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Trilha sonora desta edição: Da África & Afrofuturismo

Do tamanho da África

 

Do outro lado do Atlântico, para além de nossa vista se sentarmos nas areias de qualquer praia do litoral brasileiro, há um mundo que parece distante se tanta água nos separa. Se tanta ignorância deliberada nos afasta.
 
Aquele mundo, do outro lado do Atlântico, chama-se África. Aquele pedaço de chão já esteve grudado ao nosso pedaço de chão, de forma que é impossível não sentirmos qualquer tipo de conexão com aquele mundo.
 
Já fomos o mesmo continente, hoje somos ligados pela herança genética e cultural de um povo arrastado de lá pela crueldade de uns. Há aí um passado do qual não conseguimos nos desligar – seja Pangeia, seja a origem da humanidade, seja a escravidão.
 
Daí é comum ouvir, em tom de reverência, “um lugar que eu queria conhecer é a África!” Mas qual África? Onde na África? Vê, a África não é um país.
 
África é continente, e ali existem 55 países – onde as pessoas vivem de formas muito diferentes, falam línguas diferentes, têm culturas distintas. Como podemos ver tamanha diversidade como uma entidade monolítica, homogênea?

Faltou neste mapinha a indicação da Guiné-Equatorial e do Sudão do Sul, assim como faltaram as ilhas Comores, República da Maurícia, São Tomé e Príncipe, Seychelles e Cabo Verde. Mas, de resto, dá uma boa ideia do que estamos falando.
 
Tão pouco sabemos sobre um mundo tão grande. E o que sabemos (ou pelo menos achamos) chegou até nós enviesado: falam África tentando resumi-la a doenças, fome, crianças desnutridas, guerras civis, pobreza, cultura exótica, rinocerontes e escravidão. Bem, tirando os rinocerontes, todas essas coisas podem ser encontradas em praticamente qualquer lugar do mundo.
 
Mas qualquer olhar mais cuidadoso nos mostra que nos países africanos há também escritores, artistas, músicos. Há humor, há boa comida, há indústrias cinematográficas. Há pessoas muçulmanas, cristãs, da fé Odinami, até as sem-religião. São pessoas que falam um terço das línguas existentes no planeta – além das mais de duas mil línguas originárias da África, por lá também se fala árabe, inglês, francês, espanhol e sim, o português.
 
Há uma África que fala a mesma língua das pessoas brasileiras! Por que não ouvi-la? Por que não ler suas histórias? Por que ainda buscar sobre ela o ponto de vista estrangeiro?
 
Estendendo a língua portuguesa como tapete, podemos dar um ou dois passinhos para mais perto desses países cuja conexão com nossa realidade nos é negada continuamente pelo filtro eurocêntrico.
 
Nisso, podemos ler sobre um artista visual angolano, Kiluanji Kia Henda, debatendo o crescimento de Luanda a partir da utopia de Niemeyer: “Luanda transforma-se numa cidade singular, onde o mais pobre e o multimilionário coabitam nos mesmos edifícios e partilham os mesmos degraus, como havia sonhado Óscar Niemeyer quando projetou o emblemático Copan. (…) Tal como o sonho falhado de Niemeyer, do lado oposto do Atlântico, o crescimento explosivo da população na cidade de Luanda causa vertigens”.
 
Ou descobrir um escritor angolano, chamado Kalaf Epalanga, e ouvir seu ponto de vista sobre as pessoas de outros países africanos: “eu admiro muito os guineenses, porque acho que temos que aprender com os guineenses – são contadores de histórias incríveis, uma experiência, uma vivência muito rica”.
 
Ou ler uma deliciosa crônica sobre peixeiros em Benguela, cidade a oeste de Angola, de frente para o mar, onde conta-se que “foi o Kateia que lhe confirmou a existência do peixe-mulher. Mais. Até lhe garantiu que tinha visto no Rio Dande, um peixe mulher. E não era fantasia. Nalguns rios de Angola existe ou existia o manatim, um tipo de ‘peixe-boi’ africano ou mulher-peixe”, além de descobrir que por lá o que conhecemos por angu ou polenta (sobre o qual escrevi aqui) é chamado funje e é feito com fubá de bombó.
 
