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Mudei a ilustra, o que você achou?

Sorteio, violência e propagandas irritantes


Oba, <<Primeiro Nome>>! Chegamos à 20ª edição da newsletter! Sabe o que significa? Nada!

Mas não é por isso que não vou ficar feliz, afinal, são 20 semanas de assinantes me aturando na caixa de e-mail e isso não é pouca coisa. 

Aproveitando a oportunidade de ter alcançado um número que arbitrariamente revesti de significado, quero fazer algo que tenho pensado em fazer há algum tempo: presentear quem acompanha Bobagens Imperdíveis! 

Para tanto, vou sortear entre os assinantes O Caderno do Desapego: um caderninho de desenho com 64 páginas, muitas delas rabiscadas por mim, com desenhos e textos exclusivos – e com muitas outras páginas novinhas pra você usar à vontade!

Espia:
A capa, rabiscada por mim
A primeira página, reservei um espacinho pra dedicatória

Tá, é um prêmio bobinho, como muitas coisas que escrevo aqui, mas juro que vai com todo o carinho (como cada edição da newsletter, inclusive).

Pra participar do sorteio é jovem, rápido e fácil: basta entrar neste formulário e colocar seu nome e e-mail!

“Mas Aline, você já tem o meu e-mail!” Sim, é verdade, <<Primeiro Nome>>. Eu poderia simplesmente fazer o sorteio com a lista completa dos meus assinantes, mas muita gente que assinou a newsletter não abre os e-mails. E eu quero ter certeza de que o presente vai para alguém que de fato abre e lê os e-mails. Além disso, quero sortear o caderninho entre as pessoas que realmente querem ganhar um negócio todo rabiscado (não é todo mundo que curte, né).

Vou divulgar quem ganhou o sorteio na edição 22 de Bobagens Imperdíveis (enquanto isso, vou rabiscando mais o caderninho, hihi) e mando também um e-mail só para a pessoa avisando. 

Se for você, basta me mandar por e-mail o seu endereço para eu enviar O Caderno do Desapego pelo correio :) Se o sorteado ou sorteada não me mandar o endereço, eu sorteio de novo. Se eu não tiver resposta de novo, affe, aí eu jogo pra cima e é de quem pegar primeiro.

Então boa sorte e obrigada pela paciência & companhia todo fim de semana!

♥︎

Violência e consentimento


Primeiro, assista a este vídeo.

Provavelmente você já deve ter visto, já que ele parte da ideia daquele outro vídeo que viralizou há algum tempo, com dois desconhecidos sendo colocados na frente da câmera para se beijarem – um vídeo que depois descobriram se tratar de uma propaganda disfarçada para uma marca de roupas. E tudo que transformam em propaganda perde a graça. Bem, mas não é o caso desse vídeo, embora seja muito parecido com o do beijo, até no visual.

Neste vídeo os desconhecidos não são instruídos a se beijarem, mas sim a dar um tapa na cara daquele completo estranho ou estranha diante de si. Um tapa. Na cara. De alguém que você nunca viu na vida.



É muito interessante observar a reação das pessoas. Como se comportam antes de dar um tapa. As coisas que falam, como decidem quem vai bater primeiro. Até estabelecem limites ("espere eu tirar o óculos” ou “calma, vou tirar os anéis” ou “pode me bater, eu só não quero sangrar” “haha, eu nunca faria isso!” ou “obrigada por tirar o anel, muito gentil da sua parte!” “viu, eu me importo com você!”). Como são gentis umas com as outras, apesar de não se conhecerem e, bem, terem que estapear a outra mesmo assim.

E aí rola o tapa, um em cada rosto. Elas riem. Perguntam se podem bater mais. Começam a curtir a brincadeira. Dão tapas mais elaborados, com as duas mãos. Outras dão chutes. Fazem uma corrente de tapas. Dão tapas na bunda. Pedem pra outra bater mais forte.

Fica divertido! Elas riem, se divertem, extravasam. E é tão íntimo. Eu diria que isso exigiu bem mais intimidade e confiança do que beijar um desconhecido (coisa que já é tão natural em festas e carnavais). Depois de tanto se baterem, eles se abraçam, se beijam, parecem ter feito um novo amigo.



Como pode rolar tanta intimidade, gentileza e amizade em um tapa?

