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Vamo ali nos anos 90 rapidinho?

Velharias, elevador e histórias fantásticas


Olá, <<Primeiro Nome>>! Segura na minha mão que hoje vamos fazer um passeio pelo túnel do tempo.

Na edição passada eu contei a história de quando chegou lá em casa o primeiro video-game, um Master System III, e ainda vi alguns links essa semana (já já mostro) que me fizeram lembrar de outras velharias. 

Se você é da minha geração, aposto que vai se identificar com algumas coisas. Se é do time dos novinhos, bem, então acho que vai se entediar (ou se surpreender, quem sabe).

O meu primeiro livro eu escrevi num editor de texto do DOS, um incrível sistema operacional no qual você digita os comandos para fazer as coisas funcionarem. Eu devia ter uns 13 ou 14 anos (eu já era velha quando chegou em casa nosso primeiro computador) e o livro era uma história de intrigas adolescentes não muito diferente desses livros que hoje deixam seus autores trilhardários.

Talvez eu tenha conseguido terminar o livro tão rápido porque na época a internet não me distraía. Internet tinha, mas era discada, o que significava que a gente só podia ligar aos domingos ou depois da meia-noite. Lá em casa também não dava pra usar a internet e o telefone ao mesmo tempo.

Ah, só pra contar o destino que teve o meu primeiro livro: depois que eu terminei, passei pro Word e salvei num disquete. Comecei a escrever outro livro, porque a escola inventou de fazer uma exposição de livros escritos pelos alunos, e eu escrevi um de terror chamado “A Condessa e a Vampira” (que é uma merda não só pelo título, mas na época eu não sabia). Minha melhor amiga estava devendo nota e me implorou para que eu a ajudasse. Eu, boazinha que sou, DEI pra ela o livro que eu já tinha escrito, já que ele “estava sobrando”. Mudei os nomes dos personagens e algumas coisas mais pesadas da história e deixei ela assinar como autora. Quer dizer, meu primeiro livro foi como ghostwriter. Damn.

Eu também era fanzineira. Fanzines eram revistinhas feitas de forma independente e artesanal (muitas ainda são). Primeiro tinha que montar a boneca, que eram as páginas casadas de um jeito que ficariam na ordem certa, frente e verso, na hora de montar e dobrar a revista. Eu fazia tudo na mão, não tinha Photoshop. O máximo de arte digital que tinha eram os textos que eu escrevia no Word, imprimia, depois recortava e colava na boneca. Era assim que eu diagramava. Depois mandava xerocar, montava, grampeava e distribuía para os amigos.

Aliás, olha só o que eu achei:

hahahaha

E, bem antes disso, quando só tinha mato onde hoje é a internet, as redes sociais mais populares do colégio eram os cadernos de pergunta. Funcionava assim: na primeira página você escrevia seu nome numa lista numerada. Daí em cada página tinha uma pergunta na primeira linha, e as pessoas respondiam nas linhas correspondentes ao seu número. Eram perguntas tipo “quem é a sua melhor amiga”, “qual foi a maior loucura que você já fez”, “você é virgem?”, “com quem foi seu primeiro beijo?”, “qual é a sua música preferida”, etc. O caderno então passava de mão em mão, e a pessoa que respondia ÓBVIO também ia olhar as respostas dos outros, principalmente das meninas ou dos meninos de quem eram afim. Era um protótipo analógico de Facebook, um lugar para você expor coisas da sua vida e fuçar a vida dos outros. Rolava até treta por causa das respostas que colocavam nesses cadernos. Sério.

Por falar em namoradinhos e namoradinhas, nessa época surgiu um troço bizonho que eu espero sinceramente que tenha sido extinto: as telemensagens. Você ligava pro serviço, dizia pra quem era e qual era a ocasião, escolhia entre as opções predeterminadas cujo texto tinha mais a ver com o seu sentimento e entre as opções toscas de trilha sonora para completar o pacote do constrangimento. Era uma sensação, todo mundo esperava receber telemensagens da menina ou menino de quem gostavam. Céus, eu já mandei telemensagem. Já recebi também. Inclusive uma vez de um “admirador secreto”, que CERTEZA eram as minhas amigas tirando uma com a minha cara.

Tudo isso aconteceu em um mundo onde coisas como MP3 ou "baixar músicas" eram impensáveis. Isso não nos impedia de fazer playlists personalizadas com nossas músicas preferidas, claro. Rolava muito de pedir fitas emprestadas para os amigos e passar as músicas para uma fita virgem. Uma coisa que eu fazia muito era gravar músicas do rádio, já que era onde os hits do momento eram tocados. Deixava a rádio rolar e ficava a postos, esperando o momento de começar a música que eu queria. Tinha que apertar no momento certo para não pegar as vinhetas ou a voz do locutor. E nossa, como eu odiava aqueles locutores que já começavam a falar antes da música terminar! Argh.

Rebobinando ainda mais no tempo, lembro das provas mimeografadas da escola. A primeira coisa que a gente fazia quando recebia a prova não era assinar o nome, não era ler com atenção as perguntas. Não. Era dar uma boa fungada naquele cheirinho de álcool. O mimeógrafo era uma copiadora manual, que imprimia as cópias a partir de uma matriz escrita à mão pelas professoras em uma folha com papel carbono. Daí elas colocavam a matriz na máquina, colocavam álcool e giravam a manivela. Tinha que dar uma secadinha de leve pra não borrar. As provas eram sempre azuis.