Ou ler de senegaleses como o escritor Cheik Aliou Ndao sobre a imposição da língua francesa em seu país: “não escrevemos em francês por amor ou por uma escolha deliberada. Usamos a língua de Moliére por acidente histórico. A francofonia não é a nossa herança, porque o nosso eu profundo exprime-se nas nossas línguas maternas. Escrever numa língua de empréstimo é aceitar participar numa literatura de transição”, lembrando que idiomas europeus, mesmo aqui, fizeram parte de um projeto de colonização.
 
Ou conhecer uma fotógrafa sul-africana chamada Zanele Muholi e seu ativismo pela visibilidade lésbica: “Eu trabalhei duro para criar imagens positivas e socialmente significativas de lésbicas negras. E assim temos feito um movimento significativo em direção à nossa visibilidade. Tem sido minha principal missão garantir que aqueles que vêm depois de nós terão outros olhos para enxergar."

Fotografia de Zanele Muholi
 
Ou ainda descobrir que na Etiópia se produz um filme de ficção sobre uma jovem etíope fugindo das tropas de Mussolini na época da Segunda Guerra Mundial; ou descobrir que há um filme refletindo sobre a história contemporânea da Costa do Marfim; ou um que conta a resistência do povo ao norte de Mali contra a ocupação jihadista; ou ainda um filme queniano sobre as histórias, sonhos e esperanças de jovens LGBT, baseado em depoimentos reais.
 
E como não se lembrar da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie falando sobre o perigo de uma história única? “Um sábado, fomos visitar a sua aldeia e sua mãe nos mostrou um cesto com um padrão lindo, feito de ráfia seca por seu irmão. Eu fiquei atônita! Nunca havia pensado que alguém em sua família pudesse realmente criar alguma coisa. Tudo que eu tinha ouvido sobre eles era como eram pobres, assim havia se tornado impossível para mim vê-los como alguma coisa além de pobres. Sua pobreza era minha história única sobre eles. (…) A única história cria estereótipos. E o problema com estereótipos não é que eles sejam mentira, mas que sejam incompletos. Eles fazem uma história torna-se a única história."
 
Nos países, nas gentes e nas culturas africanas cabem tantas histórias que depois de ver algumas, impossível se contentar com a história única que nos contaram sobre a África.
 
Tantas, tantas histórias. É possível passar uma vida inteira pesquisando sobre elas e não esgotá-las – afinal, estamos falando de um continente. 
 
Para escrever sobre tudo que é possível aprender sobre aquele continente, uma ou duas edições desta newsletter não bastariam; seria necessário um espaço gigantesco. Um espaço do tamanho da África.

A capital Nairobi pelo fotógrafo queniano Mutua Matheka.

Afrofuturismo

 

Não nasceu na África, mas é produzido também por artistas de lá e tem total conexão com a cultura e vivência das pessoas de origem/ascendência africana ao redor do mundo: um movimento artístico chamado Afrofuturismo.
 
A escritora Ytasha Womack descreve o Afrofuturismo como a intersecção entre cultura negra, tecnologia, liberdade e imaginação, com algum toque de mistiscismo. Pode ser expresso em filme, na arte, na literatura e na música. É uma forma de fazer uma ponte entre futuro e passado para ajudar a reimaginar a experiência das pessoas negras.
 
Nos primórdios da história do Afrofuturismo, havia um músico multi-instrumentista de jazz conhecido como Sun Ra. Nasceu no Alabama em 1914, numa época e lugar de muita segregação racial.
 
Quando foi para Chicago nos anos 50, começou a tocar com a banda Arkestra e foi aí que a sua carreira brilhante teve início – e quando ele passou a se denominar Sun Ra, um nativo de Saturno que foi enviado à Terra pelo criador do Universo em 1055 com a missão de salvar o povo negro de desastres como a segregação, a guerra fria e a bomba atômica. Eita doideira maravilhosa.