O objetivo do diretor deste vídeo era justamente explorar a natureza da violência: “um tapa, subtraído de seu contexto violento, é mais íntimo do que um beijo. Um tapa atenuado pela permissão do outro se torna um abraço. Elas constroem um relacionamento nesse momento.”

Achei esse experimento incrível. Porque consegue expor (de uma forma fofa e divertida) algo que temos tanta dificuldade para elaborar: que, basicamente, a violência se define pela falta de consentimento.

Um exemplo no esporte: MMA. Muitos acham o esporte muito violento, porque tem porrada, sangue, o objetivo é subjugar o adversário. Mas quem acompanha e vê com atenção, percebe que não é bem assim. Existem muitas regras que servem para proteger os lutadores. Não existe isso de espancamento até a morte, porque o juiz interrompe a luta com o mínimo sinal de perda de consciência de algum dos lutadores, mesmo que o cara apague apenas por uma fração de segundos. Se o cara é pego numa chave de braço, por exemplo, ele dá um tapinha no braço ou na perna do outro lutador, ou ainda no chão, para sinalizar que “chega, não quero mais, me rendo, você ganhou”. É tipo uma safe-word. O limite do consentimento: o outro tem que parar, a luta é interrompida.

O cara entra no octógono consentindo com o fato de que poderá bater e apanhar, com a consciência dos limites daquele jogo, do que ele pode ou não fazer, e tentar vencer o outro dentro dessas regras.



O futebol, por outro lado, é mais violento. Porque as agressões não fazem parte das regras do jogo, sendo inclusive punidas. Mesmo assim as agressões acontecem, e o pior é que são inesperadas, pegam o jogador desprevenido. Qualquer rasteira por trás, empurrão ou até mordida. Sem falar que a violência do futebol também é praticada pela própria torcida, sendo que ninguém entrou no estádio consentindo em apanhar – embora alguns queiram bater.

Parafraseando o Alessandro Martins, o MMA é mais civilizado porque consiste em dois cavalheiros ou duas damas que concordaram expressamente em se espancar até um dos dois não aguentar mais. Eles não se batem porque se odeiam ou porque querem prejudicar o outro. Por mais que exista rivalidade entre alguns lutadores, é comum no final de uma luta os caras se abraçarem, parabenizarem o outro e ainda pedirem palmas da torcida para o adversário que tenha dado trabalho.

O consentimento sendo a linha que separa a violência da não-violência pode ser observada em outros aspectos da vida. 

O assédio na rua é uma violência porque a mulher que é submetida a essa situação não concordou com isso. Não há como ela sequer expressar seu consentimento para um desconhecido que passa de carro gritando baixaria ou para um estranho que passa por ela praticamente cheirando seu cangote. E lembrando que 1) usar uma saia curta ou decote não significa consentimento 2) os caras que fazem isso não estão nem um pouco interessados no consentimento da moça, portanto, a “graça” que eles veem nisso é justamente cometer um abuso.

Se duas pessoas adultas e conscientes concordam em fazer sexo, bem, aí é sexo. Uma relação, uma troca. Se uma pessoa decide fazer sexo com alguém sem o consentimento dessa pessoa, deixa de ser sexo e se transforma numa violência. É estupro. E lembrando que uma pessoa ter permitido fazer algo sexual uma vez não significa que ela está concedendo permissão automática para tudo, todas as vezes.

Tem casais que curtem se bater, fazem disso um fetiche. Então eles concordam em se amarrar, em infligir dor no outro ou se submeter à dor, impondo suas próprias regras, com limites e consentimento. Sem consentimento, é violência.

Até um beijo ou um abraço dado sem o consentimento do outro torna-se uma violência.

E acho que estamos falhando em ensinar o que é consentimento e saber o que isso significa. Muita gente não entende sequer o básico: que se uma pessoa está inconsciente ou bêbada ela não é capaz de dar consentimento. Que não dizer um “não” não quer dizer que a pessoa consentiu. Que um “não” significa sempre e indubitavelmente um “não” e que a pessoa não está dando o seu consentimento para algo. Que não respeitar esses limites é cometer uma violência.



Chega a ser irônico pensar que um vídeo de tapa na cara possa nos ensinar tanto sobre civilidade e gentileza – algo que só podemos experimentar, como sociedade, por meio do respeito ao consentimento.

