerreira espacial e eu fazendo os votos


rolou uma conversa bem bacana sobre o livro e sobre mulher na literatura


muita gente linda


Jarid Arraes cantou Bethânia


Só as lindezas do meu ♡


Até difícil escolher uma ilustra que gostei mais de fazer. Mas o ship Zumbi + Dandara (Zundara, como disse a Jarid) vale a foto


 

Alguns dos meus contos de fantasia e sci-fi, lá no blog



Um encontro desastroso com outra forma de vida inteligente e a dúvida: existe vida inteligente na Terra? – Inteligência está em falta no Universo
 
O absurdo está nos pequenos detalhes dessas cinco histórias, como a de uma casa amaldiçoada e a de uma fonte milagrosa no interior – Histórias Reais de um Mundo Fantástico
 
No ano de 3.125, os futuros arqueólogos tentam entender a nossa civilização olhando para as ruínas do consumo: os shopping centers – Templo do nosso tempo
 
Um futuro onde é possível mandar mensagens de celular para pessoas do passado. Como seria conversar com alguém a mais de duzentos anos no futuro? – Troca de Mensagens
 
O Brasil do futuro é mais parecido com a Idade Média. Uma teocracia passa a governar o país, mas as leis não parecem ser boas para todo mundo – Teocracia à brasileira
 
O fim do mundo aconteceu. Finalmente. O problema é que acabou muito antes do previsto e ninguém parece ter percebido isso – Season Finale da Humanidade
Conselhos da Dona Mexerica
 
“Vamos parar com isso de achar que você tem inimigos. Quem tem inimigos é o Batman. Sair de roupa colada pelas ruas dizendo que tem super poderes é tão ridículo quanto achar que você tem inimigos que querem te destruir. Vamos baixar essa bola.”
 
* Dona Mexerica prefere gastar sua energia com pessoas que querem seu bem e seu herói favorito é o Chapolin Colorado. Em uma realidade alternativa, ela é a gata idosa e laranja de uma amiga.

Nas edições passadas

 

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A música que deu o tom desta edição foi esta aqui, da Amanda Palmer.

Essa música me dá uma alegria instantânea, é muito louco. É só eu começar a ouvir que fico felizinha, não importa se eu estiver afundada na merda. Bem, depois me diz se ela faz o mesmo efeito em você ou é só loucura minha.

Acho que um dos motivos para eu me empolgar tanto com essa música é o que ela diz e que eu tomei a liberdade de traduzir do meu jeitinho abaixo:

"Então toca sim a sua música favorita 
especialmente se você errar a letra 
Porque mesmo se suas notas estiverem ruins
não significa que você esteja fracassando! 
(...)
Para de reclamar no seu blog
E para de fingir que fazer arte é difícil
Foca nesses três acordes
E nem precisa praticar todo dia
Você vai diminuir a tristeza de um estranho
Com um pedaço de plástico e madeira
Puta merda, tocar ukulele é fantástico!" 

Mas sério, escuta a música inteira. Dá vontade de tocar esse ukulele que é a vida, mesmo desafinando e errando o tempo. Porque afinal o que importa, mais do que ser perfeito, é tocar alguém. Ou não?

Beijos corajosos,
 
Aline. 
 
 
Copyright © 2015 Aline Valek :: Escritora, todos os direitos reservados.

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