 
Este artigo conta: “O que agora definimos como Afrofuturismo não foi sobre exploração musical, roupas legais ou mesmo reconhecimento acadêmico. As ideias e filosofia de Sun Ra, cujo centenário foi celebrado em 2014, eram também sobre melhorar a vida das pessoas negras: ele começou a fazer música antes das lutas por direitos civis ou o sufrágio universal. Sun Ra sentiu que o futuro dos afroamericanos poderia ser intergaláctico."
 
Outra banda da época que embarcava forte no Afrofuturismo, a Parliament, fez uma previsão que anos depois se provaria certa, como já aconteceu com tantos autores de FC considerados visionários: na música Chocolate City, a Casa Branca é ocupada por um casal afroamericano. A banda canta: “Eles ainda chamam de ‘Casa Branca’, mas é uma situação temporária”. Isso em 1975, Aline! Mais de 30 anos antes de Obama ser eleito.
 
Hoje o Afrofuturismo continua bem representado na música: OutKast, RZA, Erykah Badu e Janelle Monáe são alguns dos nomes mais populares desse movimento cheio de naves espaciais, androides e deuses.

 
(tem um bocado de Afrofuturismo na playlist que criei para embalar esta edição)
 
O Afrofuturismo também quebra a ideia de que a tecnologia seja a “mitologia branca”, se é possível que histórias no espaço sejam protagonizadas por pessoas negras e africanas, como no curta Afronauts, que teve sua estreia no aclamado Sundance Film Festival em 2014.
 
É 1969, e enquanto a América se prepara para lançar o Apollo 11, a Academia Espacial de Zambia espera chegar primeiro na lua. Martha, uma garota de 17 anos, é a astronauta escalada para a missão (com dois gatos) e acaba se tornando a protagonista de uma história que reimagina como o futuro poderia ter sido. Ficção científica inspirada em fatos reais.
 
Frances Bodomo, a diretora do curta, conta: “estou extremamente empolgada para contar uma história da perspectiva de exilados e forasteiros, as pessoas que mais precisavam das promessas de uma corrida espacial. As pessoas cujas histórias foram perdidas ou silenciadas para uma história icônica e mainstream documentar os fatos. O que você faz quando você não consegue chegar ‘lá fora’?”

 
Na literatura, a escritora Octavia Butler é uma das pioneiras do Afrofuturismo (antes mesmo de se chamar Afrofuturismo) e uma notável representante da ficção científica feminista – um de seus grandes sucessos, Kindred, foi escrito em 1979.
 
Eu me senti atraída pela ficção científica porque era algo tão aberto. Eu era capaz de fazer qualquer coisa e não havia paredes para te isolar e não havia condição humana que não se pudesse examinar”.
 
Há obras literárias bem mais antigas que podem ser consideradas Afrofuturistas; como o romance Blake, or the Huts of America (pode ser lido aqui), escrito por Martin Delany em 1857. Uma história alternativa onde os escravos de Cuba e da América tramam uma bem-sucedida revolução.
 
Qualquer que fossem as formas narrativas que trabalhavam, os autores Afrofuturistas do século XIX foram unidos por um interesse comum em representar as mudanças de relações entre ciência e sociedade enquanto especificamente pertencentes à história afroamericana – incluindo, é claro, a história do futuro."
 
Há ainda uma lista extensa de autoras e autores que escrevem ficção especulativa dentro do contexto da cultura e história negra.
 
Lista tão extensa quanto o próprio tema, se tanta variedade e tantas produções artísticas dão ao Afrofuturismo uma vastidão cósmica.
 
Não se pode esperar menos de um movimento que veio reconfigurar arte, música e ficção científica, quebrar padrões e, de quebra, dar um sentido novo – e fantástico – para a frase “o futuro não é mais como era antigamente”.

A incapturável

 


Conta a história que o reino de Ndongo começou a ser invadido por homens brancos, muito bem armados e cheios de recursos, que iam explorando comunidades por onde passavam, prendendo pessoas e fazendo-as escravas para depois mandarem a uma terra muito distante chamada Brasil.
 
O rei da região, Ngola Mbandi (e seria o título de realeza Ngola que posteriormente daria nome a toda aquela terra), via a guerra e as tensões aumentarem à medida que os invasores avançavam. Estavam sendo subjugados. Com medo de mais uma derrota e na tentativa de negociar a paz com os portugueses, Ngola enviou a sua irmã numa missão diplomática.
 
