Copy
Aqui tá aquele frio delícia bom pra ficar debaixo das cobertas, e aí?

Cultura da retribuição, entrevistas bacanas e cubo mágico


Olá, <<Primeiro Nome>>, como vai? Esta semana estive me questionando sobre uma coisa e gostaria de estender esta reflexão a você: o quanto eu retribuo para as pessoas que criam, produzem e fazem coisas importantes pra mim?

Sempre que posso, apoio o trabalho dos artistas que admiro, comprando ou financiando suas obras. Como nem sempre está sobrando dinheiro por aqui, porque fácil não está, tento apoiar de outras formas. Dar o meu feedback para a pessoa, contribuir com uma resenha (que pode levar outras pessoas a se interessarem e comprarem a obra), divulgar o trabalho. É o mínimo que posso dar em troca de algo que tenha me entretido, ajudado ou enriquecido de alguma forma.

Mas talvez eu faça esse esforço porque eu saiba o quanto vale ter meu trabalho apoiado e divulgado. Porque ser autora “independente” é, na verdade, depender imensamente das pessoas que consomem e curtem o que você faz. Da mesma forma que depois que eu fiz uma matéria de pesquisa de opinião na faculdade e tive que penar pra conseguir entrevistar pessoas, hoje tento ajudar quem esteja fazendo pesquisas, respondendo os questionários ou ajudando a divulgar, porque sei que aquela pessoa vai precisar de centenas, talvez milhares de questionários respondidos pra poder fazer o trabalho dela.

O negócio é que as pessoas que pensam assim são poucas. Estas, é claro, fazem toda a diferença. Cada e-mail que recebo, cada pessoa que vejo divulgando meus textos, cada um que indica a assinatura de Bobagens Imperdíveis, cada resenha que fazem sobre algo que escrevi, cada um que compra meu e-book e me fazem doações ♥︎, ou até cada um que compra produtos através do banner lateral de publicidade do meu blog (não parece, mas ajuda), todos esses me deixam felizes NUM TANTO e me mostram que ainda compensa escrever. Mas olha, é difícil.

Porque preciso fazer um grande e constante esforço pra divulgar meu trabalho, para as pessoas continuarem entrando no meu blog, para continuarem se interessando pelo o que tenho a dizer, etc etc. É um esforço muito grande para um retorno muito pequeno.

Aliás, cabe um grande parênteses aqui: não basta exigirem tanto e não darem nada em troca, muita gente ainda recrimina quem tenta ganhar dinheiro escrevendo. Esses dias um cara ficou puto com uma amiga escritora ao descobrir que parte do dinheiro arrecadado para a realização do livro ia pra ela. Disse que se sentiu roubado, embora fosse receber o livro pelo qual pagou. Que ideia mais errada essa de que é feio ganhar dinheiro. Escritor agora vai ter que se alimentar de luz? Nem isso, né, por que até conta de luz tem que pagar. Também já vi gente ridicularizando pessoas que vivem de dar palestras. Chamando de charlatãs, oportunistas, materialistas (haha), como se não fosse perfeitamente válido cobrar para transmitir um conhecimento específico a quem estiver interessado em pagar para obter tal conhecimento. Aí fodeu, né. Porque uma das alternativas para a pessoa que vive de escrever é dar workshops, palestras e participar de eventos – porque só venda de livros não sustenta ninguém. Vejo essas coisas acontecendo com os colegas e fico triste, desanimada.

Acredito que isso parte de um comportamento escroto que surgiu não sei exatamente como, mas que se sustenta muito bem até hoje: a de que pagar é coisa de trouxa. Talvez todo mundo tente dar uma de espertão porque vivemos em uma cultura de exploração, e não de cooperação. Mas pensa só num negócio aqui comigo: coisa de trouxa não deveria ser ficar dando visibilidade pra colunista que só fala merda em vez de divulgar o trabalho de pessoas que estejam fazendo coisas legais?

Porque divulgação conta muito, <<Primeiro Nome>>. Quem dera se cada like fosse convertido em reais (infelizmente não migs), mas mostrar aos outros que você curtiu aquele texto que acabou de ler pode levar mais pessoas a lerem, se interessarem e acompanharem o blog também. E quem sabe esses novos leitores possam apoiar um projeto meu no futuro?

Então acho importante fortalecer essa cultura da retribuição. Porque sem isso fica inviável continuar produzindo coisas legais. E aqui não estamos falando de fazer um “favor” a alguém, mas de uma troca mais do que justa. É sobre receber algo e retribuir, dar algo em troca, em vez de só exigir, cobrar, reclamar.

