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Prepare a pipoca.

Dia de Ver Filmes

Hoje a aula vai ser diferente, turma



A professora chegava na sala arrancando suspiros de cansaço, calando os sussurros e risadas, que davam lugar ao som de cadernos se abrindo.
 
Aluno é um bicho estranho, né? Vai pra escola, mas não gosta quando a professora chega, quando tem dever, quando tem que ficar até o último horário.
 
Estudei numa escola pública que, na época, era uma terra de ninguém. Raro era o dia em que tínhamos todos os horários. Sempre faltava professor; ou porque acontecia algo e eles não iam no dia, ou porque não tinha mesmo professor pra dar aula em alguma matéria.
 
Daí, como não tinha substituto, o negócio era subir aula. Você já ouviu disso, <<Primeiro Nome>>, em subir aula? Se o horário vago era no terceiro, por exemplo, o representante da turma ia lá no professor do quarto ou do quinto horário (que estava em outra turma) e pedia para ele adiantar a aula dele para aquele horário vago.
 
Mas as leis da Física a gente conhece muito bem: é impossível para um corpo docente ocupar duas salas de aula ao mesmo tempo.
 
Então o professor ou professora que aceitava subir aula mandava alguém passar conteúdo no quadro ou algum exercício para a gente se ocupar.
 
Aí a gente tinha uma “aula”, mas sem ser aula mesmo. Ficávamos mais à vontade, sem aquela presença opressora, podíamos conversar. E ainda saíamos mais cedo!
 
A professora, claro, ia lá na sala de vez em quando só pra se certificar de que, sei lá, não tinha aluno matando o outro a canetadas na cara.
 
(e falo sério: uma vez uma professora teve que separar uma briga de alunos de gangues rivais por causa de droga – veja bem o nível – e um golpe de caneta acabou furando a cara dela. Por pouco não pega no olho, coitada. Professor é profissão perigo.)
 
Outra modalidade de ter “aula” sem ter aula era quando o professor ou professora liberava a gente do quadro negro e dos livros e resolvia passar um filme.
 
A turma ia ao delírio. Era como matar aula com a autorização da professora. Era estar em aula e não precisar pensar, afinal, era ver um filme!
 
Mas não pense que a professora fazia isso para se poupar de trabalho ou esforço. Era um puta trampo, naquele colégio, conseguir passar um filme. Primeiro, porque não dava para levar o equipamento de vídeo para a sala de aula. A TV e o videocassete, velhinhos velhinhos, ficavam engaiolados numa sala trancada, porque era bem comum a escola ser roubada, muitas vezes pelos próprios alunos.
 
Então a gente precisava ir para a outra sala – e a professora ainda tinha o trabalho de minimizar as dispersões, de tentar chegar lá com a turma inteira – esperar ligarem os equipamentos e fazer força para entender o filme, apesar da zueira dos engraçadinhos e da péssima qualidade de som e imagem da TV.
 
Por essa razão, foram poucas as vezes que assisti a um filme nesse colégio. Na faculdade, essa modalidade de aula vamos passar um filme hoje, pessoal rolou muito mais.
 
É verdade que na faculdade os professores não precisavam ocupar uma aula passando um filme, isso bem podia ser enrolação, mas com isso acabei aprendendo que os filmes não só divertem e emocionam, como também ensinam. Acho que isso fica mais claro quando vemos um filme na frente da sala, ocupando o lugar de um professor, embora tenhamos crescido diante de telas que moldaram nossa educação.
 
Mas até o Ensino Médio, considerando as circunstâncias de onde eu estudava, a gente não tinha muito essa percepção. Não tínhamos a preocupação de entender por que a professora queria que a gente visse aquele filme.
 
“Vai cair na prova?”, isso e sair mais cedo eram as maiores preocupações. 
 
Deve ser meio frustrante para quem dá aulas tentar instigar algum pensamento enquanto os alunos o veem apenas como alguém que vai dar as respostas prontas, os atalhos.
 
Porque as pessoas são meio viciadas em respostas prontas. Em alguém que lhes diga o que fazer, o que pensar, o que estudar, o que vai cair na prova. Em alguém que chegue com uma opinião formatadinha, com uma conclusão pronta, que elas possam dizer “olha, é isso aqui que eu penso!” em vez de elas mesmas chegarem às suas conclusões.
 