Nzinga, era o nome dela. Nzinga Mbandi – e era um nome que os portugueses não esqueceriam tão cedo.
 
Então ela chegou à sala de conferências onde se daria a reunião com o governador de Luanda – o puto que estava teimando em invadir territórios de seu reino – mas no lugar só havia uma cadeira, destinado ao único branco presente, que parecia com isso estar tirando uma grande onda com a sua cara.
 
“Ah, mas eu vou sentar sim e vou sentar MUITO” – não disposta a levar desaforo para casa, Nzinga pediu para um de seus acompanhantes ficar de quatro e se fazer de cadeira – em cima do qual permaneceu divinamente sentada durante toda a conversa.

beijinho no ombro

Uma troca, foi o que aconteceu: converteu-se cristã, recebeu de batismo nome português e cedeu abertura do seu reino ao comércio deles, desde que desistissem de construir em seu reino uma fortificação militar – onde, era sabido, aqueles homens aprisionavam escravos.
 
A boa vontade de Nzinga, no entanto, não foi a mesma dos portugueses. Os caras simplesmente cagaram para o acordo e continuaram seus intentos de construir um forte militar e dominar todo o reino Ndongo.
 
O problema é que os chefes de várias tribos passaram para o lado dos portugueses, o que começou a causar desordem e muitos conflitos no reino. Um desses chefes, tio de Nzinga, dirigia-se a Luanda para se submeter aos portugueses – mas como ela logo soube da traição, mandou decapitá-lo antes que chegasse à quebrada dos inimigos. Onde já se viu? Depois de tudo que ela tinha feito para negociar a paz, até ser chamada de DONA ANA?
 
“Mana, acho que você vacilou”, foi o que seu rei e irmão disse. Nzinga não gostou nada daquilo: Ngola estava hesitando diante dos invasores, não mostrava nenhuma disposição em punir os traidores e capaz que ele mesmo acabasse virando pau mandado dos portugueses.
 
Algum tempo depois, Ngola Mbandi morreu ~misteriosamente~. Envenenado, disseram.
 
Nzinga reclamou para si o título real, mas não seria assim tão fácil. Os portugueses não só não a reconheciam como rainha como tiveram a cara de pau de eleger um chefe mbundu, o Kiluanji II, como novo Ngola.
 
Agora o negócio ficava sério. Nzinga renegou a fé cristã, aliou-se a guerreiros jagas do oeste e começou a preparar-se para a guerra: não sossegaria enquanto não mandasse aqueles homens embora.
 
Assim que souberam da nova rainha, o povo mbundu (uma das etnias do reino) viu nisso uma oportunidade de libertação: os escravos aprisionados nas fortificações militares fugiam e iam engrossar o exército da rainha-guerreira – porque não bastava ser invocada, ela ia também para o campo de batalha.

 
Isso deixou os militares portugueses malucos. Eles queriam a cabeça daquela mulher de um jeito ou de outro e Nzinga passou a ser procurada e caçada. Em uma dessas ocasiões, a rainha acabou encurralada pelo exército luso na ilha de Kindonga.
 
Mas ela tinha um plano, porque não bastava ser perigosa, guerreira, era também estrategista. Mandou mensageiros para pedir uma trégua de três dias e, em seguida, ela estaria disposta a se render. Só depois dos três dias os portugueses se deram conta que foram enganados: “ó pá, a maldita Rainha Ginga já se escafedeu tem tempo!”. 
 
Com um exército poderoso e com a adesão de mais chefes tribais, Nzinga acabou ocupando a parte oriental de Ndongo, tornando-se Rainha de Matamba. 
 
Foi dali que acabou se aliando aos holandeses, quem sabe assim conseguia expulsar os portugueses? Bem, deu ruim. Os portugueses não só venceram a batalha como aprisionaram duas irmãs de Nzinga, quem sabe assim ela se rendia?
 
Foram décadas de luta, os portugueses e a rainha Nzinga.
 
Então ela finalmente foi morta pelos seus inimigos. Hmm, na verdade não. Foi encontrada e capturada? Também não. Lembre-se que o título dessa história é "a incapturável". Morreu heroicamente em batalha? Nada! Nzinga morreu velhinha, aos 82 anos.
 