Voltando quase à era mesozóica, bem antes de existirem testes do buzzfeed ou aplicativos de joguinhos para celular, existia um jogo que funcionava numa plataforma também conhecida como origami. A brincadeira era chamada “abre-e-fecha”, mas eu também chamava de “papagaio” (?) e consistia em uma dobradura feita para colocar os dedos. A pessoa dizia um número e a outra abria e fechava o origami com a quantidade de vezes solicitada. Quando parava, a pessoa escolhia uma das quatro facetas internas da dobradura, que continha uma verdade sobre ela ou uma previsão de futuro. 

Olha, eu até fiz um abre-e-fecha para mostrar pra você. Lembra disso? Aliás, se quiser brincar comigo, é só dizer um número de 1 a 10 e uma cor (azul, vermelho, verde ou roxo). Respondo o seu e-mail com a resposta. Aproveita e me diz se você se lembra de outras velharias!


Os tais links



Lembrei da história do meu primeiro livro quando vi essa entrevista com o George R.R. Martin, que revelou escrever As Crônicas de Gelo e Fogo num editor de textos do DOS, em um computador sem acesso à internet. Faz todo o sentido!

Também tem esse texto massa do Tarrasque (não o monstro de RPG, mas quase): se eu tivesse um iPhone em 98.

Aproveitando, tem o meu texto Joelhos Calejados de Lego, cheio de nostalgia com outras velharias da década de 90. É o texto do meu blog de que eu mais gosto.
 

Elevador é o pior lugar para arrumar tretas (em três atos)


1. Você deve ter ouvido falar da Tretónce (traduzindo: a treta da Beyónce) que rolou essa semana. Eles estavam numa festa de gala e, na saída, ela, o marido Jay-Z, sua irmã Solange e o segurança entraram num elevador. As portas mal se fecharam e Solange já partiu pra cima do Jay-Z, irada. Solange rodou a baiana, o segurança ficou desesperado tentando contê-la enquanto apertava todos os botões do elevador, Jay-Z ficou só na defensiva levando porrada e Beyónce fez a estátua, cuidando para que a cauda do seu vestido não entrasse no meio da briga (certíssima). A treta foi muito além do elevador e os internautas com seus super-poderes à altura de um Professor Xavier tentavam adivinhar os motivos da briga… que só deu o que deu porque, bem, elevador têm câmeras!!! Só quem não sabe disso é vilã de novela.

2. Teve uma vez que eu peguei o elevador, como todos os dias, no prédio onde trabalhava. Como sempre, eu tava atrasada e o elevador ia vazio. Naquele dia entrou no elevador comigo um garoto carregando documentos. Devia ter 17 anos no máximo. Na hora em que ele olhou pra mim, parece ter visto a Demi Lovato em pessoa e falou QUE MARAVILHOSO O SEU CABELO, enquanto avançou com a mão. Ele. Pegou. No. Meu. Cabelo. A minha vontade foi a de fazer a Solange e encher de bifa a cara do moleque, gritando NÃO RELA NI MIM DIABO! Claro que eu não fiz nada. Dei dois passos pra trás, falei um obrigada seco e fiquei olhando nervosa pra porta até chegar no meu andar.

3. Capitão América bem sabe como elevador é um péssimo lugar pra tretas. Não vou falar nada, só colocar esse vídeo aqui. Se você ainda não viu o filme, RELAXA que essa cena não tem spoilers.

É por essas e outras que elevador é um negócio TENSO.

a imagem after treta, repare como o segurança está abalado

Historinhas fantásticas


Um zelador de escola muito velho. Uma igrejinha na praia procurada por enfermos em busca de um milagre. Uma cobra gigante comedora de crocodilos. Uma cam girl com voz de desenho animado. Uma casa amaldiçoada.

Todas essas histórias estão no meu texto da semana, sobre histórias reais de um mundo fantástico. E são curtinhas, então dá uma lidinha. 

Eu não tenho nem palavras


Tenho nem o que dizer sobre essas ilustras fodas do artista Kevin Wada, então vou jogar aí pra você, tire suas conclusões.





 
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01hmmm eu amava esse pirulito num tanto

Uôa, que por hoje chega. 

Espero que não tenha achado rápida a newsletter da semana. Foi curta em texto mas plena de sentimentos, pode ter certeza. Se acha que podia ter mais texto, então vai nesse link que lá tem um montão e funciona todos os dias da semana a qualquer hora, não só uma vez por semana.

Além disso, vou ficar felizona se você visitar meu blog, ler meus textos novos, compartilhar. Pelo menos enquanto ainda tem blog, né. Cada vez mais tô vendo que esse negócio de escrever em blog não compensa, mas isso fica de assunto para uma próxima newsletter.

Então fique com meu abraço, cuide-se e não esqueça de rebobinar a fita antes de devolver na locadora.

Beijos nostálgicos,

Aline.
Copyright © 2014 Aline Valek :: Escritora, Todos os direitos reservados.


 
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