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Momento making of!

 
Mise en place. Pronuncia-se mizonplás. Palavra em francês que significa pôr em ordem, colocar à disposição. Preparar os materiais antes de começar a trabalhar. Aprendi vendo Masterchef, óia.
 
Em cozinha, mise en place é picar os ingredientes, descascar, medir, colocá-los todos na bancada, separar as ferramentas e utensílios. Mas todo trabalho tem seu momento mise en place e o meu começa preparando a cabeça, que é, mais do que cadernos ou um computador, minha principal ferramenta.

 
Por isso o café é o ponto de partida ou eu não acordo. Assim que a cafeína faz efeito, abro o computador e começo a me preparar: começo pelo e-mail, e sempre prefiro responder e-mails logo pela manhã, mas nem sempre consigo responder tudo.
 
A manhã também é o momento do dia que eu separo para a leitura, e como os textos que acompanho recebo todos por e-mail (louvado seja o IFTTT para os casos em que o blog ou site não possui newsletter), aproveito e já fico pelo gmail mesmo. Uma coisa muito legal é a newsletter que o Medium manda diariamente com um compilado de textos “recomendados para você”. Faço uma curadoria em cima da curadoria e vou clicando e lendo os mais interessantes.
 
Salvo no Pocket os artigos que mais gostei, ou que fazem parte de alguma pesquisa para algum texto ou história que estou escrevendo, ou que eu vá indicar na newsletter, ou que eu queira ler depois – no computador ou no kobo.
 
O Evernote é o meu grande companheiro de aventuras e fica o tempo todo aberto. É nele que eu escrevo meus textos, ideias e inclusive esta newsletter. Ele permite que eu organize meus textos e notas em cadernos e tags para facilitar a busca depois. Não sou muito de usar o Evernote no celular, mas essa semana eu precisei sair e continuei a escrever um texto que eu comecei em casa, só pra não perder a ideia enquanto estava na rua.
 
No Evernote também mantenho minhas listas de tarefas, para eu saber o que eu preciso fazer todo dia. E o trabalho de escrever envolve muito mais do que ter ideias e escrever. Esse é só o miolo.
 
O trabalho também envolve: responder e-mails e entrevistas, eventualmente participar de eventos, planejar, pensar em estratégias, administrar cronogramas, pesquisar, ler, cuidar da parte operacional (diagramar e-book, montar newsletter, procurar imagem para post, administrar o blog, fazer orçamentos, etc etc).
 
Se não me organizar, é muito fácil me perder e não conseguir fazer nem o principal. Quem quer começar a escrever fala muito de bloqueio e de falta de ideias, mas o que eu acho que realmente atrapalha é a falta de organização e de objetivo no trabalho. Porque ter um monte de ideias e de coisas para escrever pode ser desesperador se você não sabe o que fazer primeiro.
 
Definir prioridades. É a parte mais difícil e mais importante desse mise en place todo.

 
Então eu paro para fazer comida, por volta das 11h e pouco, e almoço assistindo alguma coisinha boba na TV – ultimamente tem sido Ru Paul’s Drag Race, que é tipo um Masterchef, só que com drag queens sendo julgadas em vez de comida. Estou na 3ª temporada, absolutamente viciada e finalmente grata por entender o que significa Shantay you stay e Sashay away que todo mundo falava no Twitter!
 
Depois do almoço eu fico bastante focada em escrever. Se o que estou escrevendo são histórias ou um livro, o que eu uso é o Scrivener, um programa mais profissa que permite que eu organize e visualize bem melhor a estrutura da história, e consiga mexer na ordem dos capítulos como se fossem “módulos”. Além de facilitar a edição, é um ambiente muito mais agradável pra escrever. Foi simplesmente o melhor investimento que eu já fiz (pois é, trabalhar também custa dinheiro :/).
 
Do período da tarde até à noite eu vou intercalando o trabalho com pequenas pausas, sem nenhum critério de tempo ou duração que não seja a medida da minha fome ou minha vontade de fazer outra coisa. O método Pomodoro, que consiste em escrever por 25 minutos sem parar e tirar exatamente 5 minutos de pausa, nunca funcionou pra mim porque eu sempre desobedecia o tempo, às vezes querendo escrever mais do que 25 minutos ou descansar mais do que 5. Então eu simplesmente sigo meu coração!
 