Meus dias naquele colégio ficaram distantes o suficiente para eu entender que aquele ambiente escolar não era o único lugar onde se aprende coisas. Que estou cercada de oportunidades de aprendizagem e de educadores; que ir a outra cidade, abrir um livro, conversar com alguém ou assistir a um filme reservam lições importantes, coisas novas para aprender. E dessa aula eu não quero sair tão cedo.
 
Por isso, resolvi mandar um conteúdo diferente nesta edição. Vou deixar outras pessoas falarem no meu lugar, em uma seleção de histórias que você pode escolher quantas assistir, na ordem e na hora que preferir, de forma que você tire suas próprias conclusões sobre as mensagens contidas nelas. Espero que esses vídeos te deem o que pensar.
 
É por isso que hoje vamos assistir filmes, turma. Bora? 

Sala de vídeo

 

Another Earth
 
Um filme de ficção científica que não é sobre grandes heróis que precisam salvar o mundo, mas sobre pessoas comuns – minha modalidade favorita de ficção científica.
 
Cientistas anunciam a descoberta de um planeta com condições favoráveis para a vida humana, um planeta surpreendentemente próximo do nosso. Quase que simultaneamente ao anúncio, uma jovem se envolve em um acidente de carro que tira a vida de uma mulher e de uma criança – apenas o pai da família sobrevive. A jovem é presa.
 
Nos anos em que ela passa na cadeia, avançam as descobertas sobre o tal planeta. Não é apenas um planeta parecido com a Terra, é um exato reflexo dela e de seus habitantes. O que existe aqui, existe lá. Passa a ser conhecida como Terra 2.
 
Na cabeça de uma jovem que fez algo muito ruim e que está tentando reerguer a sua vida e seguir em frente, isso levanta uma série de questões: se existe outro “eu” em outro planeta, então existe outra chance? Será que o outro “eu” fez escolhas melhores? Existe uma realidade melhor pra mim?
 
Ela participa de um concurso que pretende levar pessoas à Terra 2 e pra mim foi muito marcante o que ela escreveu na redação do concurso, sobre porque ela deveria ser escolhida:
 
“Quando os primeiros exploradores rumaram a Oeste pelo Atlântico, a maioria das pessoas achava que o mundo era plano. A maioria das pessoas pensava que se você navegasse o suficiente para o Oeste, você cairia em direção ao nada. Aqueles navios que iam rumo ao desconhecido não carregavam nobres ou aristocratas. Sua tripulação era composta de pessoas que viviam à margem: loucos, órfãos, párias como eu. Como criminosa, sou uma candidata improvável para a maioria das coisas, mas talvez não para isso. Talvez eu seja a mais provável.” 
 
A Terra 2 pode ser o caminho para sua redenção; mas não do jeito que ela pensava inicialmente.
 
 
 
Mr. Nobody
 
Ficção científica e segundas chances: esses dois temas também estão presentes nesse filme estrelado por Jared Leto. Não é recente, mas se você ainda não viu, recomendo muito.
 
Em Mr. Nobody, conhecemos o último mortal do mundo, um ancião chamado Nemo Nobody, que jura ter 34 anos. Ele parece um tanto confuso com suas memórias, mas quando um repórter invade o quarto dele para entrevistá-lo, ele começa a contar a sua história e aí é nossa vez de ficarmos confusos.
 
Pode parecer meio doido de início, porque a história de Nemo não é linear. Veja, sabemos que estamos aprisionados na dimensão do tempo; só temos acesso ao presente. Não podemos voltar para o passado ou avançar para o futuro. No entanto, Nemo parece ter transcendido essa barreira. A sua vida não segue um caminho só, mas se ramifica em várias possibilidades, e ele conta como se tivesse vivido todas simultaneamente.
 
E se eu tivesse ficado com minha mãe e não com meu pai? E se eu tivesse ido atrás daquela garota? E se eu não tivesse dito aquilo? E se eu tivesse dito “te amo”? E se eu tivesse casado com esta, em vez daquela? E se eu não sofresse aquele acidente? E se eu fosse à Marte? E se? Na cabeça de um garoto, as possibilidades se multiplicam – e ele vive todas.
 
“Não dá pra voltar atrás. É por isso que escolher é tão difícil. Você precisa fazer a escolha certa. Mas e se eu não escolher? Aí tudo continua sendo possível.”.
 