Chatice


No Escritório Feminista os telefones não param de tocar! Então, para acalmar os ânimos (e provocar outros tantos), resolvi republicar na Carta Capital meu texto “As Feministas é que são Chatas” e já está bombando.

O curioso é que o texto está completando 2 anos! Tipo, ele já aprendeu a fazer xixi no peniquinho e tudo. E nossa, as coisas não mudaram. 

Outra coisa curiosa é que republiquei este texto justamente quando está circulando outro de uma colunista por aí dizendo que se uma mulher está sozinha é porque ela é chata e não porque está faltando homem, ou algo assim porque nemli & nemlerei (bati o olho nela dizendo que “está tudo bem” na sociedade, engasguei e parei por aí). 

Mas JURO que não foi nada planejado, aliás, nem tem nada a ver com o texto dela, porque eu estou completamente por fora das polêmicas.

Bem, é isso! Se você ainda não conhece esse texto, dei uns tapinhas nele, vale conferir. Se já conhece, divulga e ajude a espalhar a Palavra Feminista. Agradecida!

Escala de irritabilidade
com as propagandas da Copa


Quem gosta de propaganda é publicitário. Mas se nem quando eu trabalhava com propaganda eu gostava, imagina agora então. E, com a Copa, descobri que as propagandas dos trocentos patrocinadores oficiais me irritam tanto que até cabe numa escala de irritabilidade. Desenvolvi uma apurada metodologia (que é dar uma nota de 0 a 10) para analisar o quanto cada uma das propagandas me irrita. Segue.

Sundown: “onde tem sol tem futebol”, musiquinha bacana, com letterings bem bonitos na tela. Ok. É uma propaganda honesta, eu diria. Porque realmente tem a ver protetor solar e futebol. Mas só porque tá cheio de verde e amarelo no filme e ainda colocaram o Fuleco fazendo embaixadinha, vou dar 2 na escala da irritabilidade.

 
Skol: torcedores brasileiros fazendo paródia dos hinos dos outros países para zoar os outros torcedores. Meu deus, essa propaganda é tão ruim que eu vomito um pouquinho na minha boca toda vez que passa (e qualquer gorfada ainda é mais gostosa que esta cerveja). Um monte de brasileiros homens sendo completos babacas, precisa dizer mais alguma coisa? 10,5 na escala da irritabilidade.


Coca-Cola: enquanto a Skol acha bacanérrimo esculachar os gringos, a Coca-Cola mostra a união entre os torcedores de todos os países, uma coisa mais amizade. É simpático. Mas é o MÍNIMO que se espera de uma marca de alcance mundial, né. Mas por ter colocado na propaganda um torcedor beijando uma repórter em referência ao abuso que aconteceu de verdade com uma jornalista em SP, e mostrando como se fosse mó legal, vai levar um 4 só de raiva. Mas se levar em consideração a propaganda da promoção das viagens narrada pelo Luciano Huck, aí é 9.

Brahma: é a patrocinadora oficial, enquanto a Skol entrou de esperta. Mas a propaganda da Brahma é tão “quero ser Coca Cola” que eu meio que não tinha percebido que era de cerveja. Se eu prestasse atenção nas propagandas deles, talvez eu pudesse dar alguma nota. 

Havaianas: Romário compra um par de havaianas, mas só fica com o pé direito, enquanto manda o pé esquerdo pro Maradona. Hahaha, mandar azar pros argentinos, que engrazZZzzZZZ RONC. Que preguiça. E ainda ter que olhar pra sola do pé do Romário + aquele capacho na casa do Maradona com as iniciais dele, tenha dó, é 8 na escala da irritabilidade.

Sadia: se não fosse essa propaganda, eu não lembraria que faz 12 anos que a seleção brasileira ganhou seu último título (porque né, do jeito que falam que a seleção brasileira é foda e invencível, parece que ela ganha toda Copa). Aí um monte de criança com menos de 12 anos pedindo pra que ganhem o hexa PRA ELAS. Bonitinho? Pra mim não. Muito mimadas, isso sim. Onde vai parar essa geração que acha que o mundo tem que fazer as coisas pra elas? Francamente. Criança mimada me irrita num nível 7.