Um dos intervalos fixos é quando, por volta das 16h, vou tomar um banho e depois um café. O banho é importante porque geralmente saio dali com soluções para o que estou fazendo ou com ideias novas, além de um corpinho fresco e novo em folha.
 
Volto a escrever ou ilustrar feito corrida de obstáculos, porque enquanto isso a vida vai acontecendo: pagar contas, lavar louça, brigar com o gato, tirar a roupa da máquina, cozinhar, abraçar o gato, e assim por diante.
 
Lá pelas 20h tô muórta de fome, o que me deixa desesperada e mal-humorada. Geralmente é quando encerro meu expediente, voltando a escrever mais à noite só quando tenho um prazo mais apertado pra cumprir. Aproveito também para ler, mas ultimamente estou tentando ler vários livros ao mesmo tempo, o que me leva a revezar a leitura ao longo do dia todo.
 
Minha rotina de trabalho nem sempre é constante e nem sempre eu sou tão produtiva quanto eu gostaria. Mas eu não sou nenhuma máquina e produzir sem parar não é a finalidade de existir como ser humano, né? 
 
No site My Mourning Routine, é possível conhecer o processo de preparação e de trabalho de outras pessoas, entre escritores, ilustradores, empreendedores, professores, designers e fotógrafos, e quem sabe se inspirar sobre o que assimilar à sua própria rotina.
 
Olhando alguns exemplos no site, tive até vergonha de perceber o quanto eu sou sedentária. Só espero um dia conseguir incluir algum exercício físico na minha rotina, antes que eu atrofie feito a versão desidratada do Voldemort.
 
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No grupo secreto de leitores lá no FB, deram a ideia de eu mostrar minha mesa de trabalho.
 
Ela é decepcionantemente simples, na verdade. 

 
Ao centro: Um computador teoricamente branco, que é onde toda a mágica acontece: textos, ilustrações, pesquisa, conversas. Uma wacom velhinha, mas que nunca me decepcionou (eu chamava de tablet, mas aí vieram os aparelhinhos tipo iPad que se popularizaram com esse nome e tudo ficou muito confuso depois disso). Alguns lápis e canetas que deixo à mão para escrever ou para ter algo para mexer enquanto estou pensando.
 
No canto direito superior: Finn e Rei Gelado, importantíssimos para um dia de trabalho. Três latas cheias de canetas, lapiseiras, lápis, marcadores, canetões e até uma lixa de unha que nunca uso.
 
À sua esquerda: cadernos, muitos cadernos. Os pequenos eu uso para desenhar ou para anotar ideias quando saio na rua. O grande eu uso para escrever. Ele tá acabando e morro de dó de usar os artesanais que ganhei, mas em breve vou ter que criar coragem e meter uns garranchões neles. Um fone de ouvido gigante. Um exemplar d’As Lendas de Dandara, que não canso de olhar para essa lindeza de tanto orgulho do trabalho. Meu kobo, sempre alerta.
 
Faltaram as sujeiras e a bagunça, que deixei de fora do desenho porque affe.
 
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Nunca consigo tomar chá. Adoro o cheiro. Mas nunca consigo tomar. Mas queria tomar. 
 
E por que eu não consigo gostar, meu deus, se é uma infusão? Café também é feito por infusão e eu adoro.
 
Um daqueles E SE que tem tudo pra dar errado surgiu na minha cabeça: e se eu fizesse um café com chá? Será que ia prestar?
 
Café e chá parecem mundos que não se misturam. Entre eles, uma fronteira firmemente delimitada e trespassa-la pode causar uma guerra, a fúria dos deuses, ou tão somente uma gafe gastronômica.
 
Não que eu estivesse inventando algo novo: em alguns países asiáticos, as pessoas fazem bebidas que misturam chá e café. E vi relatos de pessoas que misturam as duas coisas para potencializar o poder da cafeína. E não duvido que nessas cafeterias gourmet devem fazer algo do tipo.
 