 
 
Pra quem viu Interstellar
 
Ou também pra quem não viu e não se importa com spoilers. Enfim, para você que se interessa por ciência, esse vídeo vale muito a pena.
 
Neil deGrasse Tyson explica não só o final de Interstellar, mas o que faz de Mr. Nobody uma história “impossível”: como seres tridimensionais, podemos nos mover livremente no espaço, nas três direções (esquerda e direita, cima e baixo, frente e trás), mas não podemos nos mover livremente no tempo. Estamos aprisionados a ele.
 
"A ideia de viver em quatro dimensões não deveria ser surpreendente para nós”, ele diz, nos lembrando de que lidamos normalmente com o tempo, mas que não podemos flutuar acima dele, não podemos transcendê-lo.
 
Mas, se fosse possível olhar para o tempo como olhamos para o espaço, então questões básicas e fundamentais para a nossa vida não fariam sentido:
 
“Quando eu nasci? Você sempre está nascendo. Quando eu entrei para a faculdade? Você sempre está entrando para a faculdade. Quando eu morri? Você sempre está morrendo."
 

 
Planolândia
 
Faz um tempo que algum leitor me indicou esse vídeo, não lembro se no Twitter ou por e-mail. De qualquer forma, sou extremamente grata, porque não me canso de ver.
 
Seguindo a piração das questões que o vídeo anterior apresenta, agora é a vez de Carl Sagan nos explicar porque é tão difícil para nós, criaturas tridimensionais, imaginar como seria a existência em uma quarta dimensão.
 
E ele faz isso imaginando um mundo bidimensional: a Planolândia, habitada por seres planos, bidimensionais, sem profundidade. Por esse motivo, os habitantes de Planolândia até se deslocam no espaço para a esquerda e para a direita, para a frente e para trás, mas eles simplesmente não conseguem conceber a ideia de cima e baixo.
 
“Nosso habitante de Planolândia não conseguiria imaginar essa terceira dimensão, mas com certeza pode deduzi-la. Agora aumente todas as dimensões desta história em 1 e teremos algo como a situação que muitos cosmólogos acham que se aplicam a nós. Somos criaturas tridimensionais presas em 3 dimensões; imaginamos que nosso universo seja plano em 3 dimensões, mas talvez ele seja curvo em uma quarta.” 
 
 
 
Crescer sendo negro
 
Muitas pessoas também não conseguem imaginar o que significa crescer sendo negro em um país racista. Estão aprisionados na falta de empatia, como o garoto branco que se recusa a ouvir sobre cotas na universidade porque acredita que “é só estudar que você passa”, como se todas as pessoas estivessem em igualdade de condições.
 
O New York Times está com um canal bem legal de documentários, e um deles traz vários garotos e rapazes americanos contando como é crescer sendo negro nos Estados Unidos.
 
Eles contam uma série de situações de racismo que vivenciaram, como o medo das pessoas quando passavam ao lado deles na rua, ou serem abordados agressivamente por policiais no caminho da escola. Terrivelmente parecido com o que também acontece por aqui.
 
Um dos rapazes diz que é horrível viver num mundo onde a mãe dele precisa ter medo das pessoas que deveriam protegê-lo quando ele sai de casa. Ele também diz que o pai dele vive pedindo para ele tomar cuidado, não porque queira que ele viva com medo, mas porque quer que ele fique atento.
 
Por isso é tão forte e tocante quando um dos garotos, uma criança novinha, diz:
 
“Eu gostaria que as pessoas soubessem que eu sou perfeitamente legal e que eu não vou ferir ninguém ou fazer nada errado”.
 
 

 
O poder da vulnerabilidade
 
Mais um vídeo sobre expandir a nossa percepção: Brené Brown é uma pesquisadora (trabalhou vários anos como assistente social) que fez um estudo sobre conexões humanas e resolveu investigar mais a fundo aquilo que parecia ser a causa das desconexões entre as pessoas.
 
Vergonha. O sentimento de não ser o suficiente, o medo de não corresponder às expectativas, o medo de não ser bom o bastante e acabar sendo excluído, rejeitado pelos outros.
 
Em sua pesquisa, Brené dividiu as pessoas entrevistadas entre as que tinham algum senso de merecimento e as pessoas que duvidavam que mereciam, que não sabiam se eram boas o suficiente. Então ela focou nas pessoas que acreditavam que mereciam. O que elas tinham em comum?
 