 

Itaú: Fernanda Takai e Paulo Miklos se esguelando num microfone. Muito laranja, verde e amarelo, letras enormes na tela. Já era irritante, aí resolveram colocar vídeos enviados pelas pessoas de seus celulares, pra dar aquele tom de “olha, nossa campanha viralizou”. Mas colocam no meio vídeos com a Cláudia Leitte e Luan Santana, e ainda um cenário cheio de modelos contratados cantando a musiquinha. Viral my ass. É 8,75 na escala da irritabilidade.

Oi: é tanta coisa errada que não sei nem por onde começar. O cara que usa Oi e ~tem mais minutos pra falar~ (dizendo eles) consegue chamar uma galera pro bar. Aí chega uma amiga gostosona (branca e magra, lógico) cumprimenta o Alvinho (sério??) e depois atende o telefone. É um outro cara procurando por ela, sozinho em um bar vazio. E tipo: o bar fica NA FRENTE de onde ela está, tanto é que depois que ela desliga o celular, dá tchauzinho e manda beijo pro cara que está do outro lado da rua. Oi? Super convincente isso de um bar estar lotado e o bar do lado estar vazio. Olha, realmente. E quando a moça “dispensa” o outro cara, o garçom do bar vazio ri da cara do seu único cliente. Oi? E por que raios o cara simplesmente não atravessou a rua para ficar com a galera? Ou chamou a moça pra ir pro bar onde ele estava, já que no bar do Alvinho ela não tinha nem onde sentar? Sem falar que a moça loira é o “prêmio” do cara que usa Oi (mulher sendo usada pra vender até plano de celular, tenha santa paciência!!). Como se as pessoas não usassem Whatsapp ou mensagens pra se comunicar, especialmente pra paquerar. Aliás, como se só homens fizessem ligações e as moçoilas, passivas, só esperassem o homem chegar junto (como tentam mostrar na outra propaganda, com torcedoras estrangeiras). É sem noção, é mentirosa e é machista. O pior é pensar que alguém ganha bem pra criar uma merda dessas. É 10,99 na escala da irritabilidade, mas só porque a escala não vai até o 11.

BONUS TRACK

Neutrogena: não é sobre a Copa, mas como está veiculando bastante nesse período, não poderia faltar na minha escala de irritabilidade. Certo, é uma propaganda de demaquilante. Um lenço pra remover maquiagem. Aí a mulher passa o demaquilante e… continua maquiada! Como sai a sombra e ela continua com maior rimelzão nos cílios? Nem numa fucking propaganda de demaquilante uma mulher pode aparecer sem maquiagem. Olha… Tô jogando a toalha pra esse mundo, igual a mulher do comercial. Aliás, que jogada de toalha mais ridícula a dela. Horrível, horrível, horrível. Irritação nível 9.


muórta

Um texto feito de muitos


Resolvi fazer as indicações da semana de um jeito diferente. Peguei trechinhos de cada texto bacana que li essa semana e costurei em um texto só. 

Você pode escolher a parte que mais te interessar e clicar para ler de onde ele veio (todos os textos são muito bons aliás) ou ainda seguir a legenda e ler os textos indicados da semana pelo título / autor que te agrada. É pra ser maluco mesmo. Sair da rotina, sacumé.

***

Escrevo, penso, digo que nunca mais, bebo, me entrego à primeira que aparece e bebo setenta euros de vodca numa noite. Prefiro sofrer por amor a ter uma vida média, nem bem nem mal passada. Gosto de [1] princesa, correndo, passando rasteira, jogando pedras.

Quando chegou perto do dragão deu três pulos, que ela tinha aprendido no balé, chegou perto do muro, deu um salto de vara, passou por cima da muralha, empurrou para a margem do fosso uma canoa que estava perto, remou com força e foi sair do outro lado.
[2]

Acho que esta é a melhor descrição já dada para a quase mística lula gigante, que já foi citada de Homero, em uma das viagens de Ulisses, ao Antigo Testamento (“nos mares há um dragão”). Pra não dizer dos milhares de relatos de marinheiros e de Melville, que em Moby Dick menciona [3] um pouco de distância para poder gostar das pessoas. 