Ainda assim, me pareceu um território proibido, uma experiência perigosamente atraente. Atendi ao chamado e fui tentar – mesmo sabendo que se um barista soubesse disso ia querer me dar chineladas na cara.
 
E qual foi a forma que encontrei de misturar a maravilhosidade do café com o aroma apaixonante do chá? Misturando a coagem com a infusão. Gênia.

 
Como fiz: preparei a quantidade de água e pó de café que normalmente uso para a minha caneca individual. Separei um chá cujo sabor achei que fosse combinar com o café (no caso dois: um de frutas silvestres, outro de hortelã).
 
Coloquei a água pra ferver, e assim que as borbulhas de amor começaram, coloquei o saquinho de chá dentro d'água e segurei por um tempo, sem desligar o fogo.
 
Pensei que quem manja de chá fosse me recriminar por essa técnica sem nenhum respeito e nenhuma noção, mas eu tenho meus motivos!!! 1) Não queria que a água esfriasse muito para a segunda etapa do preparo 2) Queria deixar o saquinho tempo o suficiente apenas para pegar um sabor SUAVE na água.
 
Em seguida, despejei a água já com a cor e o cheirinho gostoso no coador, onde o pó do café esperava por esse banho aromatizado. O chá passou pelo filtro carregando o café, e os dois elementos saíram do outro lado do coador como uma só coisa.
 
Experimentei. E sim: chá e café estavam juntos! O sabor do chá ficou no fundo, ou melhor, flutuando com leveza na boca enquanto o café preenchia o resto. Ajudou a identificar o gosto o fato de eu nunca tomar café com açúcar – o açúcar deixa o café com gosto de… açúcar! – e ter usado um tipo de café naturalmente mais adocicado, um especial da Melita sabor do cerrado – não é desses cafés mais comuns, que são super torrados e têm gosto de pano de prato queimado (e por isso as pessoas acostumaram a colocar açúcar, é amargo que dói).
 
O chá de frutas silvestres deixou o café com um fundo frutado bem suave. Talvez eu devesse ter deixado o chá em infusão por mais tempo. Mas gostei do resultado.
 
O chá de hortelã, o que dizer? É o chá com o melhor cheiro e eu estava doida para provar um café mentolado, mas foi uma decepção total, assim como nas vezes em que tentei tomar o chá de hortelã puro. Aquele cheiro engana. O café ficou simplesmente com um sabor de capim no fundo, leves notas de mato não identificado, mas nada parecido com hortelã. Decepção.
 
Acho que o negócio é usar chás de fruta ou de flores. Jasmin também deve ser uma boa opção. Conclusão: para tomar de vez em quando, o café chá-romatizado vale o trabalhinho extra – e a heresia da mistura.

 
•••
 
Cliquei num clipe só porque tinha a carinha da Maisie Williams, a nossa querida Arya de Game of Thrones. Tá, o nome da música também me chamou a atenção. Ocean.
 
Não conhecia a banda, mas como curti o estilinho da música e a historinha do clipe, resolvi clicar num segundo clipe (porque o nome Atlantis também me atraiu) e percebi alguma conexão de temas ali.
 
Não sei se proposital. Talvez seja apenas coisa da minha cabeça, porque esse meu cérebro de primata não se cansa de procurar por padrões.
 
Em um clipe temos uma jovem, e no outro um garoto. Em ambos, os protagonistas passam por uma situação de crise e vestem fantasias no processo de se sentirem mais fortalecidos: a Arya se fantasia de super-herói e o outro garotinho dá uma de Where The Wild Things Are e veste uma roupa de monstro.
 
Em Ocean, teríamos a típica crise do super-herói adolescente que sofre bullying no colégio até descobrir seus poderes e sair por aí com uma roupa ridícula, se não fosse o contrário: depois de voltar pra casa em mais um dia aomilhante na escola, Arya encontra uma antiga fantasia de herói e a experimenta na frente do espelho. Só depois é que ela percebe seus poderes – e toma coragem de sair para a rua.
 