Não posso esperar que alguém que produza ou escreva algo importante pra mim continue indefinidamente um trabalho que recebe pouco ou nenhum retorno. E acho muito triste ver blogs legais acabarem. Se eu não apoiar as pessoas que escrevem bom conteúdo, o que vai restar?
 

Enquanto isso, no Escritório Feminista


Esta semana publiquei na Carta Capital um texto sobre o mito de que mulheres são todas inimigas. Fiz baseado em outro texto meu, mais lúdico, o Recado para as Inimigas, e ainda vi vários textos nessas últimas semanas falando de solidariedade e amizade entre mulheres, então não era um assunto novo. Por isso mesmo fiquei surpresa com a reação e com a repercussão que o texto teve, com milhares de compartilhamentos. Vi no FB várias moças marcando as amigas nas postagens e dizendo o quanto elas eram importantes. Lindo demais de ver. Confira o texto aqui.

Sem falar que esta semana teve episódio novo no We Can Cast It. Eu e a Gizelli conversamos sobre algumas dicas práticas para ser uma pessoa melhor e tentar melhorar o mundo ao seu redor. Recebemos comentários bastante positivos e emocionantes de algumas ouvintes, dizendo o quanto foram tocadas pelo programa. Agradeço muito às pessoas que retribuem com carinho e divulgação o trabalhão que temos para produzir o podcast. Ouça aqui.
 

3 entrevistas bacanudas


Para dar boas risadas com o Rafucko entrevistando o Marcelo Freixo – e conseguindo respostas muito interessantes e com conteúdo mais relevante que muito talk show por aí –, dá uma olhadinha neste vídeo.

Para se inspirar (e dar algumas risadas também) com um pouco da visão sobre brilhantismo dos meus 2 Neils favoritos, o Gaiman e o DeGrasse Tyson, assista esse vídeo aqui.

Para se inspirar e refletir sobre educação e literatura, com a visão do educador Rubem Alves, então assista este vídeo aqui.

De nada.

11 motivos por que nunca resolvi um cubo mágico


Neste dia 19, o Cubo Mágico, ou Cubo de Rubik, completou 40 anos de existência e ganhou até homenagem no Doodle do Google. Bem, eu nunca resolvi um cubo mágico na vida. Mas tenho uma listinha de 11 motivos que explicam porque nunca fiz isso.


1. Porque as cores embaralhadas não estão atrapalhando ninguém.

2. Porque acho que a magia do cubo está justamente na forma fantástica que as cores ficam misturadas.

3. Porque sou contra formar grupos separados em função de cor.

4. Porque o cubo serve para apreciar a beleza que há na desordem.

5. Porque uma vez que você o resolve, não há como deixa-lo “mais resolvido”, mas sempre é possível deixa-lo mais embaralhado.

6. Porque o cubo não me deu seu consentimento para que eu o resolvesse.

7. Porque se o cubo é mágico, ele poderia muito bem se resolver sozinho.

8. Porque ele não vai se abrir e revelar um show de prêmios quando eu o resolver.

9. Porque, depois de resolvido, o cubo não representa mais um desafio.

10. Porque o cubo pode ter outras utilidades e eu estaria limitando seus potenciais ao usá-lo apenas para resolvê-lo.

11. Porque prefiro evitar a fadiga.

Por que ela deixou de se voluntariar em causas humanitárias


Aí o texto que mais me provocou reflexões na semana foi o relato de uma ex-voluntária em causas humanitárias na República Dominicana e Tanzânia.

Bem, você pode ler o texto aqui (em inglês), mas vou traduzir algumas partes em seguida, porque achei o questionamento bastante relevante: o complexo da “pessoa branca salvadora” ajuda mais o próprio ego do que as pessoas oprimidas de fato.

“Não é dito às pessoas brancas que a cor de sua pele pode ser um problema. Depois de seis anos trabalhando e viajando por vários países onde pessoas brancas eram minoria, eu cheguei à conclusão que há um lugar onde ser branco não é apenas um obstáculo, mas algo negativo: na maioria dos países em desenvolvimento”

“Na Tanzânia a nossa missão em um orfanato era construir uma biblioteca. Acontece que nós, um grupo de estudantes bem educados em boas escolas particulares, éramos péssimos nas mais básicas tarefas de construção. Então, toda noite, os homens do lugar tinham que derrubar os tijolos estruturalmente inconsistentes que montamos e reconstruir toda a estrutura para que, quando levantássemos pela manhã, não soubéssemos da nossa falha. Era um ritual diário: remexíamos o cimento e assentávamos os tijolos por mais de seis horas, então desfaziam nosso trabalho à noite, reordenando as camadas de tijolos, e então agindo como se nada tivesse acontecido para que o ciclo continuasse.”