Não sei se foi o tempo que me deixou assim ou se foi ele que me ajudou a perceber isso, mas agora eu vejo. Que não posso ficar perto demais de quem gosto. Se o faço, corro o risco de gostar demais, esperar demais e aí, inevitável, me decepcionar. 
[4]

Depois de escrever os primeiros capítulos, no entanto, aquela pareceu a mais absurda das ideias. Seria um desastre parecido com, sei lá, o narrador de Machado nos dizer se Capitu traiu ou não Bentinho, ou Nabokov escancarar os pensamentos de Lolita para o leitor. A gente tem que saber o que deve esconder numa história. Naquela história que eu estava começando a construir, ficou claro que [5] "ela é da família” não é afeto, é navalha na carne. Trabalhadoras domésticas precisam de salários justos, condições de trabalho digno, reconhecimento e direito à urbanidade. É preciso deixar de lado o discursos dos favores, dos presentes e dos afetos. [6]


***


[1] “Pedaço de e-mail”, de um tal Alex Luna.

[2] “Procurando Firme”, da Ruth Rocha, autora infantil.

[3] “Essa batalha tão misteriosa”, do Thiago Blumental, na Confeitaria.

[4] “Fique Longe e estará mais perto”, da Tati Lopatiuk.

[5] “A parte que não se deve mostrar”, de Carol Bensimon, na Companhia das Letras.

[6] “Trabalho doméstico: ‘ela é da família’ não é amor, é navalha na carne” da Charô, no Blogueiras Negras.

Quantas pessoas você ama nesse tanto?


Enquanto meu gato Aurélio se dedica a projetos sérios como girar em torno de si mesmo, como contei em uma das edições passadas, o gato Eugênio se dedica unicamente à safadeza de escolher um lugar, encostar e dormir.

Ele gosta tanto de deitar comigo que ele desenvolveu uma alta tolerância a movimentos, já que me mexo muito e mexo bastante com ele (porque ele é muito fofinho, não consigo me segurar!). Qualquer outro gato se irritaria com tanto movimento enquanto só quer tirar uma soneca, mas Eugênio não: adaptou-se à situação adversa apenas para poder ficar mais tempo em um colo quentinho e acolhedor.

Mas ele não se contenta com um colo. Ele sempre procura a minha cabeça. Não poucas vezes eu acordo com a cabeça completamente fora do travesseiro, todo tomado pelo gato, de forma que ele consegue se encostar mais confortavelmente na minha nuca.

Se estou deitada no sofá e ele vem pra cima de mim, seguro ele com firmeza em cima da minha barriga, mas ele tenta se arrastar, devagarinho, para chegar à minha cabeça. Ele só fica satisfeito quando vem deitar na minha cara.

Cheguei à conclusão de que ele faz isso para mostrar que ele me ama mesmo. Que me ama tanto que elegeu a minha face como o lugar mais confortável do planeta.

O engraçado é que este é um sentimento que entendo perfeitamente. De amar tanto alguém que você deitaria na cara da pessoa. Sabe? Quantas pessoas você ama tão loucamente a ponto de deitar na cara dela? Aposto que dá pra contar nos dedos. Ou nas patas.
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E se eu te contar que existe uma criatura praticamente imortal, capaz de se regenerar indefinidamente, mas não é o Wolverine, e capaz de reverter seu envelhecimento, mas não é o Benjamin Button?

A simpática e fotogênica água-viva acima é a Turritopsis nutricula. Faz parte do seu ciclo de vida regular passar da fase imatura (pólipo) para a adulta (medusa) e depois de volta para a fase de pólipo. Isso significa que a T. nutricula não morre de velha, nunca. Só vai morrer de morte matada e se for destroçada, sem possibilidade de se regenerar.


Essa matéria explica: "Os pesquisadores já sabem que um de seus principais truques para rejuvenescer envolve o fenômeno conhecido como transdiferenciação, ou seja, a arte de fazer uma célula adulta, já especializada em determinada função, voltar a adquirir a versatilidade que tinha quando ainda era uma célula-tronco.”

Quer dizer. A morte, como processo natural, não é inevitável para todos os seres vivos, como acreditamos que seja para nós. Se nem a morte pode ser considerada uma certeza certa e certeira, as poucas coisas que consideramos leis imutáveis só são certezas até que alguém descubra que não são. Louco, né.

Mas como nem todas as coisas duram para sempre, me despeço por aqui. Espero que tenha gostado e até a próxima semana!

Beijos gelatinosos e de vida longa pra você,

Aline.
Copyright © 2014 Aline Valek :: Escritora, Todos os direitos reservados.


 
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