“We hide our emotions under the surface and try to pretend” 

 
Atlantis: em um cenário de conflito (algum bombardeio parece ter acontecido), um pai carrega nos braços o filho atingido. Mas dentro da cabeça do garoto, ele está sendo carregado por um monstrão simpático e peludo, em um lindo cenário de montanhas e florestas. Eles começam a brincar juntos e ficam tão bróders que, numa noite em volta da fogueira, o menino passa a vestir uma fantasia bem parecida com a do monstro que passa a lhe fazer companhia.

 
A imaginação é poderosa. Naquele mundo que o garoto criou para si, ele está à salvo. A roupa se torna uma casca protetora, um refúgio para o mundo que desmorona à sua volta – por isso a referência a Atlantis, a cidade mitológica que teria desaparecido no meio do Oceano Atlântico.
 
“I can’t save us, my Atlantis, oh no. We build it up to pull it down. Now all the birds have fled, the hurts just leaves me scared, losing everything I’ve ever known.” 
 
E é exatamente o que a adolescente do clipe Ocean faz: se proteger por trás de uma fantasia. 
 
As duas histórias têm o mesmo ponto de virada: a menina Arya acaba usando seus poderes para se vingar da turminha que a agrediu, mas ela fica apavorada com o que ela é capaz de fazer e volta correndo pra casa. As coisas também não dão certo para o menino monstro, que precisa fugir com seu amigo imaginário quando a destruição do mundo real ameaça invadir o seu mundo seguro. É quando os dois protagonistas percebem que aquele “refúgio” não é a solução.
 
Quando o monstro, ferido demais para seguir na caminhada, tropeça e fala para o menino continuar sem ele, interpretei como um momento de ruptura: a fantasia literalmente pede para ser abandonada. Você precisa encarar a realidade se quiser sobreviver. O menino escala bem alto e no final encara o horizonte. Não o vemos despertar no braço do pai, mas é uma representação mais sutil de um final em que o garoto dá sinal de vida e acorda (eu quero acreditar!!).
 
No final de Ocean, a garota entra em casa e corre para abraçar a mãe, que acabou de voltar do trabalho. A mãe não entende nada, mas a filha finalmente se sente protegida – com algo palpável, real.
 
O interessante é que os dois personagens terminam a história usando as fantasias, apesar de aparentemente terem saído de seus mundinhos imaginários. Talvez para representar que eles até voltaram para a realidade, mas trouxeram junto a força que encontraram dentro da imaginação?
 
Ou porque fantasias legais assim não devem ser desperdiçadas?
 
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Como você já percebeu ali em cima, esta semana eu renovei a marca e a mascote de Bobagens Imperdíveis. Renovar é sempre bom e acaba consolidando a sensação da newsletter estar evoluindo.
 
Espia só a evolução da marca desde o início de Bobagens:

 
A ideia agora foi deixar o desenho mais leve (e não tô muito acostumada a fazer desenho sem contorno), dar mais personalidade para a mascote e trazer cores suaves como uma manhã de sábado.

Que tal? 

Também tive a ideia de colocar pequenos ícones no topo da newsletter para representar um resumo dos assuntos que serão tratados na edição. Um tipo de "índice" :)
 
 
Ah, também finalmente dei um nome para a entregadora de jornais, porque de tanto desenhar a mina, parece até que eu a conheço. Mas tudo que ela me disse foi seu apelido: Val.
 
(de Valquíria? Valhalla? Valentina? Valdirene? Nunca saberemos).
 
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Conselhos da Dona Mexerica
 
“Quando vier aquela sensação de que você estagnou na vida, ou quando se sentir paralisado demais para fazer qualquer coisa, lembre-se: você está girando a 30 km por segundo no espaço. O primeiro impulso para se mexer você já tem.” 
 
*Dona Mexerica tem pernas curtas mas é mais ligeira do que parece. Em uma realidade alternativa, ela é uma gata laranja que prefere ficar deitada.
 

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Me empenhei para caprichar no visual desta edição não só porque pra mim é importante fazer um negócio bonito, mas principalmente porque quero transmitir no visual toda a empolgação que estou tendo com as mudanças e novidades que estou preparando.

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E, como diria Ru Paul, if you don't  love yourself, how in the hell you gonna love somebody else? Posso ter um amém?
 
Beijos chá-romatizados,
 
Aline. 
 
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