“Mas o que aconteceu às irmãs dela? E os portugueses, foram expulsos?"
 
Veja que, entre a captura das irmãs e sua morte, rolaram muitas tretas. 
 
Teve uma época em que o Papa mandou para aquela terra uma excursão de missionários e Nzinga capturou dois freis para tentar convencê-los de que ela até poderia voltar a ir à missa se os putos dos portugueses soltassem suas irmãs e reconhecessem sua soberania sobre os reinos de Ngola e Matamba.
 
“Eu aceito Cristo como meu salvador e blá blá blá, pronto, satisfeitos?"
 
Os portugueses acharam satisfatório e o governador de Luanda resolveu devolver uma de suas irmãs (a outra havia sido executada não muito depois de ser capturada). Quanto aos reinos, bem, ele barganhou: ela podia ficar com Matamba, mas deveria abrir mão de Ngola. Metade das suas exigências, mas já era alguma coisa.
 
Morreu velhinha demais para entrar em qualquer combate, mas morreu sendo lembrada como aquela que não se rendeu, como mestre das escapadas e rainha imortal. Sua irmã Mocambo a sucedeu como rainha de Matamba e a lenda de Nzinga ficou gravada na história.
 
Nzinga. Ana de Sousa. Rainha Ginga. A incapturável. Ou, se preferir, Rainha de Angola. Tantos nomes e apenas um comentário possível: que mulher.
 
 
Esta foi a minha “fanfic” sobre Nzinga e a história séria você pode ler aqui. As imagens são do filme Njinga, a Rainha de Angola.

Escrevi na semana

 

Foi uma semana muito produtiva na cozinha do Todo Mundo Come, meu novo blog sobre comida. Três textos fresquinhos para você ler:

:: No futuro distópico do filme Interstellar, a humanidade só consegue plantar milho. Mas peraí:
isso não é tão ruim.

:: A sempre desagradável experiência de encontrar uma
lesma na alface – por mais que digam que é sinal de que a alface não tem agrotóxicos.

:: Ela não comia nada que lembrasse remotamente que já fez parte de um ser vivo – o intrigante é que ela também
não era vegetariana.

Leia, espalhe, mande opiniões :)
 
nem carnívora, nem vegetariana
♥︎
♥︎
O que você viu nesta edição foi uma compilação de algumas leituras que fiz durante a semana.

Seguindo o que me propus na
edição passada, sobre fazer leituras mais verticais, tentei escolher um assunto e me aprofundar mais nele.

Não é fácil (acaba sendo bem mais puxado do que o que me propus ano passado, de evitar cliques de indignação), mas é uma experiência interessante.

A quantidade de coisas que se aprende. Ter que buscar e pesquisar e ter o critério para escolher os caminhos – em vez de apenas consumir passivamente o que chega para mim nas timelines da vida.

Li, li, li e li. E, quanto mais lia, apenas acentuava uma angústia, a sensação do quanto eu sei pouco. Não, estou sendo generosa; o fato é que eu não sei nada.

O fato é que a leitura perturba, porque cansa, porque angustia – especialmente quando percebemos que determinado tema é praticamente inesgotável; sempre haverá mais um ponto de vista; sempre haverá uma nova questão; sempre haverá algo complementar; e eu sempre tão longe de ver a coisa toda, de que não sei de tudo – e nem posso saber.

Talvez a angústia deixe de importar quando há a percepção de que nenhum tema existe para nos preencher. O uso mais pobre que se pode fazer de algum conhecimento é para dizermos "eu sei".

Não é saber algo grande que nos torna grandes, importantes e sabichões. Deveria ser exatamente o contrário: quando sabemos de algo grande é que começamos a nos saber pequenos. Exatamente o nosso real tamanho em relação às coisas.

De qualquer forma, espero que pelo menos uma indicação que trouxe nesta edição tenha sido do seu interesse :)

Tenha uma boa semana, hidrate-se e ame-se.
 
Beijos continentais,
 
Aline.

 

Copyright © 2015 Aline Valek :: Escritora, Todos os direitos reservados.


 
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