“Estas pessoas tinham, muito simplesmente, a coragem de serem imperfeitas. Elas tinham a compaixão de serem gentis consigo mesmas primeiro e depois com os outros, porque acontece que não podemos praticar compaixão por outras pessoas se não conseguimos nos tratar com gentileza. Elas também estavam dispostas a abandonar quem pensavam que deveriam ser a fim de serem quem elas eram, algo que absolutamente você tem que fazer para se conectar. A outra coisa que elas tinham em comum era isso: elas abraçavam a vulnerabilidade completamente. Elas acreditavam que o que as tornavam vulneráveis as tornavam lindas.” 
 
Então ela conta como foi a jornada para entender aquilo que desafiava tudo que ela tinha vivido até então: que a vulnerabilidade contra a qual ela lutava tão ferrenhamente (assim como eu e você) era o caminho para alcançar a criatividade, o pertencimento, o amor. A tão desejada conexão.
 
E é claro que ela conta isso melhor do que eu.
 


 
Sobre criatividade
 
Um vídeo dedicado às pessoas com dúvidas – aquelas que, como visto no vídeo anterior, duvidam que sejam boas o suficiente. Um vídeo curto, com cenas bem interessantes, mas com um texto no qual vale prestar atenção.
 
Aquele momento na vida em que uma pessoa com um trabalho criativo começa a se questionar se o que faz é bom o suficiente e fica decepcionada com aquilo que está fazendo: quem nunca?
 
Só que algumas pessoas nunca superam essa fase, e então desistem. Qual seria a lacuna entre essas pessoas que ficaram no caminho e aquelas que conseguiram chegar no lugar onde moram os bons trabalhos criativos?
 
“Quase todo mundo que conheço que faz um trabalho criativo interessante entrou num período de anos em que viu que tinha bom gosto, mas que isso não era o suficiente, não tinha aquele quê de especial que queria que tivesse. O negócio é que todo mundo passa por isso. É totalmente normal. Mas o mais importante a se fazer é: trabalhar bastante. Fazer um grande volume de criação. Um volume de trabalho grande o suficiente que vai ajudá-lo a preencher aquela lacuna; e então o trabalho que você fizer será tão bom quanto suas ambições.” 
 


 
Simetria
 
Já que as coisas voltam para onde começaram, eis o último filminho que tenho para passar hoje.
 
Um curta-metragem que felizmente não tem diálogos, então você não precisa falar inglês para entender, diferente da maioria de vídeos que indiquei hoje (e desde já peço desculpas por não ter indicado mais coisas em português ou com legendas).
 
Sabe palíndromos? Aquelas palavras ou frases que lidas no sentido normal ou de trás pra frente significam a mesma coisa? Pois é, assim é este filme.
 
Simmetry conta a história de um cara que termina um relacionamento e começa outro, até a fita do Universo rebobinar e vermos a história de trás para frente. As mesmas cenas rodadas ao contrário, surpreendentemente, conduzem a história adiante.
 
Um filme sobre segundas chances? Sobre as escolhas que fazemos? Sobre a possibilidade de voltarmos no tempo? De existir, em outro planeta, dimensão ou atrás do espelho, uma realidade diferente, melhor pra nós?
 
“Por que o passado é diferente do futuro? Porque as leis da Física são simétricas em relação ao tempo.”
 

Dica de leitura

#LeiaMulheres



Li “Desperdiçando Rima”, o primeiro livro da maravilhosa Karina Buhr, e escrevi lá na Carta Capital sobre ele e porque recomendo sua leitura.
 
Fico imaginando alguém que vá encontrar nesse livro de poemas o primeiro contato com o trabalho de Karina Buhr, assim como o clipe “Cara Palavra” foi para mim. Talvez tenha a mesma reação de “whaaat” e se perca entre as poesias, fragmentos e anotações de “Desperdiçando Rima”, como se estivesse encarando o enigma da esfinge, vendo ela te devorar aos poucos, uma página por vez.
 
Mas não há enigma a ser decifrado, embora haja, de certa forma, uma esfinge: em vez de metade mulher, metade leão, há essa mistura doida que é metade cantora, metade atriz, metade escritora, resultando numa porcentagem corretíssima de uma pessoa 150% artista.
 