“Basicamente, falhamos no nosso propósito de estar lá. Seria muito mais barato, estimulante para a economia local e eficiente para o orfanato se usássemos o nosso dinheiro para contratar profissionais locais para fazer o trabalho, mas lá estávamos nós tentando erguer paredes desniveladas."

“Veja, o trabalho que fizemos tanto na Tanzânia quanto na República Dominicana foi bom. O orfanato precisava de uma biblioteca e o campo na Rep. Dominicana precisava de fundos e suprimentos para oferecer a crianças soropositivas programas para cuidar de sua saúde física e mental. O trabalho que foi feito não era o problema. O problema era eu estar lá.”

“Acontece que eu, uma garota branca, sou boa em várias coisas. Sou boa em arrecadar dinheiro, treinar voluntários, coordenar programas, contar histórias, flexível e criativa. No papel, eu sou considerada altamente qualificada para fazer trabalho voluntário internacional. Mas eu não deveria. Não sou professora, médica, engenheira ou qualquer outro profissional que poderia dar suporte concreto e soluções a longo prazo para comunidades desses países em desenvolvimento.”

“Eu não quero que uma garotinha em Ghana ou no Sri Lanka ou na Indonésia pense em mim quando ela acordar pela manhã. Eu não quero que ela me agradeça pela sua educação, pelos seus cuidados médicos ou por suas roupas novas. Mesmo que eu esteja oferecendo os fundos para fazer a coisa toda funcionar, eu quero que ela pense na professora dela, na liderança comunitária ou em sua mãe. Eu quero que ela possa ter uma heroína com a qual ela se identifique e possa se relacionar – que se pareça com ela, que seja parte de sua cultura, fale sua língua e com quem ela possa se encontrar no caminho para a escola de manhã.”

“Infelizmente, tomar parte numa missão humanitária internacional em que você não será particularmente útil não é benigno. Isso perpetua o complexo da ‘pessoa branca salvadora’ que, por centenas de anos, assombrou tanto os países que tentamos ‘salvar’ quanto a nossa própria consciência.”
 

Comentários irrelevantes sobre os acontecimentos desnecessauros da semana

 

Cinemas avisam os espectadores antes de entrarem na sala para assistir “A Praia do Futuro”, com Wagner Moura, de que o filme contém cenas de sexo gay e carimbam “avisado” nos ingressos para evitar reclamações futuras.

– Taí um spoiler que só me deu mais vontade de assistir o filme.

Marca de cerveja ruim lança campanha feita por agência de publicidade medíocre anunciando uma liquidação de sapatos para as mulheres, essas loucas consumistas e controladoras, deixarem seus homens em paz assistindo o jogo com os amigos e tomando cerveja.

– Sério, caras? Cresçam.

Deputados evangélicos se manifestam contra lei da palmada.

– Tem alguma coisa viva e que se mexa que esse bando de arrombados não sejam contra?

Roteirista misógino diz em podcast que a Mulher Hulk é meramente uma estrela pornô criada para o Hulk foder.

– Morre, imbecil. Olha a cara de preocupada da She-Hulk pra você.

Se você perdeu alguma edição do Bobagens Imperdíveis, é só clicar aqui! :)

E se curte receber meus e-mails, indique para alguém  - encaminhando esta mensagem ou pedindo para assinar. Vou ficar muito feliz!
♥︎
♥︎


 
Queria que você ficasse com as imagens desse belo e espantoso animal marinho, o Mola Mola, Sunfish, ou tão somente Peixe-Lua.

Imagina só mergulhar ao lado desse que é o mais pesado peixe ósseo conhecido. Um peixe que pode ter mais de 4 metros de comprimento e pesar até 2.300 kg.

Um peixe gigante, de aparência estranha e bidimensional, que quando emerge na superfície para respirar, sua barbatana parece a de um tubarão, mas que é inofensivo para o ser humano: se alimenta apenas de água-viva e de gelatina de zooplancton.

Mesmo que o mais próximo que eu chegue deste peixe seja pela tela do computador, acho incrível saber que ele existe – e que pra ele a novidade somos nós, uma forma de vida que chegou alguns milhões de anos depois do primeiro de sua espécie. É bom nunca nos esquecermos de quem somos na fila da sopa planetária.

Um beijo tão grande quanto um Mola Mola pra você,

Aline.
Copyright © 2014 Aline Valek :: Escritora, Todos os direitos reservados.


 
Email Marketing Powered by Mailchimp