Assim como a autora, “Desperdiçando Rima” não é sobre uma coisa só porque é um livro de intersecções; entre a música e a literatura, entre a poesia e a crítica, entre o que é pessoal e o que é político.
 

"Bandida", arte de Karina Buhr

Achei


Acho que você ia gostar de saber: cavucando meus arquivos antigos, achei a foto daquela história que contei na edição #61, “Abandono”. Lembra? A história do café-com-leite na Rodoviária?
 

 
É isso.
 
Não compartilho a foto com a intenção de provar o que eu contei, se a incerteza da existência do copo faz parte daquilo que dá sentido ao texto.
 
E também porque a foto mal serve como prova, se eu bem poderia ter ido atrás de um banco de concreto qualquer e posicionado lá um copo de café-com-leite só para dizer “olha, achei a foto”, uma foto que nunca existiu. Será?
 
(não nos esqueçamos da edição passada; somos todos mentirosos)
 
Compartilho a foto porque percebi uma coisa interessante. O copo parecia bem mais solitário e triste nas minhas memórias. Pode ser porque a memória às vezes nos engana, e recordações se aproximam bem mais de histórias inventadas do que de fatos reais. Ou talvez porque a foto não tenha conseguido capturar aquele momento como ele realmente era (também graças à resolução ridícula do meu celular da época).
 
Uma foto nunca mostrará a realidade pura, mas um recorte dela. Nesse quesito, não é muito diferente da nossa memória.
 
(e de nada adiantaria essa nossa loucura de tirar fotos de tudo, porque elas não registrariam os acontecimentos melhor do que registrariam nossas memórias, quando estamos dando, com nossos próprios olhos, atenção àquele momento)
 
O copo parecia mais solitário nas minhas memórias porque a foto não mostrou um mundo de gente ao redor ignorando o copo, em toda a sua tridimensionalidade. É como disse o Carl Sagan no vídeo sobre a Planolândia que indiquei acima: é o custo de ser representado em uma dimensão a menos. Como a projeção de um cubo 3D em uma superfície 2D: a sombra dos traços que vemos não é a representação exata do cubo.
 
Então quando o momento em que encarei o copo de café-com-leite na rodoviária do Plano Piloto (algo tridimensional), foi representado de forma bidimensional (uma foto), muita informação se perdeu.
 
Por isso, pensando bem, acho que a história que contei naquela edição da newsletter consegue se aproximar muito mais da realidade (se ela existiu) do que uma foto consegue. Porque a imaginação, <<Primeiro Nome>>, é tridimensional; ou quadridimensional, quem sabe?
 
Mas talvez eu esteja compartilhando esta foto com você (e só com você) por causa de um desejo profundo e inquieto de que, com esse ato, eu possa apontar para que alguém veja uma coisa que todo o resto ignorou; e assim, quem sabe, diminuir um pouco a solidão do copo. 

Nas edições passadas

 



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Na altura que você estiver lendo esta edição, estarei em Brasília, visitando a família. Portanto, vou passar alguns dias inacessível.
 
Enquanto isso, você pode me falar mais sobre você. Você já respondeu à minha entrevista? Neste link você encontra umas perguntinhas que fiz para tentar te conhecer melhor.
 
Já faz um tempo que criei essa entrevista, então acho que vale postar de novo para o caso de você ainda não ter tido tempo de responder.
 
Até agora foram 362 respostas, e sempre me surpreendo e me emociono com o que as pessoas me falam delas. Eu me sinto desgraçadamente sortuda por conseguir atrair gente tão interessante.
 
Aliás, isso me dá vontade de dar mais espaço para as pessoas leitoras na newsletter. Um espaço onde elas possam contar suas histórias, ideias, opiniões. Algo que reforce o que já é bastante claro pra mim: que estamos entre amigas.
 
(e tem aquilo também de ter vontade de compartilhar com o mundo algo maravilhoso que descobrimos. Quero compartilhar meus leitores entre si, quero todo mundo se amando)
 
Enfim, se você tiver ideias de como isso seria legal, ou se já tiver uma história que quiser compartilhar entre essa turminha de dois mil e duzentas e tantas lindezas, basta responder esse e-mail.
 
Cuide-se e até a próxima.
 
Beijos em todas as suas dimensões,
 
Aline. 
 
 
Copyright © 2015 Aline Valek :: Escritora, todos os direitos reservados.

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